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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Jornada movimenta a cena teatral pelotense

Um total de 18 horas de atividades artísticas ininterruptas é o que promete o Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que promove neste sábado a primeira Jornada Teatral.

Pela manhã, partir das 10h, e à tarde serão realizadas oficinas de voz, cenografia e improvisação no Clube Caixeiral. Durante a programação, haverá também um “café com diretores” que reunirá alguns dos principais nomes do teatro em Pelotas atualmente e um almoço “cênico” de confraternização. Cênico, não cenográfico, conforme esclarece o diretor do Núcleo, Adriano de Moraes.

Ao meio-dia os participantes da jornada irão para a rua fazer jogos teatrais tendo como cenário uma doçaria fictícia no calçadão, próximo ao Café Aquários. As intervenções na rua são sempre parte importante das atividades do Núcleo. “É uma forma de chamar a atenção para essa movimentação teatral crescente”, diz Adriano, que destaca os mais de cem alunos que atualmente fazem parte dos cursos de Teatro e Dança-Teatro da UFPel. “Nós temos sido cada vez mais requisitados por escolas e instituições para oficinas, apresentações ou qualificações, o que é um sintoma de que as pessoas já começam a perceber a nossa presença”, relata.


Atrações da noite

Voltada para a formação em teatro, a Jornada Teatral reserva para a noite a apresentação de dois trabalhos de pesquisa. O primeiro, Crias, é uma releitura do texto As Criadas, de Jean Genet. Em Crias três atores representam três criadas, que representam outras criadas, que confrontam ainda com outras representações de madames. Sem personagem fixo, a dramaturgia se apoia justamente sobre a reflexão de questões filosóficas para o teatro: quem é o ator, quem é a personagem e que papéis cada um representa na cena.

A segunda apresentação, Entre labirintos e espelhos, segue a mesma linha. Nesse trabalho solo, o ator-pesquisador Inácio Shardosin é um sujeito às voltas com questões privadas, na dramatização inspirada no texto Na solidão dos campos de algodão, de Bernard-Marie Koltès. “Nós não sabemos quais são exatamente essas questões. Tudo vai depender de como ele vai jogar na hora. Ele não interpretará nenhum personagem. Será ele, vestindo máscaras”, explica o professor Adriano falando em máscaras no sentido figurado. “É um trabalho solo mas não é um monólogo. É um diálogo, só que de um sujeito só”, complementa.

Quem for conferir as interpretações pode ficar para a festa que começa a rolar logo em seguida na sede do Núcleo. Será uma festa “meio à fantasia” com tema “Anos 80” – década em que nasceu a maioria dos estudantes que integram o grupo.


Inscrições

As inscrições para a jornada terminam hoje e podem ser feitas na sede do Núcleo (no prédio da UFPel localizado no calçadão da Andrade Neves quase esquina Lobo da Costa), que funciona de segunda à sexta-feira, das 14h às 18h. O custo para a participação em todas as atividades (oficinas, café, almoço, apresentações e festa) é de R$ 10,00. Mais informações pelo telefone 8404-1116.


Outras atividades

O Núcleo de Teatro da UFPel tem no seu calendário diversas atividades abertas ao público programadas para ocorrer até o final do ano. Uma delas tem início marcado para o próximo dia 23, a Oficina de Figurino.

Sob a coordenação de Marcelo Silva, os participantes terão noções de corte e costura e também irão aprender a customizar vestuários a partir de bases prontas e criar figurinos com materiais alternativos.

“A minha vontade mesmo é que os grupos de teatro da cidade comecem a se interessar em participar dessas oficinas para que a gente possa qualificar a produção local”, disse Adriano de Moraes ao comentar a baixa procura pelas oficinas por parte da comunidade artística pelotense.

Já em andamento, o curso de Introdução ao Teatro tem duas turmas – uma com encontros às quintas, das 15h às 17h, e outra com encontros aos sábados das 14h às 16h. As aulas dessa que pretende ser uma “escola de espectadores” se dividem em dois módulos com lições práticas e teóricas. Os participantes pagam uma taxa de materiais mensal no valor de R$ 5,00. Interessados em participar dessas e de outras atividades devem procurar o Núcleo.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A literatura volta à cena do Sete no final do mês

Está confirmada para o dia 24 de abril a estreia da temporada 2009 do projeto Cena Literária, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura no Theatro Sete de Abril.

O projeto Cena Literária tem como principal objetivo promover a divulgação de obras literárias da Língua Portuguesa em forma de esquetes teatrais inéditas, além de oportunizar o espaço para que a plateia aprecie os espetáculos e participe dos debates sobre cada apresentação.

Somente no quadriênio 2005/2008, o projeto oportunizou espaço para que 116 artistas pudessem mostrar seus trabalhos a um público estimado em mais de 1,6 mil pessoas, em 18 edições.

Ao todo são oito sessões programadas para este ano, todas elas tendo por local o foyer do Theatro Sete de Abril, na última quarta feira de cada mês, sempre às 18h30min com entrada franca.

A primeira delas será do Centro Contemporâneo Berê Fhuro Souto, com o espetáculo Revisitando nossos eus através de Clarice Lispector e Fernando Pessoa.

Confira a lista completa dos selecionados e o calendário de apresentações:

Dia 29/abril
Centro Contemporâneo Berê Fuho Souto
Revisitando nossos “eus” através de Clarice Lispector e Fernando Pessoa (Clarice Lispector)

Dia 27/maio
Cia Teatro do Sol
No dia em que o estudante José da Silva conhece o anjo da guarda (Augusto Boal)

Dia 24/junho
Grupo Fuxico
Pirilo, o hipocondríaco (Chico Anysio)

Dia 29/julho
Cia Trama Teatro
A casa da madrinha (Lygia Bojunga)

Dia 26/agosto
Grupo Oficina de Teatro de Pelotas
Lágrimas de Helena (Laerte Pedroso)

Dia 30/setembro
Acadêmicas da UFPel
Jogo da velha (Joice Lima)

Dia 28/outubro
Grupo Satiricom
Noite na taverna (Álvares de Azevedo)

Dia 25/novembro
Teatro Escola de Pelotas
O marinheiro (Fernando Pessoa)


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 30 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

À venda no mercado porto-alegrense


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quinta-feira, 12 de março de 2009

Além de doce, teatro

Luz e som instalados. Público garantido. Atores concentrados. Basta descerrar as cortinas. O cenário é favorável à classe artística, sempre em busca de espaços alternativos para apresentar suas produções. Em 2009, a Feira Nacional do Doce (Fenadoce) se transformará, também, em palco à 1ª Mostra de Teatro que levará o nome do maior evento de Pelotas. Os grupos interessados, de toda a região, já podem se candidatar.

O regulamento está em fase de conclusão, mas os pontos principais estão decididos. Serão duas categorias: escolar e profissional. O número de vagas ainda não está fechado; dependerá da possibilidade de realizar ou não duas sessões por dia, durante todo o período da Fenadoce, de 3 a 21 de junho. O certo é que o auditório do Centro de Eventos irá abrigar a Mostra que já entusiasma os grupos locais.

