sexta-feira, 6 de março de 2009

A MPB vestida de jazz

Botekria apresenta neste sábado o músico Gilberto Oliveira

O espaço é pequeno e aconchegante, em cores quentes e cheio de charme. Tem jeito de boteco. Tem nome: botekria - assim mesmo, com letra minúscula. Há um ano, o pub faz sucesso e atrai um público diversificado na Zona Norte.

“Por ser meio deslocado do centro a gente atende principalmente quem mora aqui perto, mas temos clientes da cidade toda”, diz uma das proprietárias Luciana Marczykowski, que destaca a mordomia de ter um ponto de táxi 24h na porta do bar como um dos fatores que mais agrada a clientela.


O estilo, as peças da decoração, o colorido do ambiente foram concebidos por Luciana e pela sócia Martane Ribeiro, que oferecem na casa um cardápio variado de petiscos e bebidas. Um dos pratos mais pedidos é o picadinho colonial, combinação apetitosa de linguiça da colônia, queijo, pepino, pão e farofa. “E tem também o bolinho de bacalhau que é uma delícia!”, faz questão de lembrar a cantora e produtora cultural Ana Mascarenhas, que aos sábados vai agitar a botekria com atrações sofisticadas.

“A proposta é contemplar músicos com um repertório menos comercial e que justamente por isso não tem muito espaço para tocar em outros bares”, explica. Com vários nomes em mente, especialmente da música instrumental, Ana divulga apenas o primeiro deles que já está confirmado e que inaugura a programação especial do pub amanhã (sábado, dia 7) à noite: com um repertório de Música Popular Brasileira em releituras inconfundíveis, quem anima a noite é Gilberto Oliveira. “Ele é um instrumentista espetacular e tem uma inegável veia jazzística”, elogia a produtora.

Ecletismo e personalidade

O rio-grandino Gilberto Oliveira transita com naturalidade por diferentes estilos e gêneros musicais. Já passou por escolas de samba do Carnaval de Porto Alegre, pela música instrumental de raíz afro, como durante sua participação no projeto Cabobú com Djalma Corrêa e o mestre Giba Giba. Mas, uma de suas vocações mais marcantes é o jazz. Em 1994 foi convidado a participar do 15º Free Jazz, em Montreal, no Canadá. Desde 2005, participa do projeto Conexão Jazz pelo qual já dividiu o palco com nomes como a americana Jane Blackstone, o pianista Verner Vana, Sandy Sasso, Cliff Korman e vários outros. Recentemente atuou ao lado do cantor e pianista brasileiro radicado em Roma Jim Porto.

“Quando me proponho a ‘fazer noite’ é difícil definir uma temática”, diz ele, que aposta em um repertório eclético para agradar a um público diversificado, com canções de compositores como Filó Machado, Gilberto Gil, João Bosco e Patmetheny. “As influências são muitas, mas a minha essência é mesmo brasileira”, afirma.

Guitarrista, violonista, baixista, compositor e arranjador, Gilberto costuma ser bastante requisitado nos palcos e estúdios. Professor de música, além de se apresentar em bares, teatros e festivais trabalha com artistas como Enzo e Rodrigo, Daniel Torres e com a cantora Loma.

O currículo é extenso. Depois de inúmeras participações em álbuns coletivos, Gilberto pretende lançar em breve seu primeiro álbum solo - Cordas pra que te quero - instrumental e totalmente autoral. O trabalho está pronto mas ainda não tem data para ser apresentado ao público. Enquanto espera a melhor oportunidade, Gilberto se prepara para voltar a estúdio, semana que vem, para dar início às gravações do segundo CD, também autoral, em voz e violão.

“Eu já tive oportunidade para tocar pra 30, 40 mil pessoas, um Gigantinho lotado. Mas nesses lugares muito cheios, acaba que poucas pessoas te ouvem, realmente. Prefiro tocar em lugares pequenos porque isso cria uma cumplicidade entre o músico e as pessoas que estão ali naquele momento em busca de uma boa noite.”

