Mostrando postagens com marcador Espetáculos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espetáculos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

1º Ato 2 em 1

Núcleo de Ginástica e Dança 1º Ato Tavane Viana apresenta É tempo de brincar e Contrastes nesta quarta-feira

Um palco e dois espetáculos em uma mesma noite. Por onde começar?

O homem em solidão. Só. O homem e seu par. O homem e seus semelhantes. O cenário é a roda, é vermelho, é a vida. A vida impulsionada pelas contradições... A vida colorida de preto e branco? De certo e errado? Assim - feito de paradigmas e traduzido em movimentos - Contrastes volta ao palco após a estréia, em maio deste ano.


"Escolhemos esse tema para refletir sobre a emoções que envolvem esses aspectos opostos da vida, que coexistem no cotidiano", diz Vânia Viana, que assina a direção artística do espetáculo coreografado pela filha, Tavane Viana. A montagem da academia 1º Ato foi selecionada no edital de Fomento às Artes Cênicas no ano passado e é com ela que o grupo pretende dar os maiores passos a partir do ano que vem. "A proposta desse espetáculo é mostrar para a comunidade uma companhia mais madura, mais direcionada para a dança profissional", diz o produtor Daniel Amaro. Em cena, 20 bailarinos selecionados traduzem contrapontos em passos de jazz, dança contemporânea e street dance.

Não é o começo. Contrastes é na verdade a segunda parte de uma apresentação cujo início vem em tom de brincadeira, embora também com suas comparações dualistas. Em É tempo de brincar o público é convidado a partilhar da alegria da infância através das brincadeiras de ontem e de hoje. As crianças deixaram de brincar? Ou só deixaram de brincar de pega-pega porque os games se tornaram mais interessantes?

Com graça, o mundo moderno é levado ao palco pelos olhos das crianças, nos passos e gestos de bailarinos entre 6 e vinte e poucos anos de idade. "Queremos resgatar os momentos da infância mais significativos e felizes", comenta Vânia. A apresentação marca o encerramento das atividades anuais da escola de dança.


Prestigie!

O quê:
Espetáculo duplo: É tempo de brincar e Contrastes
Quando: amanhã (10), às 21h (duração de aproximadamente 50 minutos cada ato)
Onde: no Theatro Sete de Abril
Quanto: ingressos a R$ 12,00 e R$ 6,00 (para idosos, professores e estudantes) à venda na academia (rua Santa Cruz, 1.300) e no dia do espetáculo na bilheteria do teatro


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 09 de dezembro de 2008

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Pequenas doses de arte e humor

Quanta graça, quanta arte cabe em até 360 segundos? Para testar os limites do tempo na expressividade cênica o Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) realiza nesta sexta-feira (5) o 1º Festival de Cenas Curtas, em comemoração a seus 12 anos de atividades.

As esquetes duram poucos instantes, mas prometem diversão para a noite inteira, a conta-gotas. "Vai ser um momento festivo e descontraído para confraternizarmos e comemorarmos os bons resultados desse ano", avalia com entusiasmo o diretor do Núcleo, Adriano de Moraes. A expectativa é de que entre as 22h e as 2h da madrugada sejam apresentadas cerca de 30 cenas em dois ambientes, intercaladas por música, bate-papo e performances interativas com o público. "Nesse festival todo mundo vai estar em cena, e todos vão se divertir, assistindo ou apresentando esquetes", diz o professor em tom provocativo.

Na disputa do festival, que será julgado por pessoas leigas, estarão em jogo prêmios em categorias inusitadas como Melhor e Pior Esquete - individual e em grupos -, Mr. e Miss Esquete, Esquete Simpatia e "prêmios de consolação" para incrementar a brincadeira.


JustificarVale tudo

Dança, teatro, dança-teatro, música, poesia etc. Vale tudo para participar do festival que irá integrar as mais diversas modalidades artísticas e que é aberto à participação de qualquer pessoa. "A nossa expectativa é de que haja bastante improvisação e espontaneidade. Esperamos principalmente que as pessoas sintam prazer em estar em cena", destaca Adriano.

Ele ainda acrescenta que sem fronteiras delimitadas entre palco, platéia e bastidores, o evento será uma oportunidade para atores e espectadores trocarem de papéis: "a gente trabalha muito com a metalinguagem: faz teatro e mostra como ele é feito." Para a estudante de Teatro Lúcia Berndt, esse 'jogo' é a melhor parte do trabalho. "É quanto a gente fica completamente entregue à situação e acaba transformando o que está à volta em uma cena. Na hora sempre dá certo", diz ela, que incentiva pessoas "de fora das artes" a participarem do festival também.


Prestigie!

O quê: I Festival de Cenas Curtas
Quando: sexta-feira, dia 5, a partir das 22h
Onde: no Núcleo de Teatro da UFPel (Praça 7 de Julho, 180)
Quanto: R$ 2,00


Participe!
Inscreva a sua esquete até as 17h do dia da apresentação.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 03 de dezembro de 2008

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Nos passos da dança

Um passo sapateado aqui, um giro em ponta do pé ali, um pouco de ginga e muito jogo de cintura. Com estes e muitos outros elementos a Companhia da Dança levará para o palco do Theatro Guarany nesta quarta-feira 20 anos de história da academia contados passo por passo.

A abertura terá uma atração exótica: alunos do grupo de Kung Fu farão a "Dança do Leão" - ritual tradicional do oriente para atrair boa sorte - abrindo passagem para coreografias em sete estilos de dança: ballet, jazz, dança do ventre, flamenco, street dance e dança de salão.

Com uma miscelânea de "idiomas" falados com a linguagem do corpo, a mostra promete ser um espetáculo pela liberdade da dança. "É preciso desmistificar a idéia de que determinados estilos de dança são exclusivos para alguns biotipos. A dança tem que ser inclusiva. Qualquer pessoa é capaz de dançar", diz o professor e coreógrafo Leandro Pizani. "Isso não significa que seja um espetáculo sem qualidade. É um espetáculo amador, mas feito com muito comprometimento. Agora é a hora de mostrar para os pais, parentes, amigos e para todo o público o por quê das incontáveis horas de ensaio durante o ano todo", completa a professora Janaína da Rocha.
Muito mais que dança

Entre o glamour dos espetáculos e os bastidores, um cenário para muitas histórias de vida. Para alguns dos mais de cem bailarinos que estarão diante da platéia do Guarany esta será a realização do sonho de pisar pela primeira vez em um palco. E nesse caso, a emoção é a mesma, seja aos 8 ou aos 80 anos de idade.

Em duas décadas, a Companhia da Dança (que antes tinha o nome de Free Jazz Company) coleciona mais de 350 premiações em festivais. Além disso, pelas contas da história, mais de 30 mil alunos de pelo menos duas gerações já passaram pela escola. "Hoje já temos filhos de ex-alunos estudando aqui", orgulha-se Leandro.

"A academia acabou se tornando um ponto onde as experiências de vida vão se somando", completa Jana, citando como exemplo a sua própria experiência. Ela e Leandro são protagonistas de uma trama paralela à história da Companhia da Dança. O casal de coreógrafos se conheceu nas aulas da academia. Casaram-se, e há cinco anos assumiram a empresa. Hoje são sócios, além de parceiros de dança.


Prestigie!

O quê:
Mostra coreográfica Muito mais que dança 2008
Quando: quarta-feira, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: os ingressos antecipados estão à venda com os alunos da escola ou na Cia. da Dança (rua 15 de Novembro, 755) a R$ 8,00. No dia do espetáculo serão vendidos também na bilheteria do teatro.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 25 de novembro de 2008

domingo, 23 de novembro de 2008

Polêmica na bilheteria II

O que está valendo?

