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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Reflexos do novo e do antigo no Malg

O Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg) abre as portas de suas salas de exposição a partir de hoje (29) para duas mostras de contrastes: no piso superior, na Sala dos Novos, o artista recém-formado Adrian Nornberg expõe gravuras ambientadas em temas urbanos. No andar térreo, seis décadas de história cobrem as paredes de outras duas salas, na exposição alusiva às comemorações dos 60 anos de fundação da Escola de Belas Artes de Pelotas (EBA). Ambas apresentam bons motivos para serem conferidas.


A cidade ao redor

A psicodelia urbana distorce as linhas retas e rearquiteta a paisagem da cidade no trabalho de Adrian Nornberg, bacharel em gravura formado ano passado no Instituto de Artes e Design da Universiade Federal de Pelotas (IAD/UFPel).

Na exposição Reflexos urbanos ele – que antes de descobrir a gravura preferia a escultura - não esconde a supervalorização da matriz ante ao próprio produto final, numa constante busca por redimensionar as imagens planas. “A gravura tem muito de escultura. Eu começo a fazer os sulcos por um cantinho da madeira, até que as figuras se expandem por todo o espaço”, comenta.
Com foco no processo de “escavação” da madeira, o resultado é um trabalho dualista, composto por reflexos. Frente e verso. Positivo e negativo. Preto e branco.

Mas as cores também aparecem através da técnica chamada “matriz perdida”, que precisa ser repetida o número de vezes correspondente ao número de cores presentes no trabalho.

“A matriz reflete o que eu penso”, diz ele que retrata imagens cheias de solidão, representada por personagens oprimidos – encolhidos ao invés de acolhidos - pelas formas surreais que a cidade assume na correria do dia-a-dia.


Sexagenária

Na exposição comemorativa em alusão aos 60 anos de fundação da Escola de Belas Artes de Pelotas, obras de professores e ex-alunos permitem ao espectador um olhar sobre trabalhos representativos de várias fases dessa trajetória histórica.

A Escola de Belas Artes, fundada em 19 de março de 1949, originou o atual Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas (IAD). No encontro entre o passado e o presente, a instituição e a comunidade, os organizadores esperam cada vez mais fortalecer a identidade desse marco cultural constituído de “belas artes” há seis décadas.

A exposição EBA/IAD 60 anos tem a curadoria da professora Carmen Regina Bauer Diniz.


Prestigie!

O quê: Reflexos urbanos – Gravuras de Adrian Nornberg - e EBA/IAD 60 anos
Onde: no Malg (rua General Osório, 725)
Quando: Reflexos urbanos tem vernissagem hoje (29), na Sala dos Novos, às 19h. Já a exposição do IAD tem abertura marcada para as 18h. A visitação de ambas as mostras pode ser realizada de terça-feira à domingo das 10h às 19h com entrada franca.
A exposição do IAD fica em cartaz até o dia 31 de maio, e a de Adrian Nornberg somente até o próximo dia 18.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 29 de abril de 2009

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A estética sob meus pés

As linhas das calçadas de Pelotas são a base da exposição A estética sob meus pés, que fica no Corredor Arte do Hospital Escola UFPel/FAU até o dia 29 deste mês.


A mostra retrata em serigrafias as texturas das ruas de Pelotas, por onde o artista André Barbachan, estudante de Artes Visuais na UFPel, faz seus caminhos e espalha seus passos.

O Corredor Arte fica na rua Professor Araújo, 538, e pode ser visitado diariamente das 7h às 22h.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

De pernas para o ar sem perder a graça

Assentos quebrados, pernas sem encostos, encostos sem assento… Indispensável na maioria dos ambientes – e muitas vezes sem-graça -, a cadeira aparece com ares renovados na nova exposição do Mapp

Puxe uma cadeira e sente, porque começa neste sábado (18) a exposição que abre a temporada de atividades do Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas (Mapp) este ano. Em Dança das Cadeiras, um dos objetos mais essenciais de qualquer ambiente – a cadeira – ganha o centro da cena de uma forma descontraída.

