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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Minha vida digital

Estou on-line, logo existo. Como a vida social na Internet está cada vez mais agitada, o Estilo lança a questão: viramos escravos da agenda virtual?

Será impressão minha ou a expressão "surfar na Internet" saiu mesmo de moda? Talvez porque hoje em dia, com a profusão de informações na rede, ninguém consiga mais se equilibrar em uma reles prancha. É bem verdade que, mesmo nos tempos mais remotos, os cibermares nunca foram muito tranquilos. Mas, com a maré cheia de conteúdos que se tem atualmente, os internautas vivem cada vez mais a se equilibrar sobre o mouse em meio a "águas" turbulentas. Apesar disso, navegar é preciso.

O Brasil é um dos países onde as pessoas permanecem mais tempo conectadas no mundo. Em março desse ano atingimos uma marca inédita: cada um dos mais de 25,5 milhões de internautas residenciais navegou, em média, 26 horas 15 minutos durante o mês. Isto é, um dia inteirinho mais uma hora e quinze minutos. O recorde nos colocou no topo do ranking mundial que mede o tempo de navegação por usuários no mundo, logo acima de países como o Reino Unido, a França e a Alemanha.

Na prática, usuários mais efetivos costumam passar muito mais tempo na Internet. Adolescentes ou quem trabalha on line – especialmente profissionais na área de mídias ou informática – chegam a permanecer cerca de 8 horas seguidas conectados todos os dias.

Para piorar, estudos indicam que, a cada ano o internauta fica cerca de 0,8% mais lento para assimilar a informação disponível on line a despeito da tecnologia que, ao contrário, é capaz de transmitir cada vez mais informações com mais velocidade.

"E o que tu queres que eu te diga, que os jovens são viciados em Internet?" Foi a pesquisadora Raquel Recuero – uma das mais conceituadas quando se trata de redes sociais – quem começou perguntando na entrevista. Ela própria é um exemplo de internauta praticamente full time. "Quando eu era adolescente costumava passar horas ‘pendurada’ no telefone", compara. Hoje o que era um simples telefone virou celular e ganhou muito mais funções e, assim como o computador, permite que ela, os adolescentes e também gente de todas as idades passem horas conectados. "O importante é ter disciplina para não deixar que essa rotina seja sufocante, e saber usar a Internet na medida em que ela é útil", diz ela.

A rotina digital é intensa, e começa cedo, muitas vezes regada à uma boa xícara de café que acompanha as primeiras leituras do dia: é o momento de dar a primeira olhada na caixa de entrada do correio eletrônico (que nem sempre é única) e, como é preciso se manter bem informado, também é hora de ler as notícias do dia em jornais on-line, blogs ou no próprio agregador de feeds.

Nesse meio tempo, ainda sobram alguns minutos para dar uma passadinha nos microblogs Twitter (para ver o que está rolando por lá) e no Plurk, para ver se os amigos têm alguma novidade e, claro, para manter o "karma" (índice que mede o nível de popularidade e interação dos usuários). Uma "pausa" para responder a janelinha do MSN que começou a piscar (ao mesmo tempo que emite seu sinal sonoro característico), e não esqueça de colocar logo na Internet aquelas fotos da festa do final de semana. Ah! E cuidado para não se perder entre os milhares de links por aí, ou lá se vai a tarde inteira…

Agregadores de Feed

Os agregadores são programas que organizam informações de acordo com as preferências e interesses dos usuários. Tais programas são receptores de RSS Feed, uma tecnologia que permite a distribuição e recebimento de conteúdo (texto, som ou vídeo) sem a necessidade de acessar um website. Basta o internauta faça um registro nos sites ou blogs de onde deseja receber informações.

Microblogs

A instantaneidade dos microblog (blogs onde se publica textos de até 140 caracteres) conquistou internautas em todas as partes do planeta. No Brasil, os adeptos do formato têm aumentado expressivamente: o Twitter, mais popular deles, teve um crescimento de 456% em acessos entre abril de 2009 e o mesmo período do ano passado.

Mesmo assim nem chega perto de ser tão popular quanto o Orkut, lançado há 5 anos. Dos 25,5 milhões de internautas residenciais no Brasil, 17,85 milhões acessam o site de relacionamentos do Google.

O Plurk, criado mais recentemente, tem uma audiência menos expressiva mas virou uma espécie de fenômeno local. Hoje o site conta com pelo menos 400 "plurkers" pelotenses.

