terça-feira, 7 de julho de 2009

Até logo, goodbye!

Pois é, pessoal... O blog anda meio desatualizadinho, não é mesmo? Incrível como me identifiquei com aquela matéria que escrevi sobre "vidas digitais atribuladas"! Desde então, e talvez até desde antes, tem sido uma loucura manter meu "eu virtual" em dia.

Mas não vou fazer um post desabafo, tampouco um pedido de desculpas. Se ando em falta on line, é porque off line a vida corre a mil... que bom! (e até 'que saco!', às vezes). Isto não é, necessariamente, um "blogcídio".

Hoje, aniversário de Pelotas, entra no ar o site do Diário Popular. O jornal inaugura uma nova fase, importante para a cidade, e como os conteúdos do impresso estarão lá (quase na íntegra) esse blog perde, em parte, sua função - que era de manter meu portfólio digitalizado.

Quem quiser me ler, a partir de agora, pode passar por lá pelas seções dos cadernos, especialmente o Zoom, o Estilo e o Tudo. Talvez, depois, eu crie um blog lá mesmo no site, ou então faça um novo blog para mostrar a vocês as outras coisas que eu venho fazendo.

Tem muita gente me seguindo no Twitter, mas esse eu abandonei também, ao menos por enquanto. Orkut, então, nem se fala. Estou pensando em Orkutcídio... Pra me achar na Internet, mande um e-mail ou visite meu Plurk, que segue em karma razoavelmente estável.

Forte abraço e até a próxima!

Bianca

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mensagem recebida no meio de uma tarde agitada. Curta demais, longa demais...

O importante, como nos disse Cora Coralina, é saber viver.
Saber Viver


Não sei... Se a vida é curta

Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sobre Redes Sociais na Internet


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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rita and roll

Ícone feminino do rock, Rita Lee sobe ao palco para tocar e cantar os hits que o público quer ouvir. Tudo pelo prazer de fazer as pessoas terem prazer com ela.

O Tremendão Erasmo Carlos diz que ela chutou o pau na barraca da mesmice. Ela diz que segue na “mesmice de sempre”. Só que a mesmice de Rita tem alma de mutante e não dá lugar ao tédio. Nessa turnê de hits, Rita revira o baú – com uma bagagem de mais de 40 anos de estrada - e apresenta as canções que as pessoas querem ouvir, previstas no repertório ou tocadas à pedido da plateia.

Sucessos de todas as fases da carreira com lugar cativo no gosto do público aparecem mescladas com músicas como Bwana (que ganhou nova versão: Obama), Cor de rosa choque e Tão (do mais recente trabalho). Ainda há espaço para releituras, como a clássica Baby, de Caetano Veloso, Vingativa, das Frenéticas e O bode e a cabra, versão “vestida de forró” de I wanna hold your hand, dos Beatles.
Releituras e novas versões à parte, há coisas que nunca mudam em Rita Lee (para a alegria de sua legião de admiradores). Ela continua excêntrica bem-humorada e, sobretudo, aos 61 anos de idade, continua se divertindo nos palcos com a mesma intensidade dos primórdios ao lado d’Os Mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. O que lhe dá tesão na vida profissional? “O prazer de fazer as pessoas terem prazer comigo”, responde em verso na entrevista concedida ao Zoom por e-mail.

Pelotas e Porto Alegre são as duas cidades gaúchas que irão assistir à apresentação do CD e DVD Multishow Ao Vivo Rita Lee, lançado pela Biscoito Fino e gravado a partir do show Pic Nic, registrado pelo canal de TV Multishow no Rio de Janeiro em janeiro desse ano.
A cantora sobe ao palco em família, acompanhada nos vocais e guitarras pelo marido Roberto de Carvalho e pelo filho Beto Lee. Diz que trabalhar em família não atrapalha. “Se atrapalhasse não estaríamos os três juntos há mais de dez anos…”

A banda ainda é formada por Benno di Napoli no baixo, Edu Salvitti na bateria, Danilo Santana nos teclados, Débora Reis e Rita Kfouri nos vocais.

