Mostrando postagens com marcador Shows. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Shows. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Rita and roll

Ícone feminino do rock, Rita Lee sobe ao palco para tocar e cantar os hits que o público quer ouvir. Tudo pelo prazer de fazer as pessoas terem prazer com ela.

O Tremendão Erasmo Carlos diz que ela chutou o pau na barraca da mesmice. Ela diz que segue na “mesmice de sempre”. Só que a mesmice de Rita tem alma de mutante e não dá lugar ao tédio. Nessa turnê de hits, Rita revira o baú – com uma bagagem de mais de 40 anos de estrada - e apresenta as canções que as pessoas querem ouvir, previstas no repertório ou tocadas à pedido da plateia.

Sucessos de todas as fases da carreira com lugar cativo no gosto do público aparecem mescladas com músicas como Bwana (que ganhou nova versão: Obama), Cor de rosa choque e Tão (do mais recente trabalho). Ainda há espaço para releituras, como a clássica Baby, de Caetano Veloso, Vingativa, das Frenéticas e O bode e a cabra, versão “vestida de forró” de I wanna hold your hand, dos Beatles.
Releituras e novas versões à parte, há coisas que nunca mudam em Rita Lee (para a alegria de sua legião de admiradores). Ela continua excêntrica bem-humorada e, sobretudo, aos 61 anos de idade, continua se divertindo nos palcos com a mesma intensidade dos primórdios ao lado d’Os Mutantes Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. O que lhe dá tesão na vida profissional? “O prazer de fazer as pessoas terem prazer comigo”, responde em verso na entrevista concedida ao Zoom por e-mail.

Pelotas e Porto Alegre são as duas cidades gaúchas que irão assistir à apresentação do CD e DVD Multishow Ao Vivo Rita Lee, lançado pela Biscoito Fino e gravado a partir do show Pic Nic, registrado pelo canal de TV Multishow no Rio de Janeiro em janeiro desse ano.
A cantora sobe ao palco em família, acompanhada nos vocais e guitarras pelo marido Roberto de Carvalho e pelo filho Beto Lee. Diz que trabalhar em família não atrapalha. “Se atrapalhasse não estaríamos os três juntos há mais de dez anos…”

A banda ainda é formada por Benno di Napoli no baixo, Edu Salvitti na bateria, Danilo Santana nos teclados, Débora Reis e Rita Kfouri nos vocais.

O show é uma realização da Opus Produções financiada através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


As drogas e o “politicamente correto”

A pergunta é curta: “quem é hoje no País a revelação do rock? Poderia ser a Pitty?” A resposta não contraria: “Sim, além da Pitty há muita moçada que ainda não teve oportunidade de mostrar seus trabalhos. Ainda bem que cada vez mais a ‘net’ é a grande vitrine para os músicos do planeta.”

Apesar de ser uma referência, Rita não opina “contra quem ou o quê o rock deve protestar nos dias de hoje”. “Não sou dona nem do rock nem do protesto”, limita-se a responder. Ainda assim, combate clichês e é firme ao defender que o “politicamente correto” nem sempre é o correto, mantendo em riste a bandeira de liberdade que erguia na juventude – cabelos vermelhos ao vento – sob o slogan “sexo, drogas e rock and roll”. “Desde os tempos dos egípicios a humanidade faz uso de drogas, meu bem… eu acho que essas tais campanhas de conscientização são de uma hipocrisia ímpar. Todos sabem que o álcool é a droga que mais mata e no entanto continua liberada, inclusive com propagandas bacaninhas acrescidas de apenas um milésimo de segundo onde há o tolinho ‘se beber não dirija’. Oras, nem meu cachorro acredita nessa cretinice.”

E continua: “No meu tempo vivia-se sob a claustrofobia de uma ditadura barra pesada, portanto a bandeira do ‘sexo, drogas e rock and roll’ significava respirar ares de liberdade. Hoje em dia há todo tipo de informação, quem quiser se informar que se informe e se quiser experimentar já estará sabendo o que lhe espera. Além do que as drogas hoje pertencem ao crime organizado. Ou se libera ou se proíbe tudo, mas continuar no cinismo de que o governo quer ‘proteger’ os cidadãos é tentar enganar meu cachorro.”


Imperdível
O quê: Show Multishow Ao Vivo – Rita Lee
Quando: hoje, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: os ingressos antecipados estão à venda nas Lojas Krause (avenida Domingos de Almeida e rua 15 de Novembro) a R$ 140,00 (plateia) e R$ 120,00 (camarotes). Idosos, estudantes e professores têm direito a 50% de desconto.

terça-feira, 26 de maio de 2009

A Roda Viva carrega a saudade pra lá

Tem dias que a gente se sente… com vontade de escutar Chico Buarque, não é verdade? E nem adianta ir contra a corrente, até não poder resistir. Se amanhã for um desses dias para você, caro leitor, eis a boa notícia: tem show da banda Roda Viva no João Gilberto.

Formado em 2003 por jovens porto-alegrenses de 20 e poucos anos, o sexteto faz um tributo ao ícone na MPB Francisco Buarque de Hollanda, o Chico. Com intervenções modestas, poucas variações aplicadas aos arranjos originais – afinal, pra que mudar o que foi bem feito? – o show é um momento especialmente dedicado à apreciação de um legado musical farto e de fácil identificação com o público, não importa a idade. “Quem quiser uma música que tenha a ver com qualquer momento da vida certamente vai achar alguma no repertório dele”, diz o vocalista Zé Leandro que acredita que a banda tem contribuído para renovar os ouvintes chicobuarqueanos. “A gente tem conseguido atrair a atenção de um público que estava até carente de músicas com essa profundidade”, comenta.

Entre sambas e outras bossas - canções que a banda levará ao público esta noite - ficam de fora as do mais recente CD de inéditas Carioca, lançado em 2007. Daí para trás, eles fazem um apanhado geral do cancioneiro. O que é mais difícil ao interpretar Chico? “As músicas têm muitos acordes, e acordes muito elaborados. Mas é ótimo”, diz o porta-voz da banda.

Os desafios, sem dúvida, fazem parte da essência musical peculiar do compositor que brinca de desconstruir modelos de harmonia convencionais e, principalmente, foge dos refrões. “Quando a gente pensa que vai entrar o refrão ele vai para outro lugar da música”, fala o intérprete que se satisfaz ao dar voz à poesia de Buarque, com seus versos de complexidade simples, e sua visão apurada sobre vários aspectos da vida. Falar do cotidiano, aliás, é algo que o poeta faz com maestria, o que me faz lembrar os versos Todo dia ela faz tudo sempre igual…

O show de hoje no bar e champanharia João Gilberto marca o encerramento do Seminário sobre Responsabilidade Ambiental do curso de Biologia da UCPel e a abertura da Semana do Meio Ambiente. A abertura estará à cargo da banda pelotense Nação Suburbana.