***Continuação do texto***
Na sequência, a agenda ainda pode reservar outros compromissos: verificar recados, checar as comunidades que você administra para ver se não há nenhum post indevido e ainda dar uma espiada na página de recados do namorado(a) ou ex no Orkut; ler e comentar blogs alheios (se quiser ter audiência no seu próprio blog, é preciso frequentar os dos outros) e, por falar nisso, você também precisa atualizar o seu blog, já que a última postagem foi publicada na semana passada.

Ser popular na Internet exige tempo e, pela falta dele, de assunto ou de paciência, provavelmente o próximo texto que será escrito comece de uma forma bem pouco inspirada: "Desculpem a falta de atualização no meu blog, mas a correria está demais (e a minha preguiça também!) Prometo tentar postar com mais frequência e blá, blá, blá…" Pra quê?

Para cada plataforma na Internet, existem milhares de utilitários – alguns aplicativos extras que até melhoram a funcionalidade dos sites, mas muitos são apenas um múltiplo a mais para as formas que se tem de interagir.

A maioria das pessoas nem conhece todos os recursos que um site pode oferecer (a forma de navegar é cada vez mais personalizada) e usa somente o "basicão", assim como a maioria das pessoas também não conhecem totalmente o potencial da maior parte dos aparelhos eletrônicos que possui. Ou você sabe tudo o que o seu celular é capaz de fazer?

Minimize

Os calculistas dizem que estamos a, no máximo, seis níveis de separação de qualquer pessoa do globo. Isto é: eu tenho um amigo. O amigo desse amigo meu tem outro amigo que conhece outro alguém que tem uma vizinha cuja tia tem uma empregada que é mãe do meu amigo. Mais ou menos assim.

Quase todo mundo recebe diariamente vários e-mails de desconhecidos de toda parte que querem se tornar "amigos". Querem que a gente esteja presente em cada nova rede virtual que aparece, seja ela Orkut – a mais popular no Brasil – ou My Space, Facebook, Sonico, Hi5… E eu disse "estar presente" mesmo, porque as redes sociais na internet exigem presença. A palavra de ordem é compartilhar. O que requer atualizar constantemente o perfil (e como somos seres tão mutantes o que dizemos sobre nós hoje logo fica defasado), postar novas fotos no álbum, novos vídeos, e estar em constante interação.

Em meados do século passado o escritor belga naturalizado argentino, Júlio Cortázar, dizia - não com essas exatas palavras - que quando se tem um relógio se tem também a obrigação e a necessidade de lhe dar corda todos os dias.

As redes digitais exigem a mesma frequencia e fidelidade. Segundo o Ibope, os brasileiros visitam o Twitter, em média, uma vez a cada oito dias. Já a média de assiduidade no Orkut por parte dos internautas daqui chega a ser de pelo menos um acesso a cada dois dias.

Mas, quando a vida offline (sim! Exite vida além da vida digital!) não deixa folgas para o seu avatar ou representação do "eu digital" agir o resultado é uma infinidade de posts com pedidos de desculpas pela falta de atualização – e tem gente que realimente se sente culpada por faltar a esses "compromissos" informais – além de milhares de perfis "fantasmas" condenados ao abandono.

Se estar sempre conectado pelo computador ou celular para alguns é um castigo, para Aleksandar Mandic é versatilidade. O empresário, um dos pioneiros da internet brasileira, argumenta que isso não é "perda de tempo", e sim uma forma de otimiza-lo. "A tecnologia não evoluiu para nos tornar escravos dela, mas sim para nos colocar mais presentes no dia-a-dia dos negócios e cuidar de outros assuntos ao mesmo tempo. Agora você pode tirar férias com a família e acompanhar os negócios de perto", defende.

Uso, sem abuso
(existem incontáveis formas de usar a internet – invente uma!)

Raquel Recuero é uma jornalista pelotense e trabalha como professora, pesquisadora e consultora na área de redes sociais. Tem 78 anos (segundo seu perfil na Internet), mais de 2 mil seguidores no Twitter e, orgulhosamente, 100 de karma no Plurk.

Ela não gosta da ideia de "criar regras", mas impõe limites para si mesma: todos os dias ela lê seus feeds mais interessantes até as 8h15min, dá um "alô no Plurk para manter o karma" e sai para correr. "O que não é lido até aquele horário não leio mais", até porque no dia seguinte vai haver pelo menos o dobro de links para serem acessados.

