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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Decepção nas telas

Que a crise cinematográfica em Pelotas continua, ninguém duvida. O que se duvida é, se algum dia, vamos sair dessa situação.

Esta semana retornei a uma das únicas salas de cinema que ainda nos restam depois da última vez, de várias, que havia prometido não voltar mais. Não sei se foi a má qualidade da exibição ou o filme – acho que foi as duas coisas - que me fizeram sair de lá com uma nova nota mental que, como das outras vezes, provavelmente será descumprida: nunca mais voltar a este cinema enquanto não for reestruturado. Voltarei, mas sob protestos.

JustificarNão é a primeira vez que acontece, eis minha lista de reclamações:

* Ligam o ar-condicionado em pleno verão com uma temperatura que nos faz sentir em pleno inverno. Pô, apesar do friosinho que fazia ontem, ninguém sai com agasalhos extra em pleno janeiro!

* Colocam o filme sem foco. Isso é problema no projetor? No rolo? É o fim…

* Durante o filme o cinema fica vazio. Não tem ninguém pra fazer qualquer atendimento e nem segurança.

* Mesmo sentando nas últimas poltronas, não tem como não ficar quase em cima da tela, de tão estreita que é a sala, entre vários outros motivos que os freqüentadores têm pra reclamar.

Como diria a Aline, até parece que o empresário, Sr. Dono do Cinema, não quer ter um “negócio” e sim uma “boquinha”. Sem investimento, tem é que falir mesmo!!!

***

Fui assistir O dia em que a terra parou a convite do meu irmão. Felizmente, a companhia dele e da amiga Ali, e a comida do Cruz de Malta, após, fizeram a noite valer à pena. De qualquer forma, não reduziu a minha indignação.

O filme é babaca. O roteiro é totalmente previsível e, para variar, os aliens – de uma espécie muito mais desenvolvida que a nossa – não reconhecem a nossa geografia global e chegam justamente no “centro gravitacional do planeta”, o “umbigo do mundo”: os Estados Unidos da América. Eles – os americanos – aparecem no começo mega arrogantes e depois em seqüências de medo e comoção até evoluírem, no tempo que dura o longa-metragem, para tipos muito bonzinhos. Isso, no mesmo estilo heróico e chato de Independence Day ou O dia depois de amanhã (que não é de Et´s mas é babaca igual). Obviamente, nenhum cartão-postal brasileiro foi destruído pelas criaturas vindas do espaço. Também, já nos bastam os vândalos!

A criança do filme, também pra variar, é “espertinha” como toda criança americana, e também mal-criada, teimosa e chata. Mas tão chata que – eu juro – se eu fosse o ET bonzinho do filme eu teria matado aquele guri irritante, e olha que sou contra a violência, especialmente a violência infantil.

A mensagem ecológica – de que precisamos mudar de atitude antes que terminemos por exterminar a vida da Terra – é um blá blá blá sem fim. Tem o mesmo tom arrogante e medíocre. Imagine ouvir lição de moral sobre isso da boca dos maiores poluidores do planeta! Ah, me poupem!

Sem contar a estupidez e a ingenuidade das forças do governo americano diante da “invasão”, que ao cometer tantas trapalhadas faz o filme parecer mais uma comédia que qualquer outra coisa. Definitivamente lamentável.

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Faz tempo que não vejo um filme realmente bom.

Domingo assisti, de novo, P.S. Eu te amo. Eu adoro, mas esse não conta porque já tinha visto antes. E chorado antes. Ainda bem que dessa vez eu tinha quem me consolasse! (:))

Depois vi Meu nome não é Johny. É bom – bonzinho - mas fica longe de ser “tri bom”. Esperava mais do texto, dos diálogos. Pelo menos, não foi ruim.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Joca Martins, prazer em vê-lo!

A tal da "velha certeza gaúcha" não se engana: Tinha tudo para ser um show memorável e foi. A noite do dia 31 era do nativismo, de adoração às tradições campeiras. O público recebeu Joca Martins de braços abertos e o antigo Theatro Guarany recebeu Joca com toda a pompa de sua imponência, mas com uma acolhedora simplicidade galponeira, dessas que só a querência proporciona.

O timbre inconfundível da voz rompeu o silêncio. Não havia eco, não havia oco. A casa estava cheia para aplaudir o cantor, de volta a sua terra. Ainda que ele cante com sentimento convicto que “qualquer lugar é querência, se houver cavalo crioulo”, não importa por onde ande, quando volta sabe: Pelotas é o chão de suas raízes.

Prova disso foram as homenagens emocionadas à personalidades daqui e ao sempre poético cenário pelotense. Emocionadas e que emocionaram. Não bastasse a paisagem da pampa ser, por si só, comovente, a melodia mansa da composição considerada um segundo hino do Rio Grande, em tom de oração, completou o momento em que todos cantaram baixinho os versos de Minha Querência.

