As linhas das calçadas de Pelotas são a base da exposição A estética sob meus pés, que fica no Corredor Arte do Hospital Escola UFPel/FAU até o dia 29 deste mês.
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segunda-feira, 20 de abril de 2009
A estética sob meus pés
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
A sofisticação da cor
Quem vê as criações de Francis Silva pode entender o significado da expressão “células de cor”, cunhada pela artista plástica para descrever a unidade básica de seu trabalho.
Em cada quadro, as pequenas manchas multicoloridas de tinta acrílica justapostas dão origem a formas disformes e distintas sobre o papel. A imperfeição dos contornos, a singularidade, faz pulsar o dinamismo das obras em cores vibrantes. Quase como se os corpos gerados pela cor fossem além da estática do papel, se reordenassem a cada instante diante dos olhos, reinventando as formas, como se dotados fossem de movimento.

Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e pós-graduada em Patrimônio Cultural pela mesma instituição, Francisca Silva - de nome artístico Francis - expõe pela terceira vez no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) até o dia 4 de março.
Nascida na cidade de Santa Fé, em Rio Grande do Norte, a artista vive em Pelotas desde 1996 e é uma confessa apaixonada pela arte e pela cultura popular nordestinas. “Lá no Rio Grande do Norte a arte, a dança, o teatro sempre foram presentes no nosso meio. As artes, para mim, eram uma experiência silenciosa e individual”, relata a artista.
No currículo, além de diversas exposições individuais e participações em coletivas, consta a conquista mais recente: o prêmio na etapa regional do Salão Jovem Artista, promovido pelo grupo RBS em parceria com o Banrisul e o Governo do Estado.
A obra vencedora - Termogenia em Sul - é justamente o retrato das influências do meio sobre a atividade criativa. “Somos todos impregnados de uma memória celular e genética e de uma memória que registramos em nossas vivências. A temperatura é para mim uma grande influência. As cores do sul, do frio, do inverno são coisas com que convivo e que só me acrescentam. Até ajudam a me aquecer”, afirma ela, ainda que guarde na essência de suas expressões as imagens tropicais: as falésias características da paisagem litorânea, o céu, o mar, a seca e o calor fazem parte de um mosaico que ela reúne em formas inclassificáveis - nem abstratas nem figurativas - lembrando a tradição das areias coloridas.
Arte de cordel
“Nasci e cresci no meio de contadores de história. A partir dessas leituras de cordel tive acesso à arte, através dos gravuristas”, lembra Francis que, apaixonada pelas ilustrações das capas dos cordéis, resolveu incluir na exposição cinco obras de sua coleção de xilogravuras. A parte do acervo é assinada pelo aclamado gravurista João Borges, e também por seu irmão e filhos.

Representadas através da técnica de carimbos entalhados em madeira, as imagens ajudam a recontar fragmentos da cultura popular nordestina. Estão ali várias cenas da saga de Lampião e Maria Bonita e também dos típicos rituais do Bumba Meu Boi.
“Apesar de ser grande a minha produção, a maioria dos meus quadros é muito grande. Por isso para completar a mostra resolvi incluir essas obras, que são bastante representativas.”
Francis Silva tem uma exposição prevista para breve em Porto Alegre. Por isso, trabalha em ritmo acelerado na produção de obras inéditas. Quem quiser conhecer outras criações da artista pode encontrá-la de segunda a sexta-feira das 8h às 14h no ateliê do Instituto de Artes e Design da UFPel (IAD), na rua Alberto Rosa, 62.
Prestigie!
A exposição de obras de Francis Silva no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) - na rua Professor Araújo, 538 - pode ser visitada até o dia 4 de março, diariamente das 8h às 22h.
Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Em cada quadro, as pequenas manchas multicoloridas de tinta acrílica justapostas dão origem a formas disformes e distintas sobre o papel. A imperfeição dos contornos, a singularidade, faz pulsar o dinamismo das obras em cores vibrantes. Quase como se os corpos gerados pela cor fossem além da estática do papel, se reordenassem a cada instante diante dos olhos, reinventando as formas, como se dotados fossem de movimento.

Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e pós-graduada em Patrimônio Cultural pela mesma instituição, Francisca Silva - de nome artístico Francis - expõe pela terceira vez no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) até o dia 4 de março.
Nascida na cidade de Santa Fé, em Rio Grande do Norte, a artista vive em Pelotas desde 1996 e é uma confessa apaixonada pela arte e pela cultura popular nordestinas. “Lá no Rio Grande do Norte a arte, a dança, o teatro sempre foram presentes no nosso meio. As artes, para mim, eram uma experiência silenciosa e individual”, relata a artista.
No currículo, além de diversas exposições individuais e participações em coletivas, consta a conquista mais recente: o prêmio na etapa regional do Salão Jovem Artista, promovido pelo grupo RBS em parceria com o Banrisul e o Governo do Estado.
A obra vencedora - Termogenia em Sul - é justamente o retrato das influências do meio sobre a atividade criativa. “Somos todos impregnados de uma memória celular e genética e de uma memória que registramos em nossas vivências. A temperatura é para mim uma grande influência. As cores do sul, do frio, do inverno são coisas com que convivo e que só me acrescentam. Até ajudam a me aquecer”, afirma ela, ainda que guarde na essência de suas expressões as imagens tropicais: as falésias características da paisagem litorânea, o céu, o mar, a seca e o calor fazem parte de um mosaico que ela reúne em formas inclassificáveis - nem abstratas nem figurativas - lembrando a tradição das areias coloridas.
Arte de cordel
“Nasci e cresci no meio de contadores de história. A partir dessas leituras de cordel tive acesso à arte, através dos gravuristas”, lembra Francis que, apaixonada pelas ilustrações das capas dos cordéis, resolveu incluir na exposição cinco obras de sua coleção de xilogravuras. A parte do acervo é assinada pelo aclamado gravurista João Borges, e também por seu irmão e filhos.

Representadas através da técnica de carimbos entalhados em madeira, as imagens ajudam a recontar fragmentos da cultura popular nordestina. Estão ali várias cenas da saga de Lampião e Maria Bonita e também dos típicos rituais do Bumba Meu Boi.
“Apesar de ser grande a minha produção, a maioria dos meus quadros é muito grande. Por isso para completar a mostra resolvi incluir essas obras, que são bastante representativas.”
Francis Silva tem uma exposição prevista para breve em Porto Alegre. Por isso, trabalha em ritmo acelerado na produção de obras inéditas. Quem quiser conhecer outras criações da artista pode encontrá-la de segunda a sexta-feira das 8h às 14h no ateliê do Instituto de Artes e Design da UFPel (IAD), na rua Alberto Rosa, 62.
Prestigie!
A exposição de obras de Francis Silva no Corredor Arte do Hospital Escola (UFPel/FAU) - na rua Professor Araújo, 538 - pode ser visitada até o dia 4 de março, diariamente das 8h às 22h.
Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
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terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Região sul busca espaço no cenário estadual da dança
Em tempos de incerteza a respeito do futuro da produção artística e cultural no Rio Grande do Sul - devido às recentes polêmicas envolvendo desvio de verbas de patrocínios via Lei de Incentivo à Cultura - o interior do Estado acaba de ganhar um motivo para ficar, pelo menos, mais otimista. A razão para isso está no anúncio na Associação Gaúcha de Dança (Asgadan) da eleição de seus novos diretores, entre eles a pelotense Berê Fuhro Souto como representante dos municípios da região sul.
"Sempre foi difícil entrar em Porto Alegre. Lá nunca ninguém olhava para a nossa situação e só lembravam da gente quando queriam pedir voto para alguma coisa", diz a bailarina e coreógrafa que não guarda rancores, mas comemora a conquista de mais esse espaço pela dança do interior em um cenário que, durante muito tempo, foi monopolizado pelos bailarinos da capital.