“É histórico em Pelotas, os festivais e mostras sempre motivaram os grupos, seja para ressurgirem ou se manterem”, comenta o diretor de teatro do Círculo Operário Pelotense (COP), Alexandre Santo, com 17 anos de vivências ligadas aos palcos. “O teatro é algo muito importante, principalmente dentro das escolas, pois dá aos alunos uma compreensão inclusive de vida e do trabalho em equipe”, acrescenta.


A seleção

O nome diz bem: é uma mostra de teatro, não um festival. Não há um caráter competitivo. Uma análise técnica - a cargo de uma comissão a ser constituída - no entanto, deverá indicar quais os dois grupos terão presença confirmada na 18ª Fenadoce, assim como reexibirão a peça ou o esquete no Theatro Sete de Abril ainda este ano, em espetáculo com ingresso acessível: a entrada será um quilo de alimento não-perecível.

Texto, interpretação, luz, figurino, cenário e coerência na sonoplastia são alguns dos critérios que irão nortear os olhares de quem acompanhará todas as performances, de cada uma das duas categorias, até apontar quem terá o privilégio de ultrapassar as coxias do centenário Sete de Abril.

Na hora de decidir quais os grupos que integrarão a Mostra, o currículo também terá peso, mas o contato direto com os atores, em ensaio, será um contrabalanço. Ao invés de encaminharem cópia do trabalho em fita ou DVD, como costumeiramente ocorre neste tipo de evento, os artistas terão a chance de apresentá-lo ao vivo à comissão. “A proposta, de nenhuma forma, é de censura e sim de favorecimento, já que as condições técnicas desses vídeos nem sempre revelam a verdade sobre os espetáculos”, explica Santo, que também compõe a comissão organizadora da Mostra. “Será uma oportunidade de se conversar com o elenco e o diretor poderá vender seu peixe”, descontrai.

Em 2008, 326 mil pessoas prestigiaram a Fenadoce. Agora, a ideia, é que a 1ª Mostra de Teatro também possa ajudar a movimentar as bilheterias. O ingresso é o mesmo. Quem entrar na Feira, terá direito a assistir às produções. A proposta, além de holofote à classe artística, todavia, é tanto de apresentar mais um atrativo a quem já estaria nos pavilhões do Centro de Eventos, como também levar até lá um público que ao invés de farejar as iguarias artesanais, vai em busca de um outro de tipo de arte.

O coordenador do curso de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Adriano Moraes, festeja a iniciativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e torce para a Mostra marcar o início de uma parceria que dê ao teatro a importância que merece; status que os doces já conquistaram. “Temos tradição e história enquanto realização estética, mas é fundamental que também se verifique e se fale na dimensão desse mercado, em como estão os grupos de teatro.”
Produção, apoios, deficiências... A ideia é que o evento se transforme em intercâmbio, em troca de experiências. Em balcão de negócios sobre o que é possível fazer e evoluir, juntos. “É um espaço importante ao teatro profissional na cidade”, enfatiza Moraes.


A diversidade cultural na Feira

1 - Mostra de Teatro: os grupos interessados em participar podem procurar Maura, pelo telefone do Centro de Eventos Fenadoce 3271-0002. Receberão a ficha de inscrição por e-mail e deverão combinar dia e horário para visita ao ensaio. Os espetáculos podem ter no máximo uma hora de duração.

2 - 1º Festival Nacional de Cinema de Pelotas: o Cine Grandes Curtas, organizado pela Associação Pelotense do Cinema Independente (Cinepel) - deve receber cerca de 400 curtas-metragens em 19 dias. Todos os filmes inscritos, de acordo com o regulamento, serão exibidos e poderão ser premiados em 13 categorias decididas por júri técnico e júri popular. Os vencedores farão parte de um DVD distribuído nacionalmente, também com entrevistas, making off e bastidores do festival. Mais informações sobre o 1º Festival Nacional de Cinema de Pelotas, regulamento e inscrições pelo telefone 3228-9339 ou no site www.cinepel.com.br.

3 - 1º Festival de música: o regulamento ainda está em fase de elaboração. A abrangência será nacional, adianta a diretora da CDL e membro da Comissão de Eventos Culturais, Márcia Casarin. “Queremos que esses eventos possam ser os primeiros de muitos, para qualificar ainda mais a Fenadoce.”


Texto: Michele Ferreira | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 12 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

RetroSete

Se recordar é viver, vale à pena ver de novo as imagens que encantaram os olhos de mais de 40 mil pessoas em um dos palcos mais queridos do público pelotense. Este mês o Memorial do Theatro Sete de Abril abre as portas para uma exposição de fotos, folderes e cartazes dos espetáculos que marcaram o ano de 2008.


Ao todo, foram 143 atrações entre dança, teatro e música. Desses, quase todo frequentador da Casa tem o seu preferido: “A gente vem ver tanta coisa… Lembro do Aires de España. Foi lindo!”, diz a professora Tânia Morselli ao lado da filha Luiza. “Teve muita coisa legal no ano passado, pena que não deu pra assistir tudo o que eu queria”, diz o estudante de música Rafael Rodrigues. “Lembro do Festival de Teatro, do show do Vitor Ramil, da Freak Brotherz…”

A professora Denise Peres, que mora na rua do Theatro, não deixa de conferir a cada passada os espetáculos em cartaz e já se interessou por Inquieto Coração, monólogo que inaugura a temporada cultural do Sesc na cidade em 2009, no domingo. “Ano passado eu vim todos os dias do Festival de Shakespeare do Sesc. Cultura é sempre importante, e o teatro é algo maravilhoso! Tomara que esse ano tenha mais”, deseja ela, que incentiva os amigos a frequentarem o teatro e, sempre que pode, leva os alunos para assistirem espetáculos também.

O que passou

Foi um ano de agenda cheia no Sete de Abril, e de muitas emoções, como na ocasião da homenagem à maitre de balé Dicléa de Souza. Chico Anysio fez a platéia dar gargalhadas.

No comecinho de dezembro Vitor Ramil se reencontrou com o público pelotense depois de 15 anos sem fazer um show solo, na apresentação que teve maior público no ano: mais de 600 espectadores se deliciaram com a bela imagem do músico na penumbra cantando, de novo, as velhas canções das quais estávamos sentindo saudades.

O convite do Memorial a prestigiar a exposição é também para aqueles que não puderam estar no Theatro às terças-feiras e deixaram de prestigiar boas apresentações de talentos locais. Quem perdeu, pode ver agora como foi o show da Banda Mídia, do Rodrigo Madrid e de tantos outros que passaram pelo Sete ao Entardecer. Durante a mostra, o Memorial exibe as gravações do projeto, realizadas e transmitidas pela TV UCPel.

Parece que faz tempo… Quem visita a exposição pode ainda recordar ainda os bons momentos do II Encontro de Teatro de Pelotas e do Festival Universitário que, sem dúvida, são grandes marcos na nova história das artes cênicas de Pelotas que os artistas daqui pouco a pouco vem tentando escrever.

Depois de tudo isso, é só esperar pelo que vem por aí em 2009.


Para ver e recordar

O quê: Exposição RetroSete 2008
Onde: no Memorial do Theatro Sete de Abril (rua 15 de Novembro, 560 A)
Quando: até o fim de março, com visitação de segunda a sexta-feira das 13h às 18h.
Entrada franca


Veja também

Parte da mostra RetroSete pode ser conferida pela Internet, no site www.teatrosetedeabril.com.br. Para acessar, clique no link Memorial/exposição do mês e exposição virtual.