Peças de descarte, heranças rejeitadas aos recantos menos nobres das casas de família ou, pior, deixadas de lado em galpões ou depósitos de bricks são a matéria prima da mostra.

Uma parceria com vendedores de móveis usados e o Mapp colocou à disposição dos artistas, a preços módicos, o que para olhos leigos talvez não passasse de um monte desordenado de quinquilharias. Para o olhar criativo, inspiração.

As cadeiras foram reformadas, customizadas, decoradas com diversas técnicas. Antiguidades ficaram modernas de novo. Depois da transformação, aquilo que não servia mais e que ninguém mais queria, virou outra vez objeto de desejo. Até alguns banquinhos entraram na dança.

Agora as cerca de 150 criações de mais de 40 artistas, arquitetos e decoradores estão novamente à venda, com um valor que chega a ser três vezes maior que o preço de custo – entre R$ 150 e R$ 200.

Satisfeito com o resultado do desafio lançado aos artistas, o idealizador da exposição, Roberto Peres, cuida dos últimos detalhes da preparação dos cenários que servirão de moldura para os destaques da mostra. “Cada um buscou imprimir seu estilo no objeto”, disse ele, que também é o criador de duas cadeiras.

É o caso de Nina Rosa, que trocou as telas pelo móvel, mas não abandonou sua linha de trabalho inspirada na fauna ameaçada de extinção. “Eu venho pintando animais há vários anos. Na tela é mais fácil por ser uma superfície plana, preparada para receber a pintura, mas gostei muito desse desafio. Esse trabalho valoriza um objeto simples”, disse ela enquando empunhava o pincel para os últimos retoques na cadeira da arara, que faz par com outra estampada de onça. Nenhuma das duas está à venda, pois fazem parte do acervo pessoal da artista.

A criatividade aparece em pequenos detalhes e se evidencia em completas recriações, como a cadeira de rodinhas idealizada por Ivani Knor que, de original, só tem os pés. Encosto e acento foram substituídos por discos de metal.

Em Dança das Cadeiras, porém, estética e conforto dançam no mesmo ritmo, seguindo a tendência utilitária da decoração contemporânea. “Não há conflito entre a arte e o conforto porque a ergometria das peças foi preservada”, destacou o organizador Roberto Peres.

Além das peças customizadas, lojistas participam da exposição como móveis novos. É só escolher a cadeira e ficar à vontade.


Prestigie!

O quê: exposição Dança das Cadeiras
Onde: no shopping Zona Norte (avenida Fernando Osório, 20)
Quando: inauguração neste sábado (18), das 9h às 19h. Visitação até o dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira das 9h às 19h e no sábado (25) das 9h às 13h.
Entrada franca.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 16 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ménage à quatre


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quarta-feira, 4 de março de 2009

RetroSete

Se recordar é viver, vale à pena ver de novo as imagens que encantaram os olhos de mais de 40 mil pessoas em um dos palcos mais queridos do público pelotense. Este mês o Memorial do Theatro Sete de Abril abre as portas para uma exposição de fotos, folderes e cartazes dos espetáculos que marcaram o ano de 2008.


Ao todo, foram 143 atrações entre dança, teatro e música. Desses, quase todo frequentador da Casa tem o seu preferido: “A gente vem ver tanta coisa… Lembro do Aires de España. Foi lindo!”, diz a professora Tânia Morselli ao lado da filha Luiza. “Teve muita coisa legal no ano passado, pena que não deu pra assistir tudo o que eu queria”, diz o estudante de música Rafael Rodrigues. “Lembro do Festival de Teatro, do show do Vitor Ramil, da Freak Brotherz…”

A professora Denise Peres, que mora na rua do Theatro, não deixa de conferir a cada passada os espetáculos em cartaz e já se interessou por Inquieto Coração, monólogo que inaugura a temporada cultural do Sesc na cidade em 2009, no domingo. “Ano passado eu vim todos os dias do Festival de Shakespeare do Sesc. Cultura é sempre importante, e o teatro é algo maravilhoso! Tomara que esse ano tenha mais”, deseja ela, que incentiva os amigos a frequentarem o teatro e, sempre que pode, leva os alunos para assistirem espetáculos também.