Outras atrações

A botekria abre de terça a sexta-feira a partir das 18h e aos sábados somente para eventos ou shows especiais, como este. Além da área do bar, a botekria coloca à disposição dos clientes uma churrasqueira para uso em festas particulares. De terça a quinta o couvert artístico é fixo: R$ 2,00.

Às terças Dija Vaz e convidados fazem a festa, intercalando rodas de samba (duas vezes por mês) e apresentações de voz e violão. Às quartas é a vez de Júnior Noble e às quintas Sandro Martins. Às sextas os músicos da casa dão lugar a atrações variadas.

Hoje, a partir das 22h, o músico e compositor pelotense Beto Porto é quem faz a festa. Com mais de 20 anos de carreira dedicados a interpretações de composições próprias e também à criação instrumental, Beto irá apresentar um repertório de samba, MPB e Bossa Nova com músicas de Chico Burque, Rita Lee, João Bosco, Djavan, Tom Jobim e Zeca Baleiro.


Prestigie

O quê:
show com Gilberto Oliveira
Quando: sábado, dia 7 de março, pós 22h
Onde: na botekria (rua Pinto Martins, 549, entre Osório de Andrade Neves)
Quanto: R$ 5,00
Contato: o telefone para reservas de mesas e contato para aluguel do espaço é 3225-9471


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 6 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Banho de Cheiro



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RetroSete

Se recordar é viver, vale à pena ver de novo as imagens que encantaram os olhos de mais de 40 mil pessoas em um dos palcos mais queridos do público pelotense. Este mês o Memorial do Theatro Sete de Abril abre as portas para uma exposição de fotos, folderes e cartazes dos espetáculos que marcaram o ano de 2008.


Ao todo, foram 143 atrações entre dança, teatro e música. Desses, quase todo frequentador da Casa tem o seu preferido: “A gente vem ver tanta coisa… Lembro do Aires de España. Foi lindo!”, diz a professora Tânia Morselli ao lado da filha Luiza. “Teve muita coisa legal no ano passado, pena que não deu pra assistir tudo o que eu queria”, diz o estudante de música Rafael Rodrigues. “Lembro do Festival de Teatro, do show do Vitor Ramil, da Freak Brotherz…”

A professora Denise Peres, que mora na rua do Theatro, não deixa de conferir a cada passada os espetáculos em cartaz e já se interessou por Inquieto Coração, monólogo que inaugura a temporada cultural do Sesc na cidade em 2009, no domingo. “Ano passado eu vim todos os dias do Festival de Shakespeare do Sesc. Cultura é sempre importante, e o teatro é algo maravilhoso! Tomara que esse ano tenha mais”, deseja ela, que incentiva os amigos a frequentarem o teatro e, sempre que pode, leva os alunos para assistirem espetáculos também.

O que passou

Foi um ano de agenda cheia no Sete de Abril, e de muitas emoções, como na ocasião da homenagem à maitre de balé Dicléa de Souza. Chico Anysio fez a platéia dar gargalhadas.

No comecinho de dezembro Vitor Ramil se reencontrou com o público pelotense depois de 15 anos sem fazer um show solo, na apresentação que teve maior público no ano: mais de 600 espectadores se deliciaram com a bela imagem do músico na penumbra cantando, de novo, as velhas canções das quais estávamos sentindo saudades.

O convite do Memorial a prestigiar a exposição é também para aqueles que não puderam estar no Theatro às terças-feiras e deixaram de prestigiar boas apresentações de talentos locais. Quem perdeu, pode ver agora como foi o show da Banda Mídia, do Rodrigo Madrid e de tantos outros que passaram pelo Sete ao Entardecer. Durante a mostra, o Memorial exibe as gravações do projeto, realizadas e transmitidas pela TV UCPel.

Parece que faz tempo… Quem visita a exposição pode ainda recordar ainda os bons momentos do II Encontro de Teatro de Pelotas e do Festival Universitário que, sem dúvida, são grandes marcos na nova história das artes cênicas de Pelotas que os artistas daqui pouco a pouco vem tentando escrever.