JustificarPara jovens:

* Está assegurado aos estudantes o acesso com 50% de desconto pelas Leis Municipais 3.682/1993 em Pelotas e 4.601/1991 em Rio Grande;

* Embora a lei pelotense exija a apresentação da Carteira de Identidade Estudantil expedida por órgãos estudantis reconhecidos (UNE, UBES, ANPG ou UPES), enquanto estiver vigente a Medida Provisória MP 2.208/2001 - que proíbe a exigência exclusiva do registro em qualquer entidade - a identificação do estudante pode ser feita por qualquer documento que comprove sua condição, inclusive os emitidos pelos estabelecimentos de ensino, associação ou agremiação estudantil a que pertença o aluno.

* Em Porto Alegre, todo jovem de até 15 anos, estudante ou não, tem direito ao benefício da meia-entrada, nos dias estipulados pela lei municipal da capital (9.989/2006), mediante a apresentação do documento de identidade.


Para professores:

* Em Pelotas, a Lei 3.682/1993 estende o benefício da meia-entrada aos professores de estabelecimentos de ensino públicos ou particulares localizados no município.

* Para usufruir do benefício, os professores devem apresentar a carteirinha expedida pelo Sindicato Nacional dos Docentes da Instituição de Ensino Superior (Andes), pelo Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS), pelo Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp), pelo Sindicato dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul - Particulares (Simpro) ou pelo Sindicato Nacional dos Servidores em Escolas de 1º e 2º Graus Federais (Sinasefe).


Para idosos:

* Toda pessoa com 60 anos ou mais de idade tem direito à meia-entrada garantido pelo artigo 23 do Estatuto do Idoso (Lei Federal 10.741/2003);

* Para reivindicar o benefício, o idoso precisa apenas apresentar documento de identidade no ato da compra do ingresso e na portaria. Não é necessária comprovação de renda, como exige a Lei Municipal de Pelotas 3.682/1993 (que restringe o benefício a aposentados que recebem até 3 salários mínimos), já que a norma perde a validade frente à Lei Federal.


Onde vale?

As leis da meia-entrada, em geral, valem para acesso a cinemas, teatros, espetáculos musicais, circenses e eventos educativos extracurriculares, bem como esportivos e de entretenimento, como festas e exposições artísticas.


Entidades estudantis

UNE – União Nacional dos Estudantes
UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos
Uges - União Gaúcha de Estudantes
Umespel – União Municipal dos Estudantes de Pelotas
Fone: 8434-2097


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Domingo, 23 de novembro de 2008

Polêmica na bilheteria I

Instituída nos anos 40, a meia-entrada foi incorporada à cultura de tal modo ao longo das décadas que virou tradição entre os principais consumidores de lazer: com a carteirinha na mão, os estudantes, juntamente com os idosos, representam a maior parcela das platéias dos eventos artísticos, culturais e esportivos no País.

Quando se fala em pagar menos, em princípio todo mundo gosta, mas algumas perguntas são inevitáveis: os preços dos ingressos estão altos porque existe meia-entrada ou a meia-entrada existe porque os ingressos estão pela hora da morte? E se a meia-entrada deixasse de existir, como a CPMF, os preços dos shows, do cinema, do teatro e dos jogos de futebol cairiam imediatamente?

O fato é que com o benefício o ingresso pesa menos no bolso de quem tem direito ao desconto - com o respaldo da legislação federal e também dos estados e municípios - mas pesa mais no orçamento dos promotores de eventos. Para reequilibrar a balança e não deixar de pagar as despesas, o jeito geralmente é repassar o ônus adiante, reajustando a tabela das receitas. E aí...


Quem paga a outra metade?

Longe de ser uma solução definitiva para garantir o acesso à cultura - previsto no artigo 23 da Constituição Federal como competência do Estado - a meia-entrada acaba por dividir os prejuízos entre os artistas, a iniciativa privada – produtores de eventos e exibidores de cinema - e o público pagante - com ou sem desconto. No final, quem paga a conta é o cidadão comum, uma vez que, em geral, o preço dos ingressos sofre aumento proporcional para cobrir o benefício dos estudantes.

Outros apelam para manobras que mascaram o valor real cobrado, como a concessão de descontos promocionais para o público em geral mediante a doação de alimentos não perecíveis, o que é ilegal. "No fundo, não passa de um benefício ilusório", diz o produtor do Grupo Tholl Paulo Martins. "A gente acaba tendo que dobrar o valor do ingresso para não ter prejuízo."

Atualmente, tramitam na esfera federal dois projetos de lei que pretendem regulamentar o benefício dos estudantes, um na Câmara e outro no Senado.

O projeto apresentado pelos senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Flávio Arns (PT-PR) – PLS 188/2007 - corre na frente. Já obteve parecer favorável em duas comissões – a de Constituição e Justiça e a de Educação, Cultura e Esporte – e será votado nesta terça-feira.

O outro – PLC 1007/2007 -, elaborado pela deputada Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), tramita na Câmara em caráter de urgência, mas ainda está em discussões preliminares e não deve entrar na pauta de votação tão cedo.
O texto original dos dois projetos tem vários pontos em comum. O principal deles é a limitação do benefício aos estudantes do ensino regular (educação básica, profissional, superior e especial – para portadores de necessidades especiais). O projeto da Câmara inclui ainda os alunos dos cursinhos pré-vestibulares.

Ambos os projetos derrubam a Medida Provisória 2.208, aprovada durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que pôs fim à exclusividade de emissão das carteirinhas para as entidades reconhecidas pelo Ministério da Educação. Pela nova lei, as Carteiras de Identificação Estudantil (CIE) válidas seriam somente aquelas expedidas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e outros órgãos devidamente autorizados, deixando de valer, portanto, aquelas confeccionadas pela própria escola. “Regularizar isso é o mais importante”, defende o senador Eduardo Azeredo. “Não podemos voltar ao sistema cartorial do passado, mas também não podemos manter esta anarquia de hoje, onde a pessoa faz qualquer cursinho e tem carteirinha de estudante, e onde as carteirinhas são vendidas no meio da rua”, afirma.

Para coibir falsificações e fraudes, o projeto da deputada Manuela ainda prevê a criação de um Selo Nacional de Segurança.


Restrições

Azeredo propõe uma cota máxima de 40% dos ingressos para a meia-entrada em espetáculos e eventos esportivos. É exatamente esse o principal ponto de discussões. Os produtores lembram que a lei dos transportes coletivos, por exemplo, limita o número de acentos reservados para idosos. Mas, para o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) o benefício não deve ser restringido por cotas. Com esse argumento ele teve o pedido de vistas do projeto concedido pelo presidente da comissão de Educação, o senador Cristovam Buarque, e conseguiu assim impedir que o projeto fosse votado já na terça-feira passada.

A deputada Manuela também é contra limitar a venda de ingressos com desconto, apesar de ser a autora – enquanto era vereadora - do projeto que resultou na lei vigente em Porto Alegre desde 2006, que prevê desconto de apenas 10% - ao invés dos tradicionais 50% - nos espetáculos realizados de sexta a domingo e nos cinemas aos finais de semana, entre outras restrições. “A lei de Porto Alegre sofreu modificações. Ela não representa tudo aquilo com o que eu concordo, mas é o que nós conseguimos aprovar. Aqui vai ser a mesma coisa. Não sou intolerante e espero que os demais parlamentares também não sejam e estejam dispostos a dialogar com a sociedade”, justificou.

A proposta de emenda ao projeto do senador Azeredo, que previa restrição do desconto ao finais de semana não passou pelas comissões. Mas entre as emendas apresentadas que foram aceitas pela relatora Marisa Serrano (PSDB-MS) e poderão ser aprovadas com a lei está a proposta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) que determina a venda de ingressos com desconto somente até 72 horas antes do evento.


Fique atento

Você pode acompanhar a tramitação dessas e outras matérias em discussão no Legislativo através dos sites www.camara.gov.br e www.senado.gov.br.


Responsabilidade social ou sobrecarga na iniciativa privada?