Angélica Freitas, tem 36 anos e é poetisa. Nasceu em Pelotas mas vive pelo mundo (atualmente passa um tempo na Argentina). Participou de vários blogs coletivos, entre eles o Poeta com dead line (uma alusão à sua formação em jornalismo), onde os colaboradores escreviam poesias diretamente na Internet e o Algavária, onde tinha a obrigação de publicar uma nova poesia a cada segunda-feira. É, ou era, blogueira desde 2001 e mantinha há 7 anos o blog pessoal Tome uma Xícara de Chá. Em abril deste ano deixou muitos leitores órfãos. Na sua derradeira postagem, a despedida poética: "É um chicletinho cósmico, a internet. Mas todo mundo sabe a verdade sobre o chicletinho: vicia. Só mais um pouquinho: e lá se foi a manhã. Que não voltará jamais! Se sair do Orkut e do Facebook é 1/2 um suicídio, deixar de ter um blog e de ler blogs é 3/4 sair da cidade grande para ir morar no campo. Creiam-me. Oh, já ouço o gritar dos quero-queros! Eu quero-quero uma casa no campo!"

Tatiane Lang é psicóloga, tem 28 anos e nasceu em Pelotas. Conheceu muitos amigos no IRC, gostava de ICQ e hoje adora plurkar e bater-papo no MSN. Entrou no MySpace por "incentivo" a apresentadora de TV Oprah Winfrey, mas prefere usar o Facebook. Pensou várias vezes em criar um blog, mas nunca o fez para evitar o compromisso. Isso porque "se vai começar a fazer alguma coisa tem que se dedicar", diz ela.

Jean Marques é web designer. Tem 29 anos e nasceu em Pelotas. Passa praticamente o dia todo online e admite que fica nervoso sem internet. "Uso algumas gadgets pra tentar manter a produtividade e a organização como calendários online e lista de tarefas, esse tipo de coisa.". Durante a entrevista, concedida pelo Gtalk estava em mais três conversas online, no Plurk e em fórum.

Guilherme Felliti é jornalista, nascido em São Paulo e tem 26 anos. É colunista da revista Carta Capital e editor-assitente do site IDG Now!, especializado em tecnologia. Cansou do Twitter. Abandonou sua conta pessoal no ano passado mas continua administrando o perfil do IDG Now!, que tem 4,5 mil seguidores. Diz que já foi compulsivo pelo computador mas que hoje em dia não entraria em colapso na falta de Internet. "Passaria uma semana ou um mês longe sem problemas. Claro que não nas próximas semanas, que eu preciso acabar minha tese!". Depois que concluir o mestrado, pretende se isolar durante um final de semana sem nada tecnológico. "Abraçar o mundo digital é suicídio. Admitir que há uma tonelada de coisas legais rolando por aí e que você não poderá ver absolutamente todas é um bom caminho", disse em entrevista pelo Gtalk

Bianca Zanella é jornalista, tem 21 anos e trabalha no Diário Popular. Seu perfil no Orkut está desatualizado. Deixou de postar no Twitter há meses, mas continua acumulando seguidores (o que será que eles querem ler lá?). Meses atrás chegou ao Plurk Nirvana (com karma superior a 81) mas atualmente não consegue mais passar dos 80. Dedicada a fazer essa matéria, foi conhecer mais a fundo o assunto e criou contas no Facebook e no MySpace (que serão abandonadas). Por causa de uma falha de configuração ficou cinco dias sem receber e-mails e até agora não conseguiu ver todas as mais de 90 mensagens que acumularam nesse tempo.

Lições para reaprender a navegar

Livre-se do lixo. Filtre seus e-mails. Configure seu anti-spam para reduzir o número de e-mails indesejados e não deixe acumular mensagens não lidas na sua caixa de entrada. Além de causarem a impressão de muitas coisas pendentes, elas ainda podem fazer você perder e-mails realmente importantes. Também não esqueça da regra básica da "netiqueta" (etiqueta da Internet) e seja criterioso ao enviar mensagens para não entulhar as caixas de entrada alheias.
Organize-se. Pode dar um pouco de trabalho criar pastas para e-mails, mas em pouco tempo essa medida pode ajudar a reduzir o tempo gasto para administrar o correio eletrônico. Há quem prefira administrar todos os e-mails em uma conta universal (que recebe e-mails enviados para as contas pessoais e profissionais), mas nem sempre essa pode ser a melhor opção. Outra dica é ter uma conta exclusiva para cadastros em sites. Assim as mensagens indesejadas, principalmente publicitárias, poderão ser todas desviadas para lá.

Saiba que menos é mais. Seja qual for o seu objetivo – conquistar popularidade e "capital social", fazer contatos profissionais ou divulgar produtos e ideias, será mais fácil conseguir isso com perfis, blogs ou sites "turbinados", bem feitos e principalmente atualizados que com inúmeras páginas onde o seu nome aparece mas sem qualidade de informação.


