sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Show de Daniel Torres cancelado

COMUNICADO:


O Sesc/RS comunica à imprensa e à comunidade de Pelotas e da região, o cancelamento da apresentação que o cantor Daniel Torres faria hoje (30/01) à noite na praia do Laranjal, pelo Sesc Música, e a tranferência do Triathlon Praia do Laranjal que seria realizado no domingo (01/02).


As alterações foram em decorrência da tragédia que assolou a Região Sul do Estado. Salientamos que a programação cultural com Daniel Torres na praia do Cassino, agendada para o dia 31/01, às 21h, está confirmada. Já o Triathlon Praia do Laranjal foi transferido para o dia 08/02.

Um canto sem fronteiras

Hoje e amanhã o Sesc traz a Pelotas e Rio Grande o porta-voz do nativismo gaúcho e do romantismo latino-americano

A voz de Daniel Torres bem que poderia ser ícone da integração pampeana do Mercosul. Com praticamente quatro nacionalidades, seu ecletismo não é uma mistura gratuita. Suas influências são claras e fortes. Filho de pai chileno e mãe argentina, o músico nasceu em Santa Vitória do Palmar. Cresceu no Uruguai, em meio ao mundo do espetáculo e da música: seus pais eram artistas de circo e também trabalhavam como atores de rádio.

Em mais de 25 anos de carreira, Daniel Torres tem marcos em sua trajetória artística, hora mais nativista, hora evidenciando o melódico romantismo latino.

Seus shows costumam ter a energia da batida do bumbo leguero e as apresentações nas praias do Laranjal e do Cassino - hoje e amanhã - não devem ser diferentes. “Tudo é uma questão de colocar carinho e emoção no que a gente faz. Quando tu joga a tua energia para o público recebe tudo em dobro”, afirma o músico, com um carregado sotaque castelhano.

A música Solo le pido a Diós (Só peço a Deus) - que há poucos meses o músico cantou emocionado ao lado de sua maior intérprete - Mercedes Sosa - durante a Vigília da Canção Gaúcha em Cachoeira do Sul, deverá encerrar a apresentação como ocorre tradicionalmente.


Entre amigos

Os show de Daniel Torres terão no repertório um apanhado de seus oito CDs e também algumas novas músicas que fazem parte de seu mais recente trabalho, o CD Entre amigos, que acaba de ser gravado e deve chegar às lojas entre os meses de março e abril.

No disco, a maioria das canções é inédita mas há também temas rebuscados nas mais marcantes participações do músico em festivais, pelos quais coleciona mais de 50 troféus de melhor intérprete.

Duas são em espanhol: Los gauchos - única no CD de autoria de Torres - e Kilômetro 11, famoso chamamé do cancioneiro folclórico argentino.

Nas interpretações, Daniel Torres ganha a companhia de outros renomados nomes da música do Rio Grande do Sul como César Oliveira, Rogério Melo, Wilson Paim, Cristiano Quevedo, Luiz Marenco e Dante Ramon Ledesma.

A atração no litoral sul é uma promoção do Sesc através do projeto Estação Verão e do Circuito Sesc de Música Gaúcha. No sábado e no domingo, entre outras atividades que contemplam a cultura, o esporte e o lazer, o Sesc leva ao Cassino a Escola de Chimarrão, das 9h às 18h.


Atenção veranistas!

Show de Daniel Torres
Hoje (30), no Laranjal (avenida Antônio Augusto Assumpção, em frente ao Shopping Mar de Dentro)
Amanhã (31), no Cassino (rua Henrique Buhle, perto da Igreja Sagrada Família)

* Ambas as apresentações começam às 21h e são abertas ao público.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Procura-se um violão

Não tinha aparência de novo, mas tinha o som da maturidade. As sete cordas amaciadas já estavam acostumadas às pontas dos dedos do dono. Hoje o violonista sem violão, inconformado, pergunta: quem andará dedilhando aquele seu bom e velho companheiro de quase 40 anos de boemia?

De tão inseparáveis que eram, o instrumento acabou virando sobrenome do instrumentista. Mílton da Costa Alves assumiu a identidade do violão que lhe deu fama: virou Mílton Sete Cordas, conhecido codinome da noite pelotense.

Aos 15 anos já demonstrava habilidade com o cavaquinho, tocando nas rodas que se formavam pelas ruas da Várzea e da zona do Porto. Aos 18 ingressou no serviço militar e iniciou no quartel a parceria que continua até hoje com Avendano Júnior.