Os produtores fazem as contas e reclamam: no cinema e nos shows mais populares em Pelotas, o público pagante com direito à meia-entrada chega a ocupar em média 70% da platéia. "Aqui, além dos estudantes e dos aposentados, a gente ainda tem que subsidiar os professores. O que justifica uma única categoria profissional ter direito a esse benefício? Sem contar que não recebemos do Estado nenhum tipo de incentivo", indigna-se o empresário Jarbas Mello. “No show do Nenhum de Nós eu subsidiei simplesmente R$ 14 mil em descontos e isso não é pouca grana.”

Para os defensores da lei, isso faz parte da responsabilidade social inerente a toda atividade produtiva. Mas para os produtores o Poder Público simplesmente transfere o ônus que o Estado é incapaz de assumir.

Tanto o projeto que tramita na Câmara quanto o que será votado no Senado prevêem possibilidade de ressarcimento aos produtores independentes através do Programa Nacional de Apoio à Cultura, com verbas do Fundo Nacional de Cultura ou patrocínios, dentro dos critérios da Lei Rouanet. Os empresários, entretanto, acreditam que é um recurso distante da realidade da maioria das produções. "Dificilmente se consegue chegar a esses recursos porque eles dependem de um processo muito burocrático", afirma Mello. Para a deputada Manuela, esta "é uma possibilidade em que cabe nova regulamentação".

Ao ser questionado sobre a necessidade de mecanismos mais acessíveis de subsídio para a iniciativa privada, o senador Azeredo desconversa. "Isso já é outra história... É algo que tem que ser discutido em outro projeto que trate de incentivo à cultura."


Jurisprudência

Nos mesmos moldes dos projetos de lei federais, a Lei Estadual 9.869 que regulamenta a meia-entrada no Rio Grande do Sul, aprovada em 1993, está suspensa desde 2000 por uma liminar. Na interpretação do Tribunal de Justiça do Estado, responsável pelo julgamento em primeira instância, a lei é considerada inconstitucional por ter caráter discriminatório entre estudantes e não estudantes, além de impor intervenção abusiva do Estado no direito de propriedade privada e violar o princípio da livre iniciativa.

Na opinião dos defensores do direito à meia-entrada para estudantes, o benefício deve ser entendido como uma complementação da formação escolar. Outros entendem que a lei acaba por privar do acesso à cultura quem já não tem acesso à educação. Para a deputada Manuela, não há contradição em restringir o desconto a quem é estudante. “O Bolsa Família também é vinculado à educação. Os jovens precisam estar na escola para receber. Se ele não está no lugar onde deveria estar, é preciso pensar em mecanismos que proporcionem essa condição básica”, argumenta.

Segundo ela, a Câmara está mobilizada para criar uma comissão especial da Juventude que irá discutir a criação de um Estatuto que contemple os jovens acima de 18 anos, que não são respaldados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesse novo Estatuto, seria incluída também uma norma definitiva para a meia-entrada. “Nós recém conseguimos aprovar uma emenda que inclui o termo 'juventude' na Constituição Federal. Ainda temos muito o que avançar."


Eles querem o direito inteiro

Contra as restrições e contra a exigência de carteirinhas exclusivas, o presidente da União Municipal dos Estudantes de Pelotas (Umespel) - filiada à União Gaúcha de Estudantes (Uges), Alex Cunha, considera os projetos de lei federais um atraso em relação à legislação vigente no município. Segundo ele, a entidade tem atualmente 22 mil sócios e confecciona carteirinhas a R$ 5,00 na sede e a R$ 2,50 para quem solicita o documento nas escolas (para representantes que fazem visitas regularmente às instituições de ensino), enquanto entidades como a UNE e a Ubes cobram entre R$ 15 e R$ 20 pelo documento. "É muito caro. A maioria dos alunos da periferia não tem condições de adquirir."

Além disso, o projeto prevê a validade do documento por um ano, enquanto a lei do município exige a revalidação a cada seis meses. "Esse controle semestral é uma forma de avaliar a evasão escolar e fazer com que quem deixou de estudar pare de receber o benefício da meia-entrada", diz ele.

Alex Cunha é a favor de cotas por "entender o lado do produtor cultural", tanto que se antecipa à legislação e ele mesmo negocia com os organizadores de eventos um percentual de ingressos disponíveis para os estudantes, como fez com o Parque Tupy, que abre inclusive em dias específicos especialmente para receber os grupos escolares. "A gente sabe que se cumprir a lei rigorosamente os produtores quebram", afirma Cunha, que também recebe lotes de ingressos dos produtores para vender separadamente, direto aos associados da Umespel.

Jardel Oliveira, coordenador do Procon em Pelotas, afirma que as denúncias de descumprimento da lei da meia-entrada diminuíram consideravelmente nos últimos meses, depois que o órgão realizou uma campanha de conscientização. Segundo ele, o trabalho contemplou principalmente casas noturnas e organizadores de festas, que de acordo com os produtores de shows são geralmente os menos visados pela fiscalização.

Oliveira diz acreditar que as mudanças só vão burocratizar mais o benefício e dificultar a fiscalização de uma lei que, segundo ele, já não é cumprida muitas vezes. "Se estipularem dias para oferecer o desconto o estudante vai ter que andar com uma tabelinha no bolso pra poder comprar ingresso", afirma. Sobre a venda separada de ingressos para estudantes ele diz: "Não pode, assim não tem como fiscalizar. O estudante tem que comprar ingresso no mesmo local."

Junto com o Procon, o Ministério Público, a Procuradoria Geral do Município e a Secretaria de Serviços Urbanos - que emite alvarás de funcionamento - são responsáveis por fiscalizar o cumprimento da norma. "Os produtores às vezes tentam inverter a interpretação da lei, mas a orientação do Procon é sempre defender a parte mais fraca, que é o consumidor."


Tire suas dúvidas

O Procon em Pelotas fica na rua Professor Araújo, 1.653 e atende de segunda à sexta-feira das 12h30min às 18h30min. Telefone 3284-4477.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Domingo, 23 de novembro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Arte sem limite de idade

No palco, a comédia é exemplo de vida. No elenco, pessoas convencidas de que rir - e não se entregar ao ócio - é o melhor remédio para viver bem a fase da vida que começa aos primeiros sinais da idade. Nesse teatro não se sabe se são os atores que dão vida aos personagens ou o contrário.

Quem disse que elas já passaram da idade de "fazer arte"? Para os integrantes do Clube da Maturidade Ativa de Ijuí, "ser velho demais" para qualquer coisa é apenas um desafio que inspira ações há mais de dez anos. O grupo faz parte do projeto do Serviço Social do Comércio (Sesc) para a Melhor Idade e na terça-feira (30) encenou no auditório da Universidade Católica de Pelotas a peça Faustino, releitura regionalista gaúcha inspirada no conto Fausto (de Goethe) e nas adaptações populares do nordeste registradas na literatura de cordel.

"Aqui ninguém reclama da vida, ninguém tem depressão. A gente nem tem tempo pra isso", diz Edith Pockios, que aos 70 anos passa o tempo envolvida com os ensaios do teatro e de dois corais, além das reuniões e atividades sociais. "Tem uma peça em que eu interpreto uma velha caduca", diz ela, que como os outros se diverte no palco e nos bastidores, quando também se ocupa com a produção das apresentações e com os preparativos dos cenários e figurinos.

Problemas de memória? Ninguém tem também. São onze peças no repertório e outra quase pronta para estreiar. Elvira Dalmas, a mais velha da trupe, aos 88 anos tem tanta facilidade para decorar as falas quanto a mais nova, de 54. "Ela lembra as falas dela e a das outras", garante uma das companheiras de elenco. "Eu pego o texto num dia e no outro tô me apresentando. Nunca ensaiei com papel na mão. Decoro fácil porque sempre dei trabalho para o meu cérebro", diz em tom de quem dá um conselho.