Texto: Bianca Zanella Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Páginas Centrais Publicado em: Pelotas, Domingo, 24 de maio de 2009

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Como fugir do Carnaval?

Nada de fantasia, samba ou batucada. Acredite ou não, tem gente que quer distância da folia

JustificarDicas para (não) cair na folia

Essa história de que “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu” anda meio ultrapassada. Tem muita gente que se puder vai no sentido contrário ou pega um desvio para não cruzar com um alto-falante gigante tocador de axé music por aí. Gente que não vai ao sambódromo nem por convite expresso do próprio rei Momo ou da Ivete Sangalo e, para o espanto dos mais fanáticos foliões, está bem vivinho, sim senhor.

Eles não usam fantasias, mas têm muito em comum. Você também combina com esse perfil? Então venha fazer parte do bloco antifolia!


1) Pratique o ócio criativo

A psicóloga Lígia Monassa até que fez força para gostar de Carnaval, lá nos idos da mocidade. Pulou, brincou bastante. Mas aí, passada a euforia, resolveu que não precisava gostar de alguma coisa só porque a maioria das pessoas gosta.

Supercaseira, aos 55 anos ela quer mais é sossego para curtir a nova morada, onde vive há nove meses. Para isso, há um motivo especial: na casa nova ela realizou o sonho de montar seu próprio ateliê, refúgio onde se entrega ao hobby preferido: fazer arte. Sempre inventiva, Lígia pretendia aproveitar as férias para se dedicar à pintura. Mas as férias vieram e se foram e ela nem chegou perto dos pincéis. “Quando dá tempo sempre tem uma coisa ou outra que me tira desse foco. Às vezes as filhas, às vezes o neto”, fala com ternura.

Agora, com a chegada do feriado prolongado de Carnaval, ela está mais uma vez determinada a se debruçar sobre as telas. “Eu não espero inspiração, nem conheço muitas técnicas. Gosto de ir testando materiais para ver o efeito que dá”, diz a modesta e talentosa artista que se considera apenas uma pintora amadora.

Assim como Lígia, não é preciso esperar a inspiração chegar para colocar algum antigo projeto pessoal em prática. Ou, talvez, a inspiração esteja aí diante dos olhos: armários precisando de uma boa arrumação, prateleiras de livros e revistas ainda por serem lidos. Da videolocadora, quantos filmes você ainda não assistiu e quantos episódios da última temporada do seu seriado preferido ficaram para trás?

Mas, se ficar em casa não está nos seus planos também, o.k.. O Estilo ainda tem outras opções.


2) Viaje (mas para longe do Pelourinho e da Sapucaí!)

Há uma tendência nova começando a se desenhar no mercado de turismo: cada vez mais pessoas buscam viagens alternativas, fora dos destinos convencionais do período carnavalesco. Os roteiros mais procurados, afirma um agente de viagens, continuam sendo os tradicionais como Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro. Mas, há também roteiros especiais para o perfil de cliente que não pretende passar o feriadão ouvindo samba, frevo ou axé.

Então, vai um tango aí?

A artista plástica Cristina Ceia não pensa duas vezes em aceitar a proposta. Com viagem marcada para Buenos Aires, já faz algum tempo que ela e o marido optaram por trocar o agito dos bailes e da folia de rua por passeios onde, de preferência, nem lembrem do Carnaval - a não ser pelo fato de que é ele quem lhes garante os dias de folga prolongada. Ano passado foram para a praia de Torres e no retrasado a Montevidéu.

“Antigamente eu gostava, mas hoje acho que a festa é menos participativa, perdeu o objetivo. E tem também a questão da segurança. Sempre tem alguém disposto a acabar com a festa”, opina ela, para quem a fase de foliã já é página virada: “Foi bom, mas acabou. Eu gostava de Carnaval, mas hoje ele não me faz falta.”


O sossego, logo ali

O rei Momo tomou posse da chave da cidade para comandar a folia e há quem queira sair pela janela. Para esses Buenos Aires é a principal sugestão das agências de viagens em Pelotas (com saídas também de Rio Grande).

Os pacotes individuais para cinco dias custam em média R$ 700,00. A viagem inclui passeio pelos principais pontos turísticos da capital portenha como a Casa Rosada, o Plaza de Maio, a Catedral e o Bairro da Boca, além de jantar com show na tradicional casa de espetáculos Sr. Tango e noitadas em cassinos.