Diante da dificuldade de se integrar à dança porto-alegrense na busca de apoio, a pelotense acabou se associando a outras organizações como a Confederação Interamericana de Dança e a Associação Mundial dos Profissionais de Dança, que segundo ela mesma, lhe "abriram as portas do mundo". Agora, ela pretende aproveitar a experiência internacional para tentar implantar nos palcos gaúchos modelos de produção artística que dão certo lá fora, a começar pelo Festival Estadual de Dança, previsto para ocorrer em agosto. "É preciso criar uma mostra séria, com cachê para os bailarinos. A gente que trabalha com dança tem que se garantir enquanto profissional", afirma. "Os festivais competitivos devem ficar para as escolas. Sempre achei que arte a gente não mensura, mas esses concursos são necessários para estimular as pessoas a dançar. Se não vale prêmio, medalha, dificilmente os pais se dispõe a bancar os filhos como bailarinos, no começo", opina ela, defensora ferrenha da pedagogia "artisticamente correta".
"Hoje em dia tem muita criança brincando de dançar, mas nem sempre de uma maneira saudável. Os festivais banalizaram a arte. Atualmente aumentou muito o número de bailarinos, mas coreógrafo que pesquisa mesmo é uma figura em extinção. Aí a criança cresce achando que dançar de par é dança de salão e que basta usar o boné pra trás pra dançar street", critica. "O respeito pelo teatro, a postura enquanto bailarino, o comportamento diante do outro que está no palco deixaram de ser ensinados. Tem toda uma educação necessária por trás da arte que não está acontecendo."
Novas perspectivas
Para Berê, a representatividade do interior na Asgadan significa a possibilidade de fortalecimento da dança em todo o Estado, tanto para batalhar recursos quanto para qualificar profissionais. Em reuniões periódicas, abertas a todas as pessoas que trabalham com dança, serão discutidas as reivindicações dos municípios da região para serem levadas às reuniões gerais da Associação.
Além disso, encontros de bailarinos de todo o Estado irão acontecer aqui. "Pelotas vai voltar a ter cursos, vamos ter a possibilidade de fazer mais intercâmbios e, principalmente, promover através disso a ética no meio artístico, de forma que todos os estilos possam dialogar sem fazer julgamento entre eles, porque não existe forma de dança mais ou menos nobre."
Um dos objetivos mais imediatos da Asgadan é mapear a dança gaúcha com o apoio de cada município, já que não existe um banco de dados com o registro de quem faz e onde se faz dança no Rio Grande do Sul. Nesse ponto, defende Berê, é preciso encarar a arte de forma profissional. "Quando se fala em dança se fala em produção, figurino, cenografia, vídeo... tem muita gente envolvida nisso. Politicamente falando, a dança vive um outro momento hoje. O mundo já sabe que além de pensar é preciso sentir o que se pensa, e já está mais do que na hora da gente abocanhar esse mercado."
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 6 de janeiro de 2009
"Sempre foi difícil entrar em Porto Alegre. Lá nunca ninguém olhava para a nossa situação e só lembravam da gente quando queriam pedir voto para alguma coisa", diz a bailarina e coreógrafa que não guarda rancores, mas comemora a conquista de mais esse espaço pela dança do interior em um cenário que, durante muito tempo, foi monopolizado pelos bailarinos da capital.
Diante da dificuldade de se integrar à dança porto-alegrense na busca de apoio, a pelotense acabou se associando a outras organizações como a Confederação Interamericana de Dança e a Associação Mundial dos Profissionais de Dança, que segundo ela mesma, lhe "abriram as portas do mundo". Agora, ela pretende aproveitar a experiência internacional para tentar implantar nos palcos gaúchos modelos de produção artística que dão certo lá fora, a começar pelo Festival Estadual de Dança, previsto para ocorrer em agosto. "É preciso criar uma mostra séria, com cachê para os bailarinos. A gente que trabalha com dança tem que se garantir enquanto profissional", afirma. "Os festivais competitivos devem ficar para as escolas. Sempre achei que arte a gente não mensura, mas esses concursos são necessários para estimular as pessoas a dançar. Se não vale prêmio, medalha, dificilmente os pais se dispõe a bancar os filhos como bailarinos, no começo", opina ela, defensora ferrenha da pedagogia "artisticamente correta".
