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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Uma ação contraditória

Recebo diariamente releases da Prefeitura aos montes. Pela quantidade e falta de critérios no envio, a maioria acaba indo direto para a lixeira ou eu passaria o dia inteiro selecionando. Um deles, no entanto, chamou minha atenção pelo assunto: saúde bucal na infância. Pensando em uma possível pauta para o caderno Viva Bem, do Diário Popular, abri.

É cômico: a Prefeitura está promovendo uma ação na praia para ensinar as crianças sobre prevenção de problemas bucais. O irônico é que, para atrair o público-alvo até a unidade de saúde onde será desenvolvido o projeto será feita DISTRIBUIÇÃO DE PIRULITOS. Isso mesmo! Dá para acreditar?

Vai entender a lógica de quem teve essa idéia "brilhante"... Dá para ver que a didática utilizada será baseada na prática. Deviam colocar uma faixa: "distribuição de cáries, AQUI"

Segue abaixo o release enviado pela Secom.

Crianças aprendem prevenção em saúde bucal

Quanto mais cedo as crianças aprendem a realizar corretamente a higiene bucal, menos chances terão de desenvolverem doenças como cárie, gengivite e periodontite. Partindo desse princípio a equipe do Departamento de Saúde Bucal da Prefeitura promove no próximo domingo (8), na Unidade Básica de Saúde do balneário dos Prazeres, atividades de prevenção em saúde oral para as crianças.

O escovódromo e as lições sobre os cuidados com os dentes começam às 14h e vão até às 18h. Para atrair a criançada para as atividades, o Programa Primeira Infância Melhor (PIM) estará presente durante todo o dia na UBS com atividades recreativas como pintura de rostos, distribuição de pirulitos e aulas de confecção de bichinhos com balões. O Posto do balneário dos Prazeres fica na Praça Aratiba, 12.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Patrimônio sob o ponto de vista da educação

Hoje é o último dia para conferir na Feira do Livro, a mostra de imagens Educação & Patrimônio. Organizada pelos professores Fabio Cerqueira e Ester Gutierrez e pelos mestrandos Denise Marroni dos Santos e Alan de Melo, com fotos assinadas pelo mestrando Carlos Cogoy, a exposição retrata momentos das visitas feitas pelos participantes do projeto de extensão Educação Patrimonial (do Instituto de Ciências Humanas da UFPel) a lugares que fazem parte da memória histórica de Pelotas.

Segundo Cerqueira, a mostra destaca a importância do desenvolvimento da educação patrimonial no sentido de proporcionar a preservação tanto dos bens materiais quanto dos bens imateriais, por meio da perpetuação da memória. "Esse trabalho demonstra a importância de qualificar professores para trabalhar na sala de aula essas questões associadas ao patrimônio", afirmou.

A partir de amanhã o Espaço Cultural da Bibliotheca Pública Pelotense na Feira do Livro recebe a mostra A Pomerânia é aqui - Cultura Pomerana e Alemã na Serra dos Tapes.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 11 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

1 + X³ = Deus

Se dissessem a você que Deus é um número e que o espaço não é tão absoluto quanto parece, você acreditaria? Chamaria essa pessoa de "louca"? E se dissessem a você que a Terra gira em Justificartorno do sol? Talvez você nunca tenha duvidado disso, mas se tivesse vivido na sociedade da época de Galileu, qual seria a sua reação?

Por mais estranho que pareça, existem pessoas que afirmam categoricamente: tão certo como a Lei da Gravidade é a Lei do Tempo. Pelo sim, pelo não, pelo menos 400 pessoas já inscritas (e você, se for curioso o suficiente) irão ao auditório do Cefet hoje tirar a prova dos nove, em evento promovido pela Faculdade de Educação da UFPel.

"O que vamos fazer é demonstrar publicamente a existência de um novo paradigma. Não é o espaço que é absoluto, e o tempo relativo. É exatamente o contrário: o tempo é absoluto e o espaço é relativo", diz o professor de Matemática do Tempo Annibal Dowgaluk que coloca de cabeça para baixo a teoria "espaço-tempo".