Outra sugestão é a capital alagoana, Maceió. Um pacote básico com saída de Porto Alegre custa em média R$ 1,6 mil por pessoa (sem contar as despesas adicionais da viagem). Não deixe de ver também as dicas para aproveitar a Serra gaúcha, na reportagem da página 3.


Informe-se

Para saber detalhes sobre os roteiros de viagem, consulte:
MS Turismo - Fone: 3028-4060
Voyage Turismo - Fone: 3225-1833
Cisplatur - Fone: 3225-5944


3) Medite

Osvaldo Andrade sempre gostou de Carnaval. Aliás, ainda gosta. Mas há dez anos resolveu trocar os bailes em clubes e a folia de rua por uma forma diferente de curtir. Trata-se do retiro conhecido como Rebanhão, que este ano chega a sua 15ª edição. Ele gosta tanto que hoje é um dos organizadores.

O evento é uma realização da Renovação Carismática Católica de Pelotas e reúne todos os anos uma média de 200 participantes de todas as idades na casa de retiros Cenáculo. Para atrair tanta gente, a programação é diversificada e inclui desde momentos de oração e oficinas até atividades desportivas e uma festa rave - a Cristoteca. Para crianças pequenas o Rebanhão Kids traz atrações especiais. O retiro começa na manhã de sábado (21) e só termina na tarde de terça-feira de Carnaval (24).

“Como todo jovem, é claro que eu gosto de festa! Só que eu opto por aproveitar o Carnaval seguindo os preceitos cristãos. Não se pode generalizar, dizer que todas as festas que acontecem fora do retiro são ruins. Mas aqui certamente eu corro menos risco de me envolver em alguma briga, não vou ouvir música de baixo calão e principalmente vou encontrar pessoas que estão buscando a mesma coisa que eu”, diz Oswaldo ao defender que a evangelização dos jovens deve acontecer de forma criativa e atrativa.

Fora do Cenáculo, mas não muito longe (a cerca de 30 quilômetros do cruzamento das BRs 392 e 116 em direção a Canguçu) outro grupo estará reunido com uma proposta carnavalesca bem diferenciada no feriado prolongado.

Trata-se do segundo Encontro de Espiritualidade Cósmica no Carnaval que acontece entre os dias 20 e 24 deste mês (de sexta a terça-feira) no Trilha Jardim Espaço Arte. Situado na região do Quilombo, na colônia de Pelotas, o lugar irá reunir buscadores espirituais para troca de experiências através de vivências, palestras, painéis e workshops. Além disso, a beleza do local e o contato com a natureza já fazem o feriadão valer a pena. Devido à proximidade, é possível pernoitar na cidade todos os dias, mas para quem gosta o Trilha Jardim é um ótimo lugar para acampar.

Mesmo em clima de muita tranquilidade, os participantes terão os dias cheios: a programação inclui várias práticas como mantras, biodança e bioterapia. Entre as palestras, ensinamentos sobre a mitologia indu, a espiritualidade indiana, a cultura xamânica, a aplicação do mel para a saúde, a utilização de florais e a herança espiritual inca. Serão oferecidas também oficinas de culinária vegetariana, filtro de sonhos e ecoarte. À noite, as rodas de viola ao pé do fogo crioulo são a atração e oportunidade para admirar o céu estrelado tal como só pode ser visto longe da artificialidade das luzes dos centros urbanos.

A alimentação será preparada pelos próprios participantes, divididos em grupos de trabalho conforme suas famílias terrestres (definidas através do Sincronário da Paz) correspondentes a cada dia.


Pontos de encontro

Quem quiser participar do Rebanhão deve fazer inscrição prévia na Livraria Santuário (rua 7 de Setembro, 145), na Livraria Santo de Casa (General Neto, 888), na Associação Meu Irmão (Doutor Cassiano, 711) ou na Academia Body Company (Gonçalves Chaves, 404). O custo por pessoa varia entre R$ 10,00 e R$ 35,00. Crianças pequenas não pagam. Mais informações pelos telefones 3227-0710 e 8135-7133.

Para participar do Encontro de Espiritualidade Cósmica no Carnaval do Trilha Jardim é preciso confirmar presença até o dia 20 e fazer depósito no valor da estadia correspondente ao número de dias que o participante irá permanecer no evento (R$ 20,00 por dia). As diárias incluem alimentação ovo-lácteo-vegetariana e estrutura de acampamento. Mais informações e detalhes da programação no site www.trilhajardim.com.br.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Domingo, 15 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

1 + X³ = Deus

Se dissessem a você que Deus é um número e que o espaço não é tão absoluto quanto parece, você acreditaria? Chamaria essa pessoa de "louca"? E se dissessem a você que a Terra gira em Justificartorno do sol? Talvez você nunca tenha duvidado disso, mas se tivesse vivido na sociedade da época de Galileu, qual seria a sua reação?