O que passou

Foi um ano de agenda cheia no Sete de Abril, e de muitas emoções, como na ocasião da homenagem à maitre de balé Dicléa de Souza. Chico Anysio fez a platéia dar gargalhadas.

No comecinho de dezembro Vitor Ramil se reencontrou com o público pelotense depois de 15 anos sem fazer um show solo, na apresentação que teve maior público no ano: mais de 600 espectadores se deliciaram com a bela imagem do músico na penumbra cantando, de novo, as velhas canções das quais estávamos sentindo saudades.

O convite do Memorial a prestigiar a exposição é também para aqueles que não puderam estar no Theatro às terças-feiras e deixaram de prestigiar boas apresentações de talentos locais. Quem perdeu, pode ver agora como foi o show da Banda Mídia, do Rodrigo Madrid e de tantos outros que passaram pelo Sete ao Entardecer. Durante a mostra, o Memorial exibe as gravações do projeto, realizadas e transmitidas pela TV UCPel.

Parece que faz tempo… Quem visita a exposição pode ainda recordar ainda os bons momentos do II Encontro de Teatro de Pelotas e do Festival Universitário que, sem dúvida, são grandes marcos na nova história das artes cênicas de Pelotas que os artistas daqui pouco a pouco vem tentando escrever.

Depois de tudo isso, é só esperar pelo que vem por aí em 2009.


Para ver e recordar

O quê: Exposição RetroSete 2008
Onde: no Memorial do Theatro Sete de Abril (rua 15 de Novembro, 560 A)
Quando: até o fim de março, com visitação de segunda a sexta-feira das 13h às 18h.
Entrada franca


Veja também

Parte da mostra RetroSete pode ser conferida pela Internet, no site www.teatrosetedeabril.com.br. Para acessar, clique no link Memorial/exposição do mês e exposição virtual.


Fique ligado!

Na próxima terça-feira, 10 de março, começa a temporada 2009 do projeto Sete ao Entardecer, às 18h30min, com entrada franca. A primeira atração do ano será a banda convidada Soul da Silva.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cofre


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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A sofisticação da cor

Quem vê as criações de Francis Silva pode entender o significado da expressão “células de cor”, cunhada pela artista plástica para descrever a unidade básica de seu trabalho.

Em cada quadro, as pequenas manchas multicoloridas de tinta acrílica justapostas dão origem a formas disformes e distintas sobre o papel. A imperfeição dos contornos, a singularidade, faz pulsar o dinamismo das obras em cores vibrantes. Quase como se os corpos gerados pela cor fossem além da estática do papel, se reordenassem a cada instante diante dos olhos, reinventando as formas, como se dotados fossem de movimento.


Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e pós-graduada em Patrimônio Cultural pela mesma instituição, Francisca Silva - de nome artístico Francis - expõe pela terceira vez no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) até o dia 4 de março.

Nascida na cidade de Santa Fé, em Rio Grande do Norte, a artista vive em Pelotas desde 1996 e é uma confessa apaixonada pela arte e pela cultura popular nordestinas. “Lá no Rio Grande do Norte a arte, a dança, o teatro sempre foram presentes no nosso meio. As artes, para mim, eram uma experiência silenciosa e individual”, relata a artista.

No currículo, além de diversas exposições individuais e participações em coletivas, consta a conquista mais recente: o prêmio na etapa regional do Salão Jovem Artista, promovido pelo grupo RBS em parceria com o Banrisul e o Governo do Estado.

A obra vencedora - Termogenia em Sul - é justamente o retrato das influências do meio sobre a atividade criativa. “Somos todos impregnados de uma memória celular e genética e de uma memória que registramos em nossas vivências. A temperatura é para mim uma grande influência. As cores do sul, do frio, do inverno são coisas com que convivo e que só me acrescentam. Até ajudam a me aquecer”, afirma ela, ainda que guarde na essência de suas expressões as imagens tropicais: as falésias características da paisagem litorânea, o céu, o mar, a seca e o calor fazem parte de um mosaico que ela reúne em formas inclassificáveis - nem abstratas nem figurativas - lembrando a tradição das areias coloridas.