O show é uma realização da Opus Produções financiada através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


As drogas e o “politicamente correto”

A pergunta é curta: “quem é hoje no País a revelação do rock? Poderia ser a Pitty?” A resposta não contraria: “Sim, além da Pitty há muita moçada que ainda não teve oportunidade de mostrar seus trabalhos. Ainda bem que cada vez mais a ‘net’ é a grande vitrine para os músicos do planeta.”

Apesar de ser uma referência, Rita não opina “contra quem ou o quê o rock deve protestar nos dias de hoje”. “Não sou dona nem do rock nem do protesto”, limita-se a responder. Ainda assim, combate clichês e é firme ao defender que o “politicamente correto” nem sempre é o correto, mantendo em riste a bandeira de liberdade que erguia na juventude – cabelos vermelhos ao vento – sob o slogan “sexo, drogas e rock and roll”. “Desde os tempos dos egípicios a humanidade faz uso de drogas, meu bem… eu acho que essas tais campanhas de conscientização são de uma hipocrisia ímpar. Todos sabem que o álcool é a droga que mais mata e no entanto continua liberada, inclusive com propagandas bacaninhas acrescidas de apenas um milésimo de segundo onde há o tolinho ‘se beber não dirija’. Oras, nem meu cachorro acredita nessa cretinice.”

E continua: “No meu tempo vivia-se sob a claustrofobia de uma ditadura barra pesada, portanto a bandeira do ‘sexo, drogas e rock and roll’ significava respirar ares de liberdade. Hoje em dia há todo tipo de informação, quem quiser se informar que se informe e se quiser experimentar já estará sabendo o que lhe espera. Além do que as drogas hoje pertencem ao crime organizado. Ou se libera ou se proíbe tudo, mas continuar no cinismo de que o governo quer ‘proteger’ os cidadãos é tentar enganar meu cachorro.”


Imperdível
O quê: Show Multishow Ao Vivo – Rita Lee
Quando: hoje, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: os ingressos antecipados estão à venda nas Lojas Krause (avenida Domingos de Almeida e rua 15 de Novembro) a R$ 140,00 (plateia) e R$ 120,00 (camarotes). Idosos, estudantes e professores têm direito a 50% de desconto.

Los Jueves en el Mercado

O termo regionalismo
A mim sempre causou asco,
Pois na terra do churrasco,
Preferimos, nativismo,
Ou mesmo- universalismo
Que pertence ao mundo inteiro
E eu pergunto ao companheiro
Nesse meu tom informal:
O que é mais universal
Do que o berro dum terneiro?
Jaime Caetano Braun. 1924-1999


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terça-feira, 26 de maio de 2009

A Roda Viva carrega a saudade pra lá

Tem dias que a gente se sente… com vontade de escutar Chico Buarque, não é verdade? E nem adianta ir contra a corrente, até não poder resistir. Se amanhã for um desses dias para você, caro leitor, eis a boa notícia: tem show da banda Roda Viva no João Gilberto.

Formado em 2003 por jovens porto-alegrenses de 20 e poucos anos, o sexteto faz um tributo ao ícone na MPB Francisco Buarque de Hollanda, o Chico. Com intervenções modestas, poucas variações aplicadas aos arranjos originais – afinal, pra que mudar o que foi bem feito? – o show é um momento especialmente dedicado à apreciação de um legado musical farto e de fácil identificação com o público, não importa a idade. “Quem quiser uma música que tenha a ver com qualquer momento da vida certamente vai achar alguma no repertório dele”, diz o vocalista Zé Leandro que acredita que a banda tem contribuído para renovar os ouvintes chicobuarqueanos. “A gente tem conseguido atrair a atenção de um público que estava até carente de músicas com essa profundidade”, comenta.

Entre sambas e outras bossas - canções que a banda levará ao público esta noite - ficam de fora as do mais recente CD de inéditas Carioca, lançado em 2007. Daí para trás, eles fazem um apanhado geral do cancioneiro. O que é mais difícil ao interpretar Chico? “As músicas têm muitos acordes, e acordes muito elaborados. Mas é ótimo”, diz o porta-voz da banda.

