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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pronto pra usar

Para quem tinha uma ideia na cabeça, mas faltava a câmera na mão, a oportunidade de realizar produções independentes pode estar mais perto. Deve começar a funcionar em maio o estúdio multimídia da Casa Brasil, no Comitê de Desenvolvimento do loteamento Dunas.

A unidade é uma das cinco instaladas no Rio Grande do Sul e faz parte do programa de inclusão digital do Governo Federal. Com uma verba de R$ 60 mil foram comprados equipamentos para gravação e edição de áudio e vídeo. “Pelo plano do Governo a aparelhagem básica que eles ofereciam tinha um perfil muito voltado para produções caseiras, meio amadoras. Mas a gente aqui conseguiu organizar os recursos para comprar equipamentos mais profissionais”, explica Herberto Peil Mereb, o Betinho, que coordena a ONG Amiz (de “Amizade”), instituição responsável pela gestão da Casa.

Foram adquiridas câmeras e mesas de som, além de computadores para edição, amplificadores, caixas de som e microfones. Parte dos recursos foi ainda investida na compra de novos livros para a biblioteca, que funciona desde novembro de 2006 no local, juntamente com um telecentro (para acesso à Internet) e um laboratório de pesquisa e observatório de segurança social. Todos os serviços são oferecidos à comunidade gratuitamente.


Um porém

O projeto do estúdio multimídia foi apresentado oficialmente no último sábado, em um evento no espaço cultural Casa do Joquim, no centro da cidade. “Não fizemos aqui mesmo, no Dunas, porque não temos banda de Internet suficiente para realizar teleconferências, e também porque queremos mostrar o que fazemos na Casa Brasil para toda a comunidade”, disse Betinho ao comentar a programação que incluiu apresentações musicais de artistas do Dunas e bate-papos on-line com personalidades ligadas à promoção de cultura que estavam fora de Pelotas.

Antes mesmo de estar com todos os equipamentos comprados, o estúdio começou a mostrar resultados servindo, experimentalmente, para a gravação de três músicas. Uma delas, intitulada Gramatematicamente, foi produzida com a gurizada que participava da oficina de música ministrada por Paulo Celente, no final do ano passado.

Segundo o coordenador, o estúdio só não está em plena atividade porque depende de um bolsista para orientar a operacionalização dos equipamentos e a vaga ainda não foi liberada pelo Governo Federal. Enquanto a “pendenga administrativa” não é resolvida, a própria ONG Amiz resolveu arcar com o custo dessa contratação. O músico Edu da Matta já está cotado para assumir o cargo e deve promover a partir do mês que vem reuniões com os interessados em utilizar o espaço para definir os planos de ação. “Resolvemos tocar ficha e não ficar esperando pelo governo”, explica o coordenador.

Paralelamente ao projeto do estúdio foi idealizada a implantação de uma oficina de rádio, na qual seria produzida uma programação local para a comunidade. No entanto, o Governo Federal não conseguiu a outorga para o funcionamento da estação de rádio comunitária. Mesmo assim, não foi descartada a hipótese de criação de uma web rádio para transmissões pela Internet.

Apesar de estar localizado no Dunas, o estúdio multimídia e os demais serviços da Casa Brasil estão à disposição de toda a comunidade pelotense.

“As ferramentas estão aí. Agora com o estúdio a gente vai ter condições de divulgar as produções de arte e cultura daqui, vamos dar a oportunidade para grupos mostrarem quem são e contarem a sua história e também para outras pessoas de fora apresentarem seus trabalhos aqui, porque a comunidade precisa se realimentar também e estar englobada”, destaca Betinho.


Serviço

Interessados em participar do projeto podem visitar a Casa Brasil, na avenida Um, 2.057, de segunda a sexta-feira das 8h às 18h. Mais informações pelo telefone 3228-7261 ou pelo e-mail amiz.ong@gmail.com.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de abril de 2009

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Tapete vermelho

Rota das formigas da Fenadoce será também o caminho dos amantes da “doce arte do cinema”.

Com quantos pequenos filmes se faz um grande festival? Os idealizadores do 1º Festival Nacional de Cinema de Pelotas - o Cine Grandes Curtas - estimam que cerca de 400 curtas-metragens em 19 dias de exibição sejam suficientes para criar um marco na história da produção audiovisual em solo pelotense.