"Hoje em dia tem muita criança brincando de dançar, mas nem sempre de uma maneira saudável. Os festivais banalizaram a arte. Atualmente aumentou muito o número de bailarinos, mas coreógrafo que pesquisa mesmo é uma figura em extinção. Aí a criança cresce achando que dançar de par é dança de salão e que basta usar o boné pra trás pra dançar street", critica. "O respeito pelo teatro, a postura enquanto bailarino, o comportamento diante do outro que está no palco deixaram de ser ensinados. Tem toda uma educação necessária por trás da arte que não está acontecendo."
Novas perspectivas
Para Berê, a representatividade do interior na Asgadan significa a possibilidade de fortalecimento da dança em todo o Estado, tanto para batalhar recursos quanto para qualificar profissionais. Em reuniões periódicas, abertas a todas as pessoas que trabalham com dança, serão discutidas as reivindicações dos municípios da região para serem levadas às reuniões gerais da Associação.
Além disso, encontros de bailarinos de todo o Estado irão acontecer aqui. "Pelotas vai voltar a ter cursos, vamos ter a possibilidade de fazer mais intercâmbios e, principalmente, promover através disso a ética no meio artístico, de forma que todos os estilos possam dialogar sem fazer julgamento entre eles, porque não existe forma de dança mais ou menos nobre."
Um dos objetivos mais imediatos da Asgadan é mapear a dança gaúcha com o apoio de cada município, já que não existe um banco de dados com o registro de quem faz e onde se faz dança no Rio Grande do Sul. Nesse ponto, defende Berê, é preciso encarar a arte de forma profissional. "Quando se fala em dança se fala em produção, figurino, cenografia, vídeo... tem muita gente envolvida nisso. Politicamente falando, a dança vive um outro momento hoje. O mundo já sabe que além de pensar é preciso sentir o que se pensa, e já está mais do que na hora da gente abocanhar esse mercado."
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 6 de janeiro de 2009
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Linha de Impacto
Quadrinhista pelotense Rafael Sica expõe em Porto Alegre nuances monocromáticas da realidade
A cor é cinza. Cinza-choque. Os traços são inconfundíveis, dão forma à personalidade inquieta de um desenhista "de cara com o mundo". Rafael Sica faz dos quadros uma zona de impacto. Seus desenhos vão além dos limites quadriláteros. Em quadrões e quadrinhos, as densas criações com a assinatura de Sica são versáteis e indiferentes às escalas: se enquadram bem em qualquer situação e nenhum espaço é pequeno demais para caber fragmentos de uma realidade quase sempre desproporcional.

"O que mais me choca é o comportamento das pessoas e como a nossa existência é miserável em todos os sentidos. É uma opinião pessimista, mas é isso aí, a gente tá f... mesmo", diz sem alterar o tom de voz calmo, que contrasta com a acidez das linhas rebeldes e inconformadas.
Seja pela fala, seja pelo traço, as expressões do ilustrador são marcadas pela espontâneidade do realismo escrachado com alguns toques de humor.
Rafael Sica conduz o lápis e a borracha no papel com liberdade. O retrato caricato do mundo real tem lá suas partes borradas, apagadas. Em meio ao caos, à confusão do mundo moderno, a miséria e o vazio se repetem em formas variadas. "Esse vulto branco que aparece em todos os quadros, em cada um de uma forma diferente. Ele é propositalmente um elemento estranho. É algo que eu uso pra deslocar olhar da realidade."
Algumas impressões do cotidiano urbano registradas pelo ilustrador estão na exposição Cinza-Choque, que vai até o final de novembro no Museu do Trabalho em Porto Alegre. Os desenhos vão dos tons de cinza mais escuros ao branco.
Além dos 14 quadros da série, esboços, tiras, e outros trabalhos "de gaveta" fazem parte da mostra que poderá passar por Pelotas após a temporada na capital. A confirmação, segundo Rafael, depende ainda de ajuste de datas e local para a exposição.
Trajetória
De uns tempos pra cá, e não se sabe até quando, as figuras assumiram um caráter mais realista e os quadros, antes saturados, agora sintetizam as percepções em menos elementos. "Isso faz parte da evolução natural e tem tudo a ver com encontrar um caminho no traço", diz ele, que como todo desenhista não sabe qual será o rumo que o próximo risco irá tomar. "Meu desenho está mais definido, essa é uma escolha proposital. Mas de repente tu tens que decidir seguir ou não com aquele esquema."