Os desafios, sem dúvida, fazem parte da essência musical peculiar do compositor que brinca de desconstruir modelos de harmonia convencionais e, principalmente, foge dos refrões. “Quando a gente pensa que vai entrar o refrão ele vai para outro lugar da música”, fala o intérprete que se satisfaz ao dar voz à poesia de Buarque, com seus versos de complexidade simples, e sua visão apurada sobre vários aspectos da vida. Falar do cotidiano, aliás, é algo que o poeta faz com maestria, o que me faz lembrar os versos Todo dia ela faz tudo sempre igual…

O show de hoje no bar e champanharia João Gilberto marca o encerramento do Seminário sobre Responsabilidade Ambiental do curso de Biologia da UCPel e a abertura da Semana do Meio Ambiente. A abertura estará à cargo da banda pelotense Nação Suburbana.


Projeto paralelo

Com outras duas bandas da capital gaúcha – a Tribo Brasil e a Carne de Panela – o grupo Roda Viva integra o projeto O Maestro, o malandro e o poeta, onde o repertório de Chico Buarque é apresentado ao público bem acompanhado por canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

A estréia do projeto foi em abril desse ano no palco do Theatro São Pedro. As bandas já tem vários outros shows marcados para esse tributo triplo, por enquanto todos em Porto Alegre. Mas, quem gosta pode ficar ligado porque a intenção dos idealizadores é levar o projeto para viajar por palcos fora da capital.

A Roda Viva é formada por Lucas Dellazzana (bateria), Jeferson Azevedo (percussão), Juliano Luz (contrabaixo), Felipe Bohrer (violão), Vinícius Serrão (cavaquinho e bandolim) e Zé Leandro (vocal).


Prestigie!

O quê: show da banda Roda Viva – Tributo a Chico Buarque (abertura com a banda Nação Suburbana)
Quando: amanhã, a partir das 22h
Onde: no bar e champanharia João Gilberto (rua Gonçalves Chaves, 430)
Quanto: ingressos antecipados custam R$ 10,00 e estão à venda no restaurante Teia Ecológica (na praça Coronel Pedro Osório) ou no Posto do Guga (rua General Osório esquina avenida Bento). Informações e telentrega de convites pelo telefone 8111-2098.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa |Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 26 de maio de 2009

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Minha vida digital

Estou on-line, logo existo. Como a vida social na Internet está cada vez mais agitada, o Estilo lança a questão: viramos escravos da agenda virtual?

Será impressão minha ou a expressão "surfar na Internet" saiu mesmo de moda? Talvez porque hoje em dia, com a profusão de informações na rede, ninguém consiga mais se equilibrar em uma reles prancha. É bem verdade que, mesmo nos tempos mais remotos, os cibermares nunca foram muito tranquilos. Mas, com a maré cheia de conteúdos que se tem atualmente, os internautas vivem cada vez mais a se equilibrar sobre o mouse em meio a "águas" turbulentas. Apesar disso, navegar é preciso.

O Brasil é um dos países onde as pessoas permanecem mais tempo conectadas no mundo. Em março desse ano atingimos uma marca inédita: cada um dos mais de 25,5 milhões de internautas residenciais navegou, em média, 26 horas 15 minutos durante o mês. Isto é, um dia inteirinho mais uma hora e quinze minutos. O recorde nos colocou no topo do ranking mundial que mede o tempo de navegação por usuários no mundo, logo acima de países como o Reino Unido, a França e a Alemanha.

Na prática, usuários mais efetivos costumam passar muito mais tempo na Internet. Adolescentes ou quem trabalha on line – especialmente profissionais na área de mídias ou informática – chegam a permanecer cerca de 8 horas seguidas conectados todos os dias.

Para piorar, estudos indicam que, a cada ano o internauta fica cerca de 0,8% mais lento para assimilar a informação disponível on line a despeito da tecnologia que, ao contrário, é capaz de transmitir cada vez mais informações com mais velocidade.