Era final da década de 1950 quando Mílton se alistou para servir à ONU em uma missão de paz na faixa de Gaza. Viajou pela Grécia, pelo Líbano, conheceu lugares como Alexandria e Jerusalém. Entre Egito e Israel fez amizade justamente com os outros músicos da expedição.

O professor e militar Edgard Nogueira, o Gaia, também fazia parte da diligência e “organizou” o grupo que animava a estadia dos soldados. Foi numa dessas apresentações informais que foram ouvidos pelo embaixador do Brasil na cidade do Cairo e convidados a tocar em uma recepção para a Seleção brasileira de futebol. “Nós só tínhamos instrumentos velhos. Aí o Nogueira fez uma relação do que precisávamos e o embaixador mandou vir tudo novo da Itália e também mandou confeccionar uma roupa pra nós” lembra Mílton, que, em traje de gala, tocou para uma plateia de craques como o Garrincha e o Pelé em um hotel do Cairo.

De volta ao Brasil, em 1961, passou a trabalhar no setor de transportes da Embrapa. Foi também motorista de ônibus nas linhas entre Pelotas e Porto Alegre, Chuí e Camaquã. Em 1991 se aposentou. Comprou um táxi para seguir trabalhando, mas acabou vendendo o carro cinco anos depois. “Depois que a gente fica velho não consegue mais emprego, aí só me restou a música.”


Um violão de jacarandá

Foi através dos LPs do mestre do choro Waldir Azevedo - carioca compositor de hinos como o Brasileirinho - que Mílton ouviu pela primeira vez os bordões graves do violão de sete cordas e se encantou. Ele, que nunca tinha ouvido falar no instrumento, pediu ao amigo Avendano que perguntasse a Azevedo como era gerado aquele som peculiar no acompanhamento, em uma das correspondências que os dois cavaquinhistas trocavam.

O tal instrumento era uma novidade no mercado, fabricado usando como sétima uma corda de violoncelo. Esclarecido o mistério da “baixaria”, Mílton tratou logo de encomendar um exemplar fabricado artesanalmente pelo consagrado luthier Silvestre na loja Bandolim de Ouro, até hoje ponto consagrado no mapa da música no Rio de Janeiro.

Para pagar o objeto de desejo, que custou Cr$ 672 (672 cruzeiros), ele e Avendano fizeram campanha para arrecadar fundos. “Nós fizemos uma rifa e saíamos a dar serenata. Hoje não dá mais pra fazer isso na rua, prova é que eu tive o violão roubado.”

O violão foi comprado em 1971 e tem a idade do filho mais velho de Mílton. “Eu fui um cara que tive muitas coisas. Quando me separei da minha primeira esposa deixei tudo. Saí de casa só com umas roupas, um revólver e o violão”, diz o músico que teve o instrumento levado por assaltantes em uma madrugada de novembro do ano passado, quando ia a pé para casa depois de mais uma apresentação no bar Liberdade.

Contabilizado o valor sentimental da peça, a raridade tem ainda valor comercial. Exemplares semelhantes, fabricados na mesma época, chegam a ser negociados na Internet por valores em torno de R$ 4 mil atualmente. “Só espero que meu violão não tenha virado crack.”

Sem outra alternativa, o músico segue tocando com um violão emprestado de outro grande nome da música e da boemia pelotense: Possidônio Tavares. Apesar de grato pelo empréstimo, que lhe permite continuar em atividade, Mílton não tem cerimônia em dizer que o violão de Possidônio - com cordas de nylon - não é tão bom quanto era o dele, de cordas de aço.

Hoje Mílton assiste com orgulho ao filho mais novo em suas primeiras incursões no universo da música. “Mas eu não quero música pra ele. Se tiver que ser músico, que seja doutor em música e não músico de boteco que nem eu. Desde os cinco anos ele já fazia uns barulhinhos na flauta e se continuar estudando vai dar show”, afirma ele, prenunciando um músico pelotense da nova geração com grande potencial chamado Thiago Alves, de 11 anos.

Desanimado e sem o “seu” violão, este ano Mílton Sete Cordas - figura conhecida de outros carnavais em Pelotas - ficará fora da tradicional Banda do Costinha. “Para tocar na rua tem que ser com cordas de aço. Além do mais, eu já tô meio velho pra essas coisas...”