Arte de cordel

“Nasci e cresci no meio de contadores de história. A partir dessas leituras de cordel tive acesso à arte, através dos gravuristas”, lembra Francis que, apaixonada pelas ilustrações das capas dos cordéis, resolveu incluir na exposição cinco obras de sua coleção de xilogravuras. A parte do acervo é assinada pelo aclamado gravurista João Borges, e também por seu irmão e filhos.


Representadas através da técnica de carimbos entalhados em madeira, as imagens ajudam a recontar fragmentos da cultura popular nordestina. Estão ali várias cenas da saga de Lampião e Maria Bonita e também dos típicos rituais do Bumba Meu Boi.

“Apesar de ser grande a minha produção, a maioria dos meus quadros é muito grande. Por isso para completar a mostra resolvi incluir essas obras, que são bastante representativas.”

Francis Silva tem uma exposição prevista para breve em Porto Alegre. Por isso, trabalha em ritmo acelerado na produção de obras inéditas. Quem quiser conhecer outras criações da artista pode encontrá-la de segunda a sexta-feira das 8h às 14h no ateliê do Instituto de Artes e Design da UFPel (IAD), na rua Alberto Rosa, 62.


Prestigie!

A exposição de obras de Francis Silva no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) - na rua Professor Araújo, 538 - pode ser visitada até o dia 4 de março, diariamente das 8h às 22h.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Museu da Z-3


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

20 X 20


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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As Letras no Memorial do Sete

Em cena... as letras. Registros de espetáculos que colocaram em evidência a literatura estão reunidos na mostra em cartaz no Memorial do Sete de Abril: Encenando Letras.

Veríssimo, Simões, Drummond... Nomes que já passaram em prosa e verso pelo palco do teatro estão lá, no pequeno beco da rua 15 que nem sempre os passantes se lembram de visitar. Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Shakespeare, Carpinejar e o outro Veríssimo também, isso para citar apenas alguns dos célebres escritores lembrados na exposição inaugurada durante a Feira do Livro e que chega agora a sua última semana.

Ao refletir sobre Fragmentos de um discurso amoroso - obra de Roland Barthes que interpretou em 1988 - o ator Antônio Fagundes falava do temor que sentia. Isso porque "homens, mulheres, jovens ou maduros, não importa o sexo nem a idade, em todos os cantos do mundo, se identificaram e se apropriaram desses discursos de uma forma tão inalienável que deve ser difícil convencê-los de que existe sempre uma outra possibilidade de interpretação além da sua própria". E não seriam todos os livros - os bons livros - assim, reinventados a cada leitura e possuídos por quem os lê?


O que já esteve em cartaz

A coleção de cartazes no corredor estreito convida a andar pelo tempo nos registros do passado.

Lobo da Costa, o poeta pelotense homenageado na mais recente edição da Feira do Livro, teve sua biografia cênica escrita por Valter Sobreiro Júnior que deu a ela o título: Em nome de Francisco, peça encenada em 1986 pelo extinto grupo Desilab.

Naquele mesmo ano a platéia pelotense assistiu a Deus ajuda os bão, com texto de Arnaldo Jabor, e a'Os Sete Gatinhos de Nelson Rodrigues. Lembra?

Fernanda Montenegro, em 1988, foi Dona Doida inspirada pela obra da Adélia Prado. A filha, Fernanda Torres e elenco passaram por aqui com Orlando, de Virgínia Woolf.

Até mesmo o escritor japonês Ryunosuke Akutagawa dá as caras na exposição. Ele foi homenageado pela companhia uruguaia Teatro Eslabón no espetáculo En el bosque.

"Há vários nomes de escritores e atores com renome nacional e até internacional nessa mostra, mas sempre procuramos mesclar também com obras de artistas locais. Tem muita gente que se encontra aqui", diz a historiadora Érica de Lima, que divide a tarefa de organizar a programação de mostra do acervo do Memorial com a bibliotecária Magali Aquino.

