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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Crônica das palavras prostituídas

Confesso: sexo verbal sempre esteve entre as minhas preliminares favoritas. E mais: sempre tive as palavras mais como amantes que como amigas. Palavras são traiçoeiras, mas confio mais no que está escrito que em quem escreve, no que está dito do que em quem diz.

Apesar disso, se não merece a cumplicidade e a fidelidade de uma relação de amor ou amizade, acredito que cada palavra mereça, ao menos, ser cobiçada, conquistada, desejada como amante. Mas, prostituída?!

Vejo palavras jogadas sem qualquer tesão sobre páginas brancas em monitores encardidos, cor de lençol de motel barato. Amontoam-se várias ali, sem qualquer afinidade, faz-se uma orgia e tem-se um release. Depois, são lidas sem paixão, tão banalizadas quanto o sexo nos dias de hoje, vazias, usadas. São exibidas ao leitor como filme pornô de quinta em comercial de canal pay-per-veiw. Basta ler um trecho para entender o vazio contexto geral. E se for release político, então, vira pornô chanchada.

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A maior parte do que leio durante o dia é droga. Se a realidade é feia, ou não faz sentido algum, quem escreve tais relatos também é desprovido de talentos. Por isso quando chego em casa para o abraço dos cobertores prefiro ler ficção, ou documentários de autores bem escolhidos. Busco a poesia para encontrar no sono um sonho bom. Acordo com sede de mais histórias bem contadas.

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Em certos dias queria ser Carpinejar, a voz contemporânea do amor. Melhor ser escritor que jornalista, ao menos os escritores têm licença poética. Queria falar o que a maioria cala – o que eu calo – mas, para isso, precisaria sofrer como todos sofrem. Escrever pode ser perigoso...

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Noite dessas a leitura repetida quase sempre antes de dormir foi suspensa pela sensação gelada nas pontas dos dedos. A sensação de não sentir.

Até que uma brisa de inspiração que entra por baixo dos cobertores me fez sair da cama em busca de papel e caneta para não correr o risco de esquecer as palavras ao amanhecer. Perdi o papel onde rascunhei esta crônica. Tento aqui recordar o que escrevi, em garranchos sem seguir as linhas sonolentas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Aaaaaaaah, Pouca Vogal

Para quem foi ao Theatro Guarany, na terça-feira passada, esperando ver um show “parado” da versão acústica resultado da fusão e redução - dita provisória - das bandas Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem, uma agradável surpresa. A autointitulada “menor banda do rock gaúcho” - com um repertório bastante eclético para ser definida apenas como “banda de rock” - agradou o público pelotense mestiço e órfão das duas bandas-mãe (que não acabaram “oficialmente”, mas também não têm previsão de voltar a se reunir).


Foi um espetáculo musical daqueles de se cantar do início ao fim, com um repertório que circulou entre a tríade das velhas canções de Engenheiros e Cidadão - as bandas “preferidas” dos dois músicos em novas versões - e as inéditas do Pouca Vogal. Canções como Somos quem podemos ser, Pinhal, Música inédita e O amanhã colorido marcaram a noite com belos coros da plateia.

Difícil acreditar que o público estivesse cansado da “mesmice” de anos de carreira a fio alegada pelos músicos, mas eles estavam a fim de sair da rotina de composições musicais que seguiam sempre a mesma linha, e a inovação parece ter vindo em boa hora.

Inspiradíssimos, Duca Leindecker (líder da Cidadão) e Humberto Gessinger (líder dos Engenheiros) subiram ao palco em traje a rigor - com ternos risca de giz, respectivamente nas cores vermelho e azul, e tênis. Com esse visual, levaram ao público uma energia musical que vibra em harmonia na dualidade do talento e da personalidade que existe entre os dois. “Força e delicadeza / sonho e precisão…

Versáteis, mais soltos no novo formato e livres da velha proposta musical a que estavam agarrados há bastante tempo, Gessinger e Leindecker apresentam uma ousadia melódica antes apenas esboçada em algumas músicas e arranjos avulsos.

No clima minimalista do cenário, entre parênteses, entre aspas, os azuis, vermelhos, lilases e amarelos se alternaram para conquistar também os olhares do público que ouvia atento Humberto arrasando nos acordes de harmônica e viola caipira.

Mais que um show para ouvir, Pouca Vogal possui impacto visual para ser apreciado, com elementos de encher os olhos como os malabarismos de Duca no violão. Com um som diferenciado, ele deu uma roupagem moderna para Toda forma de poder, do primeiro álbum dos Engenheiros lançado no remoto ano de 1986. Já Refrão de um bolero teve as características de blues ainda mais evidenciadas com os efeitos de guitarra acompanhando o teclado de Gessinger.

Pelo que se viu, seja para as críticas dos fãs que não aprovaram o novo estilo (e nem foram ao show, provavelmente), ou para a apreciação daqueles que estão curtindo o novo som, a mudança parece não ter volta.

P.S.: para quem já está com saudade dos Engenheiros, os 25 anos da banda estão aí e há quem aposte que Humberto voltará a se reunir com os outros integrantes para as comemorações da data. Para os fãs de Cidadão, o baixista Luciano Leindecker se recupera bem do transplante de medula que fez recentemente, e segundo o irmão, Duca, ele poderá vir a se juntar com o duo Pouca Vogal assim que tiver condições de saúde. É só esperar pra ver.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Gustavo Vara | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 7 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O novo cinema brasileiro chega às telas com Vingança

Já diz a cultura popular que “a vingança tarda mas não falha”. Com o perdão do trocadilho clichê, digo que o filme Vingança, do diretor-revelação da temporada passada, Paulo Pons, demorou, mas finalmente chegou a Pelotas, mais de quatro meses depois de seu lançamento. E teria demorado mais, não fosse outra iniciativa do Instituto João Simões Lopes Neto de realizar a exibição na noite da última terça-feira.

O longa foi apresentado também na cidade-natal do cineasta, Pedro Osório. Desconhecido, mas já aclamado, elogiado e duramente criticado, o filme de estreia da produtora Pax Filmes chegou aqui depois de passar pelos principais festivais do Brasil - Gramado, Rio, São Paulo e Brasília - e fazer uma escala em Berlim, no terceiro festival de cinema mais importante do mundo.

Cerca de cem pessoas lotaram o auditório do Instituto João Simões Lopes Neto para assistir ao filme, com a honra da companhia do ator protagonista e com comentários ao vivo do diretor, que pessoalmente acionou a tecla play. Quem não conseguiu lugar ficou em pé, sentou-se no chão, mas não quis perder. Um dia antes, 800 espectadores passaram pelo CTG Fogo de Chão, em Pedro Osório, para outras quatro sessões. Valeu a pena a espera.

O cineasta que já foi chamado de marqueteiro, duramente criticado por subverter o sistema industrial da produção de filmes e incomodar as grandes produtoras com o discurso de baixar o orçamento mostrou que, depois de tantos “nãos”, sim: é possível fazer cinema barato até para competir com os “grandões” do mercado. Com uma produção desproporcional no tamanho da verba, Pons desafia as proporções de qualidade.