Fique ligado!

Na próxima terça-feira, 10 de março, começa a temporada 2009 do projeto Sete ao Entardecer, às 18h30min, com entrada franca. A primeira atração do ano será a banda convidada Soul da Silva.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de março de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sete ao Entardecer recomeça em março

Projeto tem inscrições abertas a partir de hoje (3)

A administração do Theatro Sete de Abril ainda ajusta os detalhes da programação do ano, mas já anunciou as atividades que deverão ser realizadas a partir de março: sem muitas novidades e apostando na continuidade do que já vinha dando certo.

Os projetos Sete ao Entardecer, Cena Literária e Sete Imagens estão confirmados no calendário, assim como o Encontro de Teatro, previsto para ocorrer em novembro.

O Sete ao Entardecer - carro-chefe da programação do teatro desde 2005 - está com as inscrições abertas a partir de hoje (3), até o dia 27 de fevereiro para músicos e grupos musicais interessados em se apresentar. A procura pelas fichas de inscrições, disponíveis na secretaria do teatro, começou desde a semana passada e a expectativa é de que, a exemplo dos anos anteriores, o projeto atinja a marca de cerca de 120 inscritos até o final do prazo.

Este ano, além da qualidade musical e do estilo de apresentação - que deve se adequar ao espaço do projeto - a comissão de pauta do teatro irá dar prioridade para a seleção de compositores locais. Os talentos que apresentarem trabalhos autorais deverão ocupar 50% da agenda mensal, enquanto músicos e grupos com apresentações covers ou que mesclarem covers e trabalhos autorais de convidados ficarão com a outra metade das datas disponíveis.

Segundo a diretora do Sete de Abril, Annie Fernandes, a comissão já buscava valorizar os trabalhos autorais nos anos anteriores, mas nesta edição o critério foi formalizado.

Apesar de estar aberto a apresentações com bailarinos, o projeto Sete ao Entardecer continuará com predomínio de atrações musicais. “Existem outros projetos que contemplam a dança e o teatro. No Sete ao Entardecer a dança poderá aparecer como acompanhamento”, diz Annie.

Nas inscrições é solicitada junto à ficha preenchida a apresentação de portfólio do músico ou do grupo musical e um DVD demo. “Pode ser até mesmo a gravação de um ensaio, desde que nos dê uma idéia clara do que os inscritos pretendem apresentar”, explica a diretora.

Ao todo serão realizadas 38 edições em 2009, de 50 minutos cada, sempre às terças-feiras a partir das 18h30min. A primeira delas está prevista para o dia 10 de março.

Em quatro anos, o Sete ao Entardecer já levou mais de 16 mil espectadores para a plateia e conseguiu reconquistar um público que há muito não frequentava o teatro regularmente.


Nada contra o rock

Com relação ao estilo musical Annie Fernandes garante que não há preconceitos em relação ao rock ou a qualquer outra modalidade musical, como alguns músicos já chegaram a afirmar. “Não há restrições de estilos. O que há é a necessidade de adequação da proposta ao espaço pretendido. O teatro é um espaço clássico, que não comporta certos tipos de apresentação que colocam em risco a segurança do público e do patrimônio”, esclarece, referindo-se a episódios em que a plateia foi instigada a subir nas poltronas para dançar ou chamada a se aproximar do fosso, onde crianças tinham o risco de cair.


Outros projetos

Assim como as terças, as últimas quartas-feiras de cada mês também têm atrações garantidas no Sete de Abril. Nestes dias o foyer continuará a ser movimentado pelas leituras dramáticas do Cena Literária, com oito edições previstas para ocorrer de abril a dezembro.

Nesta edição o projeto foi reformatado com três inovações. Agora só serão aceitas esquetes inéditas. No embalo da reforma ortográfica, ao invés de restringir as obras de origem das releituras cênicas à literatura nacional os autores poderão utilizar obras da Língua Portuguesa. O regulamento também incentiva produções independentes de atores e diretores, ampliando assim o leque de participações nas apresentações que antes era restrito a grupos de teatro e dança-teatro.

O período de inscrições para o Cena Literária começa no dia 19 de fevereiro e termina em 19 de março.

A comissão organizadora ainda não definiu se irá manter o formato do projeto Sete Imagens, que abre espaço para exibição de filmes de curta-metragem no teatro. A atração estreou em maio do ano passado e desde então vem conquistando apreciadores da Sétima Arte e incentivadores da produção cinematográfica local. A abertura de inscrições deve ser anunciada em breve.


Informe-se

Para saber mais sobre os projetos do Theatro Sete de Abril acesse www.teatrosetedeabril.com.br.

Fichas de inscrições estão disponíveis no site ou na própria administração do teatro, localizada na rua 15 de Novembro, 560. O telefone para contato é 3225-5777.

O horário de atendimento ao público no local é das 13h às 18h, nas segundas e das 8h30min às 13h30min de terça a sexta-feira.


Atenção músico, não esqueça!
O prazo para as inscrições no projeto Sete ao Entardecer termina no dia 27 de fevereiro.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda e Terça-feira, 2 e 3 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Teatro na Praia II


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Teatro na Praia I


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domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma outra versão da história

Onde tudo acaba em Carnaval, nem os clássicos escapam

Há mais de dois mil anos a mesma história é contada. Ou quase a mesma. Protagonizado por José, Maria e o Menino Jesus o episódio bíblico da fuga do massacre de Herodes ganha ares tropicais na releitura apresentada pela companhia teatral Stravaganza, de Porto Alegre. Para quem não se lembra, a Cia. Stravaganza é a mesma que apresentou em setembro a Comédia dos Erros, no auditório do colégio São José, durante a Mostra Sesc de Teatro - Discutindo Sheakespeare.


A comédia Sacra Folia, que será apresentada neste domingo na praça Coronel Pedro Osório, é uma adaptação tupiniquim do estilo de teatro criado pelos gringos - a chamada Commedia dell'arte. "É uma peça popular e sofisticada ao mesmo tempo", diz a diretora Adriane Mottola, que não poupa elogios à rica poética do texto escrito por Luiz Alberto de Abreu.

Nessa versão da história, a sagrada família recebe a ajuda de dois espertalhões, e por causa disso erra o caminho da fuga e acaba indo parar em Belém... do Pará! "A peça é uma brincadeira mas que tem um sentido profundo. Na verdade, os malandros pensam que se o Menino Jesus vai mesmo trazer 'fartura' então ele tem mais é que vicar aqui no Brasil pra ajudar a nossa gente", fala Adriane, adiantando uma das possíveis interpretações.

Ao melhor estilo do teatro de rua, o espetáculo promete encher os olhos do público com o colorido vibrante das máscaras, figurinos e cenários, além de jogos acrobáticos e alguns improvisos para dar ainda mais graça à folia natalina.

A apresentação faz parte da programação do projeto Cidade Feliz, do Serviço Social do Comércio (Sesc), que continua até o dia 22 de dezembro.