A exposição recorda ainda algumas das 16 edições do Cena Literária realizadas desde março do ano passado. O projeto, realizado tradicionalmente na última quarta-feira de cada mês no foyer do teatro, apresenta ao público como elemento de provocação para o debate esquetes inspiradas na literatura.


Prestigie!

O quê: últimos dias da exposição Encenando Letras
Onde: no Memorial Theatro Sete de Abril (rua 15 de Novembro, 560-A)
Quando: até o dia 5 de dezembro, com visitação de segunda à sexta-feira das 13h às 18h30min


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Causa nobre

Uma iniciativa da Associação de Amigos do Museu da Baronesa (Ambar) reunirá daqui a uma semana obras de 30 artistas pelotenses por uma causa nobre. As peças serão leiloadas e a renda será revertida para melhorias na infra-estrutura e projetos do museu que é cartão-postal da cidade. Segundo os organizadores, o objetivo da campanha é angariar fundos para qualificar a estrutura do parque para receber os visitantes e tornar o museu cada vez mais atrativo e interessante para a comunidade.

Entre as obras que serão vendidas - ainda sem lance mínimo estipulado - estão pinturas e esculturas assinadas por nomes como Madu Lopes, José Luiz de Pellegrin, Gianne Casaretto e Stella Mazza, entre outros.

"Como museu de arte, o Museu da Baronesa tem a obrigação de divulgar os artistas de Pelotas" disse a secretária da Ambar, Maria Rita Sampaio, que destacou ainda a mobilização de alunos do Instituto de Artes e Design da UFPel na confecção do catálogo da mostra. Eles também são responsáveis pela produção de um vídeo documentário com os artistas participantes que será exibido no dia do leilão.

O evento será o primeiro ato aberto ao público realizado após a restauração do prédio do antigo Jockey Club. "Por isso, vai ser uma oportunidade para que a comunidade possa conhecer o prédio, que é também uma obra de arte", salienta Maria Rita.
Justificar

Participe!

O quê: Happy hour e Leilão de Artes em benefício do Museu da Baronesa
Quando: terça-feira, 2 de dezembro, às 19h
Onde: no Salão Nobre do antigo Jockey Club (rua 7 de Setembro, 151)
Quanto: R$ 20,00
Informações: pelo telefone 3222-2771


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 25 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Pomerânia é Aqui


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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Patrimônio sob o ponto de vista da educação

Hoje é o último dia para conferir na Feira do Livro, a mostra de imagens Educação & Patrimônio. Organizada pelos professores Fabio Cerqueira e Ester Gutierrez e pelos mestrandos Denise Marroni dos Santos e Alan de Melo, com fotos assinadas pelo mestrando Carlos Cogoy, a exposição retrata momentos das visitas feitas pelos participantes do projeto de extensão Educação Patrimonial (do Instituto de Ciências Humanas da UFPel) a lugares que fazem parte da memória histórica de Pelotas.

Segundo Cerqueira, a mostra destaca a importância do desenvolvimento da educação patrimonial no sentido de proporcionar a preservação tanto dos bens materiais quanto dos bens imateriais, por meio da perpetuação da memória. "Esse trabalho demonstra a importância de qualificar professores para trabalhar na sala de aula essas questões associadas ao patrimônio", afirmou.

A partir de amanhã o Espaço Cultural da Bibliotheca Pública Pelotense na Feira do Livro recebe a mostra A Pomerânia é aqui - Cultura Pomerana e Alemã na Serra dos Tapes.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 11 de novembro de 2008

Superficialidade


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terça-feira, 4 de novembro de 2008

Para conferir na Feira do Livro

As Mãos de Campo, ou Manos del Campo são a inspiração da mostra que inicia hoje e vai até sexta-feira no Espaço Cultural da Bibliotheca Pública Pelotense na Feira do Livro.

Nos desenhos de Adriano Alves e nos pequenos textos escritos por ele e por Otávio Severo, ambos naturais do município de Dom Pedrito, estão representados vários aspectos das lidas campeiras: as mãos que tocam a gaita e o violão, que tramam arreios são as mesmas que passam a cuia do chimarrão, de mão em mão.