Rafael Sica nasceu em Pelotas, tem 28 anos e uma carreira ascendente. Seus desenhos já estiveram nas páginas do Diário Popular, ilustraram revistas como Mundo Estranho, Superinteressante, MTV, VIP e Trip... Atualmente podem ser vistos com freqüência no jornal Metrópole, de Salvador, na revista Caros Amigos e no blog Quadrinho Ordinário.
Sica viveu quase três anos em São Paulo antes de se mudar para Porto Alegre, onde mora desde 2006. Segundo ele, o lado positivo de desenhar em um lugar estranho é a possibilidade de enxergar a realidade "de fora". "O que acontece no lugar onde tu nasceu não te choca tanto, porque tu cresce acostumado com aquilo. Aí de repente tu te vê num lugar que não é teu. Por mais que tu te sintas perdido, é mais surpreendente ver as coisas dessa forma."
Confira in loco
O quê: Cinza-Choque, exposição de desenhos de Rafael Sica
Onde: no Museu do Trabalho em Porto Alegre (rua Andradas, 230)
Quando: visitação até o dia 30 de novembro, de terça-feira a domingo, das 13h30min às 18h30min
Confira na Internet * Rafael Sica publica uma tira nova por dia no blog Quadrinho Ordinário
* Para saber mais sobre o Museu do Trabalho acesse o site <http://www.museudotrabalho.org>
Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Imagens: Rafael Sica | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de oububro de 2008
A cor é cinza. Cinza-choque. Os traços são inconfundíveis, dão forma à personalidade inquieta de um desenhista "de cara com o mundo". Rafael Sica faz dos quadros uma zona de impacto. Seus desenhos vão além dos limites quadriláteros. Em quadrões e quadrinhos, as densas criações com a assinatura de Sica são versáteis e indiferentes às escalas: se enquadram bem em qualquer situação e nenhum espaço é pequeno demais para caber fragmentos de uma realidade quase sempre desproporcional.

"O que mais me choca é o comportamento das pessoas e como a nossa existência é miserável em todos os sentidos. É uma opinião pessimista, mas é isso aí, a gente tá f... mesmo", diz sem alterar o tom de voz calmo, que contrasta com a acidez das linhas rebeldes e inconformadas.
Seja pela fala, seja pelo traço, as expressões do ilustrador são marcadas pela espontâneidade do realismo escrachado com alguns toques de humor.
Rafael Sica conduz o lápis e a borracha no papel com liberdade. O retrato caricato do mundo real tem lá suas partes borradas, apagadas. Em meio ao caos, à confusão do mundo moderno, a miséria e o vazio se repetem em formas variadas. "Esse vulto branco que aparece em todos os quadros, em cada um de uma forma diferente. Ele é propositalmente um elemento estranho. É algo que eu uso pra deslocar olhar da realidade."
Algumas impressões do cotidiano urbano registradas pelo ilustrador estão na exposição Cinza-Choque, que vai até o final de novembro no Museu do Trabalho em Porto Alegre. Os desenhos vão dos tons de cinza mais escuros ao branco.
Além dos 14 quadros da série, esboços, tiras, e outros trabalhos "de gaveta" fazem parte da mostra que poderá passar por Pelotas após a temporada na capital. A confirmação, segundo Rafael, depende ainda de ajuste de datas e local para a exposição.
Trajetória
De uns tempos pra cá, e não se sabe até quando, as figuras assumiram um caráter mais realista e os quadros, antes saturados, agora sintetizam as percepções em menos elementos. "Isso faz parte da evolução natural e tem tudo a ver com encontrar um caminho no traço", diz ele, que como todo desenhista não sabe qual será o rumo que o próximo risco irá tomar. "Meu desenho está mais definido, essa é uma escolha proposital. Mas de repente tu tens que decidir seguir ou não com aquele esquema."