O radialista aposentado Valdir Vieira, de 60 anos, é o único homem do grupo. Cercado das faladeiras, ele empresta o vozeirão para o personagem de diabo. "O melhor de tudo é a convivência. Cada vez que a gente sai de casa pra viajar com a peça por outras cidades vai com uma bagagem pequenininha e volta com uma bagagem enorme, cheia de histórias pra contar", fala com alegria. "Como é bom poder dizer, com essa idade, 'eu tô aprendendo'. Dá vontade de fazer mais coisas", confirma. "Assim a gente esquece que está envelhecendo. Minha neta acha o máximo que aos 72 anos eu ainda tenho um 'professor'", completa a colega Sylvia Schoefer.


Diversão e arte

Aos 63 anos, Marlene Drewin revive a emoção que sentia nos palcos da infância. De papéis passados, ela lembra de um que interpretou ainda na escola. "Eu era a moça que temperava a salada e dizia 'essas verduras estão queimadas de sol'", recorda a fala. "Meu marido me dá a maior força pra eu continuar porque ele diz que lembra da primeira vez que me assistiu interpretando essa cena", conta, romântica.

Na interpretação, as vovós e o vovô demostram para a platéia que com o tempo até se pode perder agilidade física ou a cor dos cabelos, mas de forma alguma se perde a graça. "O teatro não apenas faz parte da vida deles. O teatro é a vida. A experiência e a vitalidade que eles têm supera qualquer limitação física", elogia o diretor e professor Alberto Rodrigues, de 44 anos. "Acho ótimo que as crianças tenham vindo assistir também, porque senão fica uma coisa restrita à 'velhos', como costumam dizer por aí. Quando eu comecei, também tinha esse preconceito", admite ele, que aprendeu a conviver pacificamente em uma zona que geralmente é de conflito: o encontro de gerações.

A determinação e o talento do grupo são reconhecidos pela platéia. "Achei lindo! Adorei! Elas são muito simpáticas! Sem contar a força de vontade que elas têm, por serem idosas e fazerem tudo isso", impressiona-se Tamires Fonseca, de 14 anos, que assistiu a peça na companhia dos colegas da escola Nossa Senhora Medianeira e no final fez questão de cumprimentar os atores um a um. "Conheço poucos idosos que são assim, mas também conheço muitos jovens bem menos ativos que esses aqui. Até a gente mesmo é assim, fica um tempão na frente do computador...", entrega a amiga Daiane Ferreira, de 15 anos.


Por um papel na sociedade

Mais importante que os papéis que interpretam no palco é a postura que os idosos ativos assumem diante da sociedade. Tereza Moreira da Silva, de 59 anos, é hoje a presidente do Clube da Maturidade em Pelotas e afirma que a principal responsabilidade do grupo é modificar a idéia de que idoso é sinônimo de cidadão incapaz. "É preciso acabar com o preconceito dos jovens e dos próprios idosos, que muitas vezes resistem a assumir a 'melhor idade'", diz ela, que pretende deixar de herança uma nova consciência para as novas gerações. "Não é justo que a gente fique em casa sem fazer nada quando ainda temos tanto vigor, sem contar a experiência. A sociedade perde a nossa força de trabalho e nós perdemos de viver!".

O diferencial do Clube da Maturidade Ativa, segundo o gerente da unidade do Sesc em Pelotas Luis Fernando Parada, é que é o próprio grupo que se auto gerencia. "Nós do Sesc somos apenas facilitadores, são eles que escolhem o que querem fazer", diz ele, que ainda destaca o cuidado com a terceira idade, antes da maturidade chegar. "Também é uma preocupação desse projeto ajudar as pessoas a se prepararem para envelhecer bem."


Participe, em Pelotas

O Clube da Maturidade Ativa do Sesc, formado há cerca de um ano, reúne cerca de 70 pessoas a partir dos 50 anos de idade. O grupo realiza atividades esportivas, culturais e sociais. Os encontros ocorrem sempre às quintas-feiras, a partir das 14h, no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 914). Mais informações pelo telefone 3225-6093.


Assista Faustino em Bagé e Rio Grande

Nesta quarta-feira (1º), a peça Faustino será apresentada em Bagé, às 14h30, no Teatro Justino Quintana. Cada litro de leite vale um ingresso. Toda a arrecadação será repassada aos asilos José e Auta Gomes, e Vila Vicentina.
Na sexta-feira (3) o grupo de Ijuí se apresenta no Theatro Municipal, em Rio Grande, às 17h30min. A entrada é franca, mas aceita-se doações espontâneas de alimentos não perecíveis.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Viva Bem / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 1º de oububro de 2008

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Duo interpreta Villa-Lobos

A 2ª etapa do Circuito Sonora Brasil, realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) traz a Pelotas hoje o espetáculo Canções e Serestas de Heitor Villa-Lobos, interpretado pelos músicos Marcus Llerena e Rosenete Eberhardt. A apresentação, aberta ao público, ocorre no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas a partir das 20h.


Seresteiro por excelência, o duo de voz e violão irá interpretar temas do compositor que é ícone da vanguarda musical brasileira. "O que mais me agrada em Villa-Lobos é a criatividade das composições. Foi ele quem começou o modernismo musical no Brasil", afirma Llerena que classifica o repertório como "denso, introspectivo e intelectual". As composições, originalmente elaboradas para piano, foram transcritas para o violão.

Marcus Llerena e Rosenete Eberhardt são pesquisadores da música brasileira. Depois de viajar por cinco países da Europa em 2006 - levando para os palcos internacionais o repertório nacional - eles retornaram no ano passado para uma segunda turnê, em que, além da realização de concertos ministraram master classes em Tergnier e Vervin, na França.

Pelotas será a última, de seis cidades gaúchas a receber esta edição do Sonora Brasil, que antecipa as programações alusivas aos 50 anos da morte de Villa-Lobos, que serão completados no ano que vem.


Prestigie!

O quê:
Sonora Brasil - Canções e Serestas de Heitor Villa-Lobos
Quando: hoje (7), a partir das 20h
Onde: no Conservatório de Música da UFPel (rua Félix da Cunha esquina com a Sete de Setembro)
Quanto: a entrada é franca mas são aceitas doações espontâneas de alimentos não perecíveis que serão encaminhados pelo Sesc a uma instituição beneficente da cidade.


Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 07 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Fugata Tango


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]

* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Maria, Marias


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ole


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

Dramático, cômico e bem-humorado

A iminência da morte, o prazer inconfessável, o instinto assassino. As particularidades humanas caricaturadas na obra do dramaturgo italiano Luigi Pirandello (1867-1936) são levadas ao palco e colocadas cara-a-cara com o espectador em A Poltrona Escura, monólogo que o ator Cacá Carvalho apresenta hoje no Theatro Sete de Abril.


Mais do que cômica - ou tragicômica -, a peça é uma dramática e bem-humorada radiografia dos sentidos e sentimentos que sintetizam a condição humana, temperada pela crueldade do inevitável e pela poesia do que é cruel - e até divertido.

Para o dramaturgo italiano, criador do clássico Seis Personagens em Busca de um Autor, o humorismo é uma forma de superar o distanciamento do que é puramente cômico. Sutil e ao mesmo tempo inquietante, a graça do pirandellismo está na provocação, na sua propriedade reflexiva e lúcida. O ser humano é sua matéria-prima e a partir dessa essência, diz Cacá Carvalho, "ele pega o homem contemporâneo e faz um retrato revelador de todas as suas maravilhas e também de suas características grotescas".


Três contos

Em cena, o ator realiza um jogo de papéis em três histórias retiradas dos livros Berecche e la Guerra e Candelora. Apesar de diferentes, os personagens e tramas de Os pés na grama, O carrinho de mão e O sopro se entrelaçam na discussão dos dilemas de identidade e das verdades relativas que caracterizam a obra de Pirandello.

O tema central do primeiro conto é a sucessão de gerações e o isolamento progressivo dos que vivem a última fase da vida - a velhice, que "é sempre colocada no quarto dos fundos", como diria Carvalho. O segundo discute a identidade através da metáfora de um advogado que desmascara a miséria da condição humana.