Não perca!
O que: espetáculo teatral Sacra Folia - Um auto brasileiro
Quando: hoje, às 21h
Onde: na praça Coronel Pedro Osório
Sugestão: levar cadeira


Próximas atrações:

A temporada cultural especial do Sesc continua na semana que vem com mais música, dança e teatro. Confira as atrações dos próximos dias:

Quarta-feira (10)
20h30min - Projeto Carinho | Apae
21h30min - Banda Filhos do Sol (Banda da Promotoria)

Quinta-feira (11)
20h30min - Toni Konrath
21h - Marquinho Brasil

Sexta-feira (12)
20h - Palhaço Bolaxa conta as lendas do Natal
21h - Grupo de Choro Reminiscências

Sábado (13)
20h30min - Conjuntos Vocais: Costinha, Canto Livre e Original Samba

Domingo (14)
20h -Palhaço Bolaxa conta a história do Pequeno Príncipe
20h30min - Misto Quente - Circo Girassol


Não esqueça:

O Clube da Maturidade Ativa do Sesc realiza até o Natal uma campanha de solidariedade que irá beneficiar instituições carentes da cidade. Participe doando brinquedos e alimentos não-perecíveis no ponto de coleta instalado na praça Coronel Pedro Osório no horário das apresentações.


Visite o Bom-Velhinho:

De segunda à sábado o Papai Noel do Sesc recebe visitantes na casa do Calçadão (em frente ao chafariz da rua Sete de Setembro), das 16h às 19h, onde na companhia de seus ajudantes oferece atividades recreativas e culturais para crianças de até 12 anos de idade.

Entre as 20h e as 22h (inclusive aos domingos) o Bom-Velhinho muda-se para o endereço da Praça Coronel Pedro Osório.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Cláudio Etges / Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / P.12 | Publicado em: Pelotas, Domingo, 07 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pequenas doses de arte e humor

Quanta graça, quanta arte cabe em até 360 segundos? Para testar os limites do tempo na expressividade cênica o Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) realiza nesta sexta-feira (5) o 1º Festival de Cenas Curtas, em comemoração a seus 12 anos de atividades.

As esquetes duram poucos instantes, mas prometem diversão para a noite inteira, a conta-gotas. "Vai ser um momento festivo e descontraído para confraternizarmos e comemorarmos os bons resultados desse ano", avalia com entusiasmo o diretor do Núcleo, Adriano de Moraes. A expectativa é de que entre as 22h e as 2h da madrugada sejam apresentadas cerca de 30 cenas em dois ambientes, intercaladas por música, bate-papo e performances interativas com o público. "Nesse festival todo mundo vai estar em cena, e todos vão se divertir, assistindo ou apresentando esquetes", diz o professor em tom provocativo.

Na disputa do festival, que será julgado por pessoas leigas, estarão em jogo prêmios em categorias inusitadas como Melhor e Pior Esquete - individual e em grupos -, Mr. e Miss Esquete, Esquete Simpatia e "prêmios de consolação" para incrementar a brincadeira.


JustificarVale tudo

Dança, teatro, dança-teatro, música, poesia etc. Vale tudo para participar do festival que irá integrar as mais diversas modalidades artísticas e que é aberto à participação de qualquer pessoa. "A nossa expectativa é de que haja bastante improvisação e espontaneidade. Esperamos principalmente que as pessoas sintam prazer em estar em cena", destaca Adriano.

Ele ainda acrescenta que sem fronteiras delimitadas entre palco, platéia e bastidores, o evento será uma oportunidade para atores e espectadores trocarem de papéis: "a gente trabalha muito com a metalinguagem: faz teatro e mostra como ele é feito." Para a estudante de Teatro Lúcia Berndt, esse 'jogo' é a melhor parte do trabalho. "É quanto a gente fica completamente entregue à situação e acaba transformando o que está à volta em uma cena. Na hora sempre dá certo", diz ela, que incentiva pessoas "de fora das artes" a participarem do festival também.


Prestigie!

O quê: I Festival de Cenas Curtas
Quando: sexta-feira, dia 5, a partir das 22h
Onde: no Núcleo de Teatro da UFPel (Praça 7 de Julho, 180)
Quanto: R$ 2,00


Participe!
Inscreva a sua esquete até as 17h do dia da apresentação.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 03 de dezembro de 2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Cidade Feliz


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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Aberta temporada de festas

Foram-se os livros, vieram as luzes. Mal a praça Coronel Pedro Osório foi desocupada pela feira da literatura, volta a ser tomada por intensa atividade cultural. O ascender das milhares de lâmpadas, a chegada do calor e a alegria nas ruas são um anúncio definitivo: é tempo de festas.

Em clima de Natal, de despedida à 2008, e de boas-vindas ao Ano-Novo o Sistema Social do Comércio (Sesc) presenteia a comunidade com 33 apresentações culturais que irão movimentar um dos principais cartões-postais da cidade ao anoitecer, até o dia 22 de dezembro. O palco no chafariz Fonte das Nereidas, emoldurado pela Praça Coronel Pedro Osório já está montado, pronto para o início das festividades marcado para hoje (28) à noite.


O cantor nativista Joca Martins abre o calendário farto de apresentações. Amanhã quem sobe ao palco é a banda Pimenta Buena e no domingo será a vez da Orquestra de Câmara de Pelotas. Essas são apenas algumas das atrações que prometem tornar ainda mais agradável o passeio dos pelotenses pelo centro da cidade nas noites quentes dessa temporada, além da decoração que já dá ares diferenciados ao Calçadão e à praça.

Segundo o gerente regional do Sesc, Luis Fernando Parada, os artistas locais foram priorizados na programação. Porém, entre os espetáculos estão três grupos de outras cidades que já tinham apresentações agendadas para Pelotas, no circuito do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte. São eles o Circo Girassol, o espetáculo Sacra Folia

No encerramento, um grande show está previsto, mas ainda não foi confirmado. Para deixar o público na expectativa, apenas uma pista: são artistas pelotenses que não se apresentam na cidade desde setembro do ano passado.


Prestigie!

Reúna a família e amigos, confira a programação e aproveite! Sugestão: Levar cadeiras de praia.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As Letras no Memorial do Sete

Em cena... as letras. Registros de espetáculos que colocaram em evidência a literatura estão reunidos na mostra em cartaz no Memorial do Sete de Abril: Encenando Letras.

Veríssimo, Simões, Drummond... Nomes que já passaram em prosa e verso pelo palco do teatro estão lá, no pequeno beco da rua 15 que nem sempre os passantes se lembram de visitar. Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Shakespeare, Carpinejar e o outro Veríssimo também, isso para citar apenas alguns dos célebres escritores lembrados na exposição inaugurada durante a Feira do Livro e que chega agora a sua última semana.

Ao refletir sobre Fragmentos de um discurso amoroso - obra de Roland Barthes que interpretou em 1988 - o ator Antônio Fagundes falava do temor que sentia. Isso porque "homens, mulheres, jovens ou maduros, não importa o sexo nem a idade, em todos os cantos do mundo, se identificaram e se apropriaram desses discursos de uma forma tão inalienável que deve ser difícil convencê-los de que existe sempre uma outra possibilidade de interpretação além da sua própria". E não seriam todos os livros - os bons livros - assim, reinventados a cada leitura e possuídos por quem os lê?


O que já esteve em cartaz

A coleção de cartazes no corredor estreito convida a andar pelo tempo nos registros do passado.