Projeto paralelo

Com outras duas bandas da capital gaúcha – a Tribo Brasil e a Carne de Panela – o grupo Roda Viva integra o projeto O Maestro, o malandro e o poeta, onde o repertório de Chico Buarque é apresentado ao público bem acompanhado por canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim.

A estréia do projeto foi em abril desse ano no palco do Theatro São Pedro. As bandas já tem vários outros shows marcados para esse tributo triplo, por enquanto todos em Porto Alegre. Mas, quem gosta pode ficar ligado porque a intenção dos idealizadores é levar o projeto para viajar por palcos fora da capital.

A Roda Viva é formada por Lucas Dellazzana (bateria), Jeferson Azevedo (percussão), Juliano Luz (contrabaixo), Felipe Bohrer (violão), Vinícius Serrão (cavaquinho e bandolim) e Zé Leandro (vocal).


Prestigie!

O quê: show da banda Roda Viva – Tributo a Chico Buarque (abertura com a banda Nação Suburbana)
Quando: amanhã, a partir das 22h
Onde: no bar e champanharia João Gilberto (rua Gonçalves Chaves, 430)
Quanto: ingressos antecipados custam R$ 10,00 e estão à venda no restaurante Teia Ecológica (na praça Coronel Pedro Osório) ou no Posto do Guga (rua General Osório esquina avenida Bento). Informações e telentrega de convites pelo telefone 8111-2098.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa |Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 26 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Margem

Eles vêm da “terra dos pés vermelhos” dispostos a desviar as margens e, pela música, atravessar fronteiras. O músico e compositor gaúcho Cláudio Joner e o compositor, cantor e violonista da província argentina de Misiones, Gastón Nakazato, apresentam para o público pelotense neste domingo A Margem.

Eles não chegam sozinhos, mas acompanhados do também argentino Marcelo Perez (teclado e sax), do percussionista passo-fundense Sandro Cartier e do guitarrista Léo Chitolina, que como Cláudio Joner é nascido no município de Santa Rosa, a 40km da fronteira.

Lá, na beira do Brasil com a Argentina, surgiu o projeto A Margem, que brinca com conceitos e pré-conceitos no jogo de palavras que remete às margens do rio Uruguai e à marginalização cultural que sofrem os músicos daquele que é “o fundão verde amarelo com o esquecimento azul e branco no meio do barro de uma terra pra lá de vermelha”, como define Joner.

O vocalista e contrabaixista é um dos fundadores da banda porto-alegrense Estado das Coisas, criada em 1994 e protagonista do projeto Rock de Galpão, que repaginou várias músicas do repertório nativista gaúcho em parceria com o músico alegretense Neto Fagundes, e vem cada vez mais ganhando público pelos palcos do Sul do Brasil.

Joner chegou a participar da produção desse projeto, mas saiu do grupo e retornou a Santa Rosa em 2006, onde idealizou A Margem, que de certa forma segue a mesma corrente “folk-rock” - a união do folclórico latino-americano com o pop-rock, que pode-se dizer “universal”.

Nesse espetáculo, ele e o quarteto passeiam pela fronteira eletroacústica com influências diversas: de Nelson Cavaquinho a Fito Paez, de Renato Russo a Piazzola, de Luiz Carlos Borges a Jorge Drexler. E o que será que os Beatles tem a ver com tudo isso? Joner explica: “nós não deixamos de ouvir o que vêm de longe, como os Beatles, lá de Liverpool. Tocamos coisas que a gente ouve desde a juventude”, diz ele, outro remanescente do fenômeno “Beatlemania”.

O resultado desse flerte globalizado entre a língua portuguesa e a espanhola é uma apresentação de timbres modernos com canções autorais e versões brasileiras e gringas. Em “portunhol”, que seja, mas com muita sonoridade.


Prestigie!

O quê: Sesc Música – Cláudio Joner & A Margem
Quando: neste domingo, dia 17, às 20h
Onde: no Teatro do COP (rua Almirante Barroso, 2.540)
Quanto: R$ 5,00 para comerciários, estudantes, professores e idosos; R$ 7,00 para empresários do comércio de bens, serviços e turismo; R$ 10,00 para o público em geral. Ingressos antecipados podem ser adquiridos antecipadamente no Sesc Pelotas (rua Gonçalves Chaves, 914).


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 7 |Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 14 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Quebraceira no Sete

A rotina dos músicos Lucian Krolow, Guilherme Ceron, Hamilton Pereira, Fernando Leitzke e Renato Popó é agitada. Lucian toca na banda do Exército e no grupo de Choro Reminiscências. Guilherme trabalha como compositor, arranjador e instrumentista para músicos nativistas e vive com uma agenda cheia de festivais. Hamilton tem uma escola de música. Fernando se apresenta como instrumentista em festivais, além de manter um projeto de Música Popular Brasileira com outros músicos na capital do Estado. Popó é um dos bateristas mais ecléticos da cena musical pelotense. Pode ser visto na companhia de diversas bandas que se apresentam na noite por aqui, de diversos estilos, do rock à música nativista.

Entre outros projetos paralelos, juntos eles são o Quebraceira, grupo instrumental que estará amanhã no Theatro Sete de Abril, em mais uma edição do projeto Sete ao Entardecer.

Se eles mal têm tempo de se reunir para ensaiar, como confessa logo de cara o baixista Guilherme Ceron, disponibilidade para posar para uma foto para o jornal então, nem se fala. A espontaneidade é a principal marca do grupo. “A Quebraceira é uma coisa muito natural, e é justamente isso que faz o grupo dar certo. A gente se junta pra tocar e pronto”, disparou o porta-voz do grupo em entrevista concedida ao Zoom, Guilherme Ceron, não muito à vontade ao ser fotografado sozinho.


O som que a Quebraceira tem

A proposta de trabalhar a música instrumental brasileira abre para o grupo um amplo leque de possibilidades. “A gente toca jazz, e jazz quer dizer pop, popular. O jazz brasileiro é uma forma de reunir um monte de coisas”, diz o músico ao citar alguns dos ritmos que entrarão no repertório deste show, como baião, samba, choro, chacarera e salsa. “É o que a gente toca quando se reúne”, conta ele.

Se no começo as principais influências foram compositores famosos como Tom Jobim e Hermeto Pascoal, com o passar do tempo a Quebraceira apostou na pesquisa de nomes menos conhecidos. No repertório de amanhã estarão composições de João Donato, Daniel Sá, Arismar do Espírito Santo, Guinha Ramirez e do Sardinha´s Club, além da música 18 de Maio feita pelo pelotense Possidônio Tavares como presente de aniversário ao flautista Lucian, e a música Ressalsa, composta por Lucian e Fernando em uma noite no Laranjal.

O nome enigmático – “Quebraceira” – foi inspirado em uma música de mesmo nome, de autoria de um grupo instrumental de Passo Fundo (terra natal de Ceron) chamado Doutor Cipó. Ela fazia parte de um CD de “demos” e acabou entrando para o repertório do quarteto, hoje um quinteto, logo nas primeiras apresentações. Com o tempo foi assimilando novos significados, que identificam o estilo da banda que gosta de “quebrar” padrões. “A gente volta e meia está inventando modinhas ritmicas”, diz o músico.