"A gente desde sempre aprende que a ordem dos fatores não altera o produto. Eu penso diferente. A ordem dos fatores é o produto." Em outras palavras, afirma ele, o tempo é a causa, o resto é efeito. "Os ciclos de tempo que convergem na nossa mente criam a realidade. O presente e tudo o que aconteceu antes é simplesmente um prelúdio do agora."

Não apenas isso. A inversão provoca inovadoras formas de percepção do mundo. A Matemática do Tempo é desafiadora. Afinal, provavelmente você também acredite que o espaço separa as coisas, certo? Errado. A noção de distância, para os que acreditam no paradigma tempo-espacial, é mais um equívoco provocado pelo paradigma espaço-temporal. "A distância é o que nos une, e isso não é mera filosofia, é fato. O espaço não é mais que a sombra que projeta o tempo no seu perambular pelas praias da consciência". Entendeu?


Nós e o tempo

Não será por mera coincidência que o Tzolkin - o calendário Maia, também conhecido como Sincronário da Paz - é composto por 260 kins, 20 selos e 13 tons. "260 é o número de dias que passamos na barriga da mãe, 20 é o número de dedos e 13 o número de juntas do corpo humano. Não é por acaso. Nós somos o templo espacial do tempo", afirma Annibal.

Cada pessoa, conforme o dia do seu nascimento, corresponde à um kin, o qual define suas características e o seu propósito de vida. Na quinta-feira, a proposta prática, é colocar frente-a-frente pessoas de kins semelhantes. "Ao olhar o semelhante a gente obtém um reflexo imediato. Como serão muitas pessoas, vamos poder demonstrar uma matriz, uma comparação analógica e exata do que antes era apenas filosofia e ninguém poderá ficar indiferente a isso. As pessoas irão se surpreender."

Segundo ele, identificar as características alheias não se trata de abandonar o auto-conhecimento, mas de se conhecer através do outro, ou melhor, de um "outro você". "Aprendemos que somos diferentes, agora vamos aprender que somos semelhantes." Para o mago, a grande descoberta não consiste em descobrir as características do seu kin. "As pessoas sabem como são. A grande sacada é que pela compreensão da Matemática do Tempo as pessoas se transformam em informação, a mais valiosa informação, e isso te dá escolhas e infinitas possibilidades que antes não tinhas, porque te faltavam parâmetros".

Para entender a equação de Dowgaluk é preciso ir além do auto-conhecimento e conhecer a tudo e a todos, "porque tu não és o centro do universo, tu és apenas mais uma variável." Segundo ele, ententendo as características da energia do outro e da energia do dia é possível construir relações humanas mais pacíficas e harmônicas.

E Deus? "Perguntar a alguém uma definição de Deus é como perguntar a um peixe uma definição da água em que ele está nadando. Tudo é número, Deus é número, Deus está em tudo". Eis uma resposta. Definitiva?

"A imensa maioria das pessoas pensa que só se comunica com Deus durante a prece, como se Deus não fizesse parte de absolutamente tudo", diz Annibal. Para ele, essa nova compreensão não tira a importância da prece, tira a importância da realidade, e da necessidade de estabelecer conscientemente uma conexão com o divino. "A Lei do Tempo te coloca em Deus o tempo todo."


Revolução e Sincronicidade

Nascido na Argentina, formado em Turismo na Espanha, Annibal Dowgaluk, de 37 anos, é um mago andarilho. Mago pelo seu selo, e andarilho porque há 10 anos vive itinerante pelo mundo em busca de ecos para o que considera a maior revolução científica da humanidade.

Hoje, pelo Sincronário Maia, é um dia de Vento Lunar Branco, o que significa, segundo o mago, um dia de desafio. "É um dia difícil, mas as conquistas realizadas nesse dia serão sempre efetivas", garante.

E daí? Daí que o mago faz questão de ser reticente e provocar os céticos. "Não adianta falar", diz ele, que convida as pessoas a verificarem como São Tomé como a revelação da Matemática do Tempo irá repercutir na vida cotidiana. "Eu garanto que esta não é apenas mais uma tendência esotérica da moda". Será?