"E o que tu queres que eu te diga, que os jovens são viciados em Internet?" Foi a pesquisadora Raquel Recuero – uma das mais conceituadas quando se trata de redes sociais – quem começou perguntando na entrevista. Ela própria é um exemplo de internauta praticamente full time. "Quando eu era adolescente costumava passar horas ‘pendurada’ no telefone", compara. Hoje o que era um simples telefone virou celular e ganhou muito mais funções e, assim como o computador, permite que ela, os adolescentes e também gente de todas as idades passem horas conectados. "O importante é ter disciplina para não deixar que essa rotina seja sufocante, e saber usar a Internet na medida em que ela é útil", diz ela.

A rotina digital é intensa, e começa cedo, muitas vezes regada à uma boa xícara de café que acompanha as primeiras leituras do dia: é o momento de dar a primeira olhada na caixa de entrada do correio eletrônico (que nem sempre é única) e, como é preciso se manter bem informado, também é hora de ler as notícias do dia em jornais on-line, blogs ou no próprio agregador de feeds.

Nesse meio tempo, ainda sobram alguns minutos para dar uma passadinha nos microblogs Twitter (para ver o que está rolando por lá) e no Plurk, para ver se os amigos têm alguma novidade e, claro, para manter o "karma" (índice que mede o nível de popularidade e interação dos usuários). Uma "pausa" para responder a janelinha do MSN que começou a piscar (ao mesmo tempo que emite seu sinal sonoro característico), e não esqueça de colocar logo na Internet aquelas fotos da festa do final de semana. Ah! E cuidado para não se perder entre os milhares de links por aí, ou lá se vai a tarde inteira…

Agregadores de Feed

Os agregadores são programas que organizam informações de acordo com as preferências e interesses dos usuários. Tais programas são receptores de RSS Feed, uma tecnologia que permite a distribuição e recebimento de conteúdo (texto, som ou vídeo) sem a necessidade de acessar um website. Basta o internauta faça um registro nos sites ou blogs de onde deseja receber informações.

Microblogs

A instantaneidade dos microblog (blogs onde se publica textos de até 140 caracteres) conquistou internautas em todas as partes do planeta. No Brasil, os adeptos do formato têm aumentado expressivamente: o Twitter, mais popular deles, teve um crescimento de 456% em acessos entre abril de 2009 e o mesmo período do ano passado.

Mesmo assim nem chega perto de ser tão popular quanto o Orkut, lançado há 5 anos. Dos 25,5 milhões de internautas residenciais no Brasil, 17,85 milhões acessam o site de relacionamentos do Google.

O Plurk, criado mais recentemente, tem uma audiência menos expressiva mas virou uma espécie de fenômeno local. Hoje o site conta com pelo menos 400 "plurkers" pelotenses.

***Continuação do texto***
Na sequência, a agenda ainda pode reservar outros compromissos: verificar recados, checar as comunidades que você administra para ver se não há nenhum post indevido e ainda dar uma espiada na página de recados do namorado(a) ou ex no Orkut; ler e comentar blogs alheios (se quiser ter audiência no seu próprio blog, é preciso frequentar os dos outros) e, por falar nisso, você também precisa atualizar o seu blog, já que a última postagem foi publicada na semana passada.

Ser popular na Internet exige tempo e, pela falta dele, de assunto ou de paciência, provavelmente o próximo texto que será escrito comece de uma forma bem pouco inspirada: "Desculpem a falta de atualização no meu blog, mas a correria está demais (e a minha preguiça também!) Prometo tentar postar com mais frequência e blá, blá, blá…" Pra quê?

Para cada plataforma na Internet, existem milhares de utilitários – alguns aplicativos extras que até melhoram a funcionalidade dos sites, mas muitos são apenas um múltiplo a mais para as formas que se tem de interagir.

A maioria das pessoas nem conhece todos os recursos que um site pode oferecer (a forma de navegar é cada vez mais personalizada) e usa somente o "basicão", assim como a maioria das pessoas também não conhecem totalmente o potencial da maior parte dos aparelhos eletrônicos que possui. Ou você sabe tudo o que o seu celular é capaz de fazer?