Lobo da Costa, o poeta pelotense homenageado na mais recente edição da Feira do Livro, teve sua biografia cênica escrita por Valter Sobreiro Júnior que deu a ela o título: Em nome de Francisco, peça encenada em 1986 pelo extinto grupo Desilab.

Naquele mesmo ano a platéia pelotense assistiu a Deus ajuda os bão, com texto de Arnaldo Jabor, e a'Os Sete Gatinhos de Nelson Rodrigues. Lembra?

Fernanda Montenegro, em 1988, foi Dona Doida inspirada pela obra da Adélia Prado. A filha, Fernanda Torres e elenco passaram por aqui com Orlando, de Virgínia Woolf.

Até mesmo o escritor japonês Ryunosuke Akutagawa dá as caras na exposição. Ele foi homenageado pela companhia uruguaia Teatro Eslabón no espetáculo En el bosque.

"Há vários nomes de escritores e atores com renome nacional e até internacional nessa mostra, mas sempre procuramos mesclar também com obras de artistas locais. Tem muita gente que se encontra aqui", diz a historiadora Érica de Lima, que divide a tarefa de organizar a programação de mostra do acervo do Memorial com a bibliotecária Magali Aquino.

A exposição recorda ainda algumas das 16 edições do Cena Literária realizadas desde março do ano passado. O projeto, realizado tradicionalmente na última quarta-feira de cada mês no foyer do teatro, apresenta ao público como elemento de provocação para o debate esquetes inspiradas na literatura.


Prestigie!

O quê: últimos dias da exposição Encenando Letras
Onde: no Memorial Theatro Sete de Abril (rua 15 de Novembro, 560-A)
Quando: até o dia 5 de dezembro, com visitação de segunda à sexta-feira das 13h às 18h30min


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 26 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Otelo, de Shakespeare, no Sete de Abril


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]

* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Encontro de Teatro começa amanhã

Quatro dias, duas oficinas, dois debates e oito apresentações. Até sábado (15), esta é a programação para a segunda edição do Encontro de Teatro de Pelotas, que começa amanhã. Todas as atividades são abertas ao público.

Este ano, a tônica das discussões será a convergência das linguagens cênicas - a dança e o teatro - e o meio-caminho existente entre a criação artística e a pesquisa científica.

Confira a programação e participe!

Apresentações

Quarta-feira (12)
18h - Usando Drummond para falar - Centro de Pesquisa e Movimento Berê Fuhro Souto*
20h30min - Adélias, Marias, Franciscas - Grupo Maria Falkembach

Quinta-feira (13)
14h - Show de Palhaços - Grupo Fuxico
20h30 - Depois do Happy Ending - Cia. Pelotense de Repertório

Sexta-feira (14)
14h - O Enigma de Cid - Cia. Cem Caras de Teatro
20h30 - Traduzindo e encenando Shakespeare Otelo - Aline Castaman e Enéas Tavares

Sábado (15)
16h - Dois perdidos numa noite suja - Chico Meirelles
20h30 - Viúva Pitorra - Teatro Permanente da UCPel

* Todas as encenações ocorrerão no palco do Sete de Abril, com exceção da apresentação do Centro de Pesquisa e Movimento Berê Fuhro Souto, que faz parte do calendário do projeto Cena Literária o qual acontece tradicionalmente no foyer do Theatro.

Debates*

Quinta-feira (13)
Tema: Dança-Teatro
Debatedores: Berê Fuhro Souto e Maria Falkemback

Sexta-feira (14)
Tema: Pesquisa científica e criação artística: entre a universidade e a sociedade.
Debatedores: Enéas Tavares, Aline Castamman e Carmem Biasoli

* Os debates terão início às 18h no estande da Prefeitura na Feira do Livro.

Oficinas*

Dias 12, 13 e 14 (quarta, quinta e sexta-feira), das 10h ao meio-dia

-> Oficina de Dramaturgia
Ministrante: Miriam Benigna
Local: Foyer do Theatro Sete de Abril

-> Oficina de Cenografia
Ministrante: Cláudio Benevenga
Local: Sesc

* As inscrições são limitadas (25 vagas) e devem ser feitas antecipadamente na secretaria do Theatro Sete de Abril.

** A participação em todos os eventos da programação do Encontro de Teatro - apresentações, debates e oficinas - é gratuita.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 11 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O reencontro da Arte do Encontro


Depois de amanhã a cidade abre as cortinas para o segundo Encontro de Teatro de Pelotas. Durante quatro dias, serão realizados dois debates, duas oficinas e sete espetáculos. Os objetivos, a exemplo da primeira edição do evento realizada no ano passado, consistem fomentar a produção e a discussão das artes cênicas no cenário pelotense, do lado dos artistas, e estimular a formação de público, do lado dos espectadores. Desses dois, surge um terceiro: o Encontro pretende reunir assim, do mesmo lado, a comunidade - "artística" ou não -, na tentativa de romper de vez as fronteiras que ainda resistem no espaço entre palco e platéia, e também nos bastidores.

A título de ensaio, a reportagem do Diário Popular promoveu um "pré-encontro" com alguns dos protagonistas das artes cênicas no município atualmente: Adriano de Moraes (coordenador do curso de Teatro da UFPel), Berê Fuhro Souto (bailarina e coreógrafa do Centro Contemporâneo de Pesquisa e Movimento), Chico Meirelles (do grupo Casa de Brinquedos), Flávio Dornelles (do teatro do COP) e Valter Sobreiro Júnior (do Grupo de Teatro Permanente da UCPel). No foyer do Theatro Sete de Abril, eles anteciparam o que vai estar na pauta de debates de quarta a sábado.

Entre o otimismo, o realismo e o pessimismo, o grupo de cinco diretores montou uma cena que foi do drama à comédia. Confira alguns prólogos da conversa:


Primeiro Ato: Políticas Culturais

Como era de se esperar, a primeira fala desse enredo foi sobre política cultural. No afinado côro dos descontentes, os artistas retomaram um dos textos mais repetidos e conhecidos popularmente, e no entanto sempre atual: a área da cultura é sempre relegada a segundo plano e nunca é prioridade de gestão.

Para Chico Meirelles, as poucas iniciativas que existem não são suficientes para se tornarem referências no município. "Faz 20 anos que a gente tá na mesma", diz combinando a fala com o olhar para os lados, procurando nos outros quatro a concordância com seu gesto indignado, de braços abertos, palmas das mãos apontadas para cima, e encontrando de ambos os lados, quatro cabeças balançando afirmativamente.

"Em política cultural a gente não avançou mesmo, mas justamente por isso eu acho que não podemos ficar mais dependendo da classe política. O problema é que a classe artística não é unida o suficiente", complementa Berê. "Os incentivos são poucos, mas mesmo com pouco a gente tem que produzir alguma coisa, ocupar esses espaços. Não dá pra ficar parado se queixando.", dispara a coreógrafa, ao criticar a falta de iniciativas também por parte da classe artística. "Ainda falta no município maturidade profissional", completa.