Ficou intrigado? Confira:

O quê: Seminário sobre a Matemática do Tempo

Quando:
hoje (6), das 14h às 18h (pessoas que não tiverem realizado a inscrição antecipadamente devem chegar a partir de uma hora antes para efetuar o cálculo de seu kin)

Onde: no auditório do Cefet

A entrada é franca.

Mais informações pelos telefones 3284-5533 e 8118-4877.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 6 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 6 de novembro de 2008
*** Contém partes não publicadas na versão impressa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

X de Charque

"A" de Arroio Pelotas. "D" de doces. "X" de charque, ou melhor, de "xarque". Houve um tempo em que a cartilha era assim. O principal produto pelotense, no auge da tradição charqueadora do município, ainda não havia passado pela reforma ortográfica que o fez pular da penúltima para a terceira posição na ordem alfabética. E era com esse termo que as professoras ensinavam a redação de cartas e, ao mesmo tempo, passavam noções básicas sobre as transações comerciais mais recorrentes na época: a compra e a venda da carne salgada e secada ao sol.

Aprender o be-a-bá no século 19 era uma experiência bem diferente das fórmulas pedagógicas empregadas para alfabetização das crianças de hoje. E é isso o que se pode descobrir na exposição Cultura e Material Escolar, que reúne um raro e curioso acervo dos materiais didáticos com que provavelmente nossos avós ou bisavós aprenderam as primeiras lições.

"Essas peças oferecem uma percepção dos valores que eram transmitidos às crianças até as primeiras décadas do século 20. Por ali é possível observar as regras de conduta moral vigentes, os padrões estéticos da música e do desenho e a própria noção de civilidade que se tinha muito mais forte do que se tem hoje", compara o coordenador da mostra e professor da disciplina de História da Educação do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Eduardo Arriada.

A mostra reúne antigüidades capazes de provocar estranheza para a nova geração e nostalgia para quem viveu no tempo em que as canetas de pena e os tinteiros eram itens de primeira necessidade na lista de material escolar. Afinal, a caneta esferográfica só seria inventada na década de 30 e mesmo quando chegou ao Brasil, dez anos mais tarde, demorou até deixar de ser artigo de luxo para se popularizar nos estojos dos estudantes por aqui.

A lousa portátil - lisa e pautada -, também chamada de "pedra de ardósia" era outro material indispensável na alfabetização. Considerada a "bisavó do notebook", ela servia para que os alunos exercitassem a escrita antes de "passar a limpo" para os cadernos, que eram caros, como explica o professor. Resultado do impacto digital, os exercícios de caligrafia estão praticamente abolidos e a escrita manual, pela falta de prática de escrever em detrimento da grande habilidade que se tem atualmente para digitar, é cada vez mais disforme e substituída pelo padrão dos caracteres do computador. Todos iguais, mas com certeza sem o mesmo charme da rebuscada escrita caligráfica.

No tempo da velha caderneta, a avaliação dos alunos não era apenas quantitativa, pois continha também comentários sobre o desempenho dos estudantes (especialmente quando faziam 'algo errado').

Outra raridade da mostra é a coleção - quase completa - das primeiras edições dos livros didáticos escritos por Érico Veríssimo e uma série de livros de história e geografia que mostram o quanto o ensino está mudado atualmente. Aliás, não apenas a forma de ensinar mudou, como também a própria história e geografia não são mais as mesmas.

A ideologia também era outra: no Hino Republicano ou, pela grafia da época, "Hymno" (como é que se podia ler uma palavra dessas?!) ainda continha a estrofe suprimida em 1966, que se refere à "sermos gregos na glória e na virtude, romanos". Além disso, outra curiosidade: não era o "vinte" e sim o "vento" de setembro tal "o precursor da liberdade" citado no terceiro e no quarto versos.