Apesar disso, confessa o que não passou despercebido por alguns dos olhares mais técnicos presentes na sessão: em uma cena logo no início do filme a câmera treme exageradamente. “A ideia era mesmo fazer uma câmera instável, mas nem tanto. Só que naquele dia, que foi o primeiro de filmagens, nosso suporte de mão falhou. E por ter pouco dinheiro não tínhamos como voltar e fazer de novo. Teve que ficar assim”, explica. Mas essa foi a única falha técnica notada no filme. Fora isso, a câmera instável, que em alguns momentos chega a perturbar o espectador, foi proposital para dar o tom tenso ao longa e vai se estabilizando à medida que o enredo avança sob o som da bela trilha sonora de Dado Villa-Lobos.

“Estamos avançados em tecnologia e o mundo sabe que o Brasil pode revolucionar o mercado a ponto de os produtores negociarem os filmes direto com os donos das salas de exibição. O que proponho é uma democratização do cinema usando criatividade, valorizando o trabalho artístico e usando novas tecnologias. E estou disposto a mostrar como eu fiz, para que outras pessoas façam ainda melhor e assim essa idéia se multiplique, seja aperfeiçoada. É só me perguntar: 'Como?'”, disse ele, que prontamente se convidou para debater o tema com a comunidade acadêmica do curso de Cinema da UFPel.


Críticas e polêmicas

Vingança é muitas coisas. Intenso, erótico, sensual, trágico. Violento? Muito pouco, apesar do tema.

Na tela, Erom Cordeiro reafirma sua posição de protagonista a cada cena. Ver o filme leva o espectador diretamente a concordar com críticas feitas anteriormente sobre a atuação do alagoano, que na tela parece mais gaúcho do que muitos atores nascidos e criados no Rio Grande do Sul já vistos em cena por aí. Até o sotaque soa com naturalidade. Sem muitas falas, o ator sustentou a trama e o personagem sinistro em gestos, olhares, respiração e suor com uma impecável interpretação.

Daí, a comparação é inevitável, como é inevitável também concordar com as críticas negativas com relação à aparição do veterano José de Abreu. Por mais louco que Paulo Pons quisera que fosse aquela figura, ela é estranha lado a lado com a trajetória de Miguel (interpretado por Erom), que de tão autêntica e realista acaba fazendo parecer a do outro ainda mais irreal e caricata.

E os críticos também parecem ter razão quando julgam estranho o sotaque de Emiliano Ruschel, que pareceu forçado aos ouvidos pelotenses, ainda que original, já que o ator é gaúcho criado em Passo Fundo.

Paulo Pons se defende, diz que a escolha de fazer personagens gaúchos surgiu quando o roteiro já estava em meio caminho andado e que teve a intenção de homenagear a sua terra. Sobretudo, diz que um filme deve ser discutido e apreciado e que deve se justificar por si mesmo. “Eu acho chato isso de fazer arte e ter que justificar essa arte com uma tese. Se eu quisesse me explicar faria um documentário, talvez. Mas eu só queria fazer um filme para contar uma boa história”, disse.

Mas, apesar da fala, suas desculpas ou justificativas não foram solicitadas, pelo menos não dessa vez. O público daqui aplaudiu e saiu satisfeito.

Pela forma como o filme foi bem recebido em Pelotas e Pedro Osório, deu para ver que a polêmica gerada em Berlim foi bem menor que a repercussão criada pela mídia, para sorte de Pons, que acabou ganhando mais espaço para divulgar seu filme em grandes jornais. Em uma entrevista, Pons declarou a uma jornalista que “pessoas do interior tendem a lidar com a questão da vingança com as próprias mãos porque não têm o suporte que uma cultura mais desenvolvida pode oferecer”. Mas o mal-entendido, se é que chegou a ocorrer, ficou mais do que esclarecido sem ofender, de fato, os conterrâneos do cineasta.

E os pelotenses também nem se incomodaram e até riram, quando a personagem carioca pergunta ao gaúcho em tom debochado: “Tu és de Pelotas, tchê?” Sobre isso, Pons comentou: “Eu canso de ouvir isso lá no Rio, é um preconceito que existe, não poderia deixar fora do filme.”


Entrevista

Único ator a participar de dois filmes selecionados para o festival de Berlim esse ano - Vingança e a produção austríaca Universal Love (que foram gravados simultaneamente, o que garantiu a expressão natural de exaustão ao personagem Miguel) - Erom Cordeiro também participou do elenco de Espiral, segundo filme de Paulo Pons que ainda não foi lançado.

Atualmente está no ar na novela Revelação (SBT) e está em cartaz com a peça O zoológico de vidro, de Ulysses Cruz com a atriz Cássia Kiss. Já disse, que voltar logo, para se apresentar no Theatro Sete de Abril.

A entrevista abaixo foi concedida antes da exibição do filme em Pelotas, na terça-feira.


Diário Popular - Tu acreditas em vingança?
Erom Cordeiro - Acho que nenhuma forma de violência é válida. Existem maneiras e maneiras de se resolver uma situação, mas se o filme vem conquistando espaço acredito que é porque o público de alguma forma reconhece esse tema como algo verossímel, que pode acontecer. Na questão do filme, o personagem tem essa vingança como um dever imposto. É claro que ele também sente-se transtornado com o crime, mas é muito influenciado. Não sei se ele chegaria às vias de fato por iniciativa pessoal.

DP - O Paulo Pons nasceu no interior do Rio Grande do Sul e essa vivência influenciou muito o roteiro de Vingança. Pra ti, um alagoano nascido em Maceió, como foi encarar um personagem com essa visão?
Erom - Quando o Paulo me chamou para fazer o filme ele tinha a preocupação de não criar uma figura estereotipada, o que é muito comum quando se quer criar um personagem, seja ele gaúcho, nordestino, carioca... Antes de começar a filmar eu vim para Pelotas e Pedro Osório me ambientar e respirar um pouco os ares “dos pampas”. Sentir a cultura gaúcha para não chegar tão cru nas gravações fez toda a diferença. A gente não quer que o filme seja visto como uma coisa pejorativa. Acho muito especial essa coisa daqui que é o orgulho pelas tradições e essa vontade de querer levar adiante essa cultura para as gerações futuras. Mas, enfim, essa história é ambientada aqui, mas poderia se passar em qualquer lugar do mundo.

DP - Como foi trabalhar nessa linha de cinema de baixo custo que o Paulo criou?
Erom - É engraçado porque antes de fazer Vingança eu estava gravando Seco com amor (de Wolf Maia) e esse era um filme que tinha bem mais recursos, bem mais vultuoso. Como Vingança tinha pouco recurso parecia que as pessoas colocavam muito mais garra, mais suor no projeto. A energia desse cara (o Paulo) e a forma passional como ele fala desse projeto de democratização do fazer cinema me contagiaram no momento que eu fui para a Pax.