Por mais estranho que pareça, existem pessoas que afirmam categoricamente: tão certo como a Lei da Gravidade é a Lei do Tempo. Pelo sim, pelo não, pelo menos 400 pessoas já inscritas (e você, se for curioso o suficiente) irão ao auditório do Cefet hoje tirar a prova dos nove, em evento promovido pela Faculdade de Educação da UFPel.

"O que vamos fazer é demonstrar publicamente a existência de um novo paradigma. Não é o espaço que é absoluto, e o tempo relativo. É exatamente o contrário: o tempo é absoluto e o espaço é relativo", diz o professor de Matemática do Tempo Annibal Dowgaluk que coloca de cabeça para baixo a teoria "espaço-tempo".

"A gente desde sempre aprende que a ordem dos fatores não altera o produto. Eu penso diferente. A ordem dos fatores é o produto." Em outras palavras, afirma ele, o tempo é a causa, o resto é efeito. "Os ciclos de tempo que convergem na nossa mente criam a realidade. O presente e tudo o que aconteceu antes é simplesmente um prelúdio do agora."

Não apenas isso. A inversão provoca inovadoras formas de percepção do mundo. A Matemática do Tempo é desafiadora. Afinal, provavelmente você também acredite que o espaço separa as coisas, certo? Errado. A noção de distância, para os que acreditam no paradigma tempo-espacial, é mais um equívoco provocado pelo paradigma espaço-temporal. "A distância é o que nos une, e isso não é mera filosofia, é fato. O espaço não é mais que a sombra que projeta o tempo no seu perambular pelas praias da consciência". Entendeu?


Nós e o tempo

Não será por mera coincidência que o Tzolkin - o calendário Maia, também conhecido como Sincronário da Paz - é composto por 260 kins, 20 selos e 13 tons. "260 é o número de dias que passamos na barriga da mãe, 20 é o número de dedos e 13 o número de juntas do corpo humano. Não é por acaso. Nós somos o templo espacial do tempo", afirma Annibal.

Cada pessoa, conforme o dia do seu nascimento, corresponde à um kin, o qual define suas características e o seu propósito de vida. Na quinta-feira, a proposta prática, é colocar frente-a-frente pessoas de kins semelhantes. "Ao olhar o semelhante a gente obtém um reflexo imediato. Como serão muitas pessoas, vamos poder demonstrar uma matriz, uma comparação analógica e exata do que antes era apenas filosofia e ninguém poderá ficar indiferente a isso. As pessoas irão se surpreender."

Segundo ele, identificar as características alheias não se trata de abandonar o auto-conhecimento, mas de se conhecer através do outro, ou melhor, de um "outro você". "Aprendemos que somos diferentes, agora vamos aprender que somos semelhantes." Para o mago, a grande descoberta não consiste em descobrir as características do seu kin. "As pessoas sabem como são. A grande sacada é que pela compreensão da Matemática do Tempo as pessoas se transformam em informação, a mais valiosa informação, e isso te dá escolhas e infinitas possibilidades que antes não tinhas, porque te faltavam parâmetros".

Para entender a equação de Dowgaluk é preciso ir além do auto-conhecimento e conhecer a tudo e a todos, "porque tu não és o centro do universo, tu és apenas mais uma variável." Segundo ele, ententendo as características da energia do outro e da energia do dia é possível construir relações humanas mais pacíficas e harmônicas.

E Deus? "Perguntar a alguém uma definição de Deus é como perguntar a um peixe uma definição da água em que ele está nadando. Tudo é número, Deus é número, Deus está em tudo". Eis uma resposta. Definitiva?

"A imensa maioria das pessoas pensa que só se comunica com Deus durante a prece, como se Deus não fizesse parte de absolutamente tudo", diz Annibal. Para ele, essa nova compreensão não tira a importância da prece, tira a importância da realidade, e da necessidade de estabelecer conscientemente uma conexão com o divino. "A Lei do Tempo te coloca em Deus o tempo todo."


Revolução e Sincronicidade

Nascido na Argentina, formado em Turismo na Espanha, Annibal Dowgaluk, de 37 anos, é um mago andarilho. Mago pelo seu selo, e andarilho porque há 10 anos vive itinerante pelo mundo em busca de ecos para o que considera a maior revolução científica da humanidade.