No gran finale a peça alcança o extremo absurdo quando a platéia conhece um protagonista que descobre ter o poder de matar o próximo juntando o polegar com o indicador da mão direita e soprando neles. "É humorismo absoluto", afirma categoricamente o ator.


Sete cidades

Cinco anos depois de sua estréia - quando foi escolhida pela Associação Paulista dos Críticos de Arte como uma das seis melhores montagens do ano em 2003 - A Poltrona Escura volta a ser encenada no Brasil depois de sua terceira temporada na Itália e chega ao Rio Grande do Sul através de uma promoção do Serviço Social do Comércio (Sesc). A turnê que começou ontem em Porto Alegre vai passar ainda por outros cinco municípios gaúchos além de Pelotas.


Quem é Cacá Carvalho

O ator paraense subiu no palco pela primeira vez aos 15 anos, em Belém, cidade onde nasceu. Aos 55 anos ele faz questão de grifar sua atuação teatral, apesar de ter feito importantes e bem-sucedidas passagens pelo cinema e pela teledramaturgia. As mais conhecidas delas foram as interpretações de Jamanta (Ariovaldo da Silva), personagem que estreou na novela Torre de Babel (Globo, 1998) e reapareceu mais tarde no enredo de Belíssima (2005).

Há 22 anos Cacá está radicado na Itália, mas vive "entre lá e cá". Aqui no Brasil dirige atualmente o grupo de formação de atores da Casa Laboratório para as Artes em Teatro, em São Paulo.


Não perca!

O quê: A Poltrona Escura, espetáculo teatral com Cacá Carvalho e direção de Roberto Bacci
Quando: hoje (16), às 20h
Onde: no Theatro Sete de Abril
Ingressos: antecipados à venda na bilheteria do local e no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 3126), a R$ 16,00 para o público em geral e a R$ 8,00 para idosos, comerciários e estudantes.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação / Lenise Pinheiro | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 16 de julho de 2008

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A Majestade do Rock

Argentinos da Doctor Queen encerram em Pelotas turnê nacional em tributo à banda inglesa.

God save the queen! Dios ahorra a la reina! - Deus salve a majestade do rock - é o que diriam os súditos fiéis da soberana de todas as bandas, que do País de Gales expandiu seu reino musical para todo o mundo. Fãs irão reverenciar, amanhã à noite no Theatro Guarany, o fenômeno musical chamado Queen.


Apesar da semelhança, a banda com quem os pelotenses irão cantar em côro clássicos como Radio Ga ga, I want to break free e We are the champions realmente não é a original inglesa e sim a banda cover argentina Doctor Queen, não por isso menos digna de aplausos. Criado no ano 2000, o grupo foi aclamado pela crítica internacional por grandes e memoráveis apresentações e já recebeu elogios até mesmo de Roger Taylor, baterista da Queen "verdadeira". O show em Pelotas encerra a turnê que começou em São Paulo e passou por outras três cidades gaúchas, incluindo Porto Alegre.


Sing it! They will rock you!

Sim, they will rock you - eles irão sacudir você - desde o primeiro momento, quando cantarem a tradicional música de abertura We will rock you, com o acompanhamento das palmas da platéia. Neste show tributo o lado irreverente que o mundo não esperava conhecer vindo de artistas de um país tão habituado à nobre e recatada polidez da côrte é posto em evidência. Talvez porque o vocalista e líder da banda original Freddie Mercury - nome artístico de Farrokh Bulsara - era africano e não inglês.


"Procuramos imitar a essência do Queen em todos os aspectos, para que ao nos assistirem todos pensem que estão vendo o próprio Queen. Fazemos isso com tanta dedicação que chegamos ao ponto de acreditar, durante os shows, que realmente somos o Queen", enfatiza Jorge Busetto que veste ombreiras, manto e coroa para representar seu ídolo nos palcos. Nas horas vagas, o fanático cover rockstar é médico, daí a palavra Doctor no nome da banda.

Criar a ilusão comprada pelo público tem seus desafios: além da dificuldade de reproduzir os megaefeitos inovadores de cenário, som e luz - marcas registradas das apresentações do Queen - há também a necessidade de recriar o perfil de cada personagem. "Somos parecidos com os músicos da formação original da banda, mas para se alcançar o público é preciso mais do que ter uma imagem similar", diz Busetto que tenta registrar a complexa personalidade de Mercury. "Copiar a aparência é fácil, mas o Freddie tinha também muito carisma e uma grande presença de palco", continua ele, que garante que mesmo atuando em uma banda cover é possível manter a autenticidade. "Não perdemos a espontâneidade porque não copiamos um estilo, ele é nosso também e por isso é natural", completa.

Atualmente está em fase de produção o terceiro CD da Doctor Queen, que incluirá oito faixas próprias e ainda uma versão do hino argentino em inglês, ao estilo do tema britânico God save The Queen.


In memoriam

Criada no final da década de 60, a banda Queen é considerada a vanguarda do estilo new wave, transitando entre tendências do rock pesado e ao mesmo tempo dançante. O legado de Freddie Mercury, morto em 1991 vítima de AIDS continua vivo nos palcos. Após um intervalo de mais de uma década, em 2005 os integrantes da formação original da Queen Brian May e Roger Taylor voltaram a se reunir e deram início a uma nova turnê acompanhados de Paul Rogers (ex-vocalista das bandas Free, Bad Company e The Firm). O baixista John Deacon preferiu se aposentar de vez.


Em setembro deste ano a Queen deve lançar o álbum The cosmos rocks, primeiro de músicas inéditas desde Made in Heaven, lançado há treze anos. E em novembro as duas bandas - Queen e Doctor Queen - poderão se encontrar pela primeira vez, e o encontro tem tudo para acontecer no Brasil, durante a turnê mundial da Queen cujo último show deve ocorrer nas areias de Copacabana. "Me encantaria muito cantar pelo menos uma canção neste show. Seria realmente emocionante", finaliza o Freddie Mercury argentino.


Imperdível para amantes do rock

O quê:
Tributo ao Queen com a banda argentina Doctor Queen
Quando: sábado, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: Antecipados à venda na Studio CD´s ou pelos telefones 3278-4384, 9165-1214 e 8409-3084 (Ema Produções). Os ingressos custam R$ 40,00 para o público em geral e R$ 20,00 para estudantes, professores e idosos (disponíveis apenas até ser esgotada a cota de 30% da bilheteria destinada a estas categorias).


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 4 de julho de 2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Música in natura

Marquinho Brasil é a atração de hoje no Sete ao Entardecer.

Com a mesma naturalidade que faz canção, o cantor e compositor Marquinho Brasil subirá ao palco do Sete de Abril hoje, em mais uma edição do projeto Sete ao Entardecer. Nascido em Rio Branco, capital do Acre, o músico que já morou em Brasília e em Minas Gerais vive há 16 anos em Pelotas.


Simples, e ao mesmo tempo sofisticadas, as letras e melodias do compositor que cresceu seresteiro, ao lado do pai, são formas de exaltação da natureza e dos sentimentos, com alguns toques místicos e até folclóricos - traços que preserva da herança nortense.

Na apresentação de hoje estarão composições recolhidas em seus três primeiros CD´s - Andarilho (2000), Real e Abstrato (2002) e Estrada (2005) - mescladas com canções inéditas que farão parte do próximo álbum - Com as próprias mãos - que deve ser lançado no final deste ano.

O repertório, que inclui grandes nomes da Música Popular Brasileira, também abre espaço para o lado intérprete de Marquinho Brasil. Composições de Almir Sater, Zé Ramalho e Belchior estão entre as selecionadas para a set list. O músico divide o palco com o baixista Ottone, o bateirista Alexandre e o tecladista Régis.


Não perca!

O quê: Marquinho Brasil no Sete ao Entardecer
Quando: Hoje (terça-feira, 1º/07), às 18h30
Onde: no Theatro Sete de Abril
Entrada franca.

Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 1º de julho de 2008

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Zona Contaminada em POA

[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Hamlet, um afrodrama

Ser ou não ser um Hamlet afro-brasileiro? A versão porto-alegrense do clássico shakespereano, revela que há mais coisas em comum entre a tragédia inglesa e a nossa cultura do que sonha a nossa vã filosofia.


A peça, com famosos trechos de monólogos, segue fiel à narrativa original, mas ganha ares "brazucas" na montagem do grupo Caixa-Preta, em cartaz há quatro anos. Os doze artistas que fazem parte do elenco dão vida aos personagens da trama, que representam, ao mesmo tempo, associações com as religiões de matriz africana. A constituição de Hamlet, por exemplo, tem Xangô - entidade símbolo da justiça - como referência. Gertrudes - a grande mãe - está ligada à Iemanjá. Ofélia - peça chave no enredo de assassinatos - faz o papel de Iansã, a ponte entre o mundo dos mortos e dos vivos, enquanto Zé Pilintra é personificado na figura amoral do tio do protagonista, que se casa com a rainha do rei morto para assumir o trono. "Essa leitura de Hamlet a partir da mitologia brasileira tem sido bem recebida, assim como tem repercutido bem o fato de o elenco ser formado basicamente por afrodescendentes", comenta o diretor Jessé Oliveira.

As ligações entre o dito clássico e o que é genuína brasilidade popular vai além das referências religiosas: Na trilha sonora, são estilos como o samba-de-breque e o hip hop que dão tom e ritmo à história.


Livre no tempo e no espaço

Nesta adaptação livre, além de explorar interpretações contemporâneas e recontextualizadas da história, o grupo se propõe a investigar as novas relações espaciais entre o espetáculo e o público - seguindo as mais modernas tendências das artes cênicas.

Longe da rigidez das linhas do teatro, que dividem o espaço em palco e platéia, esta peça tem o diferencial de ser apresentada de forma tridimensional e absolutamente interativa. "A intenção é justamente tirar a platéia do conforto de estar na platéia", sugere o diretor, responsável por elaborar cenas que literalmente envolvem o público. "As pessoas não vão ficar olhando só para frente. Vão olhar para todos os lados, para cima e para baixo", adianta.


A peça tem duração de cerca de duas horas (podendo ser mais ou menos, dependendo das reações da platéia). Durante esse tempo, o público irá assistir a cenas em pé e a outros trechos sentado. Em alguns momentos também irá circular pelo cenário na companhia dos personagens.

A apresentação de Hamlet Sincrético em Pelotas é uma promoção do Serviço Social do Comércio (Sesc) através do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte.


Sinopse

Hamlet, Rei e grande líder, é assassinado. Em seu lugar, assume Cláudio, seu irmão, que se casa com Gertrudes, rainha e esposa do rei morto. O jovem Hamlet fica inconformado com a situação, principalmente porque a mãe sequer esperou o cadáver esfriar para se casar novamente e torna-se impossível a convivência entre ele e seu tio.

Após Hamlet matar Polônio, Ofélia, muito triste e deprimida, suicida-se, enquanto seu irmão, que havia partido em viagem, volta para vingar-se de Hamlet.

Cláudio tenta mais uma vez uma armadilha contra Hamlet. Ao provocar o enfrentamento entre seu sobrinho e Laertes, prepara o ambiente para que a morte do jovem príncipe aconteça, acabando em trágico desfecho para todos.


Prestigie!

O quê: Hamlet Sincrético
Quando: Quarta-feira (25), às 20h
Onde: Na Cervejaria Original Beer (Rua Almirante Tamandaré, 52).
Duração: Aproximadamente duas horas
Ingressos: Antecipados à disposição no Sesc (Rua Gonçalves Chaves, 914), ao valor de R$10,00 para o público em geral e R$5,00 para idosos, comerciários, estudantes e professores.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Fátima de Souza | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 24 de junho de 2008

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Solos de piano no Conservatório

O gaúcho Ney Fialkow e a coreana Sin Ae Lee realizam concertos esta semana.

Antecipando as comemorações do nonagésimo aniversário do Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) - que ocorre em setembro deste ano - a série Artistas Convidados tem dois recitais programados para esta quarta e quinta-feira.

O primeiro deles será apresentado por Ney Fialkow, músico natural de São Leopoldo que acumula importantes prêmios do cenário musical erudito, destacando-se entre eles o cobiçado título de melhor pianista da sétima edição do Prêmio Eldorado de Música - considerado o mais importante desse segmento no Brasil. Sua vinda a Pelotas tem o apoio do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte e faz parte do calendário do Sesc Música.

De acordo com a professora Joana Holanda, responsável pela agenda dos concertos, "esta série está privilegiando músicos que tenham alguma relação estreita com o Conservatório", como é o caso de Fialkow, que já esteve no salão Milton de Lemos em outras ocasiões. "É um prazer tocar mais uma vez no Conservatório de Pelotas, um marco na história da música no Rio Grande do Sul e também um celeiro de talentos", elogia.

Para Sin Ae Lee, no entanto, esta será a primeira apresentação em palco pelotense. O mais perto que já esteve daqui foi quando se apresentou no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, dois anos atrás. "Nesses casos, o que mais pesa é a qualidade do trabalho e a trajetória do artista", diz Joana Holanda, que aponta no currículo da coreana vários bons motivos para que ela esteja entre a lista de nomes da programação.

Bacharel em música com habilitação em piano, a solista e camerista vem desenvolvendo uma promissora carreira apresentando-se regularmente em reconhecidas séries da capital paulista.

Preferências

No programa de seu recital, Lee pretende oferecer aos ouvintes um panorama da música do século 18 ao século 20, do barroco de Bach ao vanguardismo de Poulenc passando pelo romantismo de Liszt e pelo modernismo de Villa Lobos. "Pretendo mostrar um pouco do que essencial da música. Além disso, como estrangeira, me sinto quase na obrigação de tocar música brasileira, já que os próprios brasileiros não a conhecem muito".

O repertório de Fialkow, por sua vez, inclui obras de Schubert, Ravel e Chopin, e também tem peças brasileiras, representadas pelo nome de Carmargo Guarnieri. "Escolhi estes compositores porque cada um tem um jeito diferente de encarar o piano, tem uma linguagem própria do instrumento", diz ele, que acredita que tanto pelas diferenças quanto pelas semelhanças entre as obras, a seleção irá sensibilizar o público. "Não importa se o ouvinte for leigo, a arte é óbvia para qualquer pessoa", afirma.


Recitais de Piano Solo no Conservatório:
Quarta-feira (18), às 20h - Recital de Ney Fialkow
Quinta-feira (19), às 19h30 - Recital de Sin Ae Lee

* Ambos os eventos têm entrada franca.
** O Conservatório de Música da UFPel fica na rua Félix da Cunha, 651.


Master Class

Para estudantes de música interessados em aperfeiçoar-se na técnica musical em piano, Ney Fialkow ministra aula prática na quinta-feira, dia 19, das 9h ao meio-dia, também no Conservatório de Música. A aula é aberta ao público (apenas como ouvinte) e tem entrada franca. Mais informações pelo telefone 3222-2562.

Texto: Bianca Zanella | Foto: Daniela Nelstein (1) / Divulgação (2) | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 16 de junho de 2008

* Este post contém trechos publicados exclusivamente no blog, que não aparecem na edição impressa.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Tertúlias Musicais apresenta Marcos Kröning Corrêa

Agenda do músico e professor de Santa Maria em Pelotas inclui dois eventos no Conservatório de Música da UFPel.