DP - Tem semelhanças entre o Miguel, personagem do filme Vingança, e o cowboy gay da novela América?
Erom - Nada. A cada personagem novo eu tento partir do zero. Apesar de serem personagens rurais, do interior, no temperamento e na trajetória eles não têm nada a ver.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: (em breve) | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 7 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 2 de abril de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

Palavras em flor

A Ana é doce. Quem foi ao Instituto João Simões Lopes Neto na quinta-feira passada assistí-la plantar a semente de seu novo CD não duvida. Ana Mascarenhas subiu ao palco para mostrar ao público suas novas canções, com sinceridade, candura na voz e poesia. Poesia!

Na instigante composição de sombras projetadas na parede a plateia assistiu – ao som dos belos arranjos de Egbert Parada e Silvério Barcellos – ao nascimento não apenas de uma, mas de duas iniciativas que surgem para abrilhantar a cena cultural pelotense na temporada 2009. Apesar dos pesares (falta de incentivos, por exemplo), a safra cultural promete bons frutos graças à criatividade de quem vive de fazer arte.

Para Ana Mascarenhas, o show Plantio foi apenas o primeiro de uma série de quatro pré-lançamentos que levarão à “Colheita”, o show de estreia do álbum Flor Palavra, que deve ficar pronto em dezembro.

Para a comunidade pelotense, a apresentação marcou também o início do projeto Música na Casa do Capitão, que abre mais um espaço para a apreciação do trabalho de músicos daqui, esse no Instituto João Simões Lopes Neto. O projeto, aliás, teve boa plateia (um auditório quase cheinho) na estreia, mas conta com a presença do público também para o sucesso das próximas edições, ainda sem data marcada.

Além de algumas canções conhecidas de seu repertório próprio, Ana Mascarenhas apresentou quatro músicas inéditas do álbum em composição. As meigas, alegres, tristes e românticas Flor Palavra, Outro Norte, Lua de amor e alma e Mãe das águas, todas encharcadas de uma poética peculiar da doce Ana, em letras que exaltam o amor e natureza. Ela, que recusa-se a assumir-se instrumentista, até tocou violão – incentivada pelos músicos com quem dividia o palco – enquanto cantava o refrão que dizia mais ou menos assim: “vou dizer pra Iemanjá que eu tenho medo do mar”. Mas Ana tem mesmo medo de quê? Mesmo com a voz trêmula em alguns momentos, natural para quem estava visivelmente emocionada, Ana mostrou que não tem medo de cantar. De repente a voz doce virou vozeirão e a gente ouviu, com muito prazer, a interpretação de Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim. Foi de arrepiar.

Para completar a atmosfera do show, o charme e a originalidade dos detalhes do projeto Flor Palavra, que leva a assinatura da produtora cultural Mãos à Obra, também são dignos de nota: nas poltronas, à espera de cada espectador, um saquinho, uma porção de sementes (de crisântemos azuis?) e uma poesia. Um pequeno mimo para uma bela recepção.

O artista visual Chico Maximila estava lá, captando imagens que irão se transformar em sabe-se-lá-o-quê no final desse projeto em gestação. O público, certamente vai esperar para ver isso e tudo o mais que vai florescer desse plantio.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 23 de março de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma ação contraditória

Recebo diariamente releases da Prefeitura aos montes. Pela quantidade e falta de critérios no envio, a maioria acaba indo direto para a lixeira ou eu passaria o dia inteiro selecionando. Um deles, no entanto, chamou minha atenção pelo assunto: saúde bucal na infância. Pensando em uma possível pauta para o caderno Viva Bem, do Diário Popular, abri.

É cômico: a Prefeitura está promovendo uma ação na praia para ensinar as crianças sobre prevenção de problemas bucais. O irônico é que, para atrair o público-alvo até a unidade de saúde onde será desenvolvido o projeto será feita DISTRIBUIÇÃO DE PIRULITOS. Isso mesmo! Dá para acreditar?

Vai entender a lógica de quem teve essa idéia "brilhante"... Dá para ver que a didática utilizada será baseada na prática. Deviam colocar uma faixa: "distribuição de cáries, AQUI"

Segue abaixo o release enviado pela Secom.

Crianças aprendem prevenção em saúde bucal

Quanto mais cedo as crianças aprendem a realizar corretamente a higiene bucal, menos chances terão de desenvolverem doenças como cárie, gengivite e periodontite. Partindo desse princípio a equipe do Departamento de Saúde Bucal da Prefeitura promove no próximo domingo (8), na Unidade Básica de Saúde do balneário dos Prazeres, atividades de prevenção em saúde oral para as crianças.

O escovódromo e as lições sobre os cuidados com os dentes começam às 14h e vão até às 18h. Para atrair a criançada para as atividades, o Programa Primeira Infância Melhor (PIM) estará presente durante todo o dia na UBS com atividades recreativas como pintura de rostos, distribuição de pirulitos e aulas de confecção de bichinhos com balões. O Posto do balneário dos Prazeres fica na Praça Aratiba, 12.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Tim em tom de alto-astral (para redescobrir o que gosto)

O ato de gostar às vezes nos limita. De tanto gostarmos de alguma coisa, esquecemos de tantas outras. Gostar vicia. Nos acostumamos a repetir o repertório na playlist por força do hábito, preguiça de variar ou falta de ousadia. Sei que nem todos são assim, mas eu sou e sei que há pessoas como eu, que raramente colocam para tocar o que vier, à critério do “gosto” aleatório do comando shuffle no mp3 player. Raramente pego Cd´s - dos poucos que ainda tenho - do fundo da gaveta. Meu mouse também já aprendeu o caminho para uma meia-dúzia de pastas de músicas que mais ouço, entre nem-sei-quantas que tenho armazenadas no computador.

As minhas variações de repertório só acontecem em experiências ao vivo. A shows me permito ir a qualquer um, ou quase qualquer um, seguindo alguns critérios pessoais básicos que não raramente eu esqueço. É nessas ocasiões, nos shows, que redescubro o que gosto. Escuto o que tocar e gosto de quase tudo.

Eu não lembrava que gostava de Tim Maia. Embora o repertório eu conhecesse de cor, assistir às interpretações das músicas é diferente. Faz a gente prestar atenção na melodia, nas letras. Ver o Tim eu só vi poucas vezes, em alguns especiais na TV. Nunca antes tinha me dedicado a ouvir a maior parte das suas músicas.

Mas aí uma certa banda pelotense, chegada na pegada do funk e do samba rock, resolveu fazer um tributo a ele, e eu, claro, não iria perder. Só a iniciativa de fazer uma pesquisa de repertório e propor uma apresentação diferenciada já vale um punhado de aplausos. É esse tipo de atitude – que poucas bandas da cena local tem – que apesar de simples fazem o cover deixar de ser “só um cover”. Além disso, ajudam a atrair um novo público que talvez não comparecesse a qualquer outro show que não fosse um “tributo a Tim Maia”.