A data já está marcada no calendário turístico: o festival será o principal evento paralelo à 17ª Fenadoce, que acontece de 3 a 21 de junho de 2009. “Acreditamos que a cidade tem porte para um evento como esse. Nós apresentamos a proposta e a CDL comprou a ideia”, diz José Mattos, presidente da Associação Pelotense do Cinema Independente (Cinepel), instituição organizadora do evento. “A intenção é agregar valor à Fenadoce, trazer uma atração a mais para a feira”, comenta o diretor artístico da Cinepel, Sérgio Bizarro, que acredita que o festival terá potencial tanto para atrair um público diferenciado, formado por cinéfilos, quanto para formar plateias entre o público que, em geral, já é frequentador assíduo da Fenadoce.

Em frente ao prédio anexo ao pavilhão principal do Centro de Eventos - com capacidade para 300 pessoas - será estendido o tapete vermelho. Sim, porque a festa promete ter um cenário com todo o glamour que envolve a Sétima Arte. “As pessoas gostam disso, faz parte do cinema”, diz Mattos, que apesar de apreciar o tema nostálgico que dará o tom ao festival desse ano joga uma pedra sobre a visão romântica que envolve as grandes telas. “Não dá pra fazer cinema sendo utópico. O cinema é uma arte, mas precisa ser uma arte vendável, economicamente viável. Em Pelotas ainda não se vê isso acontecer e a Cinepel vem justamente para se propor a ser a roda que vai mover esse moinho”, metaforiza. A expectativa é de que a primeira edição deste evento gere pelo menos 50 postos de trabalho diretos, entre técnicos de som e imagens, equipes de apoio e recepcionistas, mas ainda não há cálculo preciso de quanto o festival poderá representar para o município em termos econômicos. “Só o festival de Gramado movimenta R$ 4 milhões pela Lei Rouanet, sem contar a receita local que o evento gera”, compara Mattos, inspirado no evento da Serra Gaúcha e apostando que um festival de cinema pode ser um ótimo negócio também para a Região Sul. Ressalta, porém, que o evento pelotense não tem, ao menos por enquanto, apoio da Lei de Incentivo à Cultura.

A pompa comercial, no entanto, não será um obstáculo que tornará o evento menos popular: o acesso ao auditório de exibição dos curtas estará incluído no valor do ingresso da feira.

A abertura do festival será marcada pela exibição do longa português Casulo, do diretor Carlos Leitão da Silva, como prenúncio da segunda edição do festival em 2010, que passará de nacional para o status de internacional. “Neste primeiro ano o filme português será apenas exibido, mas no próximo certamente teremos produções internacionais participando da mostra competitiva”, garante Mattos apostando em uma trajetória ascendente do festival.

Todos os filmes inscritos, de acordo com o regulamento, serão exibidos e poderão ser premiados em 13 categorias decididas por júri técnico e júri popular. Os vencedores farão parte de um DVD que será distribuído nacionalmente, também com entrevistas, making off e bastidores do festival. A mídia, prometem os organizadores, vai levar de carona a divulgação das empresas apoiadoras.


Em fase de produção

De acordo com a produtora executiva, Rosana Quintian, a organização do evento está em fase de captação de recursos. “Já fechamos três patrocínios masters, sendo uma empresa do âmbito local, outra regional e outra nacional”, diz, sem adiantar os nomes dos apoiadores que só serão revelados no lançamento oficial do Cine Grandes Curtas, previsto para ocorrer em meados do mês de março.

Empresas interessadas em patrocinar o evento podem optar por três categorias de valores. A produção trabalha ainda no planejamento do calendário de workshops e nos contatos com “estrelas” de maior grandeza que deverão marcar presença por aqui para abrilhantar o festival.
Em apenas uma semana 80 títulos foram inscritos de várias partes do País como São Paulo, Minas Gerais e Bahia. “Além disso, vários contatos já foram feitos”, diz o diretor, satisfeito com a repercussão imediata.

As inscrições são gratuitas. Podem participar produções não necessariamente inéditas, profissionais ou amadoras, realizadas a partir do ano de 2006.


Pré-festival

A Cinepel pretende lançar em breve edital de concurso para escolha do modelo das estatuetas que serão entregues aos premiados do festival. “Queremos propor isso desde já à comunidade pelotense e ver as ideias que irão surgir a partir daí”, comenta Bizarro. Portanto, se você é artista plástico, pode ir procurando a inspiração e fique atento às notícias da organização do Cine Grandes Curtas.


Sobre a Cinepel

A Associação Pelotense do Cinema Independente (Cinepel) existe desde março de 2006. Conta com 13 diretores-fundadores de Pelotas e da região e já produziu cinco curtas-metragens e o longa Alta-ansiedade, disponível nas videolocadoras.