Clássica sim, desatualizada não. A música erudita não está condenada a morrer nas prateleiras dos sebos e, muito menos, a ficar limitada ao âmbito acadêmico. Ao contrário, assim como a música pop, ela também invade o mercado digital. "Mais pessoas não apreciam esse tipo de música apenas porque nós, músicos, não conseguimos alcançá-las ainda", diz o violonista e professor universitário Marcos Kröning Corrêa, bacharel em violão e mestre em educação musical pela UFRGS que profere, neste sábado, uma aula sobre produção musical no Conservatório da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Antes, no início da noite de sexta-feira, ele estará no mesmo auditório, mas, desta vez para se apresentar como músico, no lançamento do CD Violões. O concerto faz parte da programação do projeto de extensão Tertúlias Musicais, da UFPel, realizado quinzenalmente desde abril do ano passado, sempre nas seguntas e nas quartas sextas-feiras de cada mês. "Temos um público já cativo, e bastante heterogêneo", diz o professor Marcelo Cazarré, coordenador do projeto que tem por objetivo, além da formação musical dos acadêmicos participantes, a formação de platéias para esse tipo de espetáculo.



Violões

Com influências da técnica musical clássica e também da música instrumental brasileira, o CD Violões resume em seis e sete cordas, e cordas de aço o que Kröning Corrêa chama de "música brasileira clássica-contemporânea". "O repertório tem músicas com muitas imagens", diz o compositor, fazendo uma analogia às possíveis associações com outras linguagens artísticas como o teatro e o cinema, e sobre as possibilidades de reconhecimento e identificação com a música. "Quanto mais particular a música é, mais universal ela parece ser", afirma.

O trabalho solo e inteiramente autoral é o segundo álbum lançado pelo violonista, e assim como o disco de estréia, intitulado A Caminho do Meio, Violões foi produzido por ele de forma independente.


A música clássica em tempos de "www"


Enquanto produtor musical, Kröning acredita que ainda vai demorar algum tempo para que os Cd´s virem, de vez, peça de museu. "Durante muito tempo o Lp e a fita K-7 conviveram no mercado", lembra ele ao argumentar que ainda hoje, especialmente no seleto meio da música clássica, o Lp ainda mantém seu espaço ao lado dos Cd´s, e este divide lugar com a música em formato digital. Isso porque, os músicos da linha clássica mantém o hábito de consumir esses produtos, em diferentes mídias. "Essa é uma característica do público da minha geração, com 30 e poucos, quarenta anos. Eu tenho um Lp de piano e ainda escuto ele até hoje porque gosto de ouvir o som do disco, e também gosto do encarte maior, mas comprei o mesmo álbum em Cd e também baixei as músicas em mp3", exemplifica. Ele ainda defende que o lançamento do álbum na forma física serve de suporte para um trabalho de difusão consistente no meio digital. "Se o CD for bem trabalhado e interessante, na Internet fica melhor ainda. Mas se for para fazer um CD pensando só em baratear custos, com um encarte de poucos atrativos, melhor então só lançar em formato digital."

Em sua opinião, o músico deve dominar os processos de produção de um CD para saber se colocar no mercado e se inserir em um roteiro mais amplo que o restrito circuito universitário, mas não necessariamente no mercado de massa. "Depois de criar, tocar, gravar e interpretar é preciso saber o que se vai fazer com tudo isso para evitar que o trabalho morra ali na esquina".


Lojas virtuais

O site de Marcos Corrêa ainda não está no ar, mas a previsão é de que seja lançado até o mês de setembro deste ano. O domínio, já registrado, é www.kroningcorrea.com.br. Enquanto isso, ele recomenda os seguintes sites especializados em música clássica, que além de disponibilizarem seus Cd´s para venda, ainda oferecem um amplo acervo, inclusive de raridades da música erudita:

www.lojaclassicos.com.br
www.nossamusica.com
www.cdpoint.com.br


Agende-se:

O quê:
19ª edição do projeto Tertúlias Musicais, com apresentação de Marcos Corrêa e lançamento do CD Violões
Quando: Amanhã (sexta-feira) às 19h
Onde: No Salão Milton de Lemos do Conservatório de Música da UFPel (Félix da Cunha, 651).
Entrada franca.


Para quem quer saber mais sobre produção musical:

O quê:
Classe com Marco Kröning Corrêa (UFSM) - Criação e CDs: Produzindo Aprendizagens
Quando: Sábado (14), das 10h às 11h45
Onde: No Conservatório de Música da UFPel (Félix da Cunha, 651)
Valor: R$ 15,00 (inclui um CD "Violões", autografado)
Inscrições: Na secretaria do Conservatório de Música, até amanhã, das 14h às 18h. Mais informações pelo telefone 3222-2562.

Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 12 de junho de 2008

* Este post contém trechos publicados exclusivamente no blog, que não aparecem na edição impressa.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Hoje a noite é de orquestra no Guarany

A música vai atingir você e quem mais estiver na platéia do Theatro Guarany hoje à noite. Jovens, adultos, velhos, crianças... qualquer um que se deixar levar pela emoção e pela vibração rítmica dos 140 instrumentistas e das 60 vozes que fazem parte da orquestra e do coro da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM).

No concerto, um repertório que passeia por partituras do período clássico, romântico e contemporâneo. Entre Mozart, Bizet, Rossini, Strauss e Haendel, Puccini e Gounod, melodias que apesar de "eruditas", até parecem populares de tão conhecidas. Prova, mais do que viva de que, ainda que no palco, a música instrumental não está distante de um público cada vez mais heterogêneo e menos elitista.

A expectativa é de um grande espetáculo musical, com platéia e camarotes lotados: os primeiros 300 ingressos, distribuídos a um preço mais barato, foram esgotados ainda no primeiro dia de vendas.

A noite também marca no palco uma das mais recentes conquistas da SPMM: a seleção no edital da Fundação Nacional das Artes (Funarte), que proporcionou a compra de seis novos instrumentos. O bombo sinfônico, a tuba, a trompa, a flauta pícolo, o contrabaixo e um novo par de pratos - instrumentos que, com exceção da trompa, a orquestra ainda não possuía - estarão hoje pela primeira vez incrementando a diversidade sonora do rico conjunto musical, sob a regência do maestro Sérgio Sisto.

Qualidade surpreende

"Esta é a minha primeira experiência com uma orquestra deste tamanho, e provavelmente será única", diz a soprano Giovana Sartori, uma das solistas do quarteto composto também pelo tenor Auildo Munhoz, pelo barítono Ataulfo Martins e pelo flautista Lucian Krolow. A paranaense, radicada em Caxias do Sul, soma três anos de experiência e estudos de música na Itália, e diz ter ficado surpresa com a qualidade que encontrou na orquestra e no coro da SPMM. "O que me surpreendeu mais foi o esforço deles, por serem voluntários, e por conseguirem, mesmo com poucos ensaios, executar muito bem peças que apresentam alto grau de dificuldade."


Prestigie!

O quê: Concerto da Orquestra Filarmônica e Coro da Sociedade Pelotense Música pela Música
Quando: Hoje, às 21h
Onde: No Theatro Guarany
Ingressos: Antecipados à venda somente na loja Vivo do Calçadão à R$ 30,00. Estudantes, professores, maiores de 60 anos e assinantes do Diário Popular têm 50% de desconto.

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de junho de 2008


terça-feira, 3 de junho de 2008

OPTC - Tholl comemora 20 anos no palco do Guarany

Grupo Tholl volta a Pelotas com o espetáculo que o consagrou, e traz também a estréia de Exotique.

Exótico em português. Exotique em francês. Do latim, exoticu e do grego, exotikós. "Para nós, nada mais do que um 'estrangeiro das épocas', diz João Bachilli, diretor do grupo Tholl sobre a nova produção, com estréia marcada para o final deste mês em Pelotas. A performance será seguida pela reapresentação de Tholl, Imagem e Sonho, em uma noite que marcará a comemoração do vigésimo aniversário da extinta Oficina Permanente de Técnicas Circenses (OPTC), que deu origem ao grupo.