"As citações utilizam figuras poéticas, mas não possuem rima. Por isso são chamados versos de 'rima branca'", explica Alves, escritor e também criador das ilustrações feitas pela técnica de grafite sobre o papel.

O conjunto de obras faz parte do livro Pelas Mãos, em fase de finalização e com previsão de ser lançado até o final deste ano.

A exposição também inclui o calendário da quarta edição da Mostra Brasil-Uruguai, que encerra dia 14 com apresentação do intérprete e compositor uruguaio Numa Moraes, às 19h, no palco da Feira.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 6 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 4 de novembro de 2008

X de Charque

"A" de Arroio Pelotas. "D" de doces. "X" de charque, ou melhor, de "xarque". Houve um tempo em que a cartilha era assim. O principal produto pelotense, no auge da tradição charqueadora do município, ainda não havia passado pela reforma ortográfica que o fez pular da penúltima para a terceira posição na ordem alfabética. E era com esse termo que as professoras ensinavam a redação de cartas e, ao mesmo tempo, passavam noções básicas sobre as transações comerciais mais recorrentes na época: a compra e a venda da carne salgada e secada ao sol.

Aprender o be-a-bá no século 19 era uma experiência bem diferente das fórmulas pedagógicas empregadas para alfabetização das crianças de hoje. E é isso o que se pode descobrir na exposição Cultura e Material Escolar, que reúne um raro e curioso acervo dos materiais didáticos com que provavelmente nossos avós ou bisavós aprenderam as primeiras lições.

"Essas peças oferecem uma percepção dos valores que eram transmitidos às crianças até as primeiras décadas do século 20. Por ali é possível observar as regras de conduta moral vigentes, os padrões estéticos da música e do desenho e a própria noção de civilidade que se tinha muito mais forte do que se tem hoje", compara o coordenador da mostra e professor da disciplina de História da Educação do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Eduardo Arriada.

A mostra reúne antigüidades capazes de provocar estranheza para a nova geração e nostalgia para quem viveu no tempo em que as canetas de pena e os tinteiros eram itens de primeira necessidade na lista de material escolar. Afinal, a caneta esferográfica só seria inventada na década de 30 e mesmo quando chegou ao Brasil, dez anos mais tarde, demorou até deixar de ser artigo de luxo para se popularizar nos estojos dos estudantes por aqui.

A lousa portátil - lisa e pautada -, também chamada de "pedra de ardósia" era outro material indispensável na alfabetização. Considerada a "bisavó do notebook", ela servia para que os alunos exercitassem a escrita antes de "passar a limpo" para os cadernos, que eram caros, como explica o professor. Resultado do impacto digital, os exercícios de caligrafia estão praticamente abolidos e a escrita manual, pela falta de prática de escrever em detrimento da grande habilidade que se tem atualmente para digitar, é cada vez mais disforme e substituída pelo padrão dos caracteres do computador. Todos iguais, mas com certeza sem o mesmo charme da rebuscada escrita caligráfica.

No tempo da velha caderneta, a avaliação dos alunos não era apenas quantitativa, pois continha também comentários sobre o desempenho dos estudantes (especialmente quando faziam 'algo errado').

Outra raridade da mostra é a coleção - quase completa - das primeiras edições dos livros didáticos escritos por Érico Veríssimo e uma série de livros de história e geografia que mostram o quanto o ensino está mudado atualmente. Aliás, não apenas a forma de ensinar mudou, como também a própria história e geografia não são mais as mesmas.

A ideologia também era outra: no Hino Republicano ou, pela grafia da época, "Hymno" (como é que se podia ler uma palavra dessas?!) ainda continha a estrofe suprimida em 1966, que se refere à "sermos gregos na glória e na virtude, romanos". Além disso, outra curiosidade: não era o "vinte" e sim o "vento" de setembro tal "o precursor da liberdade" citado no terceiro e no quarto versos.