Rafael Sica nasceu em Pelotas, tem 28 anos e uma carreira ascendente. Seus desenhos já estiveram nas páginas do Diário Popular, ilustraram revistas como Mundo Estranho, Superinteressante, MTV, VIP e Trip... Atualmente podem ser vistos com freqüência no jornal Metrópole, de Salvador, na revista Caros Amigos e no blog Quadrinho Ordinário.
Sica viveu quase três anos em São Paulo antes de se mudar para Porto Alegre, onde mora desde 2006. Segundo ele, o lado positivo de desenhar em um lugar estranho é a possibilidade de enxergar a realidade "de fora". "O que acontece no lugar onde tu nasceu não te choca tanto, porque tu cresce acostumado com aquilo. Aí de repente tu te vê num lugar que não é teu. Por mais que tu te sintas perdido, é mais surpreendente ver as coisas dessa forma."
Confira in loco
O quê: Cinza-Choque, exposição de desenhos de Rafael Sica
Onde: no Museu do Trabalho em Porto Alegre (rua Andradas, 230)
Quando: visitação até o dia 30 de novembro, de terça-feira a domingo, das 13h30min às 18h30min
Confira na Internet * Rafael Sica publica uma tira nova por dia no blog Quadrinho Ordinário
* Para saber mais sobre o Museu do Trabalho acesse o site <http://www.museudotrabalho.org>
Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Imagens: Rafael Sica | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 27 de oububro de 2008
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Fresta

"Não vendo o mundo por frestas lhe posso fazer reparos"
(Leopoldo Rassier)
Publicado originalmente em: http://rafaelsica.zip.net/
(Leopoldo Rassier)
Publicado originalmente em: http://rafaelsica.zip.net/
Inspiração Simoniana
Instituto João Simões Lopes Neto revela os vencedores do primeiro Prêmio de Artes Visuais
Após meses de expectativa, foram anunciados ontem os ganhadores do Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais. A divulgação ocorreu durante a vernissage que abriu a exposição das onze obras finalistas, na galeria de arte do Instituto de Artes e Design (IAD/UFPel).
O artista porto-alegrense Elton Manganelli foi o grande vencedor da noite. Recebeu uma premiação no valor de R$ 6 mil pela obra O Sonho do Sacristão, um conjunto de três telas inspiradas na lenda da Salamanca do Jarau, que passa a fazer parte do acervo do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN). Outros cinco artistas (veja os nomes na lista de premiados) receberam menções honrosas no valor de R$ 500 cada.
O presidente do IJSLN, Henrique Pires, enfatizou que este é atualmente o maior prêmio de artes visuais vigente no Rio Grande do Sul. "É o maior do ponto de vista da valorização do artista. Conseguimos oferecer um bom estímulo com a premiação de mais de 13 mil reais e ficamos muito satisfeitos com a resposta que recebemos da comunidade, pela quantidade e qualidade das obras inscritas", afirmou.
Telas, fotografias e objetos ganharam formas inspiradas nas lendas e nos contos do escritor pelotense. Por entre mantantiais, personagens da dramaturgia, cenários e símbolos da cultura gaúcha foram recriados pelas mãos e olhares dos artistas. Ao todo foram 73 inscritos de diversas cidades do Estado, que se dispuseram a buscar em Simões inspiração.
"Simões é realmente muito inspirador pra mim. Achei muito interessante a proposta do Prêmio, tinha tudo a ver com o meu trabalho", diz a artista plástica Jane Machado, que já criava sobre a literatura de Simões desde 2002. "Eu comecei pesquisando o trabalho de Nelson Boeira Faedrich (ilustrador do livro Lendas do Sul), mas logo desisti da pesquisa. Resolvi que queria criar a minha própria Teniaguá", comenta ela.
"O que mais gostei de ver é que os artistas não fizeram simplesmente ilustrações dos textos. Eles partiram dos contos e lendas de Simões e foram capazes de responder à essa obra de uma forma muito original", destaca Igor Simões, produtor cultural do Instituto.