Hoje, pelo Sincronário Maia, é um dia de Vento Lunar Branco, o que significa, segundo o mago, um dia de desafio. "É um dia difícil, mas as conquistas realizadas nesse dia serão sempre efetivas", garante.

E daí? Daí que o mago faz questão de ser reticente e provocar os céticos. "Não adianta falar", diz ele, que convida as pessoas a verificarem como São Tomé como a revelação da Matemática do Tempo irá repercutir na vida cotidiana. "Eu garanto que esta não é apenas mais uma tendência esotérica da moda". Será?


Ficou intrigado? Confira:

O quê: Seminário sobre a Matemática do Tempo

Quando:
hoje (6), das 14h às 18h (pessoas que não tiverem realizado a inscrição antecipadamente devem chegar a partir de uma hora antes para efetuar o cálculo de seu kin)

Onde: no auditório do Cefet

A entrada é franca.

Mais informações pelos telefones 3284-5533 e 8118-4877.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 6 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 6 de novembro de 2008
*** Contém partes não publicadas na versão impressa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Consumidor tem direitos garantidos na Feira do Livro

"A Feira do Livro está nota 10 em termos de respeito aos direitos do consumidor." A avaliação preliminar positiva partiu do coordenador do Procon em Pelotas, Jardel Oliveira, que acompanhou a reportagem do Diário Popular em visita ao evento ontem à tarde. Segundo ele, desde que a agência foi instalada no município - há cinco anos -, nenhuma reclamação referente à Feira foi registrada. E a expectativa é de que continue assim por mais essa edição.

"Tanto os consumidores quanto os livreiros conhecem seus direitos e deveres. Como a feira é bem organizada dificilmente alguém vai sair daqui se sentindo lesado", elogia.

Durante a visita, ele observou que os expositores estão cumprindo com aquele que poderia ser o principal alvo de reclamações: a demarcação de preços. Pela regra, todos os produtos à mostra devem conter indicações individuais de valor, ou ter o preço afixado de forma clara e visível na prateleira ou no local onde estiverem dispostos.

Nesse quesito, durante a caminhada, foram encontrados algumas variações entre o preço indicado na etiqueta e o preço informado na placa de uma caixa de "saldos". "O preço da etiqueta é o valor que oferecemos o produto na loja, aqui o que vale é o preço promocional", explica prontamente o vendedor. Nesse caso, o coordenador do Procon lembra que a regra é a mesma que os consumidores já aprenderam quando acontecem diferenças de preços dos produtos quando as compras são registradas no caixa do supermercado: não importa se na gôndola ou na etiqueta, na hora da compra o consumidor paga o menor valor.

Na praça de alimentação - onde, aliás, não é obrigatório o pagamento de gorjeta -, a orientação para que os restaurantes e bares informem os preços dos produtos nos cardápios também é cumprida à risca.


E os descontos?

Promoções relâmpagos e reajustes de preços durante a feira são comuns, e absolutamente permitidos. Oliveira lembra, entretanto, que quando o fornecedor oferece algum desconto à vista, o mesmo abatimento deve prevalecer para os pagamentos em dinheiro, cheque ou com cartão de débito ou crédito, desde que a dívida seja liquidada de uma só vez. Se a compra for parcelada, o valor cobrado será o preço de tabela, sem desconto. A lição, aparentemente, está na ponta da língua de quem trabalha na Feira: "se for pagar à vista sai mais barato mas se for em mais vezes fica o preço normal", informa prontamente a atendente de uma das bancas.

Com relação ao uso de cheques, as restrições quanto a talões de terceiros ou outras à critério do vendedor devem estar bem à vista. Nem todas, porém, são permitidas. A exigência de tempo mínimo de conta em banco, por exemplo, é ilegal.

"Quanto mais claras as informações estiverem, melhor", conclui Jardel Oliveira, satisfeito com o comportamento dos vendedores instalados na praça Coronel Pedro Osório. Ele, e o público de um dos principais eventos do calendário pelotense esperam que, como nos outros anos, a Feira do Livro transcorra sem incidentes que contrariem os direitos do consumidor.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 6 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 4 de novembro de 2008

sábado, 1 de novembro de 2008

A infância na frente do espelho

É só ouvir falar em foto que a modelo mirim Alice, de dois anos de idade, vai logo passar batom e começa a fazer caras e bocas. Foi assim quando ela ficou sabendo que receberia a visita do Diário Popular. Sob os olhos da mãe, ela mesma escolheu a roupa que iria vestir. Na hora de colocar os sapatos, entre o tênis de luzinhas que a mãe sugeriu e par de mocassins cor-de-rosa que a menina pegou da cômoda, venceu o mocassim.