Depois da agradável abertura musical com Zé Ricardo, a Soul da Silva subiu ao palco do bar João Gilberto com a alegria que eu já esperava. Os guris capricharam no visual - estilão anos 70 com muitas estampas e feitios de vestuário característicos da década – e embalaram o público diversificado formado por quem viveu no tempo em que Tim se rebelou à Jovem Guarda e também por quem não era nem projeto na época, mas estava disposto a aproveitar a noite retrô.

O trio de instrumentistas formado pelo guitarrista Vinicius “Cacalo” Marques, o baixista Eduardo Simões e o bateirista Renato Popó estava afinado como sempre. Daniel Balhego, o vocalista, estava em mais uma noite inspirada. Soltou a voz, dançou, pulou, rebolou e empolgou a platéia. Os metais de Alex Ribas e Estevão Hom e a percussão de Jucá de León – participações especiais do show – completaram o clima de alto astral.

Perto de mim alguém que ia pedir pra tocarem “aquela música do síndico” se deu conta de que a música não era do Tim Maia, e sim em homenagem a ele, antes de gritar o pedido, que mesmo assim não deixou de ser atendido: não ao vivo. No telão, o DVD acústico de Jorge Ben Jor completou a noite de samba-rock-funk. E aí sim, Jorge Ben cantou: eu vou chamar o síndico: Tim Maia!

O show teve ainda uma homenagem às vítimas do acidente do ônibus do Brasil de Pelotas, com gritos de rubro-negroooo puxados por alguns eufóricos torcedores xavantes. Foi nessa hora de comoção que a banda começou a tocar não sei porque você se foi, tantas saudades eu senti… e ninguém ali no bar pensou em outra coisa até o segundo e último coro do refrão.


Novidades ao microfone

Durante o show, a Soul da Silva anunciou duas novidades para serem conferidas em breve: a primeira é o site www.souldasilva.com, que deve voltar ao ar nos próximos 10 dias.

A segunda é o videoclipe da música Mistério, que fala de uma paixão entre um casal de amigos. A gravação ocorreu no domingo e uma das locações foi o bar João Gilberto. O vídeo ainda não tem data prevista para lançamento.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Decepção nas telas

Que a crise cinematográfica em Pelotas continua, ninguém duvida. O que se duvida é, se algum dia, vamos sair dessa situação.

Esta semana retornei a uma das únicas salas de cinema que ainda nos restam depois da última vez, de várias, que havia prometido não voltar mais. Não sei se foi a má qualidade da exibição ou o filme – acho que foi as duas coisas - que me fizeram sair de lá com uma nova nota mental que, como das outras vezes, provavelmente será descumprida: nunca mais voltar a este cinema enquanto não for reestruturado. Voltarei, mas sob protestos.

JustificarNão é a primeira vez que acontece, eis minha lista de reclamações:

* Ligam o ar-condicionado em pleno verão com uma temperatura que nos faz sentir em pleno inverno. Pô, apesar do friosinho que fazia ontem, ninguém sai com agasalhos extra em pleno janeiro!

* Colocam o filme sem foco. Isso é problema no projetor? No rolo? É o fim…

* Durante o filme o cinema fica vazio. Não tem ninguém pra fazer qualquer atendimento e nem segurança.

* Mesmo sentando nas últimas poltronas, não tem como não ficar quase em cima da tela, de tão estreita que é a sala, entre vários outros motivos que os freqüentadores têm pra reclamar.

Como diria a Aline, até parece que o empresário, Sr. Dono do Cinema, não quer ter um “negócio” e sim uma “boquinha”. Sem investimento, tem é que falir mesmo!!!

***

Fui assistir O dia em que a terra parou a convite do meu irmão. Felizmente, a companhia dele e da amiga Ali, e a comida do Cruz de Malta, após, fizeram a noite valer à pena. De qualquer forma, não reduziu a minha indignação.

O filme é babaca. O roteiro é totalmente previsível e, para variar, os aliens – de uma espécie muito mais desenvolvida que a nossa – não reconhecem a nossa geografia global e chegam justamente no “centro gravitacional do planeta”, o “umbigo do mundo”: os Estados Unidos da América. Eles – os americanos – aparecem no começo mega arrogantes e depois em seqüências de medo e comoção até evoluírem, no tempo que dura o longa-metragem, para tipos muito bonzinhos. Isso, no mesmo estilo heróico e chato de Independence Day ou O dia depois de amanhã (que não é de Et´s mas é babaca igual). Obviamente, nenhum cartão-postal brasileiro foi destruído pelas criaturas vindas do espaço. Também, já nos bastam os vândalos!

A criança do filme, também pra variar, é “espertinha” como toda criança americana, e também mal-criada, teimosa e chata. Mas tão chata que – eu juro – se eu fosse o ET bonzinho do filme eu teria matado aquele guri irritante, e olha que sou contra a violência, especialmente a violência infantil.

A mensagem ecológica – de que precisamos mudar de atitude antes que terminemos por exterminar a vida da Terra – é um blá blá blá sem fim. Tem o mesmo tom arrogante e medíocre. Imagine ouvir lição de moral sobre isso da boca dos maiores poluidores do planeta! Ah, me poupem!

Sem contar a estupidez e a ingenuidade das forças do governo americano diante da “invasão”, que ao cometer tantas trapalhadas faz o filme parecer mais uma comédia que qualquer outra coisa. Definitivamente lamentável.

***

Faz tempo que não vejo um filme realmente bom.

Domingo assisti, de novo, P.S. Eu te amo. Eu adoro, mas esse não conta porque já tinha visto antes. E chorado antes. Ainda bem que dessa vez eu tinha quem me consolasse! (:))

Depois vi Meu nome não é Johny. É bom – bonzinho - mas fica longe de ser “tri bom”. Esperava mais do texto, dos diálogos. Pelo menos, não foi ruim.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ah, o rock'n'roll...

Era quinta-feira à noite e um João Gilberto cheio aguardava o início do show de um dos nomes mais respeitados da cena roqueira no sul do País. Foi uma noite pulsante.

O cabeludo louro mostrou diante dos fãs que em sua idade não-revelada continua na melhor forma e tem tudo para manter o título de "imortal". Se é bom vê-lo assim, melhor é vê-lo bem acompanhado por jovens e talentosos músicos como os guitarristas Lula Valle e Ben-Hur, e o carismático contrabaixista Mauro Kupin. Sempre à vontade e sem medo de perder "o posto" privilegiado, o "highlander" do rock divide o espaço e só quem lhe rouba a cena, e ainda assim com seu consentimento, é Cris Bertolucci com sua bateria delirante, a quem Alemão Ronaldo faz questão de se curvar e reverenciar.


Alemão subiu ao palco estiloso como sempre, de óculos escuros, tênis Adidas, casaco e um lenço florido no pescoço sobre a divertida camiseta branca estampada com códigos de barras. Veterano do rock, o músico é uma figura estranha à primeira vista. Apesar da pose e da "pinta" de "mau" - carregada no estereótipo de roqueiro - até parece que não tem cara feia com seu sorriso e olhos dóceis capazes fazer qualquer guria solteira se apaixonar.

Representante legítimo da geração "paz e amor", o músico ainda carrega no som das guitarras, na poesia e no olhar apaixonado um romantismo tão retrô quanto o visual. Que bom que o retrô está sempre na moda.