Diferenças à parte, o responsável por reunir esse acervo chama atenção para as semelhanças existentes na educação daquela época em relação aos dias de hoje. "A escola ainda é uma instituição permeada pela relação aluno-professor", afirma ele, que considera a popularização do material escolar um dos principais ganhos da atualidade. "Os alunos continuam usando lápis, caneta, borracha e cadernos. Com o processo de escolarização das massas esses materiais ganharam qualidade e ficaram mais baratos", avalia. No entanto, ele não dispensa uma análise qualitativa do cenário: "o nível da educação caiu muito. O ensino das matérias da área das humanas foi reduzido bruscamente nos currículos, enquanto a técnica virou prioridade, sob a justificativa de preparar os alunos para a inserção no mercado de trabalho."


Prestigie:

O quê:
5ª Mostra de História da Educação - Cultura e Material Escolar: Práticas de Ensino
Onde: no Instituto João Simões Lopes Neto (rua Dom Pedro II, 810)
Quando: até o dia 8, com visitação de segunda à sexta-feira das 14h às 18h e no sábado a partir das 19h (durante encontro com o músico e escritor Vitor Ramil previsto no calendário do projeto Diálogos na Casa de Simões)
Entrada franca


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 4 de novembro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Simões em cena nas escolas

Depois de meses de preparação e muitos ensaios, os resultados do projeto Teatro Mostra Simões chegam ao palco. Na sexta-feira (17), o grupo cênico Ditirambos, da Escola Estadual Nossa Senhora de Lourdes, realizou a primeira da série de apresentações que irá passar por 14 escolas da rede pública de ensino em Pelotas. A encenação da lenda M-boitatá ocorreu no salão paroquial da Colônia de Pescadores Z-3, para uma platéia formada por alunos de 2ª à 4ª série da escola Rafael Brusque.

"O mais legal é que estamos inaugurando essa mostra aqui, pertinho de onde Simões nasceu e passou boa parte da infância", disse o presidente do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), Henrique Pires, referindo-se à proximidade da colônia com a Estância da Graça. "Ele era praticamente um zetrezense", brincou, enquanto falava às crianças que aguardavam anciosas o início da apresentação.

O Ditirambos é um dos sete grupos que aderiram à iniciativa do Instituto de promover o acesso à obra literária do escritor pelotense através da linguagem cênica e incentivar a produção teatral nas escolas. "Hoje a gente pode dizer que atingimos mais uma vez esses objetivos, assim como na primeira edição que realizamos em 2005", afirma o coordenador geral, ator e diretor de teatro Aceves Moreno. "O projeto dá certo porque é feito de alunos para alunos", completa ele, atribuindo o êxito a pouca interferência de profissionais nas criações elaboradas pelos estudantes.

Para orientar as produções, o Instituto Simões Lopes Neto promoveu oficinas de roteiro, iluminação, figurino, maquiagem, cenografia e adereços ministradas por Bartira Franco, Ricardo Lima e Gê Fonseca.


Nota 10

"Tivemos uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho dele (Simões). Acabamos estudando os outros contos também", diz a estudante Diésica Capitanio, que faz o papel da mítica M-boitatá. Recriar a personagem, tida como o "mau-olhado dos pampas" foi o maior desafio para o grupo, que teve que enfrentar ainda as dificuldades de compreender e interpretar o palavreado usado na lenda. "Imagina só uma 'cobra gigante de fogo transparente'", falou uma das alunas, tentando visualizar o a personagem tal qual ela é descrita por Simões. Durante a pesquisa e indispensáveis consultas ao dicionário, "abichornados" e "entanguida" foram algumas das palavras que entraram para o vocabulário da trupe.

"Essa é uma iniciativa fantástica para ressucitar o teatro nas escolas, porque isso se multiplica na sala de aula de forma interdisciplinar" reflete a professora de biologia Sandra Viégas, que aproveita a experiência de participar do elenco do Teatro Escola de Pelotas desde 1988 para coordenar o grupo de teatro do colégio.

Para as escolas que não tem artes cênicas incluídas nas atividades extra-classe, receber os grupos de teatro é um incentivo e uma oportunidade de intercâmbio. "Assim a gente vê que é possível fazer teatro mesmo de forma simples, com as condições modestas que a gente tem aqui", comentou a coordenadora da escola zetrezense Rafael Brusque, após a apresentação.