Depois de tudo isso, é só esperar pelo que vem por aí em 2009.


Para ver e recordar

O quê: Exposição RetroSete 2008
Onde: no Memorial do Theatro Sete de Abril (rua 15 de Novembro, 560 A)
Quando: até o fim de março, com visitação de segunda a sexta-feira das 13h às 18h.
Entrada franca


Veja também

Parte da mostra RetroSete pode ser conferida pela Internet, no site www.teatrosetedeabril.com.br. Para acessar, clique no link Memorial/exposição do mês e exposição virtual.


Fique ligado!

Na próxima terça-feira, 10 de março, começa a temporada 2009 do projeto Sete ao Entardecer, às 18h30min, com entrada franca. A primeira atração do ano será a banda convidada Soul da Silva.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de março de 2009

Havaianas


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terça-feira, 3 de março de 2009

Picante Carneavale

Esqueça as marchinhas e o axé music. O carnaval que vai rolar amanhã (dia 4) no bar e champanharia João Gilberto tem sotaque latino. Carneavale, título de uma das músicas de trabalho da Pimenta Buena que dá nome ao show, já diz muito sobre a identidade de uma das bandas pelotenses que mais vem se destacando nos últimos tempos. A carreira ascendente foi alavancada pela Internet. Em aproximadamente um ano o grupo já contabiliza mais de 50 mil acessos e 10 mil downloads de músicas em espaços virtuais como My Space, You Tube, Orkut, Palco MP3 e no site oficial. Da rede virtual acabou se formando um público fiel e assíduo frequentador dos shows da Pimenta.


A mistura de influências intercambiadas na fronteira cultural, essencialmente representada na música Carneavale, é a marca registrada do quarteto formado pelo groove dos brasileiros Daniel Finkler (baixo), André Chiesa (bateria) e João Corrêa (guitarra) com o tempero latino na voz do uruguaio Vicente Botti.

“Naturalmente a banda tomou essa direção” fala o vocalista Pimenta, que aposta na tendência rock “latin lover” e contemporânea da world music para criar seus hits, com um estilo autêntico pouco explorado na região.

Em Carneavale (o show) eles inauguram o repertório lado B da banda que promete ser ainda mais picante com uma seleção das composições mais agitadas e populares – como La dueña de la calle, La hija de la fortuna e Un poco de tu miedo -, sem as baladas costumeiras que deixam o ritmo dos shows mais lentos, e com releituras especiais de Bob Marley, Men at Work, Legião Urbana, Fito Paez e Enanitos Verdes. “Em cada cover a gente tenta surpreender e potencializar a identidade da banda”, diz Chiesa. Sobre isso, um bom exemplo é a versão em espanhol que os guris criaram para a música Tempo Perdido, da Legião: uma das interpretações que mais vem marcando as apresentações do grupo. Quem ainda não conhece poderá provar o som amanhã.

Esta é a primeira vez que a Pimenta Buena sobe ao palco do João. A banda nem bem encerrou a turnê que teve escalas em Porto Alegre e Montevidéo para apresentação do primeiro CD – que deve ficar pronto em abril –, e já trabalha nas composições que farão parte do segundo álbum que será produzido por Duca Leindecker, da Cidadão Quem. “Estamos em fase de laboratório”, fala Vicente, que espera concluir o segundo trabalho até o primeiro semestre de 2010.

Os shows e vários momentos da fase de pré-lançamento do primeiro álbum foram registrados pela Moviola Filmes em um documentário que será exibido no telão durante a apresentação de amanhã. Quem for, aliás, pode esperar encontrar um João Gilberto produzidíssimo para o show, já que a Pimenta Buena costuma caprichar em cenografia e decoração - um tempero a mais para uma noite caliente.