Se em Santa Maria Alemão Ronaldo teve a "cara-de-pau" de gravar direto o DVD Quero mais que só me dar bem, com 11 canções inéditas desconhecidas para o público, entre 15, aqui no lançamento ele foi um pouco menos ousado. Ou mais, dependendo do ponto de vista. O músico apostou no repertório das antigas - que sempre cai bem - além de vários covers, ou melhor, releituras, que pela personalidade com que foram interpretadas pareciam se desassociar de suas versões originais. Na voz do roqueiro, a música Outra noite que se vai ficou praticamente irreconhecível e é bem provável que poucos roqueiros tenham se lembrado que o refrão tão animadamente entoado é na verdade um reagge de Armandinho.

Das novas, Alemão Ronaldo mostrou ao público Bailarina, mais uma balada romântica de versos singelos que agradou. O refrão o "vestidinho branco e as sandálias do Natal..." foi repetido tantas vezes que "pegou de prima", como diria Oswaldo Montenegro na canção O chato. Felizmente o público não foi vencido pelo cansaço e até curtiu cantar pela segunda vez - com direito a coreografia - o hit Me leva pra casa.

Brincadeiras à parte, o DVD Quero mais do que só me dar bem tem muitas qualidades e várias músicas com potencial para se tornarem "clássicas" do repertório roqueiro dos pampas. Alemão Ronaldo se deu bem. Mas ele quer mais.

Ainda para o primeiro semestre, Alemão Ronaldo já pensa em um outro show em palco pelotense, dessa vez para promover o grande e definitivo lançamento do novo álbum. Até lá os fãs podem conhecer o trabalho pelo site www.alemaoronaldo.com.br. Músicas, vídeos e encartes estão disponíveis de graça para download, mas quem quiser poupar o trabalho da "pirataria" pode adquirir CD + DVD por apenas R$ 20,00. Com vários vídeos de bastidores nos extras e uma animada participação do público no show, o DVD mostra de uma forma divertida a rotina dos músicos que rodam pelo interior do Estado.

Texto: Bianca Zanella | Fotos: Ândria Halfen | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 13 de janeiro de 2009

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Joca Martins, prazer em vê-lo!

A tal da "velha certeza gaúcha" não se engana: Tinha tudo para ser um show memorável e foi. A noite do dia 31 era do nativismo, de adoração às tradições campeiras. O público recebeu Joca Martins de braços abertos e o antigo Theatro Guarany recebeu Joca com toda a pompa de sua imponência, mas com uma acolhedora simplicidade galponeira, dessas que só a querência proporciona.

O timbre inconfundível da voz rompeu o silêncio. Não havia eco, não havia oco. A casa estava cheia para aplaudir o cantor, de volta a sua terra. Ainda que ele cante com sentimento convicto que “qualquer lugar é querência, se houver cavalo crioulo”, não importa por onde ande, quando volta sabe: Pelotas é o chão de suas raízes.

Prova disso foram as homenagens emocionadas à personalidades daqui e ao sempre poético cenário pelotense. Emocionadas e que emocionaram. Não bastasse a paisagem da pampa ser, por si só, comovente, a melodia mansa da composição considerada um segundo hino do Rio Grande, em tom de oração, completou o momento em que todos cantaram baixinho os versos de Minha Querência.

Era mais uma música que a platéia, inspirada, sabia de cor. E mais um grande momento do show, como as duas vezes em que o ginete "Freio de Ouro" Dado Azevedo exibiu no palco sua habilidade e a destreza de seu cavalo. (Quem diria ver uma exibição dessas, ao vivo, em pleno Guarany!)

A platéia só não correspondeu ao chamado do cantor à participação quando a capacidade das cordas vocais não permitiu: aconteceu durante uma das músicas mais "altas". Não que o refrão não fosse conhecido, mas é que dificilmente a média "normal" do público consegue acompanhar o tom da voz de Joca, principalmente quando ele dá o melhor de si.

Ainda assim, o público abriu a garganta para soltar os tais "gritos selvagens", a variação desafinada de quem não aprendeu uma das artes do homem da pampa: "soltar um sapucai". "Aí que eu me refiro!", repetiu pela terceira ou quarta vez na noite para os aplausos e risos da platéia. "Foi com certeza mais um recorde mundial de grito selvagem e sapucai", afirmou em tom de brincadeira o Joca, a mesma piada do mesmo Joca que todos já conhecem e que ainda assim não perde a capacidade de surpreender, a cada apresentação.

No final, antes de provocar um verdadeiro "frenesi" - como poucos artistas locais provocam - no saguão do Theatro, diante dos fãs que queriam autógrafos e fotos, ainda atendeu a um último pedido feito à beira do palco: tocou "mais uma milonga pra Camaquã".

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Shakespeare, aqui e agora

Para uns, um reencontro. Para outros, uma oportunidade de se apaixonar à primeira vista pela obra Shakespereana. A primeira Mostra Sesc de Teatro - que trouxe ao circuito pelotense de quarta-feira a domingo oito espetáculos, além de oficinas e workshops - envolveu atores e platéias nas tramas de um dos maiores mestres na arte de fazer rir e chorar.
Lado a lado, o cômico e o trágico. De um lado Shakespeare e do outro também. Foi um prazer ver ou rever, assim tão bem.

A discussão temática foi além. Nada melhor que uma agradável conversa. Muitos assistiram com uma finalidade analista, um olhar estritamente crítico. Há quem foi apenas pelo prazer da apreciação estética, pelo gosto pelas artes cênicas. Em ambos os casos, quem esteve no Sete de Abril ou nos demais locais que abrigaram a programação teve motivos para sair satisfeito.

A sátira de temas cotidianos, a reflexão intimista, a análise das complexas relações humanas são ainda tão presentes e dizem tanto à realidade atual que não são necessárias mais que adaptações sutis para que se pense que tal texto possa ter sido recém-concebido. Por isso, diz-se "clássico".

Porém um bom espetáculo se faz de um bom texto, mas não apenas disso. A qualidade técnica e interpretativa, e a emoção dos atores escancarada no palco deram nova vida à Shakespeare e a seus personagens, em releituras excelentes e minuciosamente bem cuidadas. Contemporâneas e arejadas, as peças ganharam também personalidade. Hamlets, Antífolos, Drômios, Valentinos e Proteus assumiram uma vida própria e jamais serão iguais àqueles que foram vistos em Pelotas na semana que passou. Foram, sem dúvida, apresentações únicas. Variações criativas e atuais para personagens que em essência ainda falam muito a qualquer público.

Merece destaque o incentivo dado pelos organizadores às produções locais, que valoriza e oferece crédito a um trabalho que começa a se desenvolver. O Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, que contribuiu para enriquecer a programação da Mostra, demonstra que vem adquirindo maturidade, e apresentou um bom trabalho mesmo ao lado de elencos consagrados, como os grupos Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e as companhias Rústica, Santa Estação e Stravaganza, de Porto Alegre.

