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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Linha de Impacto

Quadrinhista pelotense Rafael Sica expõe em Porto Alegre nuances monocromáticas da realidade

A cor é cinza. Cinza-choque. Os traços são inconfundíveis, dão forma à personalidade inquieta de um desenhista "de cara com o mundo". Rafael Sica faz dos quadros uma zona de impacto. Seus desenhos vão além dos limites quadriláteros. Em quadrões e quadrinhos, as densas criações com a assinatura de Sica são versáteis e indiferentes às escalas: se enquadram bem em qualquer situação e nenhum espaço é pequeno demais para caber fragmentos de uma realidade quase sempre desproporcional.


"O que mais me choca é o comportamento das pessoas e como a nossa existência é miserável em todos os sentidos. É uma opinião pessimista, mas é isso aí, a gente tá f... mesmo", diz sem alterar o tom de voz calmo, que contrasta com a acidez das linhas rebeldes e inconformadas.

Seja pela fala, seja pelo traço, as expressões do ilustrador são marcadas pela espontâneidade do realismo escrachado com alguns toques de humor.

Rafael Sica conduz o lápis e a borracha no papel com liberdade. O retrato caricato do mundo real tem lá suas partes borradas, apagadas. Em meio ao caos, à confusão do mundo moderno, a miséria e o vazio se repetem em formas variadas. "Esse vulto branco que aparece em todos os quadros, em cada um de uma forma diferente. Ele é propositalmente um elemento estranho. É algo que eu uso pra deslocar olhar da realidade."

Algumas impressões do cotidiano urbano registradas pelo ilustrador estão na exposição Cinza-Choque, que vai até o final de novembro no Museu do Trabalho em Porto Alegre. Os desenhos vão dos tons de cinza mais escuros ao branco.

Além dos 14 quadros da série, esboços, tiras, e outros trabalhos "de gaveta" fazem parte da mostra que poderá passar por Pelotas após a temporada na capital. A confirmação, segundo Rafael, depende ainda de ajuste de datas e local para a exposição.


Trajetória

De uns tempos pra cá, e não se sabe até quando, as figuras assumiram um caráter mais realista e os quadros, antes saturados, agora sintetizam as percepções em menos elementos. "Isso faz parte da evolução natural e tem tudo a ver com encontrar um caminho no traço", diz ele, que como todo desenhista não sabe qual será o rumo que o próximo risco irá tomar. "Meu desenho está mais definido, essa é uma escolha proposital. Mas de repente tu tens que decidir seguir ou não com aquele esquema."


Rafael Sica nasceu em Pelotas, tem 28 anos e uma carreira ascendente. Seus desenhos já estiveram nas páginas do Diário Popular, ilustraram revistas como Mundo Estranho, Superinteressante, MTV, VIP e Trip... Atualmente podem ser vistos com freqüência no jornal Metrópole, de Salvador, na revista Caros Amigos e no blog Quadrinho Ordinário.

Sica viveu quase três anos em São Paulo antes de se mudar para Porto Alegre, onde mora desde 2006. Segundo ele, o lado positivo de desenhar em um lugar estranho é a possibilidade de enxergar a realidade "de fora". "O que acontece no lugar onde tu nasceu não te choca tanto, porque tu cresce acostumado com aquilo. Aí de repente tu te vê num lugar que não é teu. Por mais que tu te sintas perdido, é mais surpreendente ver as coisas dessa forma."


Confira in loco
O quê: Cinza-Choque, exposição de desenhos de Rafael Sica
Onde: no Museu do Trabalho em Porto Alegre (rua Andradas, 230)
Quando: visitação até o dia 30 de novembro, de terça-feira a domingo, das 13h30min às 18h30min

Confira na Internet * Rafael Sica publica uma tira nova por dia no blog Quadrinho Ordinário
* Para saber mais sobre o Museu do Trabalho acesse o site <http://www.museudotrabalho.org>



Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Imagens: Rafael Sica | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de oububro de 2008

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Fresta


"Não vendo o mundo por frestas lhe posso fazer reparos"
(Leopoldo Rassier)

Publicado originalmente em: http://rafaelsica.zip.net/

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Breve pausa


Quadrinho de Rafael Sicca
Publicado originalmente aqui.

Por falar em Rafael Sicca...

... o cartunista pelotense foi elencado como um dos "118 motivos para se ter orgulho da região", publicados no caderno especial de aniversário do Diário Popular esse ano.


Críticos especializados de quadrinhos e fãs leigos de HQ´s concordam que o cartunista pelotense Rafael Sica tem talento - em tiras - para mais de metro. Destaque mundial nas "webcomics" (tiras cômicas feitas para a Internet), Sica é autor de personagens como o Cara de Plástico e o Sr. Desculpas Esfarrapadas. Seus desenhos já estiveram nas páginas do Diário Popular, ilustraram revistas como Mundo Estranho, Superinteressante, MTV, VIP, Trip... Atualmente podem ser vistos no caderno Folhateen, da Folha de São Paulo, e no blog Quadrinho Ordinário.