Criado em 2005, o Quebraceira estreiou no ano seguinte no palco do auditório do Instituto de Artes e Design na UFPel (IAD) com a formação de baixo, guitarra, flauta e bateria.

No início contava com com o baterista Vinícius Moura, que deixou o grupo em 2007 e foi substituído por Popó. O pianista Fernando Leitzke, depois de algumas participações especiais, acabou virando membro oficial. “O piano preencheu um espaço muito bom. Ele sustenta a música e deixa o baixo e o violão mais livres.”

Apesar de ser intrumental, Ceron não acredita que o som da Quebraceira imponha barreiras ao público leigo. “De forma alguma tentamos fazer uma música erudita. O erudito foca em um padrão enquanto a música popular é livre, é pessoal. Essa é a diferença e entre essas, nós fazemos música popular.”


Prestigie!

O quê: Quebraceira no Sete ao Entardecer
Quando: terça-feira (5) , às 18h30min
Onde: no Theatro Sete de Abril
Entrada franca


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fruet e os Cozinheiros


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

Tigra


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Gabi vai tocar! Gabi vai tocar!

A Gabi ficou bonita na foto (que ela ainda vai me mandar pra eu postar aqui).
A matéria abaixo é da Elen Salaberry, publicada na capa do caderno Zoom do Diário Popular.


A frase já é conhecida por fãs de rock alternativo em Pelotas. Gabi vai tocar! é sinônimo de que Gabi Lima vai reunir alguns de seus amigos em um bar para, além de dedilhar seus vários instrumentos, soltar a voz em canções próprias e covers inusitados. O trabalho é experimental, mas virou uma referência na cena underground pelotense. Quando a Gabi vai tocar todos já sabem: aí vem algo inesperado.

Os próximos encontros estão marcados. Amanhã o show é no Bar do Porto, às 20h30min, e promete ser totalmente acústico. "O Gabi vai tocar é um show voz e violão, onde eu faço cover de músicas populares e outras não tão populares assim." Quem aparecer por lá vai conferir de Jackson 5 até Britney Spears, passando pelas menos conhecidas Misfits e Rilo Kiley.

Já no dia 6, Gabi se reúne com Solano Ferreira (baixo) e Daniel Ortiz (bateria) e a GRU invade o palco do João Gilberto para abertura da apresentação de Fruet e os cozinheiros. Na versão plugada, a banda traz algumas músicas compostas pela guitarrista e vocalista. "Com a banda é mais fácil mostrar as músicas próprias, porque você está tocando junto com os outros, participando de algo maior. É mais propício", revela Gabi.


Musicalidade experimental

Baixo, violão, guitarra e bateria são apenas algumas das diversões artísticas de Gabi Lima, que também transita pela publicidade, sua formação acadêmica, e pela fotografia. A vontade de experimentar começou cedo. Ainda com 14 anos, Gabi entrou para a primeira banda e desde então investe na composição. "Eu adoro o rock alternativo americano dos anos 90 - Everclear, Smashing Pumpkins, Counting Crows - é o que eu cresci escutando. Gosto de pensar que minha música parece com essas minhas influências."

Atualmente, além do trabalho solo e com a GRU, a publicitária gravou os vocais do último CD da banda Água de Melissa, Meia verdade. "Sou vocalista da Água de Melissa, há um ano, eles já existiam bem antes de eu entrar e têm uma identidade musical bem interessante." A aventura como fotógrafa do Pato Fu também lhe rendeu um novo parceiro de composição, John Ulhoa. "Um dia ele veio com uma música que tinha feito e que tava pela metade. Eu fiz mais um pedaço da letra e da melodia." A musica se chama Can't fool me e Gabi a toca com orgulho em seus shows.


Mestre-cuca

Atração principal do show no João Gilberto, dia 6 de maio, Fruet e os cozinheiros promete misturar os diversos ritmos brasileiros com uma pegada roqueira, uma pitada de groove e algumas xícaras de pop. A banda porto-alegrense brinca com os estilos e, com isso, conquistou quatro estatuetas do Prêmio Açorianos de Música no ano passado.

A apresentação, que divulga o CD independente O som do fim ou tanto faz, abrange desde baladas de amor a canções mais dissonantes e pesadas. No repertório, basicamente composições próprias, contando com algumas versões de autores como Jards Macalé, Tânia Maria e Stevie Wonder.


Texto: Elen Salaberry | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 30 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Aaaaaaaah, Pouca Vogal

Para quem foi ao Theatro Guarany, na terça-feira passada, esperando ver um show “parado” da versão acústica resultado da fusão e redução - dita provisória - das bandas Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem, uma agradável surpresa. A autointitulada “menor banda do rock gaúcho” - com um repertório bastante eclético para ser definida apenas como “banda de rock” - agradou o público pelotense mestiço e órfão das duas bandas-mãe (que não acabaram “oficialmente”, mas também não têm previsão de voltar a se reunir).


Foi um espetáculo musical daqueles de se cantar do início ao fim, com um repertório que circulou entre a tríade das velhas canções de Engenheiros e Cidadão - as bandas “preferidas” dos dois músicos em novas versões - e as inéditas do Pouca Vogal. Canções como Somos quem podemos ser, Pinhal, Música inédita e O amanhã colorido marcaram a noite com belos coros da plateia.

Difícil acreditar que o público estivesse cansado da “mesmice” de anos de carreira a fio alegada pelos músicos, mas eles estavam a fim de sair da rotina de composições musicais que seguiam sempre a mesma linha, e a inovação parece ter vindo em boa hora.

Inspiradíssimos, Duca Leindecker (líder da Cidadão) e Humberto Gessinger (líder dos Engenheiros) subiram ao palco em traje a rigor - com ternos risca de giz, respectivamente nas cores vermelho e azul, e tênis. Com esse visual, levaram ao público uma energia musical que vibra em harmonia na dualidade do talento e da personalidade que existe entre os dois. “Força e delicadeza / sonho e precisão…

Versáteis, mais soltos no novo formato e livres da velha proposta musical a que estavam agarrados há bastante tempo, Gessinger e Leindecker apresentam uma ousadia melódica antes apenas esboçada em algumas músicas e arranjos avulsos.

No clima minimalista do cenário, entre parênteses, entre aspas, os azuis, vermelhos, lilases e amarelos se alternaram para conquistar também os olhares do público que ouvia atento Humberto arrasando nos acordes de harmônica e viola caipira.

Mais que um show para ouvir, Pouca Vogal possui impacto visual para ser apreciado, com elementos de encher os olhos como os malabarismos de Duca no violão. Com um som diferenciado, ele deu uma roupagem moderna para Toda forma de poder, do primeiro álbum dos Engenheiros lançado no remoto ano de 1986. Já Refrão de um bolero teve as características de blues ainda mais evidenciadas com os efeitos de guitarra acompanhando o teclado de Gessinger.