"É muito interessante esse trabalho, porque mesmo sendo um autor daqui de Pelotas os alunos praticamente não conhecem" diz a professora da 2ª série Carmen Carvalho enquanto era interrompida por um aluno que exclamava: "A historinha da M-boitatá, né tia?!" Essa eles já conheciam, pois fazia parte do conteúdo sobre o folclore gaúcho.

"Fazendo algumas adaptações, para que fique compreensível para a idade deles, é totalmente possível trabalhar as lendas e os contos do Simões Lopes na sala de aula", afirmou a professora.


Adaptações

Além da Escola Nossa Senhora de Lourdes, o Instituto Estadual de Educação Assis Brasil e os colégios Ferreira Vianna, Fernando Osório, Santa Mônica e Gonzaga fazem parte da mostra, com montagens inspiradas nas Lendas do Sul.

Hoje (segunda-feira, 20), o grupo de teatro do Instituto Assis Brasil apresenta a esquete Cadê a confiança? na quadra da escola municipal Joaquim Dias. A peça, inspirada na lenda do Negrinho do Pastoreio conta a história de Maria, uma adolescente que após ler o conto reflete sobre a violência e os maus tratos sofridos pelo personagem, comparando a situação com a realidade dos dias atuais.

O projeto Teatro Mostra Simões é uma realização financiada pelo Governo do Estado, com patrocínio da Copesul e da Braskem através da Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS).


Confira as datas e locais por onde a mostra vai passar

20/10 - E. M. Joaquim Dias
22/10 - E. M. Nossa Senhora de Lourdes
24/10 - E. M. Carlos Laquintinie
27/10 - E. M. Círculo Operário Pelotense
29/10 - E. M. Mário Menegueti
31/10 - E. M. Independência
10/11 - E. M. Jornalista Deogar Soares
12/11 - Instituto São Benedito
14/11 - E. M. Garibaldi
17/11 - E. M. Dr. Joaquim Assumpção*
19/11 - E. M. Bibiano de Almeida
21/11 - E. M. Campos Barreto
24/11 - Escola Nestor Crochemore


*As apresentações ocorrem sempre às 15h com exceção do dia 17/11 na escola Joaquim Assumpção, onde a encenação está marcada para as 20h. A entrada é franca.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 20 de oububro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Lugar de mulher... é na arte

Uma história mal-contada. Raras vezes lembradas nas coleções e historiografias oficiais da arte universal, as mulheres reivindicam seu espaço, no passado e no presente. O assunto foi o mote da palestra de abertura do Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória (Sigam), que começou ontem no Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (ICH/UFPel). O evento que pretende discutir a presença feminina nas artes e na filosofia continua até amanhã (1º de outubro).

"Esses vazios na história da mulher na arte é um tipo de silêncio ruidoso, e também uma forma de representação, uma tomada de posição ao lado de quem já detém a legitimidade", analisa Luciana Loponte, doutora em arte e educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O reconhecimento no meio artístico é para poucos, e geralmente para aqueles que pertencem a um perfil pré-determinado. "Os que são considerados 'gênios da arte', normalmente se enquadram no estereótipo de homens, brancos, europeus. Todos mortos", analisa. "À mulher é reservado o papel de musa, de objeto da representação e quase nunca o de agente criador. As mulheres se expõem. Os homens expõem as mulheres."

À crítica, soma-se a concepção de mito de democracia de gênero. O fato de haver mais mulheres envolvidas com a arte contemporânea por si só não garante, segundo a pesquisadora, que haja maior discussão sobre o tema. "Porque as mulheres estão em toda parte não quer dizer que o discurso tenha deixado de ser 'generizado'. As pessoas não vêem mais sentido em falar de feminismo, como se todas as questões estivessem superadas", diz a professora, que é ainda mais enfática: "Só citar Tarsila (do Amaral) e (Anita) Malfat não basta para reconhecer a participação da mulher na arte brasileira".