Era mais uma música que a platéia, inspirada, sabia de cor. E mais um grande momento do show, como as duas vezes em que o ginete "Freio de Ouro" Dado Azevedo exibiu no palco sua habilidade e a destreza de seu cavalo. (Quem diria ver uma exibição dessas, ao vivo, em pleno Guarany!)

A platéia só não correspondeu ao chamado do cantor à participação quando a capacidade das cordas vocais não permitiu: aconteceu durante uma das músicas mais "altas". Não que o refrão não fosse conhecido, mas é que dificilmente a média "normal" do público consegue acompanhar o tom da voz de Joca, principalmente quando ele dá o melhor de si.

Ainda assim, o público abriu a garganta para soltar os tais "gritos selvagens", a variação desafinada de quem não aprendeu uma das artes do homem da pampa: "soltar um sapucai". "Aí que eu me refiro!", repetiu pela terceira ou quarta vez na noite para os aplausos e risos da platéia. "Foi com certeza mais um recorde mundial de grito selvagem e sapucai", afirmou em tom de brincadeira o Joca, a mesma piada do mesmo Joca que todos já conhecem e que ainda assim não perde a capacidade de surpreender, a cada apresentação.

No final, antes de provocar um verdadeiro "frenesi" - como poucos artistas locais provocam - no saguão do Theatro, diante dos fãs que queriam autógrafos e fotos, ainda atendeu a um último pedido feito à beira do palco: tocou "mais uma milonga pra Camaquã".

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Eu esperava mais...

O debate de ontem à noite entre os candidatos à Prefeito de Pelotas transmitido pela TV COM foi morno. Tão morno que não chegou a assar nem o "Peru do Anselmo". Explico a piada, para quem não assistiu: o candidato "mais esquentadinho" já de saída afirmou: "Eu não sou Peru da Sadia pra preparado". A primeira participação do imprevisível e teatral Governaço prometia bem mais, mas mesmo suas outras "tiradas" não chegaram nem perto do impacto desta.

Marroni e Fetter ficaram o tempo todo fazendo o DNA do asfalto, principalmente, e de outros projetos. Os outros candidatos - pelo menos os que foram articulados o suficiente para elaborar alguma estratégia - trataram de fazer perguntas entre si que atacassem por tabela os dois candidatos mais fortes. Foi o caso do Professor Lucas, Gilberto Cunha e Mateo Chiarelli que não perderam oportunidades para dizer que existem prioridades menos superficiais do que colocar asfalto. "Se preocupar com isso é a mesma coisa que um doente que precisa de um tratamento para câncer gastar dinheiro fazendo uma cirurgia plástica!"

Anselmo atacou a todos e não teve excrúpulos para dizer que tudo o que os outros prometem fazer, ele já fez. Rejane não atacou ninguém. Não teve capacidade. Apesar de ser a candidata que conhece mais profundamente os problemas da cidade (pois cada resposta ela começava contando uma vivência pessoal de como já sofreu com aquilo) ela só conseguiu incentivar um sentimento coletivo de vergonha alheia e piedade. Tudo ela considera "um absurdo". Caiu em todos os "pega-ratões" que lhe aplicaram, e não foram muitos porque os demais candidatos até a pouparam de perguntas mais difíceis. De qualquer forma, suas breves participações foram suficientes para deixar explícito o despreparo da candidata. Mostrou que pensa pequeno demais e que não tem visão global para resolver problemas grandes. A questão do turismo, por exemplo, ela resumiu como a falta de um ônibus para levar as pessoas que chegam de outras cidades para conhecer Pelotas. De que turismo ela está falando? Aí o Fetter, na réplica, se lavou...

Como é que ela acreditou quando disseram que ela estava preparada para ser candidata, e muito pior, prefeita? Alguém poderia ter evitado toda essa pagação de mico...
Do Lucas se esperava bem mais. O candidato tem um discurso muito bom, mas para o enfrentamento no debate faltou ser mais claro e, principalmente, prático.
Mateo ficou no disco repetido de que é "O Diferente". Apresentou propostas, tentou não bater de frente com ninguém. Parece, no entanto, que falta-lhe carisma e um pouco mais de espontaneidade para crescer na campanha.
Alexandre Nunes surpreendeu, estava bastante articulado, apesar de parecer que tinha treinado horas na frente do espelho, decorando tudo o que ia falar. Mesmo assim, foi bem.

No final das contas, além do asfalto, que já se esperava, seria o tema principal no confronto Fetter - Marroni, ficaram de fora algumas questões elementares, assuntos em que ninguém ousou tocar.
O termo ecologia, por exemplo - que é um dos assuntos mais importantes e preocupantes da atualidade - não foi citado em nenhum momento. A não ser o eucalipto, mensionado levianamente como um problema "turístico" e nada mais, não se ouviu ninguém falar diretamente sobre isso. Por que será?


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

(Não) Me use neste verão!

Uma campanha por uma estação mais agradável... para os ouvidos.