Pelo que se viu, seja para as críticas dos fãs que não aprovaram o novo estilo (e nem foram ao show, provavelmente), ou para a apreciação daqueles que estão curtindo o novo som, a mudança parece não ter volta.

P.S.: para quem já está com saudade dos Engenheiros, os 25 anos da banda estão aí e há quem aposte que Humberto voltará a se reunir com os outros integrantes para as comemorações da data. Para os fãs de Cidadão, o baixista Luciano Leindecker se recupera bem do transplante de medula que fez recentemente, e segundo o irmão, Duca, ele poderá vir a se juntar com o duo Pouca Vogal assim que tiver condições de saúde. É só esperar pra ver.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Gustavo Vara | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 7 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de abril de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Um show para chamar de Nosso

Ela esteve à frente de uma verdadeira “fábrica de hits” - o trio Kid Abelha - por três décadas consecutivas. Agora, com 26 anos de carreira, Paula Toller lança em Pelotas neste sábado o CD e DVD Nosso, marco inicial da sua fase independente gravado no Rio de Janeiro em agosto do ano passado. “Foi um desejo que surgiu naturalmente. O público estava querendo me ver mais de perto, ouvir melhor a minha voz” disse a cantora, em entrevista concedida por e-mail ao caderno Zoom.


Assim, espirituosa e dona de uma sensualidade dissimulada, Paula não perde o sex appeal. Nas canções, se expõe “sem pudores nem frescuras”, como certa vez declarou à mídia. O romance, o ciúme, o desejo sempre temperaram as composições que marcaram época na sua voz afinadíssima, como o clássico incluído no set list do show, Grand’ Hotel, composto por ela e pelo marido, o cineasta Lui Farias (que assina a direção do DVD).

Aos 46 anos de idade - com uma aparência de dar inveja a muitas jovens de 20 - Paula costuma fugir do assunto quando o tema é sua imagem de sex symbol e faz questão de se manter discreta em relação à exposição da privacidade.


Momento íntimo

“Enfim, Só nós...” É com esse comentário que Paula dá o tom ao show do DVD. Nosso é um espetáculo íntimo, um momento intimista entre Paula Toller e seus admiradores. Ela, que está entre as maiores estrelas da música pop brasileira, concretiza nesse novo trabalho a carreira solo que já havia iniciado há dez anos, com o lançamento do CD Paula Toller e retomado com o CD Só nós, gravado em 2007. O título Nosso, aliás, é um anagrama de Só nós.


Para Paula, era chegada a hora de mostrar mais personalidade, “falar em primeira pessoa”. Reflexo disso, a cantora agora apresenta um canto bem mais emocional, segundo ela mesma.

De Nosso, o que mais gosta é relembrar no repertório as canções do primeiro disco solo como Derretendo satélites e Oito anos, feita em homenagem ao filho Gabriel, atualmente 11 anos mais velho. Além disso, não deixa de citar o prazer que sente em estar mais próxima de seu público. “É um show inteiramente ao vivo, sem truques, onde me mostro cara a cara com a plateia”, revela a musa.

A música ? (O q é q eu sou), de Erasmo Carlos, que abriu o repertório de Só nós, também dá a partida em Nosso. O título da música é escrito assim mesmo, em abreviações típicas do idioma de chats, presentes, aliás, em outras letras desse disco.

O show traz ainda parcerias da cantora como em Pane de maravilha, com Dado Villa-Lobos, e Nada por mim, composta com o ex-companheiro e líder da banda Paralamas do Sucesso Herbert Vianna. No set list há ainda toques de samba como na regravação do clássico da MPB de Assis Valente - (...) E o mundo não se acabou - e um pouco de funk-rock com o pout-pourri de Saúde e Só love, de Rita Lee e Buchecha, respectivamente.

Na parte internacional do repertório estão as canções All over, parceria de Paula e Donavon Frankenreiter, e Fly me to the moon, de autoria de Bart Howard. Nos “extras” do DVD há ainda um dueto com Kevin Johansen na interpretação da faixa Anoche soñe contigo.


E o Kid Abelha?

Apesar da pausa, Paula Toller garante que a banda Kid Abelha, marca poderosa da música pop brasileira formada por ela, George Israel e Bruno Fortunato, não terminou. “A banda vai se reencontrar, mas ainda não marcamos nada. As músicas que fizemos estão no coração das pessoas e isso é meu maior tesouro”, afirmou.

George Israel é produtor cultural e também segue carreira solo: lançou em 2007 seu segundo CD, intitulado Distorções do meu jardim.


Não perca!

O quê: Paula Toller - show de lançamento do DVD Nosso
Quando: amanhã (sábado, 25), às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: ingressos à venda por R$ 80,00 na Via Uno (calçadão da Andrade Neves, 1.869) até amanhã às 19h, ou, somente amanhã, na bilheteria do teatro.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ela está de volta...


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

Celso Krause em Porto Alegre


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Som em consoantes

Entre parênteses, depois da vírgula e antes do apóstrofe - símbolos gráficos que fazem parte da marca da banda - a sutileza do som e da poesia de dois músicos gaúchos. Eis o Pouca Vogal - a fusão do essencial de Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem e muito, muito mais.


Essa história começa em um passado distante de encontros e coincidências que ligaram a trajetória de Duca Leindecker, líder da Cidadão Quem, e Humberto Gessinger, líder da Engenheiros do Hawaii, e que inclui participações especiais mútuas em produções de ambas as bandas.

Agosto do ano passado foi definitivo. Por acreditar que “só tensa a corda vibra legal” eles resolveram entrar de cabeça em um novo projeto.

Parece mentira, mas aos 45 anos e com a maturidade conquistada em mais de 20 anos de carreira, Humberto Gessinger admite que, no começo, sentiu insegurança em relação à aprovação do Pouca Vogal. Mais que isso, ele admite que era exatamente essa insegurança que ele procurava sentir de novo, como no Planeta Atlântida desse ano, em que pela primeira vez não se apresentou no palco principal para estar em um ambiente mais recolhido da multidão, onde o estilo do Pouca Vogal soa melhor.

Pode-se dizer que, apesar de apenas um duo, Duca e Humberto formam uma banda completa com direito a cordas, sopro, teclado e percussão. Humberto toca violão, viola caipira, dobro, harmônicas, piano e Midi pedalboard (um teclado tocado com os pés). Duca toca guitarra, violões com “afinações esquisitas” e bombo leguero. Em alguns momentos, quase tudo ao mesmo tempo.
O estilo é folk, experimental, minimalista, intimista se é que dá para ser definido.

Pouca Vogal tem a dinâmica de um jogo, jogado entre duas pessoas que dialogam o tempo todo. Embora musicalmente inovador, a poesia mantém a linha reflexiva que sempre caracterizou as letras de Leindecker e Gessinger. A simplicidade se traduz em consoantes, entre dentes, com a sutileza das poucas vogais, como nos sobrenomes dos músicos.