Segundo Ato: Mercado de Trabalho

Para Valter Sobreiro Júnior, um dos grandes problemas enfrentados é o déficit de elenco para montar espetáculos, motivo pelo qual, segundo ele, o Grupo de Teatro Permanente da UCPel - que de permanente só tem o nome - não irá apresentar uma peça, e sim uma construção teatral simplificada na forma de leitura dramática. "Esse problema que eu enfrento com a rotatividade de atores é o mesmo da Barthira com o Teatro Escola, tanto que o TEP não irá se apresentar no Encontro. Não há consolidação dos grupos de teatro em Pelotas. A gente tem sempre que estar formando atores", desabafa o dramaturgo. "Temos na cidade um centro de formação profissional muito bom, mas a tendência geral é que os profissionais formados aqui vão embora, e isso não acontece só na área das artes. Aliás, não é só um problema local."

Terceiro Ato: Público

"A formação de platéia requer oferta de produção teatral. Nós, diretores, não temos como oferecer isso sem incentivo. Alguém tem que proporcionar isso", diz Chico Meirelles que defende o ponto de vista que a falta de dinheiro para pagar o ingresso é um agravante no processo de esvaziamento dos teatros.

"Mas também só oferecer, e oferecer demais, de graça, não dá. Aí as pessoas não aprendem a dar valor para as artes", polemiza Adriano de Moraes, que concorda com Berê quando afirma que o discurso de que as pessoas "não vão ao teatro porque não têm dinheiro" não cola: "As pessoas não vão porque não querem. Falta a base para aprender a apreciar e valorizar as artes. O ingresso para o teatro sempre é 'caro', mas para o futebol nunca é."

"Eu acho que apesar da precariedade do cenário a gente está vivendo um momento muito bom, de efervescência, tivemos bons espetáculos esse ano. A gente tem é que aumentar a capacidade crítica do público. A gente precisa voltar a vaiar espetáculos", defende. "Eu acho é que antes a gente tem que voltar a ter espetáculos pra poder vaiar", retruca Sobreiro. "Não vem falar do passado, sejamos realistas. Hoje em dia eu acho a produção local sempre insuficiente. A vida útil dos espetáculos não é prolongada como deveria".

A resposta vem rápida: "Mas eu não faço nem pretendo fazer trabalhos descartáveis", diz Berê, com direito a réplica de Valter: "Não se trata disso. Acontece que não há possibilidade de ficar com os espetáculos circulando muito tempo por causa do déficit de atores. Poucos espetáculos, como o Tholl, têm elenco e público consolidado para isso".


Quarto Ato: Políticas Públicas II

No "gran finale" o tema da abertura da conversa voltou à cena. "Eu queria saber se vocês pretendem assistir aos espetáculos dos outros", provocou Berê, interpretando o papel de entrevistadora. Segundo Adriano de Moraes, para proporcionar a participação dos alunos, o curso de teatro da UFPel irá suspender as aulas durante o Encontro. Mas a pergunta, em princípio sem resposta, fez com que Chico Meirelles, Valter Sobreiro e Flávio Dornelles tocassem no assunto da programação. Na opinião deles, o evento não propicia a participação das pessoas em tempo integral em função dos horários. "É complicado. Todos nós trabalhamos e vamos estar envolvidos nas nossas próprias apresentações", justifica Meirelles.

"Eu até gostaria de participar das oficinas, mas acho que elas deveriam acontecer uns dois meses antes do encontro. Durante não dá. Além do mais, não dá tempo de assimilar o trabalho. É como passar a matéria e aplicar a prova. Acho que os organizadores até têm boa vontade nas iniciativas, mas falta experiência. Falta discutir com os artistas como fazer as coisas. A gente tá aqui pra fazer, desde que seja solicitado...", diz Dornelles. "Acontece que quem organiza as coisas não entende nada de teatro. Como é que pode colocar em um edital que os artistas poderiam apresentar toda a obra ou parte da obra? Eu nunca vi coisa mais absurda! É como tirar um braço de uma estátua porque ela não passa na porta! Isso demonstra o desconhecimento de gestão e por isso a comunidade artística deveria ser chamada para discutir", completa Meirelles, retomando seu lugar de fala.

"Mas não dá pra ficar esperando ser chamado. Tem que estar presente aqui, sugerir coisas, buscar alternativas. Não dá para pensar também que todos os caminhos do teatro levam ao Sete de Abril. Tem que se buscar outros espaços. E talvez começar com esse encontro a criar essa discussão", afirma Adriano, mais uma vez com otimismo.

Diálogos em cena

Pela polêmica, pelo fomento à produção ou pela apreciação artística, o público pelotense tem vários motivos para conferir a programação do 2º Encontro de Teatro. Confira na edição de amanhã (11) a programação completa.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 10 de novembro de 2008
*** Alterações

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Diversão e Arte

Começa hoje em todo o Estado a programação do Sesc em comemoração à Semana do Comerciário

Setenta e seis anos depois que foi publicado no Diário Oficial da União o decreto-lei 4.042/32, que regulamentou a jornada de trabalho dos comerciários e reduziu de 12 para 8 a carga horária diária, o Serviço Social do Comércio (Sesc-RS) comemora a data (30 de outubro) com uma semana de atividades culturais.

Ao todo, 11 grupos de teatro e música circularão por 50 municípios gaúchos com atrações que fazem parte programação do projeto Arrte Sesc - Cultura por toda pate.

Em Pelotas, o principal evento ocorre amanhã à noite no teatro do Círculo Operário Pelotense (COP), quando se apresentará a trupe porto-alegrense do Circo Teatro Girassol com a peça O Hipnotizador de Jacarés. Na ocasião também será entregue o Prêmio Comerciário do Ano para a vencedora do Concurso Minha História no Comércio 2008. A vendedora Alzira Luísa Hernandes Ribeiro, do Macro Atacado Krolow, é a pelotense que terá seu texto publicado em um livreto junto com as outras 49 melhores histórias de comerciários de todo o Estado, que narram fatos inusitados, engraçados ou momentos de emoção vividos no ambiente de trabalho.

A entrada é franca para comerciários. Para a comunidade em geral, a doação de um quilo de alimento não perecível garante a entrada. Os donativos serão destinados a instituições sociais locais por meio do programa Mesa Brasil Sesc.

O Hipnotizador de Jacarés é um espetáculo divertido que envolve liberdade de atuação e improviso. O roteiro, centrado na figura do palhaço, é inspirado no teatro de rua e nas técnicas utilizadas pelos camelôs como pretexto para prender a atenção da platéia. Na história, os palhaços Serragem, Farinha e Farofa estão às voltas de uma caixa com furos que, presumivelmente, guarda um feroz e exótico jacaré.


Já nas lojas

Desde sexta-feira o Sesc começou a divulgação da Semana do Comerciário em Pelotas com a blitz de intervenções artísticas no centro da cidade. João Monteiro, ator do Teatro Escola de Pelotas (TEP), circulou por diversas lojas para convidar a comunidade a prestigiar o evento.

De acordo com o diretor regional do Sesc, Everton Dalla Vecchia, as ações em homenagem aos comerciários gaúchos este ano se identificam com a proposta da instituição de promover a disseminação cultural no Estado e propiciar o acesso às artes para os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e para a comunidade em geral.


Não perca!