O êxito do projeto vem a confirmar a qualidade dos eventos culturais realizados pelo Sesc Pelotas. A Mostra de Teatro foi mais um, de tantos grandes e bons espetáculos a que o público pelotense tem tido a oportunidade de assisir. Merece ser aplaudido de pé. Merece bis.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Adriana Calcanhotto, como era de se esperar

Nenhum imprevisto, nenhuma surpresa ou improviso teve espaço no show de Adriana Calcanhotto. A cantora porto-alegrense, com sua impecável afinação, não dividiu o palco do Theatro com nada além do que estava no script. A proibição expressa de fotografar não evitou os flashes e celulares piscando durante vários momentos do espetáculo, mas isso também já era de se esperar. Até a música em que ia errar a letra (e como era pouco conhecida, se errou ninguém percebeu) ela anunciou com antecedência. Não era um show feito para surpreender, mas a absorção ao clima do espetáculo era tanta, em certos momentos, que poucas pessoas devem ter percebido o morcego que sobrevoou o palco no refrão da 17ª música. Se bem que um morcego voando pelo Theatro também não é nada fora do comum.

A gaúcha voltou carioquíssima e como todo carioca que se preze mostrou ter uma íntima ligação com a praia. Sofisticado? Suave? É preciso mais do que adjetivos genéricos para descrever o que aconteceu no intervalo de tempo entre as 21h13min e as 23h07min. Afinal, como diria ela mesma em Maré, música-título do CD recém-lançado e que abriu o show, sendo salgado, gelado ou azul (o mar) será só linguagem. Não era apenas uma expressão, e sim um prenúncio do que viria pela frente. Por isso, para se escrever sobre a apresentação que o Guarany assistiu na terça-feira, há que se escolher as palavras como os versos de Maré foram escolhidos.

No abrir das cortinas as camadas de azul e verde-água revelaram criaturas habitantes do mar: cavalos-marinhos, polvos, golfinhos... e uma enorme concha em primeiro-plano, igual à que a cantora trazia nas mãos junto ao ouvido quando entrou no palco, e que produzia um som oco que ressoou nos amplificadores e transportou a platéia para o grande mergulho. Com uma volumosa túnica vermelha de pregas, coberta com um véu azul, Adriana era senhora das profundezas do som e do ser e a partir daquele momento ela tinha tudo sob controle ao dirigir o leme daquela embarcação, que não estava lotada. Talvez porque a passagem estivesse cara demais para muitos que ficaram em terra firme, imaginando o que aconteceria para lá das imponentes portas do Theatro.

A linha atravessada de coxia a coxia conduzia os olhares do público, por vezes iluminada de neón. Mesmo depois de revelada sua utilidade visual no cenário, permaneceu incógnita em seu significado. Seria uma rede de pescadores? Um fio de contato submarino?

Marina Lima deu as caras na segunda música da set list, com os versos de Três, seguida pela composição Seu Pensamento, uma das novas que Adriana tinha para apresentar ao público. Sucinta em falas, ela limitou-se praticamente a repetir o discurso de sempre, que serve para todas as ocasiões. Algo como "é muito bom estar aqui e vocês podem achar que eu digo isso em todos os lugares e eu digo mesmo, mas aqui é verdade". Uma declaração sincera, aplaudida aqui e em todos os lugares.

Os primeiros versos de Mais Feliz, letra de Cazuza imortalizada na voz da porto-alegrense, quebraram a monotonia que se instaurara na platéia até aquele momento. Na seqüência, Asas trouxe um retorno à temática do show e ao álbum Maresia, gravado há 10 anos.

Subiram no palco virtualmente outros compositores como Arnaldo Antunes (Para Lá), Seu Jorge (Tive Razão), Paulo Diniz e Torquato Neto (na divertida e inocente Um dia desses eu me caso com você), Guilherme Arantes (Meu mundo e nada mais) e Rodrigo Amarante (Deixa o Verão). Do fundo do mar às constelações nuas do firmamento cantadas em Teu nome mais secreto (com Waly Salomão), só o som.

Adriana tocou violão e violoncelo, arranhou guitarras, batucou no tamborim. No samba feito para Mart'nália e apropriado por Marisa Monte deu para ver também os dedos de fora no pé que calçava um chinelo, por baixo da longa túnica, marcando o compasso no chão. Algumas canções, velhas conhecidas, ganharam arranjos arejados pela maresia e alguns efeitos eletrônicos, leves como todo o resto e sem grandes inventividade, o que talvez seja exatamente o que o público de Adriana Calcanhotto mais aprecie. Ela não inventa muito, faz o que sabe fazer e faz bem.

Aos susurros e suspiros, todos acompanharam a letra e prenderam a respiração nas reticências do verso o retrato que eu te dei / se ainda tens não sei / mas se tiver... Nos segundos que antecederam o final da letra, tudo o que se ouviu foi o barulho de uma latinha sendo aberta no fundo do teatro. Alguém não poderia ter escolhido momento pior para provocar qualquer ruído, mas faz parte... Devolva-me!

Esquadros, Fico assim sem você, Vambora e Marinheiro foram as outras do velho repertório que embalaram o coro do público e sustentaram os mais longos aplausos. O insistente pedido de alguém que queria ouvir Marina provocou risos e não foi atendido. Entre as músicas novas, Porto Alegre foi a que mais animou, em um dos momentos mais acelerados do show, prova de que ninguém consegue mesmo resistir ao "ritmo do calipso".

O segundo e definitivo bis foi encerrado na batida empolgante da guitarra de Cazuza. Ao terminar de cantar Mulher sem razão pela segunda vez na noite, desceu do palco, por alguns instantes. Tirou fotos, abraçou fãs e foi embora dançando.

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 18 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Uma escritora de primeira viagem


Era uma vez uma digitadora de laudos médicos que trabalhava em uma clínica e detestava seu emprego. Ela passava o dia escrevendo - laudos, obviamente - mas queria mesmo era escrever histórias.

Tímida e romântica, Elisiane Martins - a Lisi - escreveu um livro que não teve coragem de mostrar para quase ninguém. Até o dia em que perdeu o emprego e resolveu arriscar. Com o dinheiro da demissão mandou editar apenas trinta exemplares, fez um lançamento discreto entre familiares e amigos íntimos e nunca mais tocou no assunto.

O livro, era praticamente um segredo. Até que um belo dia ela viu no jornal uma matéria que lhe chamou a atenção. Era a história de Laura Matheus - a Dona Laura - moradora da colônia Z-3 que aos 71 anos concretizou um sonho, que sem saber compartilhava com Lisi: o de ser reconhecida como escritora.

A trajetória da pescadora de palavras até o lançamento do livro Barbiele, publicada no Caderno Zoom do Diário Popular do dia 4 de junho foi inspiradora. Mas Lisi não teve pressa. Como ela diz, tudo para ela demora a acontecer...

Meses depois enviou um e-mail à redação. Na mensagem, que pelo tom da narrativa mais parecia uma carta, ela contava a sua história e tomava coragem de finalmente mostrar ao público seu livro de estréia. Para quem estava decidida a seguir a carreira como escritora não havia mais escolha: precisava se expor à crítica.