Segundo Henrique Pires, o IJSLN já planeja uma segunda edição do prêmio. "Essa é a nossa expectativa. Não sei se para o ano que vem ou para o próximo." O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais foi viabilizado por recursos via Lei de Incentivo à Cultura (LIC/RS) com o patrocínio da Copesul e da Braskem, e apoio das empresas "Amigas do Instituto": Colégio Gonzaga, Livraria Vanguarda, Theo Bonow e Caixa Econômica Federal.
Os premiados
Prêmio aquisição
Elton Manganelli (Porto Alegre) - O Sonho do Sacristão
Menções honrosas
Adrian Norberg dos Santos (Pelotas) - Jogo do Osso
Isabel Ramil (Pelotas) - Tudinha e Nadico
Jane Machado (Porto Alegre) - Sem título (da série: As peles de Teniaguá)
João Genaro (Pelotas) - Palangolé Simoniano
Ricardo Garlet (Frederico Westphalen) - Caixa IV
Outros finalistas
Ana Paula Barcelos (Pelotas) - Encarnado Manantial
Kátia Costa (Cristal/Porto Alegre) - Sou Eu, o Homem
Luci Sgorla de Almeida (Porto Alegre) - Transgressão
Pauline Treicha (Canguçu/Pelotas) - Mboitatá
Rodrigo Lobato Schlee (Pelotas) - Tranças Negras
Prestigie:
O quê: Exposição das obras finalistas no Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais
Quando: até o dia 11 de novembro (visitação de segunda a sexta-feira das 8h30 às 19h)
Onde: na galeria de arte do IAD (rua Alberto Rosa, 62)
Entrada franca
Ecos
Estimulados pela proposta do prêmio, mesmo sem interesse em competir, alunos do curso de licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas recriaram os personagens dos contos e lendas simonianos em formas de bonecos. "Trabalhar a obra de Simões através da linguagem da Toy Art foi um desafio proposto para os alunos, e o resultado foi muito bom", diz a professora Maria de Lourdes Reyes, orientadora do projeto.
Os 21 bonecos serão expostos durante a Feira do Livro, e a intenção é que o trabalho venha a itinerar pelas escolas. "Isso tem tudo a ver com o professor. Acho que vai ser legal usar essas criações para contar as histórias", acrescentou.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 22 de oububro de 2008

Após meses de expectativa, foram anunciados ontem os ganhadores do Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais. A divulgação ocorreu durante a vernissage que abriu a exposição das onze obras finalistas, na galeria de arte do Instituto de Artes e Design (IAD/UFPel).
O artista porto-alegrense Elton Manganelli foi o grande vencedor da noite. Recebeu uma premiação no valor de R$ 6 mil pela obra O Sonho do Sacristão, um conjunto de três telas inspiradas na lenda da Salamanca do Jarau, que passa a fazer parte do acervo do Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN). Outros cinco artistas (veja os nomes na lista de premiados) receberam menções honrosas no valor de R$ 500 cada.
O presidente do IJSLN, Henrique Pires, enfatizou que este é atualmente o maior prêmio de artes visuais vigente no Rio Grande do Sul. "É o maior do ponto de vista da valorização do artista. Conseguimos oferecer um bom estímulo com a premiação de mais de 13 mil reais e ficamos muito satisfeitos com a resposta que recebemos da comunidade, pela quantidade e qualidade das obras inscritas", afirmou.
Telas, fotografias e objetos ganharam formas inspiradas nas lendas e nos contos do escritor pelotense. Por entre mantantiais, personagens da dramaturgia, cenários e símbolos da cultura gaúcha foram recriados pelas mãos e olhares dos artistas. Ao todo foram 73 inscritos de diversas cidades do Estado, que se dispuseram a buscar em Simões inspiração.
"Simões é realmente muito inspirador pra mim. Achei muito interessante a proposta do Prêmio, tinha tudo a ver com o meu trabalho", diz a artista plástica Jane Machado, que já criava sobre a literatura de Simões desde 2002. "Eu comecei pesquisando o trabalho de Nelson Boeira Faedrich (ilustrador do livro Lendas do Sul), mas logo desisti da pesquisa. Resolvi que queria criar a minha própria Teniaguá", comenta ela.