O quê:
O Hipnotizador de Jacarés - Apresentação teatral com o Circo Teatro Girassol
Quando: amanhã, às 20h
Onde: no Teatro do COP (rua Almirante Barroso, 2540)
Quanto: um quilo de alimento não-perecível (opcional para comerciários)


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 7 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de oububro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Simões em cena nas escolas

Depois de meses de preparação e muitos ensaios, os resultados do projeto Teatro Mostra Simões chegam ao palco. Na sexta-feira (17), o grupo cênico Ditirambos, da Escola Estadual Nossa Senhora de Lourdes, realizou a primeira da série de apresentações que irá passar por 14 escolas da rede pública de ensino em Pelotas. A encenação da lenda M-boitatá ocorreu no salão paroquial da Colônia de Pescadores Z-3, para uma platéia formada por alunos de 2ª à 4ª série da escola Rafael Brusque.

"O mais legal é que estamos inaugurando essa mostra aqui, pertinho de onde Simões nasceu e passou boa parte da infância", disse o presidente do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), Henrique Pires, referindo-se à proximidade da colônia com a Estância da Graça. "Ele era praticamente um zetrezense", brincou, enquanto falava às crianças que aguardavam anciosas o início da apresentação.

O Ditirambos é um dos sete grupos que aderiram à iniciativa do Instituto de promover o acesso à obra literária do escritor pelotense através da linguagem cênica e incentivar a produção teatral nas escolas. "Hoje a gente pode dizer que atingimos mais uma vez esses objetivos, assim como na primeira edição que realizamos em 2005", afirma o coordenador geral, ator e diretor de teatro Aceves Moreno. "O projeto dá certo porque é feito de alunos para alunos", completa ele, atribuindo o êxito a pouca interferência de profissionais nas criações elaboradas pelos estudantes.

Para orientar as produções, o Instituto Simões Lopes Neto promoveu oficinas de roteiro, iluminação, figurino, maquiagem, cenografia e adereços ministradas por Bartira Franco, Ricardo Lima e Gê Fonseca.


Nota 10

"Tivemos uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho dele (Simões). Acabamos estudando os outros contos também", diz a estudante Diésica Capitanio, que faz o papel da mítica M-boitatá. Recriar a personagem, tida como o "mau-olhado dos pampas" foi o maior desafio para o grupo, que teve que enfrentar ainda as dificuldades de compreender e interpretar o palavreado usado na lenda. "Imagina só uma 'cobra gigante de fogo transparente'", falou uma das alunas, tentando visualizar o a personagem tal qual ela é descrita por Simões. Durante a pesquisa e indispensáveis consultas ao dicionário, "abichornados" e "entanguida" foram algumas das palavras que entraram para o vocabulário da trupe.

"Essa é uma iniciativa fantástica para ressucitar o teatro nas escolas, porque isso se multiplica na sala de aula de forma interdisciplinar" reflete a professora de biologia Sandra Viégas, que aproveita a experiência de participar do elenco do Teatro Escola de Pelotas desde 1988 para coordenar o grupo de teatro do colégio.

Para as escolas que não tem artes cênicas incluídas nas atividades extra-classe, receber os grupos de teatro é um incentivo e uma oportunidade de intercâmbio. "Assim a gente vê que é possível fazer teatro mesmo de forma simples, com as condições modestas que a gente tem aqui", comentou a coordenadora da escola zetrezense Rafael Brusque, após a apresentação.

"É muito interessante esse trabalho, porque mesmo sendo um autor daqui de Pelotas os alunos praticamente não conhecem" diz a professora da 2ª série Carmen Carvalho enquanto era interrompida por um aluno que exclamava: "A historinha da M-boitatá, né tia?!" Essa eles já conheciam, pois fazia parte do conteúdo sobre o folclore gaúcho.

"Fazendo algumas adaptações, para que fique compreensível para a idade deles, é totalmente possível trabalhar as lendas e os contos do Simões Lopes na sala de aula", afirmou a professora.


Adaptações

Além da Escola Nossa Senhora de Lourdes, o Instituto Estadual de Educação Assis Brasil e os colégios Ferreira Vianna, Fernando Osório, Santa Mônica e Gonzaga fazem parte da mostra, com montagens inspiradas nas Lendas do Sul.

Hoje (segunda-feira, 20), o grupo de teatro do Instituto Assis Brasil apresenta a esquete Cadê a confiança? na quadra da escola municipal Joaquim Dias. A peça, inspirada na lenda do Negrinho do Pastoreio conta a história de Maria, uma adolescente que após ler o conto reflete sobre a violência e os maus tratos sofridos pelo personagem, comparando a situação com a realidade dos dias atuais.

O projeto Teatro Mostra Simões é uma realização financiada pelo Governo do Estado, com patrocínio da Copesul e da Braskem através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS).


Confira as datas e locais por onde a mostra vai passar

20/10 - E. M. Joaquim Dias
22/10 - E. M. Nossa Senhora de Lourdes
24/10 - E. M. Carlos Laquintinie
27/10 - E. M. Círculo Operário Pelotense
29/10 - E. M. Mário Menegueti
31/10 - E. M. Independência
10/11 - E. M. Jornalista Deogar Soares
12/11 - Instituto São Benedito
14/11 - E. M. Garibaldi
17/11 - E. M. Dr. Joaquim Assumpção*
19/11 - E. M. Bibiano de Almeida
21/11 - E. M. Campos Barreto
24/11 - Escola Nestor Crochemore


*As apresentações ocorrem sempre às 15h com exceção do dia 17/11 na escola Joaquim Assumpção, onde a encenação está marcada para as 20h. A entrada é franca.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 20 de oububro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Arte sem limite de idade

No palco, a comédia é exemplo de vida. No elenco, pessoas convencidas de que rir - e não se entregar ao ócio - é o melhor remédio para viver bem a fase da vida que começa aos primeiros sinais da idade. Nesse teatro não se sabe se são os atores que dão vida aos personagens ou o contrário.

Quem disse que elas já passaram da idade de "fazer arte"? Para os integrantes do Clube da Maturidade Ativa de Ijuí, "ser velho demais" para qualquer coisa é apenas um desafio que inspira ações há mais de dez anos. O grupo faz parte do projeto do Serviço Social do Comércio (Sesc) para a Melhor Idade e na terça-feira (30) encenou no auditório da Universidade Católica de Pelotas a peça Faustino, releitura regionalista gaúcha inspirada no conto Fausto (de Goethe) e nas adaptações populares do nordeste registradas na literatura de cordel.

"Aqui ninguém reclama da vida, ninguém tem depressão. A gente nem tem tempo pra isso", diz Edith Pockios, que aos 70 anos passa o tempo envolvida com os ensaios do teatro e de dois corais, além das reuniões e atividades sociais. "Tem uma peça em que eu interpreto uma velha caduca", diz ela, que como os outros se diverte no palco e nos bastidores, quando também se ocupa com a produção das apresentações e com os preparativos dos cenários e figurinos.

Problemas de memória? Ninguém tem também. São onze peças no repertório e outra quase pronta para estreiar. Elvira Dalmas, a mais velha da trupe, aos 88 anos tem tanta facilidade para decorar as falas quanto a mais nova, de 54. "Ela lembra as falas dela e a das outras", garante uma das companheiras de elenco. "Eu pego o texto num dia e no outro tô me apresentando. Nunca ensaiei com papel na mão. Decoro fácil porque sempre dei trabalho para o meu cérebro", diz em tom de quem dá um conselho.