Recortes contemporâneos

Pouco privilegiada no aprendizado das artes, ou com acesso limitado aos ambientes próprios, ditos "femininos", as mulheres ficaram relegadas a fazer desenhos e pinturas com temas amenos. Flores, frutas, natureza morta. Entre as que se permitiram "manobras radicais" ou "discretas ousadias", rompendo com barreiras de estilo ou inovando na temática, a pesquisadora mostra que a arte, assim como a política, é uma esfera de poder. A gente olha para a coisa e a coisa também nos olha.

Para Luciana Loponte, que faz coro a recentes linhas de pensamento, é preciso estudar as conseqüências dessa troca. "As mulheres se conhecem apenas por imagens feitas por homens e não por elas mesmas. Não que a visão dos homens seja falsa, mas é preciso deslocar o olhar que estamos acostumados, diversificar o ponto de vista."

Quando se busca e se encontra, nas lógicas sutis - fora da historiografia oficial - a presença feminina no contexto cultural predominantemente masculino, os exemplos mostram que a diferença está na cara, bem diante dos olhos. Um mesmo episódio diplomático - a Independência do Brasil - parece dois fatos distintos nas leituras de Pedro Américo (O Grito do Ipiranga, 1888) e de Georgina de Albuquerque (Sessão do Conselho do Estado, 1922). A diferença é o foco. No segundo, a protagonista, representada em primeiro plano, é a Imperatriz Leopoldina, enquanto no primeiro a figura heróica é representada por Dom Pedro I. "Pela primeira vez a mulher era colocada como a principal na cena. Apesar do estilo acadêmico de pintura ser mantido, Georgina ousa representar um assunto político, e faz isso de forma diferenciada."

Para a pesquisadora, a importância de se duvidar das convenções não é apenas uma questão de corrigir uma injustiça histórica, que se perpetua nos dias atuais. "É preciso entender como os processos de representações e o ato de olhar para a arte se relacionam com as condições com que os homens e mulheres olham, na vida", conclui, ao citar a pensadora Michelle Perrot.


Confira

As palestras ocorrem às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As comunicações são abertas ao público e têm entrada franca para ouvintes (sem certificado). Para assistir às palestras é preciso efetuar a inscrição no evento, que custa R$ 15,00.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Questões de gênero

Grupo de estudos da UFPel coloca em pauta o feminino nas artes e na filosofia

O mito grego de Pandora é a inspiração para o grupo de mulheres pesquisadoras dos cursos de artes, filosofia e ciências sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mote para o ciclo de palestras e debates que começa hoje (29) e vai até quarta-feira.

O Sigam - Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória pretende colocar em discussão a contribuição feminina para o pensamento moderno, a partir de trabalhos realizados na UFPel e em outras universidades do Estado como a UFRGS, a Unisinos e a Furg e a UBA, da Argentina.

Nos mais de 30 trabalhos e 12 palestras, quase todos os autores são autoras. A visão das mulheres sobre as próprias mulheres só não é diversificada em relação ao gênero porque eles ou não se arriscam a tentar compreender esse universo ou não têm interesse. No grupo de estudos da UFPel "Caixa de Pandora", que desenvolve pesquisas desde abril do ano passado sobre mulheres artistas e filósofas do século 20, apenas um professor preenche a exceção. "Os homens não se interessam muito pelos assuntos relacionados à mulher, ou se sentem intimidados", palpita a estudante Daniela Azevedo.

Em pouco tempo de trabalho, elas já se surpreenderam com as descobertas que serão apresentadas durante o Simpósio. "Pouco se tem idéia da produção artística e filosófica feminina, que no entanto sempre existiu".


As aparências enganam

Apesar do que se possa supor, as meninas evitam falar em "discurso feminista", pelo menos no que se refere à idéia de que a mulher é superior e totalmente independente aos homens. "Há um problema conceitual em relação a esse termo", considera uma das integrantes que explica a intenção do Simpósio de buscar a valorização de forma igualitária entre ambos os gêneros. "A temática é apenas um pano de fundo. Mais importante que o fato de serem mulheres, é a contribuição que cada uma delas para o mundo."