Minimize

Os calculistas dizem que estamos a, no máximo, seis níveis de separação de qualquer pessoa do globo. Isto é: eu tenho um amigo. O amigo desse amigo meu tem outro amigo que conhece outro alguém que tem uma vizinha cuja tia tem uma empregada que é mãe do meu amigo. Mais ou menos assim.

Quase todo mundo recebe diariamente vários e-mails de desconhecidos de toda parte que querem se tornar "amigos". Querem que a gente esteja presente em cada nova rede virtual que aparece, seja ela Orkut – a mais popular no Brasil – ou My Space, Facebook, Sonico, Hi5… E eu disse "estar presente" mesmo, porque as redes sociais na internet exigem presença. A palavra de ordem é compartilhar. O que requer atualizar constantemente o perfil (e como somos seres tão mutantes o que dizemos sobre nós hoje logo fica defasado), postar novas fotos no álbum, novos vídeos, e estar em constante interação.

Em meados do século passado o escritor belga naturalizado argentino, Júlio Cortázar, dizia - não com essas exatas palavras - que quando se tem um relógio se tem também a obrigação e a necessidade de lhe dar corda todos os dias.

As redes digitais exigem a mesma frequencia e fidelidade. Segundo o Ibope, os brasileiros visitam o Twitter, em média, uma vez a cada oito dias. Já a média de assiduidade no Orkut por parte dos internautas daqui chega a ser de pelo menos um acesso a cada dois dias.

Mas, quando a vida offline (sim! Exite vida além da vida digital!) não deixa folgas para o seu avatar ou representação do "eu digital" agir o resultado é uma infinidade de posts com pedidos de desculpas pela falta de atualização – e tem gente que realimente se sente culpada por faltar a esses "compromissos" informais – além de milhares de perfis "fantasmas" condenados ao abandono.

Se estar sempre conectado pelo computador ou celular para alguns é um castigo, para Aleksandar Mandic é versatilidade. O empresário, um dos pioneiros da internet brasileira, argumenta que isso não é "perda de tempo", e sim uma forma de otimiza-lo. "A tecnologia não evoluiu para nos tornar escravos dela, mas sim para nos colocar mais presentes no dia-a-dia dos negócios e cuidar de outros assuntos ao mesmo tempo. Agora você pode tirar férias com a família e acompanhar os negócios de perto", defende.

Uso, sem abuso
(existem incontáveis formas de usar a internet – invente uma!)

Raquel Recuero é uma jornalista pelotense e trabalha como professora, pesquisadora e consultora na área de redes sociais. Tem 78 anos (segundo seu perfil na Internet), mais de 2 mil seguidores no Twitter e, orgulhosamente, 100 de karma no Plurk.

Ela não gosta da ideia de "criar regras", mas impõe limites para si mesma: todos os dias ela lê seus feeds mais interessantes até as 8h15min, dá um "alô no Plurk para manter o karma" e sai para correr. "O que não é lido até aquele horário não leio mais", até porque no dia seguinte vai haver pelo menos o dobro de links para serem acessados.

Angélica Freitas, tem 36 anos e é poetisa. Nasceu em Pelotas mas vive pelo mundo (atualmente passa um tempo na Argentina). Participou de vários blogs coletivos, entre eles o Poeta com dead line (uma alusão à sua formação em jornalismo), onde os colaboradores escreviam poesias diretamente na Internet e o Algavária, onde tinha a obrigação de publicar uma nova poesia a cada segunda-feira. É, ou era, blogueira desde 2001 e mantinha há 7 anos o blog pessoal Tome uma Xícara de Chá. Em abril deste ano deixou muitos leitores órfãos. Na sua derradeira postagem, a despedida poética: "É um chicletinho cósmico, a internet. Mas todo mundo sabe a verdade sobre o chicletinho: vicia. Só mais um pouquinho: e lá se foi a manhã. Que não voltará jamais! Se sair do Orkut e do Facebook é 1/2 um suicídio, deixar de ter um blog e de ler blogs é 3/4 sair da cidade grande para ir morar no campo. Creiam-me. Oh, já ouço o gritar dos quero-queros! Eu quero-quero uma casa no campo!"