Quem ainda não conhece esse trabalho, pode conferir oito músicas inéditas, disponíveis para download free, no site . Além dessas, entram no repertório canções da Cidadão Quem e do Engenheiros do Hawaii, em novas versões, claro. Do Engenheiros, entram músicas de várias fases da banda, desde Toda forma de poder, do primeiro disco (Longe demais das capitais, 1986) até mais recentes como Até o fim.

Duca e Humberto concederam entrevista ao Zoom por telefone. Humberto estava em Floripa, onde participou no final de semana de um show do músico Fernando Deluqui. Duca estava chegando no seu estúdio, em Porto Alegre, para continuar a mixagem das músicas do Pouca Vogal que serão lançadas em CD, DVD e Blu Ray em aproximadamente três meses. As respostas mostram o quanto a dupla está afinada no novo projeto.


Entrevista

Diário Popular - Por que a Cidadão Quem parou? A banda tem previsão de voltar?

Duca Leindecker - A pausa da Cidadão e o início do Pouca Vogal foi uma grande coincidência. Paramos por causa do meu irmão, o Luciano, que teve que fazer um transplante de medula e está em tratamento. É um processo demorado. Eu mergulhei de cabeça no projeto do Pouca Vogal. Acho que seria possível conciliar os dois projetos mas atualmente não tenho nenhuma previsão, mas é possível que quando o Luciano se recuperar ele participe da turnê do Pouca Vogal. Não tem como saber o que vai acontecer daqui pra frente e esse é o bom da vida.


DP - Por que o Engenheiros do Hawaii parou? A banda tem previsão de voltar?

Humberto Gessinger - Eu já pensava em dar um tempo depois da turnê do Acústico MTV, mas aí acabamos embalando e veio a gravação do Novos horizontes. A parada acabou sendo meio abrupta. Na verdade esse lance de viagens foi ficando meio pesado. O caos aéreo e a agenda sempre lotada influenciaram muito. Coisas que antes eram relax como viajar até Florianópolis passaram a ser mais cansativas. E aí me deu uma vontade de parar que eu nunca tinha sentido antes. Não tenho previsão de voltar com o Engenheiros do Hawaii. Hoje eu tô 100% concentrado no Pouca Vogal. Para voltar só se for por um lance significativo, uma vontade interna que nesse momento não há.


DP - O que vocês conseguiram realizar musicalmente no PV que nas bandas de origem não podiam?

Duca - Acho que a gente conseguiu, principalmente, fazer uma coisa diferenciada. O Pouca Vogal me fez sair daquela zona de conforto. Na Cidadão a gente estava fazendo um disco atrás do outro e por mais que a gente tentasse fazer alguma coisa diferente, como tentamos no disco Sete, acabava sempre no mesmo formato “bateria, baixo e guitarra”.
Humberto - Essa mudança de ambiente me deu um novo ânimo. Tenho me sentido mais inspirado musicalmente, embora em termos de letra o estilo continue muito parecido com o que já fazíamos antes. Esse formato de duo, com vários instrumentos, me fascina.


DP - O que o Pouca Vogal traz de melhor como herança dessa influência direta das bandas Engenheiros do Hawaii e Cidadão Quem? Quais as principais contribuições de cada um nesse duo?

Duca - Como diria Beethoven: “Isso é a coisa mais satisfatória que consegui fazer com a minha pobre inspiração.” O Pouca Vogal é, na verdade, uma fusão do melhor das duas bandas. O Humberto pra mim é um mestre.

Humberto - O Duca traz uma coisa orgânica, mais relax. Tem uma suavidade musical que é muito agradável de ouvir e muito coerente também. Já eu trago mais o lance da ansiedade, da inquietação, da “encucação”. O Pouca Vogal é a soma dessas coisas.


DP - Quando o Pouca Vogal foi lançado, em agosto do ano passado, o Humberto disse em uma entrevista que concedeu a si mesmo que não pensava em agradar os fãs de Engenheiros do Hawaii, necessariamente, com o Pouca Vogal. Hoje, há cerca de sete meses na estrada com esse projeto, vocês acham que estão agradando os fãs de Engenheiros e de Cidadão Quem?

Duca - Em termos de público, em parte quem já nos ouvia antes nas outras bandas se transfere para esse novo projeto, mas o Pouca Vogal também está agregando um público próprio. Eu concordo plenamente com o Humberto. A arte tem que ser espontânea, não pode ser feita por encomenda se não vira propaganda. As coisas só têm chance de dar certo se forem verdadeiras.

Humberto - Acredito que um artista não serve pra outra coisa a não ser despertar a sensibilidade nas pessoas. O Pouca Vogal é uma nova chance que tenho na carreira de fazer isso de forma diferente. Fazemos um som que não é bem MPB, nem rock. É novidade. É diferente, por exemplo, de quando eu comecei com o Engenheiros, que a gente ia na onda do rock e todo o mundo já sabia mais ou menos o que esperar.
Quando eu disse que não queria necessariamente agradar, queria tirar um pouco a expectativa de cima do Pouca Vogal. Era a sinalização de que se a gente "tava" mudando era pra fazer uma coisa diferente. O grande barato é que a gente vê nascer um terceiro público, que não é nem do Engenheiros nem da Cidadão. É o público do Pouca Vogal.


Não perca!

O quê: Pouca Vogal, show com Humberto Gessinger e Duca Leindecker
Quando: amanhã (21), às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: os antecipados foram vendidos até sábado a R$ 30,00. Até o fechamento dessa edição os organizadores não haviam definido o novo valor que seria adotado a partir de hoje.
Os ingressos estão à venda na Fale Com (rua 15 de Novembro, 657). Desconto para estudantes, idosos e professores apenas mediante a apresentação de carteirinhas oficiais especificadas na legislação, na bilheteria do teatro a partir das 14h de amanhã.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 20 de abril de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Paula Toller em Pelotas

Neste sábado, às 21h no Theatro Guarany, a cantora Paula Toller faz em Pelotas o show de lançamento do primeiro DVD de sua carreira solo, intitulado Nosso.


Ingressos antecipados à venda na Via Uno (Andrade Neves, 1.869) a R$ 80,00 (platéia e camarote).

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Flor (Crescimento)


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O primeiro show

Quem, caro leitor, não lembra do primeiro show que assistiu na vida? A expectativa e a emoção de ver um artista “famoso” de perto é sempre um momento memorável, mesmo que o “perto” signifique muitos metros de distância do palco e que o artista em questão seja visto pequenininho - o real menor do que o que aparece no telão. As luzes, o som alto, a movimentação dos holds no palco… Tudo é novidade para os que debutam como espectadores dos grandes espetáculos.

Pontas dos pés para ver melhor, letras das músicas na ponta da língua. Depois, todos os sacrifícios e toda a paciência do mundo para aguentar a espera valem à pena por um autógrafo e, seguindo a mania contemporânea, uma foto para colocar no Orkut.