Nas noites de sextas e sábados Mílton segue com sua rotina de apresentações no bar Liberdade (rua Marechal Deodoro, 525) com Avendano Júnior e companhia, das 21h30min às 2h30min.

(VIDE FOTO NO DIÁRIO POPULAR)

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Museu da Z-3


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Tim em tom de alto-astral (para redescobrir o que gosto)

O ato de gostar às vezes nos limita. De tanto gostarmos de alguma coisa, esquecemos de tantas outras. Gostar vicia. Nos acostumamos a repetir o repertório na playlist por força do hábito, preguiça de variar ou falta de ousadia. Sei que nem todos são assim, mas eu sou e sei que há pessoas como eu, que raramente colocam para tocar o que vier, à critério do “gosto” aleatório do comando shuffle no mp3 player. Raramente pego Cd´s - dos poucos que ainda tenho - do fundo da gaveta. Meu mouse também já aprendeu o caminho para uma meia-dúzia de pastas de músicas que mais ouço, entre nem-sei-quantas que tenho armazenadas no computador.

As minhas variações de repertório só acontecem em experiências ao vivo. A shows me permito ir a qualquer um, ou quase qualquer um, seguindo alguns critérios pessoais básicos que não raramente eu esqueço. É nessas ocasiões, nos shows, que redescubro o que gosto. Escuto o que tocar e gosto de quase tudo.

Eu não lembrava que gostava de Tim Maia. Embora o repertório eu conhecesse de cor, assistir às interpretações das músicas é diferente. Faz a gente prestar atenção na melodia, nas letras. Ver o Tim eu só vi poucas vezes, em alguns especiais na TV. Nunca antes tinha me dedicado a ouvir a maior parte das suas músicas.

Mas aí uma certa banda pelotense, chegada na pegada do funk e do samba rock, resolveu fazer um tributo a ele, e eu, claro, não iria perder. Só a iniciativa de fazer uma pesquisa de repertório e propor uma apresentação diferenciada já vale um punhado de aplausos. É esse tipo de atitude – que poucas bandas da cena local tem – que apesar de simples fazem o cover deixar de ser “só um cover”. Além disso, ajudam a atrair um novo público que talvez não comparecesse a qualquer outro show que não fosse um “tributo a Tim Maia”.


Depois da agradável abertura musical com Zé Ricardo, a Soul da Silva subiu ao palco do bar João Gilberto com a alegria que eu já esperava. Os guris capricharam no visual - estilão anos 70 com muitas estampas e feitios de vestuário característicos da década – e embalaram o público diversificado formado por quem viveu no tempo em que Tim se rebelou à Jovem Guarda e também por quem não era nem projeto na época, mas estava disposto a aproveitar a noite retrô.

O trio de instrumentistas formado pelo guitarrista Vinicius “Cacalo” Marques, o baixista Eduardo Simões e o bateirista Renato Popó estava afinado como sempre. Daniel Balhego, o vocalista, estava em mais uma noite inspirada. Soltou a voz, dançou, pulou, rebolou e empolgou a platéia. Os metais de Alex Ribas e Estevão Hom e a percussão de Jucá de León – participações especiais do show – completaram o clima de alto astral.

Perto de mim alguém que ia pedir pra tocarem “aquela música do síndico” se deu conta de que a música não era do Tim Maia, e sim em homenagem a ele, antes de gritar o pedido, que mesmo assim não deixou de ser atendido: não ao vivo. No telão, o DVD acústico de Jorge Ben Jor completou a noite de samba-rock-funk. E aí sim, Jorge Ben cantou: eu vou chamar o síndico: Tim Maia!

O show teve ainda uma homenagem às vítimas do acidente do ônibus do Brasil de Pelotas, com gritos de rubro-negroooo puxados por alguns eufóricos torcedores xavantes. Foi nessa hora de comoção que a banda começou a tocar não sei porque você se foi, tantas saudades eu senti… e ninguém ali no bar pensou em outra coisa até o segundo e último coro do refrão.


Novidades ao microfone

Durante o show, a Soul da Silva anunciou duas novidades para serem conferidas em breve: a primeira é o site www.souldasilva.com, que deve voltar ao ar nos próximos 10 dias.