Com muitas acrobacias e vários elementos surpresa, Exotique promete surpreender mais uma vez o público, depois do aclamado Imagem e Sonho. O pocket show será mais uma experiência intensa e cheia de energia: em apenas 15 minutos faz uma passagem por várias épocas e estilos da humanidade, a começar por seus figurinos, inspirados em períodos diversos, com toques de modernidade. "Em todas as épocas houve pessoas, estilos, situações e outras incontáveis formas de manifestações exóticas", afirma Bachilli.

A performance, que conta com um elenco de 11 artistas do Núcleo de Animadores do grupo, foi elaborada a partir da cobrança de clientes que não tinham estrutura suficiente para receber uma superprodução do porte de Tholl. "Nessas situações nós apresentávamos cenas avulsas do espetáculo, mas nunca é a mesma coisa que apresentar o espetáculo todo", diz o diretor. De acordo com ele, Exotique transmite idéias de equilíbrio, força, trabalho em equipe e paciência, e é ideal para ser apresentado a públicos adultos, especialmente em eventos como congressos, convenções, seminários ou reuniões empresariais. "Este é um trabalho voltado para a forma, para a morfologia da palavra. Por isso, tudo tem muito excesso, tudo é muito singular, admirável".


Kaiumá tem estréia prevista para novembro

15 de novembro é a data prevista para a estréia do novo grande espetáculo da trupe, intitulado Kaiumá, a Fronteira. Segundo Bachilli, a data anunciada só será transferida caso a montagem não fique pronta à tempo, devido às constantes viagens do elenco em apresentações do carro-chefe da trupe, o espetáculo Tholl, Imagem e Sonho. "Não abro mão de estrear esse espetáculo com tudo aquilo que eu idealizei, e não vamos apresentá-lo antes dele ficar pronto apenas para ceder as cobranças do público".

Neste sábado e domingo, é a vez de platéias de Novo Hamburgo e Farroupilha assistirem ao espetáculo Tholl. As apresentações fazem parte da turnê promovida através dos projetos Arte Sesc e Sesc - Cultura por toda parte, do Serviço Social do Comércio.


Expectativa:
O quê: Tholl Imagem e Sonho e Exotique
Onde: no Theatro Guarany
Quando: dia 26 de junho, às 21h
Ingressos: Ainda não estão à venda. Preço anunciado: R$ 15,00

Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 3 de junho de 2008



quinta-feira, 29 de maio de 2008

Teatro de Guerrilha

Ideologicamente questionador e emocionalmente impactante, Jogo Bruto: Deserto de Solidão estréia nesta sexta-feira no Theatro Sete de Abril. A montagem do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) documenta por meio da linguagem cênica as agruras do conflito protagonizado pela guerrilha, pelo governo colombiano e pelas lideranças políticas internacionais.

Com adaptação e direção de Adriano de Moraes, a peça é inspirada nas cartas de Ingrid Betancourt, divulgadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como prova de vida da refém e publicadas no livro "Cartas à mãe - direto do inferno" (Editora Agir, 2008). A senadora e ex-candidata à presidência da Colômbia, em poder das Farc desde 2002, acabou virando peça-chave no jogo de xadrez permanentemente tenso.

Se tocar nesse assunto, para muitos, não é considerado "politicamente correto", ao menos o texto é diplomático: No jogo de poderes, opostos e palavras, cada uma das lideranças, em determinado momento, rouba a cena e assume a voz do espetáculo. Afinal, em que outro cenário, senão o das artes, poderiam contracenar e negociar - de igual para igual - George W. Bush, Nicolas Sarkozy, Hugo Chávez, as Farc e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe? "A peça é panfletária, mas tem panfletos de todos os lados. Vamos provocar na cena teatral um diálogo entre partes que na cena política não dialogam", diz Adriano, que teve o desafio de incluir em um mesmo roteiro discursos tão distintos.


Enquanto isso, na vida real...

O futuro da ativista colombiana Ingrid Betancourt continua incerto, mas um novo episódio fez crescer a esperança de libertação dela e de outros reféns: A morte do líder guerrilheiro Manuel Marulanda, conhecido como "Tirofijo" (Tiro-certo), anunciada na semana passada, representa para alguns analistas uma mudança estratégica das Farc para uma posição mais amena, e para outros o início de um enfraquecimento gradual da guerrilha.

O certo é que os rumos do caso dependem agora de Alfonso Cano, nomeado novo líder das Farc. A expectativa é que ele assuma uma postura menos resistente em relação às pressões internacionais e do próprio governo colombiano, e acabe cedendo à troca dos reféns por guerrilheiros que são prisioneiros do Estado.


Gritos e Silêncios

Neste conflito com várias frentes de batalha, as estratégias são muitas: Enquanto no campo físico a guerrilha se camufla na selva, na mídia e nos bastidores da alta cúpula política internacional a mesma guerra é camuflada por trás da diplomacia.

Em meio ao fogo cruzado, na queda de braço disputada por muitas mãos, está em jogo o destino de cerca de 750 homens e mulheres, guerrilheiros e reféns, todos prisioneiros da mesma selva. Por isso, mais que um relato pessoal, um discurso político ou uma ardente declaração de amor, as cartas de Ingrid Betancourt são o registro dramático da história latino-americana.

Na visão desconstruída da linguagem cênica, esse retrato verídico e cruel é personificado em duas Ingrids, dois aspectos da mesma personagem com sutis relações, interpretados simultaneamente em cenas quase que distintas. Uma delas é a que afirma que a “morte parece ser uma opção doce” diante do desgaste físico e emocional de mais de cinco anos de cativeiro. A outra é a imagem da resistência, a que não aparece, a que segue percorrendo seu longo caminho de luta. Curiosamente, nenhuma das figuras se refere diretamente Betancourt como mártir. Mesmo no palco, ambas as Ingrids são humanas.

Tão fortes quanto a dupla presença da protagonista, guerrilheiros e as figuras maternas, criam na lacuna entre o primeiro e o segundo plano do palco uma dinâmica entre dois pólos dramáticos, alternando na arquitetura das cenas momentos de absoluto tédio - a espera - e outros extremamente enérgicos. “No início é difícil entrar na personagem, mas chega um momento em que o próprio corpo grita e ela passa a falar por si”, afirma Fátima Zanetti, que divide o papel de Ingrid com Stael Gibbon.


Claro e Escuro

Elaborada em praticamente dois meses de ensaios intensivos, Jogo Bruto: Deserto e Solidão viaja em breve para Brasília, onde será encenada a convite de um assessor do Ministério da Educação, que sugeriu ao Núcleo que fizesse a montagem de um espetáculo com esse texto durante a primeira edição do Festival de Teatro Universitário de Pelotas, realizado em março.

Para retratar a situação-limite da selva, o elenco vale-se das técnicas de expressão, mas também da tecnologia. “Vamos aproveitar a oportunidade proporcionada pelo incentivo do Ministério para uma experimentação estética diferente, com uma tecnologia que, por ser cara, não podemos utilizar com mais freqüência”, diz o diretor.

Trinta feixes de luz de alto grau de precisão, chamados elipsoidais, irão provocar o contraste acentuado entre os locais iluminados e a penumbra do palco, desafiando a capacidade de observação do público. Fora isso, nada mais que uma cadeira e uma escada. De resto, o cenário é pura emoção.


Quem faz parte do elenco:

Stael Gibbon e Fátima Zanetti Portelinha (como Ingrid Betancourt); Alexandro Ayres, Leonardo Dias e Inácio Schardosin (como guerrilheiros); Ana Alice Muller e Neusa Maria Kuhn (como mães), todos alunos do curso de Licenciatura em Teatro da UFPel.


Confira

O quê: Espetáculo-documento Jogo Bruto: Deserto de Solidão

Quando: Sexta-feira, às 21h

Onde: No Theatro Sete de Abril

Ingressos: Antecipados à venda na bilheteria do Theatro e com os integrantes do elenco à R$ 5,00. Artistas, estudantes, professores e idosos têm 50% de desconto.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 29 de maio de 2008