Os primeiros indícios do verão são o estopim para uma acirrada disputa no mercado fonográfico. Basta que as temperaturas do inverno comecem a subir para que apareçam novamente as barrigas de fora (e fora de forma – como conseqüência dos descontroles sazonais), as modas velhas da estação passada (porque ninguém teve tempo ainda de renovar o guarda-roupa) e as músicas candidatas a novo hit do verão. Estranhamente, o calor parece afetar o senso crítico das pessoas para muitas coisas, até para a sensibilidade artística.

Semana passada recebi por e-mail a demo de um tal Tiago Ferrari Show. Desconheço a procedência da aberração. Não sei descrever a minha reação ao ouvir a composição intitulada Me use neste verão. (Clique para ouvir)

Entrei no site da banda (tem link para caso alguém queira repetir essa experiência), que é aparentemente especializada em animação de bailes. Começou a tocar a Merceditas na trilha. O sotaque do cara que canta é impressionante (no mau, no péssimo sentido), além da expressão, da interpretação... O grupo tem de tudo no repertório: forró, axé, tchê music, reagge, pagode, pop rock e até “tradicionalistas” (ah, se MTG sonha...). Mas voltemos ao novo hit.

Cliquei no play. Ao fundo toca um teclado repetitivo, acompanhado da voz enjoada (meio nasal) da vocalista, que canta mais ou menos assim: Chegou verãããão / A cidade abre portas e janelas / As ruas viram grandes passarelas. O quarto verso da estrofe eu ouvi várias vezes e não entendi. É algo como “Na areia (não-sei-quem) perde o reinado”. Quem perde o reinado? Bom, deixa pra lá. Ninguém consegue ouvir por muito tempo, mas fui persistente. A seqüência foi ainda pior.

Alguns efeitinhos toscos de mixagem depois a voz recomeça: A paixão aflora / Mesmo em olhares casuais / O amor na pele tornam em par e casais (Quê?!?) / Entre corpos calientes e bronzeados...

A terceira estrofe parece o ápice da criatividade. Incrível como conseguiram fazer rimar tantos clichês em apenas quatro versos. E observem que o trecho começa com uma inversão do primeiro verso da primeira estrofe: O verão chegou (sacaram?) / No ar eu sinto o cheiro da magia / A vida na noite que renasce a cada dia / Um mundo de asfalto se transforma em areia.

Tenha paciência! Pior do que ler isso é ouvir. Por isso peço que me acompanhe até o final: Não há sentidos / Nessas ruas definidas prosseguir / A beleza é livre para ir ou vir / E o trânsito congestiona de sereias...

Esse até merece um bis: "E o trânsito congestiona de sereias." Dá pra imaginar uma coisa dessas? Liberdade poética também deveria ter limites, assim certas aberrações poderiam ser evitadas... Mas o melhor de tudo vem agora: Senhoras e senhores, com vocês, o refrão! (este cantado com a mesma voz nasalada do início, mas agora um pouco mais sexy. Aliás, o mesmo tom sexy que a vocalista usa pra dizer “caliente” no segundo verso): Vem, vem... deixar teu corpo molhadinho / Enquanto o meu é só luxúria e paixão / Vem, vem... Vem disputar dessa sereia / Musa. Abusa, e me use neste verããão...

Uau! Vocês podem imaginar o quanto fiquei perplexa depois disso? Por isso resolvi escrever esse texto, que mais que uma forma de compartilhar a piada, é uma forma de desabafo das minhas fortes emoções (que passaram do pavor – como alguém pode ser capaz de criar uma coisa dessas? – ao riso).

Mas o que realmente importa, voltando ao ponto de partida desse texto, é o risco que representa essa música demo (de demonstração e demoníaca) circulando na Internet. Vai que ela caia em mãos erradas? Já pensaram no que pode acontecer se alguém com alguma influência nos meios de comunicação e que compartilhe desse mal gosto a escute e resolva fazer dela mais um novo sucesso? Aí seremos todos obrigados a aturar isso tocando nas rádios!

Quem sabe até – e Deus me livre disso acontecer comigo! – a música vai embalar muitos romances fracassados, e já que o negócio é usar e abusar mesmo, serão muitas outras “paixões descartáveis” (dessas que a gente chama de amor) que ficarão imortalizadas nos acordes dessa canção também descartável e que por ser assim jamais deveria ter sido composta. Pensem nos prejuízos sociais dessa mercantilização do que deveria ser uma expressão artística... E pensem no uso que estão fazendo dos nossos ouvidos!

Posso até imaginar a cena: a gurizada numa tarde quente no Laranjal, admirando a beleza da Lagoa dos Patos, tomando chimarrão no calçadão com o porta-malas do carro aberto e obrigando todo mundo ao redor a ouvir a voz esganiçada dessa criatura, mesclada num repertório que incluirá o lançamento do ano da baiana Ivete, com a última do Armandinho, uma ou outra piada do Pretinho Básico pelo meio e, quem sabe mais um remix (talvez agora na versão funk) do refrão repetitivo na voz de Pedro Bial: “Use filtro solar. Use, u-use, use filtro solar”.

Okai. Use filtro solar, mas... pliiiiissss. (Não) me use neste verão, não!