Tatiane Lang é psicóloga, tem 28 anos e nasceu em Pelotas. Conheceu muitos amigos no IRC, gostava de ICQ e hoje adora plurkar e bater-papo no MSN. Entrou no MySpace por "incentivo" a apresentadora de TV Oprah Winfrey, mas prefere usar o Facebook. Pensou várias vezes em criar um blog, mas nunca o fez para evitar o compromisso. Isso porque "se vai começar a fazer alguma coisa tem que se dedicar", diz ela.

Jean Marques é web designer. Tem 29 anos e nasceu em Pelotas. Passa praticamente o dia todo online e admite que fica nervoso sem internet. "Uso algumas gadgets pra tentar manter a produtividade e a organização como calendários online e lista de tarefas, esse tipo de coisa.". Durante a entrevista, concedida pelo Gtalk estava em mais três conversas online, no Plurk e em fórum.

Guilherme Felliti é jornalista, nascido em São Paulo e tem 26 anos. É colunista da revista Carta Capital e editor-assitente do site IDG Now!, especializado em tecnologia. Cansou do Twitter. Abandonou sua conta pessoal no ano passado mas continua administrando o perfil do IDG Now!, que tem 4,5 mil seguidores. Diz que já foi compulsivo pelo computador mas que hoje em dia não entraria em colapso na falta de Internet. "Passaria uma semana ou um mês longe sem problemas. Claro que não nas próximas semanas, que eu preciso acabar minha tese!". Depois que concluir o mestrado, pretende se isolar durante um final de semana sem nada tecnológico. "Abraçar o mundo digital é suicídio. Admitir que há uma tonelada de coisas legais rolando por aí e que você não poderá ver absolutamente todas é um bom caminho", disse em entrevista pelo Gtalk

Bianca Zanella é jornalista, tem 21 anos e trabalha no Diário Popular. Seu perfil no Orkut está desatualizado. Deixou de postar no Twitter há meses, mas continua acumulando seguidores (o que será que eles querem ler lá?). Meses atrás chegou ao Plurk Nirvana (com karma superior a 81) mas atualmente não consegue mais passar dos 80. Dedicada a fazer essa matéria, foi conhecer mais a fundo o assunto e criou contas no Facebook e no MySpace (que serão abandonadas). Por causa de uma falha de configuração ficou cinco dias sem receber e-mails e até agora não conseguiu ver todas as mais de 90 mensagens que acumularam nesse tempo.

Lições para reaprender a navegar

Livre-se do lixo. Filtre seus e-mails. Configure seu anti-spam para reduzir o número de e-mails indesejados e não deixe acumular mensagens não lidas na sua caixa de entrada. Além de causarem a impressão de muitas coisas pendentes, elas ainda podem fazer você perder e-mails realmente importantes. Também não esqueça da regra básica da "netiqueta" (etiqueta da Internet) e seja criterioso ao enviar mensagens para não entulhar as caixas de entrada alheias.
Organize-se. Pode dar um pouco de trabalho criar pastas para e-mails, mas em pouco tempo essa medida pode ajudar a reduzir o tempo gasto para administrar o correio eletrônico. Há quem prefira administrar todos os e-mails em uma conta universal (que recebe e-mails enviados para as contas pessoais e profissionais), mas nem sempre essa pode ser a melhor opção. Outra dica é ter uma conta exclusiva para cadastros em sites. Assim as mensagens indesejadas, principalmente publicitárias, poderão ser todas desviadas para lá.

Saiba que menos é mais. Seja qual for o seu objetivo – conquistar popularidade e "capital social", fazer contatos profissionais ou divulgar produtos e ideias, será mais fácil conseguir isso com perfis, blogs ou sites "turbinados", bem feitos e principalmente atualizados que com inúmeras páginas onde o seu nome aparece mas sem qualidade de informação.


Texto: Bianca Zanella Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Páginas Centrais Publicado em: Pelotas, Domingo, 24 de maio de 2009