Pra curtir:

O quê: show da Pimenta Buena - Carneavale
Quando: quarta-feira, dia 4, às 22h
Onde: no bar e champanharia João Gilberto (rua Gonçalves Chaves, 430)
Quanto: ingressos antecipados custam R$ 8,00. Os pontos de venda são: Studio Cd´s, padaria Círculo Operário e Posto Cidadão Capaz. Reservas de mesas com Daniel Balhego pelo telefone 9165-9190.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Valder Valeirão/Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 3 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

O som da Vitrola

É o prazer de ouvir uma boa música que impulsiona as rotações da Vitrola.Net, um projeto multimídia criado em Arroio Grande que acaba de lançar mais uma novidade, para o bem de quem admira e faz parte da cena musical regional. Saiu o primeiro DVD da série Vitrola Acústico, uma excelente pedida para os apreciadores de música de qualidade.


O show gravado no bar e parrilla Dom Quixote reune cinco conterrâneos da “Cidade Simpatia”: os veteranos Sandro Campello – nome conhecido dos festivais nativistas – e Sidney Bretanha, os jovens talentos Mescalina e Jones Lacerda, além de Edu Damatta, que andava meio sumido depois de seu Carnaval na Babilônia, álbum gravado em Pelotas, lançado originalmente em 2002, e agora relançado na web através do site vitrola.net, com direito ao videoclipe da faixa mais conhecida – Barracão.

Há também as participações especiais de Jelson Domingues, Pardal, Mateus Vidal, Bolotinha e Rodrigo da Pinta, e o dedo, ou melhor, a dedicação, de mais de 20 pessoas envolvidas na produção e execução do projeto.

Moderno, apesar de nostálgico no nome e na aparência, o DVD Vitrola Acústico contempla canções bem elaboradas em letra e melodia, sem fazer distinção de gêneros - e poupando-se até da tentativa de classifica-los. Diga-se de passagem, o repertório que toca na Vitrola – o programa de rádio que vai ao ar todos os sábados pela rádio Difusora (projeto paralelo ao DVD) circula entre extremos como o pop, o heavy metal, o tradicionalismo e a MPB. “O que toca no programa passa por um crivo muito grande. Não temos preconceitos, mas aqui chegam 50 coisas e a gente refuga 55”, conta o idealizador do projeto da rádio, do site e do DVD, Zaque Soares, sobre o seleto repertório, que prima pela qualidade musical.


O Zoom recomenda

No disco, há algo de folk, algo de nativista, alguns toques de blues… um quê de underground (como diria Edu Damatta) e também de requinte; um pouco de pop e uns acordes de rock para temperar o ecletismo bem dosado, que vibra em personalidade a cada faixa.


A intenção do “agitador cultural” Zaqueu, um mineiro apaixonado pela música dos pampas, é a mesma desde que ele criou a sua badalada coluna musical em um jornal de Santa Vitória do Palmar, que acabou virando um site, até dar origem a outro site lá pelos idos de 2005, o Vitrola: divulgar os bons músicos do interior do Rio Grande do Sul, que nem sempre conseguem espaço e reconhecimento à altura do seu talento.

“A idéia agora é viajar por várias cidades divulgando esse trabalho e documentar isso, captar imagens nesses shows para a produção dos ‘extras’ da segunda edição do DVD”, planeja Zaqueu. “Onde tiver um telão a gente vai estar levando o DVD pra tocar.”

Por aqui, em Pelotas, é possível que a oportunidade de assistir ao show do DVD Acústico, ou pelo menos a uma parte dele, surja no calendário do Sete ao Entardecer, no Theatro Sete de Abril. De acordo com Zaqueu o projeto foi inscrito, mas ainda aguarda o resultado da seleção para a temporada deste ano.


Ouça

Acesse o site e faça gratuitamente o download das dez faixas em mp3 que fazem parte da primeira edição do projeto Vitrola Acústico. No endereço é possível também ouvir on line e na íntegra a trilha do álbum Carnaval na Babilônia, de Edu Damatta.

A venda do DVD é feita exclusivamente na Curare Manipulação e Drogaria, em Arroio Grande.
O programa Vitrola pode ser ouvido ao vivo todos os sábados das 16h às 17h através da rádio Difusora on line, no site www.difusora1580.com.br.


Texto: Bianca Zanella | Imagens: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 2 de março de 2009

Cofre


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