Dizem que Rafael possui "genialidade em estado bruto". Dizem que ele tem um "humor ácido". Certo mesmo é que o traço descomportado de Sica não conhece limites para o desenho. Nas suas versáteis proporções, um quadrinho nunca é pequeno demais para caber a realidade.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tirinhas e Tiradas

Recomendo! Para quem curte HQ e humor inteligente, tem muito disso no site Vida Besta, assinado pelo quadrinhista Galvão. :) Sugestão dada inicialmente pela Karinex, no Plurk, e aceita!


quinta-feira, 5 de junho de 2008

Humor e Cultura em Quadrinhos

Revista rio-grandina chega a quarta edição conquistando leitores e colaboradores em vários estados do Brasil.

Em 28 páginas de delírios gráficos, saiu da forma essa semana a quarta edição da revista Idéia. O lançamento oficial será amanhã, no Espaço Cultural Petruzzi, em Rio Grande. Na ocasião ocorre também a 11ª edição do encontro do Grupo de Estudos em Animação da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

A atração musical da noite é o Trio Acústico, formado por Lilian Reckia (voz), Leopa (violão e voz) e Gabriel Gonçalves (percussão). Os três irão apresentar um repertório de pop rock e MPB, garimpado na discografia dos anos 80 e 90.

Editada pelos rio-grandinos Alisson Affonso, Ivonei D´Peraça e Wagner Passos, a revista Idéia é um espaço de desenho experimental, com temática variada e conta, desta vez, com um grande número de colaboradores: ao todo são 11, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minhas Gerais e da Bahia. "A Idéia é feita em formato cooperativado, nas outras vezes tivemos apenas três ou quatro colaboradores, mas agora já tem mais gente engajada", diz Passos, um dos idealizadores do projeto. Como a proposta é manter esse sistema de produção, quem quiser participar pode entrar em contato com a equipe da revista e enviar sugestões ou até o seu próprio material.


De onde vem essa Idéia?

A primeira edição da revista Idéia foi lançada em junho de 2007, para alegria dos fãs e órfãos do Jornal Peixe Frito, que teve quatro edições em 2006 e chegou a ser reconhecido como uma das melhores publicações independentes do País, figurando entre os indicados a Melhor Prozine do HQMix 2007, um dos mais prestigiados eventos do mundo especializados em quadrinhos.

O projeto da revista, idealizado pelo mesmo trio rio-grandino, é mais audacioso - e mais caro - que o jornal, mas a publicação mantém a identidade bem definida nos traços ousados, que marcam a personalidade e o estilo de cada quadrinhista. Um prato cheio para os apaixonados por HQ e por cultura alternativa.


Como adquirir?

A revista Idéia é distribuída em várias partes do Brasil por consignação ou por meio de trocas com produções de outros quadrinhistas, mediadas através do projeto Quarto Mundo.

Também é vendida através do site, com preço de capa igual a R$ 5,00 (o mesmo desde a primeira edição). Quem compra pela Internet ainda ganha de brinde uma caricatura feita por Wagner Passos.


2ª edição da Penitente depende de incentivo

Outra revista em quadrinhos made in Rio Grande que desponta no cenário nacional é a Penitente, protagonizada por um matador de aluguel que depois de morto é condenado a vagar como zumbi e cumprir a penitência de salvar setenta vezes sete vezes o número de inocentes que executou. A primeira edição com histórias do anti-herói, lançada durante a feira do livro da Furg, no Cassino, no início deste ano, já causou certo rebuliço e conquistou boas críticas na mídia especializada em HQ´s. A segunda, está pronta para ir para a gráfica, e de acordo com o criador e editor Lorde Lobo, só depende de patrocínios para cobrir o custo orçado em R$ 1,7 mil para a impressão da tiragem de mil exemplares. "O primeiro número eu banquei sozinho para provar que acreditava no projeto. Agora estou procurando apoio", afirma Lobo.

A revista tem circulação nacional através da distribuidora Comix, e pode ser adquirida também pela Internet, no site ao valor de R$ 4,00. Contatos com o artista pelo telefone (53) 9124-5383.

Lorde Lobo é um dos quadrinhistas que marcou presença extinta revista independente Areia Hostil. O fanzine teve 15 edições que circularam entre os anos de 2001 a 2006, e contava principalmente com colaboradores de Pelotas e Rio Grande. Extra-oficialmente, Lorde Lobo anuncia que este projeto também poderá ser retomado em breve. O site, pelo menos, continua no ar: <http://www.areiahostil.com.br>.


Não perca!
O quê: Festa de lançamento da 4ª edição da revista Idéia e 11° encontro do Grupo de Estudos em Animação da Furg
Quando: Amanhã (sexta-feira), a partir das 20h30
Onde: no Espaço Cultural Petruzzi (Rua Bacelar, 210. Fone 3231-7408)
Atração musical: Trio Acústico
Couvert artístico: R$ 7,50, com direito a um exemplar da Revista Idéia nº 4


Texto: Bianca Zanella | Imagens: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 5 de junho de 2008