O radialista aposentado Valdir Vieira, de 60 anos, é o único homem do grupo. Cercado das faladeiras, ele empresta o vozeirão para o personagem de diabo. "O melhor de tudo é a convivência. Cada vez que a gente sai de casa pra viajar com a peça por outras cidades vai com uma bagagem pequenininha e volta com uma bagagem enorme, cheia de histórias pra contar", fala com alegria. "Como é bom poder dizer, com essa idade, 'eu tô aprendendo'. Dá vontade de fazer mais coisas", confirma. "Assim a gente esquece que está envelhecendo. Minha neta acha o máximo que aos 72 anos eu ainda tenho um 'professor'", completa a colega Sylvia Schoefer.


Diversão e arte

Aos 63 anos, Marlene Drewin revive a emoção que sentia nos palcos da infância. De papéis passados, ela lembra de um que interpretou ainda na escola. "Eu era a moça que temperava a salada e dizia 'essas verduras estão queimadas de sol'", recorda a fala. "Meu marido me dá a maior força pra eu continuar porque ele diz que lembra da primeira vez que me assistiu interpretando essa cena", conta, romântica.

Na interpretação, as vovós e o vovô demostram para a platéia que com o tempo até se pode perder agilidade física ou a cor dos cabelos, mas de forma alguma se perde a graça. "O teatro não apenas faz parte da vida deles. O teatro é a vida. A experiência e a vitalidade que eles têm supera qualquer limitação física", elogia o diretor e professor Alberto Rodrigues, de 44 anos. "Acho ótimo que as crianças tenham vindo assistir também, porque senão fica uma coisa restrita à 'velhos', como costumam dizer por aí. Quando eu comecei, também tinha esse preconceito", admite ele, que aprendeu a conviver pacificamente em uma zona que geralmente é de conflito: o encontro de gerações.

A determinação e o talento do grupo são reconhecidos pela platéia. "Achei lindo! Adorei! Elas são muito simpáticas! Sem contar a força de vontade que elas têm, por serem idosas e fazerem tudo isso", impressiona-se Tamires Fonseca, de 14 anos, que assistiu a peça na companhia dos colegas da escola Nossa Senhora Medianeira e no final fez questão de cumprimentar os atores um a um. "Conheço poucos idosos que são assim, mas também conheço muitos jovens bem menos ativos que esses aqui. Até a gente mesmo é assim, fica um tempão na frente do computador...", entrega a amiga Daiane Ferreira, de 15 anos.


Por um papel na sociedade

Mais importante que os papéis que interpretam no palco é a postura que os idosos ativos assumem diante da sociedade. Tereza Moreira da Silva, de 59 anos, é hoje a presidente do Clube da Maturidade em Pelotas e afirma que a principal responsabilidade do grupo é modificar a idéia de que idoso é sinônimo de cidadão incapaz. "É preciso acabar com o preconceito dos jovens e dos próprios idosos, que muitas vezes resistem a assumir a 'melhor idade'", diz ela, que pretende deixar de herança uma nova consciência para as novas gerações. "Não é justo que a gente fique em casa sem fazer nada quando ainda temos tanto vigor, sem contar a experiência. A sociedade perde a nossa força de trabalho e nós perdemos de viver!".

O diferencial do Clube da Maturidade Ativa, segundo o gerente da unidade do Sesc em Pelotas Luis Fernando Parada, é que é o próprio grupo que se auto gerencia. "Nós do Sesc somos apenas facilitadores, são eles que escolhem o que querem fazer", diz ele, que ainda destaca o cuidado com a terceira idade, antes da maturidade chegar. "Também é uma preocupação desse projeto ajudar as pessoas a se prepararem para envelhecer bem."


Participe, em Pelotas

O Clube da Maturidade Ativa do Sesc, formado há cerca de um ano, reúne cerca de 70 pessoas a partir dos 50 anos de idade. O grupo realiza atividades esportivas, culturais e sociais. Os encontros ocorrem sempre às quintas-feiras, a partir das 14h, no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 914). Mais informações pelo telefone 3225-6093.


Assista Faustino em Bagé e Rio Grande

Nesta quarta-feira (1º), a peça Faustino será apresentada em Bagé, às 14h30, no Teatro Justino Quintana. Cada litro de leite vale um ingresso. Toda a arrecadação será repassada aos asilos José e Auta Gomes, e Vila Vicentina.
Na sexta-feira (3) o grupo de Ijuí se apresenta no Theatro Municipal, em Rio Grande, às 17h30min. A entrada é franca, mas aceita-se doações espontâneas de alimentos não perecíveis.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Viva Bem / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 1º de oububro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Shakespeare, aqui e agora

Para uns, um reencontro. Para outros, uma oportunidade de se apaixonar à primeira vista pela obra Shakespereana. A primeira Mostra Sesc de Teatro - que trouxe ao circuito pelotense de quarta-feira a domingo oito espetáculos, além de oficinas e workshops - envolveu atores e platéias nas tramas de um dos maiores mestres na arte de fazer rir e chorar.
Lado a lado, o cômico e o trágico. De um lado Shakespeare e do outro também. Foi um prazer ver ou rever, assim tão bem.

A discussão temática foi além. Nada melhor que uma agradável conversa. Muitos assistiram com uma finalidade analista, um olhar estritamente crítico. Há quem foi apenas pelo prazer da apreciação estética, pelo gosto pelas artes cênicas. Em ambos os casos, quem esteve no Sete de Abril ou nos demais locais que abrigaram a programação teve motivos para sair satisfeito.

A sátira de temas cotidianos, a reflexão intimista, a análise das complexas relações humanas são ainda tão presentes e dizem tanto à realidade atual que não são necessárias mais que adaptações sutis para que se pense que tal texto possa ter sido recém-concebido. Por isso, diz-se "clássico".

Porém um bom espetáculo se faz de um bom texto, mas não apenas disso. A qualidade técnica e interpretativa, e a emoção dos atores escancarada no palco deram nova vida à Shakespeare e a seus personagens, em releituras excelentes e minuciosamente bem cuidadas. Contemporâneas e arejadas, as peças ganharam também personalidade. Hamlets, Antífolos, Drômios, Valentinos e Proteus assumiram uma vida própria e jamais serão iguais àqueles que foram vistos em Pelotas na semana que passou. Foram, sem dúvida, apresentações únicas. Variações criativas e atuais para personagens que em essência ainda falam muito a qualquer público.

Merece destaque o incentivo dado pelos organizadores às produções locais, que valoriza e oferece crédito a um trabalho que começa a se desenvolver. O Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, que contribuiu para enriquecer a programação da Mostra, demonstra que vem adquirindo maturidade, e apresentou um bom trabalho mesmo ao lado de elencos consagrados, como os grupos Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e as companhias Rústica, Santa Estação e Stravaganza, de Porto Alegre.

O êxito do projeto vem a confirmar a qualidade dos eventos culturais realizados pelo Sesc Pelotas. A Mostra de Teatro foi mais um, de tantos grandes e bons espetáculos a que o público pelotense tem tido a oportunidade de assisir. Merece ser aplaudido de pé. Merece bis.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008