Depois que o frenesi todo passa a gente acha graça, às vezes até perde o autógrafo do ídolo, cresce e pensa que é bobagem tanta “tietagem”. Mas sejamos compreensivos com os fãs. Quem nunca tietou, um pouquinho que seja, que atire a primeira baqueta, ou palheta, ganhada de presente e guardada para sempre como souvenir do espetáculo

Penso nisso porque às vezes alguns shows são tão empolgantes que até parecem primeiros shows. Tanto, que até se vê alguns veteranos da platéia terem recaídas. O show dos Titãs, na terça-feira passada, no Theatro Guarany, deve ter sido assim para muitos. Inesquecível para os que tiveram a honra de assisti-los logo no primeiro show da vida (“fenômeno” que se repete muitas vezes com a banda que vive renovando seu público), e também para todos os que assistiram ao espetáculo, não importando quantos outros já tivessem presenciado antes.

Eu estava na beirinha do palco, vendo com detalhes todos os movimentos daqueles ícones do rock brazuca. Como já era de se esperar, Paulo Miklos, Tony Bellotto, Sérgio Britto, Branco Mello e Charles Gavin tiveram o público “na mão” desde o princípio. O show teve também a presença do baixista Lee Marcucci e, substituindo Emerson Villani, a participação especial de André Fonseca (ex-integrante da banda oitentista Okotô e membro não-oficial dos Titãs), guitarrista “nascido e criado nos arredores do Theatro Guarany”, como diria Branco Mello.

A vibração da plateia era intensa já na segunda música, Flores. O show era aguardado desde que a apresentação do álbum Acústico deixou saudade em Pelotas, há 8 anos. Começou leve, com baladas como a regueira Go back, Provas de amor, Epitáfio e Pra dizer adeus. Mas não demorou muito para a banda mostrar sua veia rock´n´roll e underground com Vossa Excelência, Bichos escrotos, AA UU, Polícia e Cabeça dinossauro. A reação da plateia foi imediata.

Não sem bem em que momento o público levantou e não sentou mais. Veio Aluga-se, A melhor banda de todos os tempos…, Homem primata. Para coroar as pegadas de rock, o soar dos primeiros acordes do primeiro sucesso, Sonífera Ilha, bastaram para provocar uma nova onda de êxtase. Já no bis teve Loirinha bom-bril, da banda co-irmã Paralamas do Sucesso, É preciso saber viver, Pulso e Comida.

Faltou no setlist o single inédito Antes de você, de Paulo Miklos, prometido por Tony Bellotto em entrevista ao caderno Zoom. Mas, enquanto se espera o mais novo hit – e os outros do novo CD (em fase de conclusão) - a gente fica com a boa recordação dos sucessos do passado.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 14 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Maré de pop e reggae invade a Festa do Mar

As bandas Papas da Língua e Chimarruts são a atração de hoje à noite no palco principal do Porto Velho

Hoje (dia 9) a noite será regueira em Rio Grande. Na programação da 12ª Festa do Mar, o reencontro de Serginho Moah e companhia, da banda Papas da Língua, com o público da região sul. A noite ainda promete mais, pois a Chimarruts se apresenta logo em seguida.


O show em dose dupla tem tudo a ver com a identidade litorânea da cidade, onde o embalo do ritmo das ondas do mar combina muito bem com o reggae, embora a comunidade rio-grandina preze muito a diversidade musical.

Por isso mesmo o público não deve estranhar o novo repertório do Papas, do álbum Disco Rock, lançado no final do ano passado, e que segue a linha musical do penúltimo disco Um dia de sol (2002). O novo show ainda não está pronto. O de hoje será praticamente o mesmo do CD Ao Vivo Acústico, de 2004. Mas, pelo menos Oba oba e a faixa-título Disco Rock deverão constar no set list junto com sucessos como Blusinha Branca, Viajar, No calor da hora, Sorte, Vou ligar e muitas outras. O hit Eu sei, velho sucesso do ano 2000 que ficou nacionalmente conhecido e estourou em 2006 como trilha da novela Páginas da Vida (Globo) também não deve ficar de fora.

A cara pop da banda, estampada na capa do CD e destacada nas composições não é exatamente uma novidade, como diz o vocalista Serginho Moah. Afinal, Papas sempre foi uma banda eclética, embora tenha despontado no ritmo de reggae com sucessos como Democracy. “A gente nunca foi uma banda de reggae. Nossa intenção sempre foi ser uma banda pop e agora nesse CD eu acho que a gente conseguiu mostrar a verdadeira cara musical do Papas. Mesmo assim, sempre vamos ter nos nossos Cds algum reggae porque a gente também curte essa parada”, disse Moah, em entrevista concedida por telefone ao caderno Zoom.

“Desde o início a gente seguiu o estilo de música que nos seduzia. Começamos em uma época em que já estava sendo deixada de lado essa coisa de fazer música de protesto pra se fazer uma música mais bem humorada. Não que o protesto não seja um papo louvável, mas eu acho que é bom também falar de outras coisas, de amor, de praia, de festa…”, completa o líder da banda que conquistou a platéia gaúcha, e depois o Brasil com um estilo musical bem diferenciado, vencendo, inclusive, as barreiras do mercado da música pop no Rio Grande do Sul, predominantemente roqueiro.

O show novo deve ser lançado no final do mês de maio, em Porto Alegre. Depois viaja para os palcos do Rio, São Paulo e Portugal (onde a música O amor se escondeu está fazendo sucesso) e só depois deve retornar em turnê pelas cidades do interior.


Chimarruts para completar a festa

Depois do show do Papas, a galera vai seguir no embalo com a Chimarruts, que apresenta o repertório do CD e DVD Ao Vivo, lançado em 2007. O grupo formado em 2000 tem nos vocais Rafa Machado, Nê e Tati Portela.

No set list, devem entrar grandes sucessos desde os mais recentes como Versos Simples (do álbum Livre para Viajar, 2005) até os mais antigos como Iemanjá, Saber voar, Deixa chover, Chapéu de palha e Pra ela.


Pra curtir

O quê: show das bandas Chimarruts e Papas da Língua
Quando: hoje, a partir das 21h30min
Onde: no Porto Velho, em Rio Grande
Quanto: ingressos antecipados à venda na rede de farmácias Mais Econômica e, em Rio Grande, na Click Fashion e na Ótica Estima (rua General Neto, 60 e 68, respectivamente). Os valores são: R$ 20,00 para ingresso comum, R$ 50,00 para a área vip e R$ 60,00 para camarote. Todos os ingressos incluem acesso aos pavilhões da Festa do Mar.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 9 de abril de 2009

terça-feira, 7 de abril de 2009

A festa continua...

Com Titãs, “a vida até parece uma festa”. Uma festa com seus altos e baixos, sim, mas sobretudo uma festa com muita alma, muita música. Dirigido por Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves, o filme biográfico da banda - que leva o mesmo título do livro lançado em 2002 (leia-se entre aspas na primeira frase) - já é sucesso de bilheteria nos cinemas do eixo Rio-São-Paulo. Chegará por aqui sabe-se-lá quando ou como. Mas, enquanto espera, o público pelotense poderá curtir uma parte dessa história ao vivo, hoje, no Theatro Guarany.