"Historicamente a mulher é entendida como o pólo negativo, a parte fraca, vulnerável, ardilosa, ou como o lado pecador", analisa outra pesquisadora. Na tentativa de romper com esse dualismo que consideram preconceituoso, elas contra-atacam e assumem a imagem construída pelo senso comum para contestá-la. Abrir a Caixa de Pandora - aquela que contém todos os males do mundo - significa para elas principalmente despertar a curiosidade para lugares desconhecidos das artes e do pensamento. Ou, como diz Daniela, quer dizer, "então tá: somos a Caixa de Pandora e agora vamos abrí-la para mostrar ao mundo o que é que tem lá, afinal". O convite a participar é, portanto, para quem deseja (tentar) ao menos conhecer (se não for possível compreender) o desconhecido universo feminino.


O gênero na cena

O Núcleo de Teatro da UFPel irá participar nos intervalos da programação (diariamente às 18h30) com intervenções no saguão da Faculdade de Urbanismo (Faurb/UFPel). "Vamos apresentar uma série de cenas curtas abordando a mulher e suas questões de trabalho, afetividade e principalmente políticas", adianta o coordenador do Núcleo, Adriano de Moraes. "Mas a gente não sabe exatamente como vai ser", confessa, revelando o tom de improviso que terão as montagens.


Confira

As palestras ocorrem sempre às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As inscrições custam R$ 15,00.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 29 de setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Semana de mudanças na Casa do Capitão

Nove anos depois de ser eleita pela primeira vez presidente do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), Paula Mascarenhas está decidida: é hora de colocar o cargo à disposição de novas idéias. Contrária ao que chama de personificação das instituições, ela avalia a mudança como necessária, mas pretende se manter por perto da casa que ajudou a reerguer.

Embora nada esteja definido, a reunião dos cerca de 50 associados membros da assembléia do Instituto marcada para quinta-feira não deve passar de mera formalidade. Chapas de no mínimo seis componentes podem ser inscritas até 24 horas antes da votação, mas tudo indica que o substituto de Paula Mascarenhas será Henrique Pires, um dos sócios-fundadores e atualmente integrante do Conselho Consultivo. A troca administrativa deverá ser imediata.

Pires confirmou a candidatura, que seria oficializada ontem à tarde junto com Mário Mattos, atual vice-presidente que deve permanecer no cargo. Vítor Azubel - presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concult) - e os associados Ramão Costa, Alda Jagotet e Marlei Poeta são os outros nomes que irão compor a chapa.

“O Henrique tem experiência no segmento cultural, boas relações no meio político, e excelentes idéias. Acho que pode dar um novo ritmo à casa, bem diferente do meu”, avalia Mascarenhas, sem qualquer sinal de constrangimento ao apoiar o líder da chapa que provavelmente seja a única a disputar pleito.

Para evitar que a troca de comando cause uma ruptura nas atividades da Casa, o principal candidato tem acompanhado de perto as tratativas referentes aos projetos que estão em andamento. Semana passada ele participou de reuniões em Porto Alegre para negociar a liberação da verba de R$ 40 mil aprovada na Consulta Popular de 2006 para digitalização do acervo do Instituto. "Nós gostaríamos que a Paula permanecesse no cargo, mas entendemos o direito dela de dedicar-se aos seus projetos pessoais. Agora vamos dar continuidade ao trabalho, contando sempre com o comprometimento dos aficcionados pela obra de Simões", declarou ele.

Henrique Pires é professor licenciado em Estudos Sociais, jornalista e radialista. Atualmente, exerce o cargo de diretor do departamento de arte e cultura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e é membro do Conselho Municipal de Cultura, conselheiro da Bibliotheca Pública Pelotense, do Museu do Charque e de outras instituições atuantes no segmento cultural. Participou de três gestões do Conselho Estadual de Cultura, foi diretor da extinta Fundapel, da Fundação Theatro Sete de Abril e do departamento de arte e cultura da Integrasul. Durante o segundo mandato de Bernardo de Souza, exerceu o cargo de secretário de comunicação do município.