O romantismo em tempos de MSN

O Destino de Lisa - viver além da vida, amar além do amor traz no longo título a dramaticidade e o romantismo exacerbado que carrega na trama, curta, descrita em apenas 107 páginas, mas feita para ir além, como toda história de amor.

A personagem Lisi é perdidamente apaixonada por Josef, mas mesmo depois que resolve declarar seu amor incondicional - pela Internet, de forma quase anônima -, ainda se mantém resistente em ceder à conquista do amado e ao desejo dele de conhecê-la na vida real.

O livro, têm o ritmo do diálogo em mensagens instantâneas e o andar romântico de um malandro galanteador cortejando alguma moça que desfila pela rua. E tem também um pesar. Um ar de tensão, um medo e um sentimento de perda de quem nunca teve. A história mescla a ingenuidade adolescente, a anciosidade de resposta imediata e sua antítese - uma espera nada imediatista de um amor platônico.

Às vezes soa inocente demais, idealizado demais, sentimental demais, mas... é mais um modo de se ver a vida. "As mulheres de hoje precisam se valorizar", defende. "Acho que mulheres como a Lisi existem, mas são raras. No fundo Josef (par romântico da difícil Lisi) é mais idealizado que ela. Porque é ela quem define os rumos da história o tempo todo e não deixa muitas escolhas para ele, que mesmo assim não desiste do relacionamento", diz, ao comentar os desvios de comportamento e caráter dos personagens que criou. "O livro também toca no assunto do preconceito racial. Acho que todo escritor deve se sentir responsável por falar nessas coisas", afirma.

As histórias de Lisi e Lisa têm muito em comum. A autora e a protagonista estão sempre conectadas no mundo virtual: MSN, Orkut, e-mail... mas não perdem o ar sonhador.

A ficção toma emprestado alguns fatos da vida real. Como a mãe da personagem do livro, a mãe da escritora também teve um grande amor, que foi prorrogado por tempo demais. "Depois da separação minha mãe levou muitos anos até ir procurar o homem por quem ela realmente era apaixonada. E quando ela decidiu fazer isso descobriu que ele tinha falecido", conta Lisi, que é casada e confessa que também viveu um grande e primeiro amor.

Editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, o livro é a primeira parte de uma história que já tem continuação. O segundo volume, com título provisório de O Segredo de Lisa, está quase concluído, mas ainda não tem previsão de lançamento. Nessa espécie de retorno à escola Romântica adaptada aos dias atuais - em que ao invés de cartas se escrevem e-mails apaixonados (será?), a grande pergunta que o livro faz ao leitor é se as ferramentas do mundo virtual sufocam os relacionamentos ou se ao contrário, o romantismo está reconquistando seu espaço na vida das pessoas e ainda é capaz de sensibilizar o público através da literatura.

Como quase todo livro de estréia, este ainda não é uma obra-prima, mas um bom começo. Quem deseja ser escritor precisa, ao menos, escrever.


Leia um trecho

Deixou o micro conectado à Internet e com o volume alto para que pudesse ouvir quando ele entrasse.

Estava comendo distraidamente o segundo pedaço de sanduíche que preparara, quando ouviu o sinal no seu micro e correu ainda mastigando, quase tropeçando nas escadas de tão agitada e atrapalhada que ficara. Sentou-se rapidamente na cadeira em frente à sua mesa do computador e seus olhos mal acreditavam no que estava vendo.

Era ele, era Josef, que acabara de entrar. Sua emoção era tão grande que mal conseguia respirar e seu coração parecia explodir. Respirou fundo e digitou:

- Oi Josef! - fechando os olhos, como se estivesse fazendo uma prece para que ele respondesse.
- Oi Lisa!
- Ele respondeu. - Ele respondeu! - pensou Lisa, paralisada em frente ao micro.
- Tudo bem com você? - foi a única coisa que conseguiu digitar.


Contato

O livro O destino de Lisa pode ser encontrado na Livraria e Café Dom da Palavra. Contato com a escritora e encomenda de exemplares pelo telefone 9161-5960 ou através do e-mail lisi.martins@yahoo.com.br.


Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 16 de setembro de 2008

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Um pouco sobre Bebeto Alves

Uma noite de casa cheia. Ali, na "avenida" João Gilberto, no encontro cenográfico entre as ruas Pelotas e Uruguaiana, no entrecruzamento entre o rock progressivo, o reagge e a milonga, eis que estava Bebeto Alves e seu violão.


Era quarta-feira e eu jamais havia imaginado encontros tão improváveis. Musicalmente falando. Pessoalmente falando. Em seu novo CD - Devoragem - o compositor, nascido em Uruguaiana, leva a antropofagia ao pé da letra, à raiz do verso, ao ápice do som. Bebeto Alves cutuca a palavra com vários ritmos, em várias variações, e assim é capaz de provocar a intersecção de tribos distintas: dos adeptos da bicho-grilagem - com suas túnicas e colares de sementes - aos gaudérios - de boinas, botas e bombachas. Com semblates sonhadores, um tanto quanto impacientes, estavam todos lá naquela noite, se apinhando (e nem sei se essa palavra existe, realmente) nos nichos do bar, em torno do pequeno palco, naquela incomum esquina do som.

Composições familiares soaram estranhas. Eu conhecia um lado poeta de Bebeto Alves sem saber que o conhecia e sem saber que ao lado dele havia um outro lado - intérprete -, de voz rouca e sentimento. Ouvi-lo cantar não é o mesmo que vê-lo cantar, de olhos arregalados e com o cacoete de assoprar e sacudir os ombros enquanto toca o violão. Cena linda foi quando ele teve nas mãos um enorme tambor, batucou suave, cantou de leve, olhando ao longe como se tivesse a lua no colo...


Era noite de cantar o novo, mas o público não esquece o passado. A platéia queria ouvir Homem Invisível, pedido que não foi negado, mas ficou pro bis. Para ser mais intimista, faltou intimidade do público para saber se comportar em momentos sonores e raros como aqueles. Pudera ter feito dois shows: e todos ficariam mudos, estarrecidos, manifestando-se apenas quando fosse convenientemente estético (fazendo coro aos refrões, ou repetindo vocalizações). Pena que o público não é tão eclético quanto o próprio compositor, pois quando variava o estilo enquanto uns curtiam a canção, outros eram puro tédio e descontração. Desatentos, batiam papo enquanto perdiam as melhores partes. Volta e meia, as melodias eram arranhadas por pedidos de silêncio. shiiiiiiiii....

Em silêncio, termino, enfim. Não sei as letras das músicas. Eu não sabia que gostava de Bebeto Alves. Mas acho que valem uns versos que descobri aquele dia e que encontrei por aí...