Diferenças à parte, o responsável por reunir esse acervo chama atenção para as semelhanças existentes na educação daquela época em relação aos dias de hoje. "A escola ainda é uma instituição permeada pela relação aluno-professor", afirma ele, que considera a popularização do material escolar um dos principais ganhos da atualidade. "Os alunos continuam usando lápis, caneta, borracha e cadernos. Com o processo de escolarização das massas esses materiais ganharam qualidade e ficaram mais baratos", avalia. No entanto, ele não dispensa uma análise qualitativa do cenário: "o nível da educação caiu muito. O ensino das matérias da área das humanas foi reduzido bruscamente nos currículos, enquanto a técnica virou prioridade, sob a justificativa de preparar os alunos para a inserção no mercado de trabalho."


Prestigie:

O quê:
5ª Mostra de História da Educação - Cultura e Material Escolar: Práticas de Ensino
Onde: no Instituto João Simões Lopes Neto (rua Dom Pedro II, 810)
Quando: até o dia 8, com visitação de segunda à sexta-feira das 14h às 18h e no sábado a partir das 19h (durante encontro com o músico e escritor Vitor Ramil previsto no calendário do projeto Diálogos na Casa de Simões)
Entrada franca


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 4 de novembro de 2008

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Capa e Contracapa

Começou a Feira do Livro em Pelotas!!!
Não deixem de conferir...


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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Inspiração Simoniana

Instituto João Simões Lopes Neto revela os vencedores do primeiro Prêmio de Artes VisuaisJustificar
Após meses de expectativa, foram anunciados ontem os ganhadores do Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais. A divulgação ocorreu durante a vernissage que abriu a exposição das onze obras finalistas, na galeria de arte do Instituto de Artes e Design (IAD/UFPel).

O artista porto-alegrense Elton Manganelli foi o grande vencedor da noite. Recebeu uma premiação no valor de R$ 6 mil pela obra O Sonho do Sacristão, um conjunto de três telas inspiradas na lenda da Salamanca do Jarau, que passa a fazer parte do acervo do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN). Outros cinco artistas (veja os nomes na lista de premiados) receberam menções honrosas no valor de R$ 500 cada.

O presidente do IJSLN, Henrique Pires, enfatizou que este é atualmente o maior prêmio de artes visuais vigente no Rio Grande do Sul. "É o maior do ponto de vista da valorização do artista. Conseguimos oferecer um bom estímulo com a premiação de mais de 13 mil reais e ficamos muito satisfeitos com a resposta que recebemos da comunidade, pela quantidade e qualidade das obras inscritas", afirmou.

Telas, fotografias e objetos ganharam formas inspiradas nas lendas e nos contos do escritor pelotense. Por entre mantantiais, personagens da dramaturgia, cenários e símbolos da cultura gaúcha foram recriados pelas mãos e olhares dos artistas. Ao todo foram 73 inscritos de diversas cidades do Estado, que se dispuseram a buscar em Simões inspiração.

"Simões é realmente muito inspirador pra mim. Achei muito interessante a proposta do Prêmio, tinha tudo a ver com o meu trabalho", diz a artista plástica Jane Machado, que já criava sobre a literatura de Simões desde 2002. "Eu comecei pesquisando o trabalho de Nelson Boeira Faedrich (ilustrador do livro Lendas do Sul), mas logo desisti da pesquisa. Resolvi que queria criar a minha própria Teniaguá", comenta ela.

"O que mais gostei de ver é que os artistas não fizeram simplesmente ilustrações dos textos. Eles partiram dos contos e lendas de Simões e foram capazes de responder à essa obra de uma forma muito original", destaca Igor Simões, produtor cultural do Instituto.

Segundo Henrique Pires, o IJSLN já planeja uma segunda edição do prêmio. "Essa é a nossa expectativa. Não sei se para o ano que vem ou para o próximo." O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais foi viabilizado por recursos via Lei de Incentivo à Cultura (LIC/RS) com o patrocínio da Copesul e da Braskem, e apoio das empresas "Amigas do Instituto": Colégio Gonzaga, Livraria Vanguarda, Theo Bonow e Caixa Econômica Federal.