A segunda é o videoclipe da música Mistério, que fala de uma paixão entre um casal de amigos. A gravação ocorreu no domingo e uma das locações foi o bar João Gilberto. O vídeo ainda não tem data prevista para lançamento.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cinema com vista para o mar

Sombra, água fresca e filme na tela. Amanhã e sábado, sobre as areias da barra do Chuí, acontece o primeiro Barra Cine – a “janela” de exibição que tem vista para o mar. A mostra de curtas-metragens é mais uma realização da cinematográfica pelotense Moviola Filmes que irá apresentar suas mais recentes produções além de filmes de outras produtoras independentes de Pelotas e de Porto Alegre. Até ontem ainda estava por ser confirmada a participação de curtas uruguaios no circuito.



O artista plástico Hamilton Coelho será o anfitrião do evento em seu museu/atelier que este ano completa uma década de atividades na fronteira do extremo-sul. A idéia de fazer a mostra foi de Chico Maximila – um dos integrantes da Moviola e natural de Santa Vitória – junto com Coelho.

“A proposta deles foi criar um evento para exibir filmes já em tanto Santa Vitória quanto as cidades dos arredores não contam com salas de cinema”, explica a também cineasta Cíntia Langie. “O grande barato da mostra é o fato dela ser ao ar livre e proporcionar todo um clima de convivência nesses dois dias lá no último terreno do Brasil”, completa o produtor Alexandre Mattos.



Pela primeira vez

Entre os títulos que incluem a programação, dois são lançamentos da Moviola Filmes. Um deles é o documentário Outubro do Futuro, gravado durante o primeiro turno das eleições municipais do ano passado.

De tanto ver os candidatos fazerem promessas sobre o “futuro”, o grupo de cineastas resolveu sair às ruas e perguntar, afinal, quando começa o futuro? E que futuro é esse?

O documentário faz o gênero “cinema neopolítico” que tem Glauber Rocha como principal referência. “O texto do Chico é bastante provocativo”, comenta Cíntia.


A outra novidade na programação é o documentário Não é de se jogar fora, que teve sua estréia anunciada no final do ano passado, mas por problemas técnicos no equipamento de projeção e áudio não chegou a ser exibido na data marcada. O curta, também inédito portanto, é uma produção experimental dos alunos do curso de Cinema e Animação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que trata da cadeia do lixo no município de Pelotas. Durante o trabalho os estudantes realizaram entrevistas com autoridades no assunto, empresários, representantes de cooperativas e catadores.


Em cartaz

Outubro do Futuro, de Chico Maximila (Moviola Filmes – Pelotas)
Não é de se jogar fora, produção experimental do curso de Cinema e Animação da UFPel e Moviola Filmes
O Caramujo, de Rafael Andreazza, Chico Maximila e Rodrigo Neves (Campos Neutrais Filmes – Pelotas)
O Solitário Jorge, de Chico Maximila e Rodrigo Neves (Campos Neutrais Filmes)
Estacionamento, de Cíntia Langie e Daniela Pinheiro (Moviola Filmes)
Documentário Pimenta Buena, direção coletiva (Moviola Filmes)
Crepúsculo e Duplo, vídeos-arte de Kelly Xavier (Pelotas)
A poesia radical da espera, de Leonardo Peixoto (vencedor do festival GP do Minuto da UFPel em 2008)
Ocupação, documentário de Lizandro Moura (Porto Alegre)


Prestigie!

O quê: Circuito de Cinema Barra Cine
Quando: sexta e sábado, a partir das 21h
Onde: no Museu/Atelier Hamilton Coelho, na Barra do Chuí


Como chegar

Para ir há ônibus na sexta e no sábado com saídas da rodoviária de Pelotas às 6h, às 9h30min, às 13h, às 16h e às 18h30min. O valor da passagem é R$ 34,25. Para voltar os horários são: 6h, 9h, 13h, 16h e 18h30min.

Para o translado entre a rodoviária do Chuí e a barra há ônibus em vários horários, das 7h30min às 19h30min. A outra opção é ir de táxi. O valor médio da corrida da rodoviária até a barra é de R$ 12,00. Para mais informações, o telefone da rodoviária do Chuí é (53) 3265-1498.


Onde ficar

Junto ao museu e atelier os visitantes poderão contar com uma estrutura de camping. Para acampar no local o custo é de R$ 10,00 por pessoa. Reservas pelo telefone (53) 3503-3053.


Mais

Na sexta-feira, antes do início da mostra, o escritor Roberto Jung fará o lançamento do livro Maria Baderna no local.


Acesse: Blog da Moviola


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 22 de janeiro de 2009