Além de assistir a fragmentos de um passado marcado por grandes sucessos - sempre presente, ainda que cada vez mais distante - a plateia também fará parte da continuidade dessa história prestes a ganhar um novo capítulo: um novo álbum da banda (por enquanto sem título) deve ficar pronto ainda no primeiro semestre desse ano e pelo menos um single inédito - Antes de você, de Paulo Miklos - poderá entrar no repertório desta noite. “Não tem nada ensaiado, mas vamos tentar”, disse Tony Bellotto em entrevista concedida ao caderno Zoom por telefone.

Com canções arrojadas, composições criativas e influências rítmicas mil, o Titãs mantém na essência o espírito da juventude subversiva que motivou a criação da banda, em plena ditadura militar, no início dos anos 80. “A dinâmica da banda pressupõe uma constante renovação, com inventividade e ousadia. Mas, com o tempo o Titãs criou um estilo próprio, que as pessoas também querem ouvir. O nosso desafio é equilibrar essas duas coisas, trazer novidades sem perder as características da banda”, comentou Bellotto.


A turnê que começa hoje em Pelotas segue para Porto Alegre amanhã e depois ainda irá passar por outras quatro cidades do interior gaúcho antes de rumar para São Paulo. Para Bellotto, os shows pelo Rio Grande do Sul representam uma retomada. “Nos anos 80 era comum a gente fazer isso, mas há muito tempo não dava. Voltar a fazer esse tipo de turnê é um pouco também como recuperar esse espírito de começo de carreira, de pegar a estrada...”, diz ele, lembrando os tempos em que a banda paulista desbravava o cenário underground da música pelo País afora.


Ainda a melhor banda de todos os tempos

Paulo Miklos, Tony Bellotto, Sérgio Britto e Branco Mello - remanescentes da formação original - sobem ao palco hoje com o também veterano baterista Charles Gavin, o guitarrista Emerson Vilanes e o baixista Lee Marcucci para interpretar as canções do álbum Ao vivo MTV (2005), mais um marco na carreira da banda.


Entre os altos e baixos de que se falava no começo, a condenação de Tony Belloto e Arnaldo Antunes em 1985 por porte e tráfico de drogas e a perda do guitarrista Marcelo Fromer, morto em um atropelamento em São Paulo em 2001 na véspera do começo das gravações do álbum A melhor banda de todos os tempos da última semana, são um contraponto às diversas voltas por cima e constantes superações de marcas de vendas de discos.

Titânicos, titânicas e titanetes hão de lembrar diversos episódios da carreira da banda marcados por hits como Cabeça Dinossauro, Televisão, Flores, Os cegos do castelo e Marvin - apenas alguns selecionados aleatoriamente de uma lista vasta. Os fãs provavelmente recordem também da época em que Nando Reis e Arnaldo Antunes (que deixaram o grupo para seguir carreira solo em 2002 e 1990, respectivamente) ainda faziam parte da banda e das duas vezes em que o Titãs tiraram férias, em 1994 e 2000. Ou talvez não lembrem de nada disso, porque depois disso o grupo segue conquistando muitos novos fãs.

“É emocionante ver a garotada de 15, 16 anos cantando nos shows Sonífera ilha, que é uma música que quando nós fizemos eles nem eram nascidos”, diz Bellotto, em referência ao primeiro grande sucesso que foi fenômeno nas rádios e em programas de TV como o do Chacrinha, do Bolinha e do Raul Gil, no longínquo ano de 1984.

Mesmo assim, os 27 anos de carreira às vezes pesam nas costas dos músicos, hoje já quarentões bem diferentes dos adolescentes que se apresentavam com visual extravagante no começo e é inevitável olhar para trás e comentar: “Estamos ficando velhos.”

Será? “Há um desgaste eventual. A gente vai ficando mais preguiçoso de andar na estrada, mas tocar é sempre muito gratificante. É emocionante ver a nossa trajetória contada de uma forma tão envolvente, como foi no filme, e ver que a gente participava de uma época que já passou. Mas a gente vê isso com muito orgulho porque sabe que essa obra permanece”, conclui o Titã, com um prenúncio de vida longa à banda - a melhor de todos os tempos da última semana.


Imperdível
O quê: show dos Titãs (Ao vivo MTV)
Quando: hoje, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: antecipados à venda na Hercílio.Com e na Loja Vivo do Calçadão a R$ 80,00 (valor que poderá aumentar hoje). Estudantes, idosos e professores têm desconto de 50%.
Contato: mais informações pelo telefone 3222-2212.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 7 de abril de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

A vez do rock de garagem

O rock underground terá espaço garantido amanhã na Casa da Música em Pelotas, que será cenário do Garage Rock Festival II. Até porque, como a própria apresentação do evento diz “o rock em Pelotas não para, mesmo que as portas se fechem para ele”. Serão 11 bandas participantes de cinco cidades do Estado em mais de cinco horas de música.


Os estilos são variados: vão do pop punk e rock da Vouten - que vem diretamente de Novo Hamburgo - e da Div-x e da Fou's, de Pelotas, ao som experimental e difícil de definir da também pelotense Freak Brotherz. Passa ainda pelo hardcore da banda lourenciana Clichê, pelo som emo da rio-grandina Plug 3 e pelo hardrock das bandas One Fuckin’ Bus e Fastlove, todas de Pelotas.

A maior novidade, no entanto, ficará por conta das bandas Fermo, de Porto Alegre, Lastweek e Montreal, ambas de Rio Grande, que seguem uma das tendências que mais vêm ganhando força na cena musical atualmente: o screamo. O ritmo é caracterizado principalmente por batidas intensas e guitarras harmônicas rápidas com berros e vozes melódicas o tempo todo. Daí o nome, que vem da palavra scream (grito em inglês).

O screamo não escapa, é claro, de variações conforme a personalidade musical das bandas. No caso da Fermo vem acompanhado da música eletrônica e quando tocado e cantado pela Lastweek se mistura com o metal e ganha ares mais “post-hardcore” (derivado do hardcore).

Assim, em apresentações de 30 minutos os espectadores terão a chance de conhecer um pouco do trabalho cover e autoral de cada uma dessas bandas, que vêm direto das garagens e dos estúdios para garimpar espaços e movimentar a cena musical.

Justificar
Parceria

As bandas que farão parte do Garage Rock Festival II foram reunidas através de contato em uma comunidade virtual na Internet e também por vínculos de parceria.

“A gente costuma fazer intercâmbios, vai tocar na cidade deles e eles vêm tocar aqui ou então às vezes dividimos ônibus para tocar em algum outro lugar. Assim a gente vai se conhecendo e montando a cena musical independente”, fala Rafael Pinheiro, da banda One Fuckin’ Bus e organizador do Festival junto com Vinícius Cassol, da banda New World, que não irá se apresentar.