A mãe, Genessi, diz que sempre deixa que a filha decida o que vestir, mas orienta de perto as escolhas e, em caso da menina querer usar algo inadequado, é a mãe quem dá a última palavra. Maquiagem, por exemplo, só quando vai posar para fotos de trabalho, e mesmo assim de leve. "Ela tem que entender essas coisas porque senão vai crescer achando que pode tudo. Mas a Alice é muito tranqüila pra isso. Normalmente chegamos a um consenso", relata.

Para Genessi e Alice, encarar o guarda-roupa não é problema, já que a relação entre mãe e filha é bem resolvida também diante do espelho. Para a psicóloga Marizele Cantarelli, a atitude da mãe é a mais correta. O diálogo nessa hora é fundamental. "É saudável que a criança participe dessas pequenas escolhas. Isso a prepara para as grandes decisões", afirma ela, que também considera hora de definir o vestuário uma ótima oportunidade para os pais ensinarem aos filhos noções de limites. Sair de blusinha de alcinha em um dia frio e sem casaco, por exemplo, está fora de questão. "Os pais devem orientar sobre o tipo de roupa que é mais adequado para cada ocasião e o que é mais confortável para a criança brincar." Na hora da compra, a dica é oferecer opções que caibam no orçamento da família dentre os itens que são necessários (e não simplesmente levar o que a criança viu na loja e "quer", mas não precisa).

Por outro lado, as crianças que nunca podem escolher que roupa usar, tendem a se tornar mais inseguras e "rebeldes". "Muitas vezes os pais projetam nos filhos uma imagem que não condiz com a atitude da criança. Nesse caso é uma até rebeldia positiva que demonstra que a criança quer se expressar. A roupa é uma das primeiras formas de manifestar a identidade."


Roupa e fantasia

Assim como os adolescentes (e até adultos) costumam imitar a moda que vêem principalmente na mídia, as crianças repetem modelos na forma de se vestir. As primeiras referências são os pais. Depois, são os personagens que assistem na TV, apresentadoras, personagens de novelas e super-heróis, principalmente. Segundo a psicóloga, não há nada de anormal nisso, mas é importante sempre discutir esses modelos. "Há pais que acham bonito a criança se vestir como uma adulta em miniatura e só depois se dão conta que com isso podem estar 'atropelando' a idade mental e visual dos filhos e fazendo com que eles se desenvolvam de forma precoce. Cada etapa deve ser vivida na sua plenitude e sem pressa. Vai chegar a hora certa da menina usar salto alto, não tem porque antecipar isso", explica.

Na hora da brincadeira, no entanto, os pais podem e devem deixar a imaginação dos pequenos correr solta. "Maquiagem pode ser uma coisa lúdica durante uma encenação de teatro, ou de um desfile de moda. Faz parte da brincadeira. Os exageros é que fazem mal", conclui Marizeli, que repete a regra fundamental da pedagogia moderna que se aplica a todas as situações: ter bom senso.


Roupa transada também para os pequenos

Peep-toe nos pés, mistura de estampas, colete, short balonê, minissaia, bermudão xadrez, babados, bata e flor no cabelo. As principais tendências contemporâneas que ditam a moda invadem com força total o guarda-roupa infantil. Foi se o tempo em que roupa de criança resumia-se a vestidinhos de algodão floriadinhos e conjuntos comportados. Nos desfiles do último Moda Pelotas – realizado no dia 10 do mês passado – as coleções apresentadas confirmaram essa vocação.

Pequenos desejam vestir-se como gente grande e as grifes, antenadas na preferência dos consumidores, criam suas peças conforme o gosto do freguês. O resultado pode ser verificado nas vitrines das lojas do setor. Como a estação que vem pela frente é o verão, a estação das cores, as coleções esbaldam-se nos tons vibrantes, nas estampas bem alegres, nos modelitos arejados. Aliás, roupa infantil tem tudo a ver com a descontração tão típica dos dias mais quentes. E para arrematar o look modernoso vale apostar nos acessórios como bolsas franjadas, cintos para marcar a cintura, óculos, tiaras e fivelas igualmente coloridas. Só não vale deixar de ser criança! (colaborou Inês Portugal)


Texto: Bianca Zanella e Inês Portugal | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Infantil | Publicado em: Pelotas, Sábado, 1º de novembro de 2008