A Cinepel tem por objetivo se tornar um centro de referência audiovisual, servindo de banco de dados com foco na produção regional de cinema e vídeo disponível para realizadores, pesquisadores, empresas e profissionais da arte cinematográfica.

Durante o festival de curtas, a Cinepel pretende oportunizar o cadastramento para novos associados.


Fique ligado!

Mais informações sobre o 1º Festival Nacional de Cinema de Pelotas, regulamento e inscrições pelo telefone (53) 3228-9339 ou no site www.cinepel.com.br.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça e Quarta-feira, 24 e 25 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O ecletismo enraizado de Roberto Luçardo

Tão diferentes e cada vez mais próximas. Não é de hoje que a música nativista e a música popular brasileira formam par, mas esta semana elas ganharam um novo endereço virtual de encontro. Segunda-feira a Nativu Design lançou na Internet o novo site do cantor e compositor Roberto Luçardo - nas versões português, inglês e espanhol.

A página traz um pouco da trajetória musical do piratiniense radicado em Pelotas disposto alcançar o mundo pela Web. Os efeitos e o estilo do site são divertidos e têm a marca da simplicidade de Luçardo. Apesar das muitas animações em flash, a página carrega rapidinho.

Roberto Luçardo é um músico nativista a trilhar os rumos da MPB. Com talento para bossas e milongas, ele aventura-se por um cancioneiro eclético e de forte personalidade. Afinal, diz ele, "por aqui tudo é nosso" e não há motivos para a música gaúcha resistir às influências. "


JustificarAqui estamos enraizados no chão com uma parabólica na mão e uma esponja na outra. A gente capta tudo e filtra tudo", diz o músico, que aposta em misturas requintadas, como a experiência de adicionar toques de jazz com sax na música nativista de raiz.

O "guri" prestes a completar 40 anos já soma quase 20 de uma carreira musical que começou nas horas vagas do inconcluído curso de Veterinária na Faculdade Federal de Pelotas e foi consolidada durante o também interrompido curso de Comunicação Social. De festival em festival, Luçardo se lançou para a música em 2000, com o primeiro CD De terra campo e galpão. Depois, em 2004, lançou a coletânea Tarca que reuniu seus melhores momentos nos festivais do Rio Grande do Sul.

O reconhecimento definitivo veio em 2006, quando gravou com Nana Caymmi - uma das principais vozes da Música Popular Brasileira - a canção Gauchinha bem querer. A música, composta por Tito Madi - paulista radicado no Rio de Janeiro - se tornou parte do cancioneiro gaúcho, mas quando saiu daqui de volta ao centro do País acabou ganhando de novo ares de bossa. "Essa mistura é ótima", aprova o nativista. "Mas não significa que eu vou chegar lá no Rio de Janeiro e mudar o meu jeito. Sigo andando de bombacha e alpargatas, cantando com o mesmo sotaque", garante.

Um novo projeto

De carona com o novo site vem a intenção de Roberto Luçardo gravar seu novo álbum. O projeto, orçado em R$ 222 mil, foi aprovado pela Lei Rouanet de Incentivo à Cultura com 100% de dedução do Imposto de Renda, mas até agora não tem patrocinadores.

O álbum será gravado no Rio e terá nomes de peso. Nana fará a direção musical. No repertório, além de Gauchinha bem querer, está confirmada a música Todo sentimento, composição de Chico Buarque e Cristóvão Bastos - vencedor do prêmio Tim como melhor arranjador pelo disco Acústico MTV de Paulinho da Viola e que estará com Luçardo neste CD.

A produção ficará a cargo do vencedor do Grammy Latino José Mílton, que é considerado um dos produtores musicais mais competentes da música brasileira na atualidade com trabalhos importantes como Para Caymmi, 90 anos, dos Irmãos Caymmi, e Forrozando, de Chico Salles. "É um projeto grande. Vamos gravar com orquestra de cordas em um dos melhores estúdios do Rio", diz Luçardo, na expectativa do impulso que falta para que o projeto comece a sair do papel.


Acesse

Conheça o trabalho de Roberto Luçardo no site www.robertolucardo.com.br.


Apoie

Interessados em patrocinar o projeto do novo disco de Roberto Luçardo através da Lei Rouanet - com dedução de 100% do imposto de renda - podem entrar em contato pelos telefones 3225-4663 e 9103-4923.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 14 de janeiro de 2009