Eu tento compor minha música
Fazer o meu trabalho, estar na pelo dos loucos
Onde a inveja dos outros, hipócrita e cínica
Maneja o freio conforme o cavalo

Mas só quem charla com a alma
Merece o batismo de alguma milonga
Cutucando a palavra
Seguindo a estrada do seu coração

Vivo o que escrevo, sensitivo de mim
O tiro do instrumento o bom da coisa ruim
E creio que vale a pena
Lavar a erva do chimarrão

Gosto de usar a paisagem mapear as imagens num fundo de campo
Gosto da tropa de cria, chamando a poesia pra perto do rancho
Gosto da prosa sem lado pescando dourado no Rio Uruguai
Das crinas do salso, roçando no braço do meu violão

(Ah milonga, milonga, milonga, milonga palavra dos meus peçuelos
Contigo o tempo não tem segredos, por onde eu for)


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Ândria Halfen | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 16 de setembro de 2008

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

(Não) Me use neste verão!

Uma campanha por uma estação mais agradável... para os ouvidos.

Os primeiros indícios do verão são o estopim para uma acirrada disputa no mercado fonográfico. Basta que as temperaturas do inverno comecem a subir para que apareçam novamente as barrigas de fora (e fora de forma – como conseqüência dos descontroles sazonais), as modas velhas da estação passada (porque ninguém teve tempo ainda de renovar o guarda-roupa) e as músicas candidatas a novo hit do verão. Estranhamente, o calor parece afetar o senso crítico das pessoas para muitas coisas, até para a sensibilidade artística.

Semana passada recebi por e-mail a demo de um tal Tiago Ferrari Show. Desconheço a procedência da aberração. Não sei descrever a minha reação ao ouvir a composição intitulada Me use neste verão. (Clique para ouvir)

Entrei no site da banda (tem link para caso alguém queira repetir essa experiência), que é aparentemente especializada em animação de bailes. Começou a tocar a Merceditas na trilha. O sotaque do cara que canta é impressionante (no mau, no péssimo sentido), além da expressão, da interpretação... O grupo tem de tudo no repertório: forró, axé, tchê music, reagge, pagode, pop rock e até “tradicionalistas” (ah, se MTG sonha...). Mas voltemos ao novo hit.

Cliquei no play. Ao fundo toca um teclado repetitivo, acompanhado da voz enjoada (meio nasal) da vocalista, que canta mais ou menos assim: Chegou verãããão / A cidade abre portas e janelas / As ruas viram grandes passarelas. O quarto verso da estrofe eu ouvi várias vezes e não entendi. É algo como “Na areia (não-sei-quem) perde o reinado”. Quem perde o reinado? Bom, deixa pra lá. Ninguém consegue ouvir por muito tempo, mas fui persistente. A seqüência foi ainda pior.

Alguns efeitinhos toscos de mixagem depois a voz recomeça: A paixão aflora / Mesmo em olhares casuais / O amor na pele tornam em par e casais (Quê?!?) / Entre corpos calientes e bronzeados...

A terceira estrofe parece o ápice da criatividade. Incrível como conseguiram fazer rimar tantos clichês em apenas quatro versos. E observem que o trecho começa com uma inversão do primeiro verso da primeira estrofe: O verão chegou (sacaram?) / No ar eu sinto o cheiro da magia / A vida na noite que renasce a cada dia / Um mundo de asfalto se transforma em areia.

Tenha paciência! Pior do que ler isso é ouvir. Por isso peço que me acompanhe até o final: Não há sentidos / Nessas ruas definidas prosseguir / A beleza é livre para ir ou vir / E o trânsito congestiona de sereias...

Esse até merece um bis: "E o trânsito congestiona de sereias." Dá pra imaginar uma coisa dessas? Liberdade poética também deveria ter limites, assim certas aberrações poderiam ser evitadas... Mas o melhor de tudo vem agora: Senhoras e senhores, com vocês, o refrão! (este cantado com a mesma voz nasalada do início, mas agora um pouco mais sexy. Aliás, o mesmo tom sexy que a vocalista usa pra dizer “caliente” no segundo verso): Vem, vem... deixar teu corpo molhadinho / Enquanto o meu é só luxúria e paixão / Vem, vem... Vem disputar dessa sereia / Musa. Abusa, e me use neste verããão...

Uau! Vocês podem imaginar o quanto fiquei perplexa depois disso? Por isso resolvi escrever esse texto, que mais que uma forma de compartilhar a piada, é uma forma de desabafo das minhas fortes emoções (que passaram do pavor – como alguém pode ser capaz de criar uma coisa dessas? – ao riso).

Mas o que realmente importa, voltando ao ponto de partida desse texto, é o risco que representa essa música demo (de demonstração e demoníaca) circulando na Internet. Vai que ela caia em mãos erradas? Já pensaram no que pode acontecer se alguém com alguma influência nos meios de comunicação e que compartilhe desse mal gosto a escute e resolva fazer dela mais um novo sucesso? Aí seremos todos obrigados a aturar isso tocando nas rádios!

Quem sabe até – e Deus me livre disso acontecer comigo! – a música vai embalar muitos romances fracassados, e já que o negócio é usar e abusar mesmo, serão muitas outras “paixões descartáveis” (dessas que a gente chama de amor) que ficarão imortalizadas nos acordes dessa canção também descartável e que por ser assim jamais deveria ter sido composta. Pensem nos prejuízos sociais dessa mercantilização do que deveria ser uma expressão artística... E pensem no uso que estão fazendo dos nossos ouvidos!

Posso até imaginar a cena: a gurizada numa tarde quente no Laranjal, admirando a beleza da Lagoa dos Patos, tomando chimarrão no calçadão com o porta-malas do carro aberto e obrigando todo mundo ao redor a ouvir a voz esganiçada dessa criatura, mesclada num repertório que incluirá o lançamento do ano da baiana Ivete, com a última do Armandinho, uma ou outra piada do Pretinho Básico pelo meio e, quem sabe mais um remix (talvez agora na versão funk) do refrão repetitivo na voz de Pedro Bial: “Use filtro solar. Use, u-use, use filtro solar”.

Okai. Use filtro solar, mas... pliiiiissss. (Não) me use neste verão, não!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Por falar em Rafael Sicca...

... o cartunista pelotense foi elencado como um dos "118 motivos para se ter orgulho da região", publicados no caderno especial de aniversário do Diário Popular esse ano.


Críticos especializados de quadrinhos e fãs leigos de HQ´s concordam que o cartunista pelotense Rafael Sica tem talento - em tiras - para mais de metro. Destaque mundial nas "webcomics" (tiras cômicas feitas para a Internet), Sica é autor de personagens como o Cara de Plástico e o Sr. Desculpas Esfarrapadas. Seus desenhos já estiveram nas páginas do Diário Popular, ilustraram revistas como Mundo Estranho, Superinteressante, MTV, VIP, Trip... Atualmente podem ser vistos no caderno Folhateen, da Folha de São Paulo, e no blog Quadrinho Ordinário.

Dizem que Rafael possui "genialidade em estado bruto". Dizem que ele tem um "humor ácido". Certo mesmo é que o traço descomportado de Sica não conhece limites para o desenho. Nas suas versáteis proporções, um quadrinho nunca é pequeno demais para caber a realidade.