Os premiados

Prêmio aquisição
Elton Manganelli (Porto Alegre) - O Sonho do Sacristão

Menções honrosas
Adrian Norberg dos Santos (Pelotas) - Jogo do Osso
Isabel Ramil (Pelotas) - Tudinha e Nadico
Jane Machado (Porto Alegre) - Sem título (da série: As peles de Teniaguá)
João Genaro (Pelotas) - Palangolé Simoniano
Ricardo Garlet (Frederico Westphalen) - Caixa IV

Outros finalistas

Ana Paula Barcelos (Pelotas) - Encarnado Manantial
Kátia Costa (Cristal/Porto Alegre) - Sou Eu, o Homem
Luci Sgorla de Almeida (Porto Alegre) - Transgressão
Pauline Treicha (Canguçu/Pelotas) - Mboitatá
Rodrigo Lobato Schlee (Pelotas) - Tranças Negras


Prestigie:

O quê: Exposição das obras finalistas no Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais
Quando: até o dia 11 de novembro (visitação de segunda a sexta-feira das 8h30 às 19h)
Onde: na galeria de arte do IAD (rua Alberto Rosa, 62)
Entrada franca


Ecos

Estimulados pela proposta do prêmio, mesmo sem interesse em competir, alunos do curso de licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas recriaram os personagens dos contos e lendas simonianos em formas de bonecos. "Trabalhar a obra de Simões através da linguagem da Toy Art foi um desafio proposto para os alunos, e o resultado foi muito bom", diz a professora Maria de Lourdes Reyes, orientadora do projeto.

Os 21 bonecos serão expostos durante a Feira do Livro, e a intenção é que o trabalho venha a itinerar pelas escolas. "Isso tem tudo a ver com o professor. Acho que vai ser legal usar essas criações para contar as histórias", acrescentou.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 22 de oububro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

As novas bossas de Inês Rosenthal

A inspiração vem em flashes, não pára nunca. A fala é agitada, os gestos são constantes e rápidos. Inês Rosenthal também não pára nunca. Sua arte pulsa nas cores e traços abstratos ou semi-figurativos criados pela trajetória do cursor do mouse na tela do computador. A artista de personalidade explosiva, mas que porém persegue a serenidade no ato da criação, a um ano e meio resolveu que não iria mais esperar o tempo da tinta secar.

A artista pelotense só queria encontrar um jeito "de fazer a arte fluir rapidamente", e encontrou. Foi assim. Meio que por incentivo de pessoas próximas, meio que por indicação espiritual, que segundo ela descobriu que poderia incorporar a programas de computador as técnicas aprendidas na academia. "Não tenho a intenção de retratar o cotidiano. Eu nem penso na temática antes de começar a desenhar. Mas depois de pronto eu me vejo, vejo que sou eu ali... E de repente o artista já faz parte da obra, é a própria obra. A arte fica à flor da pele. A vida impulsiona a arte", divaga diante dos quadros que em breve estarão na parede.

Um curto espaço de tempo para uma criação exaustiva, armazenada no HD em forma de mais de 4 mil imagens. "As coisas vão aparecendo, realmente, muito rápido." Das milhares, difícil para a artista apaixonada pelas suas obras selecionar apenas algumas da memória digital sem limites para o limitado espaço físico das paredes de uma galeria. Na tentativa, cerca de vinte telas reproduzidas tiradas do computador para o vinil adesivado estão na sala Antônio Caringi, da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em exposição até o fim do mês.


Bossas

Na vernissage da exposição No Caminho do Mouse, Inês Rosenthal apresentará outras de suas bossas. As filhas Ju e Mel Rosenthal realizam no jardim do Casarão 2 um recital com repertório de sambas e bossa nova. O repertório se vai pela MPB afora. Tom Jobim, Pixinguinha, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Ary Barroso, Cartola... No musical Nosso Samba, o duo de cavaquinho e violão terá a companhia da artista plástica no violino, em algumas participações especiais.


Prestigie

O quê:
exposição No caminho do mouse
Abertura: inauguração conjunta com as demais exposições mensais nas salas da Secult amanhã, às 20h no hall da Prefeitura.
Vernissage: recital Nosso Samba no jardim do Casarão 2 da Praça Coronel Pedro Osório (Secult) após a abertura coletiva das exposições.
Visitação: até 31 de outubro, com entrada franca.