“Criamos um perfil do Festival e uma comunidade no Orkut e o pessoal foi aparecendo pra tocar”, completa ele. “O ponto forte da cena musical daqui é essa união das bandas porque as barreiras são muitas e é muito difícil fazer tudo sozinho. Por isso a gente não pretende parar por aqui”, disse ainda Rafael.

São esperadas no evento cerca de 300 pessoas de Pelotas e das cidades de origem das bandas visitantes de onde, segundo os organizadores, várias vans já estão com viagens marcadas para trazer o público do Festival.


As confirmadas

Confira as bandas que irão participar do Garage Rock Festival II (a ordem da lista não representa a ordem de apresentação).

Clichê - São Lourenço
Div-x - Pelotas
Fastlove - Pelotas
Fermo - Porto Alegre
Fou's - Pelotas
Freak Brotherz - Pelotas
Lastweek - Rio Grande
Montreal - Rio Grande
One Fuckin’ Bus - Pelotas
Plug 3 - Rio Grande
Vouten - Novo Hamburgo


Não perca!

O quê: Garage Rock Festival II
Quando: amanhã, a partir das 20h
Onde: na Casa da Música (avenida Bento Gonçalves, no Shopping Lobão)
Quanto: ingressos antecipados a R$ 5,00 com os integrantes das bandas participantes ou pelo MSN garagerockfestival@hotmail.com, e na hora a R$ 6,00.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação / Freak Brotherz | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 27 de março de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

Loma, Kako Xavier e Tribo Moçambiqueira

Dia : 29/03/2009
Local : Theatro Sete de Abril
Horário: 20h
Ingresso: No Sesc e na bilheteria do teatro
Valor : R$10,00 para o público em geral e R$ 5,00 para idosos, estudantes e comerciários


Os artistas Kako Xavier e Loma apresentam a cultura afro popular do Sul do Brasil. É a música da Praia.

Depois do show de encerramento do Acorde Brasileiro no Teatro do Sesc, levam adiante o projeto com a Tribo Maçambiqueira.

Baseado nas quadrinhas maçambiqueiras, a banda envolve o público com seus cantos e suas danças. É pura cultura popular.


TRIBO MAÇAMBIQUEIRA

Tendo como ponto de partida a Festa de Nossa Senhora do Rosário, na cidade de Osório, surge no cenário a TRIBO MAÇAMBIQUEIRA, a mais autêntica banda de raiz negra do sul do Brasil.

Da união de cinco artistas que tem em comum a identidade da música afro-litorânea, nasceu a TRIBO MAÇAMBIQUEIRA. Kako Xavier, Mário Duleodato, Paulinho Dicasa, Rafael Brasil e Rodrigo Sorriso, formam um grupo que vem mostrar a todos a sua história com os tambores de Maçambique (ritmo negro do sul do Brasil).

Está no forno o primeiro CD da TRIBO, o repertório da banda é cultural e muito popular. São canções interpretadas por Kako Xavier nos principais festivais de musica regional do sul do país.

A TRIBO MAÇAMBIQUEIRA se formou no final de novembro de 2007. Venceu o Festival de Música latino-americana MUSICANTO e Kako Xavier levou o prêmio de melhor intérprete do festival. Levou seu novo show para a Tafona da Canção, na cidade de Osório/RS. No festival de música de POA, o grupo foi premiado com a canção O SOL E O GUAÍBA. Na última edição da Moenda da Canção, em Santo Antônio da Patrulha, foi premiado com a melhor música na opinião do público. Assim, a cada apresentação, a TRIBO se fortalece como uma banda de cultura popular. Recentemente a banda foi aclamada às margens do Guaíba mostrando seu show na “Romaria das Águas”, na Usina do Gasômetro/POA.

No palco Michelon na bateria, Dão Ribeiro no baixo e Rafael Brasil na Guitarra e viola, Branca e Loir José nas Percussões, Paulinho Dicasa, Marião Duleodato, João Vicente, Nego Jeferson nos Tambores de Maçambique e Kako Xavier na voz e violão.

Salve a TRIBO MAÇAMBIQUEIRA !!!


segunda-feira, 23 de março de 2009

Palavras em flor

A Ana é doce. Quem foi ao Instituto João Simões Lopes Neto na quinta-feira passada assistí-la plantar a semente de seu novo CD não duvida. Ana Mascarenhas subiu ao palco para mostrar ao público suas novas canções, com sinceridade, candura na voz e poesia. Poesia!

Na instigante composição de sombras projetadas na parede a plateia assistiu – ao som dos belos arranjos de Egbert Parada e Silvério Barcellos – ao nascimento não apenas de uma, mas de duas iniciativas que surgem para abrilhantar a cena cultural pelotense na temporada 2009. Apesar dos pesares (falta de incentivos, por exemplo), a safra cultural promete bons frutos graças à criatividade de quem vive de fazer arte.

Para Ana Mascarenhas, o show Plantio foi apenas o primeiro de uma série de quatro pré-lançamentos que levarão à “Colheita”, o show de estreia do álbum Flor Palavra, que deve ficar pronto em dezembro.

Para a comunidade pelotense, a apresentação marcou também o início do projeto Música na Casa do Capitão, que abre mais um espaço para a apreciação do trabalho de músicos daqui, esse no Instituto João Simões Lopes Neto. O projeto, aliás, teve boa plateia (um auditório quase cheinho) na estreia, mas conta com a presença do público também para o sucesso das próximas edições, ainda sem data marcada.

Além de algumas canções conhecidas de seu repertório próprio, Ana Mascarenhas apresentou quatro músicas inéditas do álbum em composição. As meigas, alegres, tristes e românticas Flor Palavra, Outro Norte, Lua de amor e alma e Mãe das águas, todas encharcadas de uma poética peculiar da doce Ana, em letras que exaltam o amor e natureza. Ela, que recusa-se a assumir-se instrumentista, até tocou violão – incentivada pelos músicos com quem dividia o palco – enquanto cantava o refrão que dizia mais ou menos assim: “vou dizer pra Iemanjá que eu tenho medo do mar”. Mas Ana tem mesmo medo de quê? Mesmo com a voz trêmula em alguns momentos, natural para quem estava visivelmente emocionada, Ana mostrou que não tem medo de cantar. De repente a voz doce virou vozeirão e a gente ouviu, com muito prazer, a interpretação de Eu sei que vou te amar, de Tom Jobim. Foi de arrepiar.

Para completar a atmosfera do show, o charme e a originalidade dos detalhes do projeto Flor Palavra, que leva a assinatura da produtora cultural Mãos à Obra, também são dignos de nota: nas poltronas, à espera de cada espectador, um saquinho, uma porção de sementes (de crisântemos azuis?) e uma poesia. Um pequeno mimo para uma bela recepção.

O artista visual Chico Maximila estava lá, captando imagens que irão se transformar em sabe-se-lá-o-quê no final desse projeto em gestação. O público, certamente vai esperar para ver isso e tudo o mais que vai florescer desse plantio.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 23 de março de 2009