Paula Mascarenhas, que pretende agora se dedicar ao doutorado, deverá ser empossada como conselheira do Instituto. A intenção é que seja aprovada uma reformulação no estatuto da Casa para que todos os ex-presidentes passem a ocupar uma vaga no Conselho Consultivo.


Os parceiros


Emocionada e em tom de serena despedida, Paula Mascarenhas destacou alguns dos principais momentos vividos durante os três mandatos em que esteve à frente da Casa do Capitão. “Aqui eu me sinto em casa, mas tenho consciência de que esta não é a minha casa. Ela não é pública do ponto de vista administrativo, mas é de toda a comunidade”, fez questão de salientar.

A grande conquista da sua gestão foi a consolidação das atividades do Instituto em uma sede própria. "Foi uma grande responsabilidade. Meu maior medo depois que conseguimos adquirir esta casa que estava em ruínas era que ela caísse justamente nas nossas mãos", confessou. "Em vários momentos tivemos muita ousadia, arriscamos em coisas que podiam ter dado muito errado, mas que deram certo."

Paula diz que não se arrepende de ter ficado tanto tempo na função de executiva. "Só assim tive a oportunidade de ver o Instituto viver." O reconhecimento veio em pouco tempo. Em 2006, meses após da conclusão das obras de restauro, a Casa recebeu do Governo do Estado o prêmio Cultura Gaúcha de destaque em literatura. "Acho que foi a coisa mais legal e mais bonita que já fiz na minha vida", concluiu, ao agradecer os grandes parceiros que apoiaram o Instituto desde a sua fundação, em 1999.


Casa cheia


Desde as primeiras atividades realizadas nas escolas o Instituto João Simões Lopes Neto mostrou que mais que uma entidade de preservação da memória e do patrimônio cultural, seria uma instituição dinâmica e participativa na comunidade.

O pioneiro Teatro Mostra Simões voltou a ser realizado este ano e as esquetes teatrais preparadas por estudantes, inspiradas na literatura simoniana, começam a ser apresentadas ainda este mês em escolas de vários bairros. O projeto permanente de visitação de grupos escolares à sede do Instituto continua, e mantém a Casa do Capitão sempre movimentada e viva em sua essência - que é fomentar a leitura e o debate sobre os textos de João Simões.

O Instituto também ousou romper as barreiras da literatura ao propor o primeiro prêmio de artes visuais, com inscrições abertas até a semana que vem. "Tínhamos também a idéia de criar um prêmio de música, mas isso vai ficar para a próxima gestão", antecipa a presidente prestes a deixar o cargo.

Os projetos para a Feira do Livro deste ano, evento do qual o Instituto é um dos organizadores, estão sendo preparados, entre eles um seminário sobre os 200 anos de autonomia administrativa do Rio Grande do Sul, outro sobre o poeta Lobo da Costa (tema da próxima edição da feira) e possivelmente um sobre os 200 anos da vinda da Família Real para o Brasil.

No final de setembro, o Instituto inaugura uma exposição sobre a história do material escolar, em parceria com a Faculdade de Educação da UFPel.

O site do Instituto foi colocado no ar em agosto e passa a ser uma fonte on-line confiável para consulta aos textos do escritor.


Novo projeto começa hoje


Na agenda permanente da Casa, Paula Mascarenhas fez questão de marcar ainda mais um ponto fixo no calendário semanal de atividades: o Cinema no Instituto. A partir de hoje, todas as quartas-feiras às 17h serão exibidos vídeos no auditório. As sessões terão duração de uma hora e incluirão documentários, animações e outros gêneros audiovisuais ligados direta ou indiretamente à obra simoniana.


Vote


A assembléia eletiva do IJSLN ocorre nesta quinta-feira (4) na sede do Instituto (rua Dom Pedro II, 810), a partir das 18h com segunda chamada às 18h30. Podem participar da votação todos os associados. Mais informações pelo telefone 3027-1865.

Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 2 de setembro de 2008