"O que mais gostei de ver é que os artistas não fizeram simplesmente ilustrações dos textos. Eles partiram dos contos e lendas de Simões e foram capazes de responder à essa obra de uma forma muito original", destaca Igor Simões, produtor cultural do Instituto.
Segundo Henrique Pires, o IJSLN já planeja uma segunda edição do prêmio. "Essa é a nossa expectativa. Não sei se para o ano que vem ou para o próximo." O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais foi viabilizado por recursos via Lei de Incentivo à Cultura (LIC/RS) com o patrocínio da Copesul e da Braskem, e apoio das empresas "Amigas do Instituto": Colégio Gonzaga, Livraria Vanguarda, Theo Bonow e Caixa Econômica Federal.
Os premiados
Prêmio aquisição
Elton Manganelli (Porto Alegre) - O Sonho do Sacristão
Menções honrosas
Adrian Norberg dos Santos (Pelotas) - Jogo do Osso
Isabel Ramil (Pelotas) - Tudinha e Nadico
Jane Machado (Porto Alegre) - Sem título (da série: As peles de Teniaguá)
João Genaro (Pelotas) - Palangolé Simoniano
Ricardo Garlet (Frederico Westphalen) - Caixa IV
Outros finalistas
Ana Paula Barcelos (Pelotas) - Encarnado Manantial
Kátia Costa (Cristal/Porto Alegre) - Sou Eu, o Homem
Luci Sgorla de Almeida (Porto Alegre) - Transgressão
Pauline Treicha (Canguçu/Pelotas) - Mboitatá
Rodrigo Lobato Schlee (Pelotas) - Tranças Negras
Prestigie:
O quê: Exposição das obras finalistas no Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais
Quando: até o dia 11 de novembro (visitação de segunda a sexta-feira das 8h30 às 19h)
Onde: na galeria de arte do IAD (rua Alberto Rosa, 62)
Entrada franca
Ecos
Estimulados pela proposta do prêmio, mesmo sem interesse em competir, alunos do curso de licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de Pelotas recriaram os personagens dos contos e lendas simonianos em formas de bonecos. "Trabalhar a obra de Simões através da linguagem da Toy Art foi um desafio proposto para os alunos, e o resultado foi muito bom", diz a professora Maria de Lourdes Reyes, orientadora do projeto.
Os 21 bonecos serão expostos durante a Feira do Livro, e a intenção é que o trabalho venha a itinerar pelas escolas. "Isso tem tudo a ver com o professor. Acho que vai ser legal usar essas criações para contar as histórias", acrescentou.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 22 de oububro de 2008
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Prêmio
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sábado, 18 de outubro de 2008
As novas bossas de Inês Rosenthal
A inspiração vem em flashes, não pára nunca. A fala é agitada, os gestos são constantes e rápidos. Inês Rosenthal também não pára nunca. Sua arte pulsa nas cores e traços abstratos ou semi-figurativos criados pela trajetória do cursor do mouse na tela do computador. A artista de personalidade explosiva, mas que porém persegue a serenidade no ato da criação, a um ano e meio resolveu que não iria mais esperar o tempo da tinta secar.
A artista pelotense só queria encontrar um jeito "de fazer a arte fluir rapidamente", e encontrou. Foi assim. Meio que por incentivo de pessoas próximas, meio que por indicação espiritual, que segundo ela descobriu que poderia incorporar a programas de computador as técnicas aprendidas na academia. "Não tenho a intenção de retratar o cotidiano. Eu nem penso na temática antes de começar a desenhar. Mas depois de pronto eu me vejo, vejo que sou eu ali... E de repente o artista já faz parte da obra, é a própria obra. A arte fica à flor da pele. A vida impulsiona a arte", divaga diante dos quadros que em breve estarão na parede.
Um curto espaço de tempo para uma criação exaustiva, armazenada no HD em forma de mais de 4 mil imagens. "As coisas vão aparecendo, realmente, muito rápido." Das milhares, difícil para a artista apaixonada pelas suas obras selecionar apenas algumas da memória digital sem limites para o limitado espaço físico das paredes de uma galeria. Na tentativa, cerca de vinte telas reproduzidas tiradas do computador para o vinil adesivado estão na sala Antônio Caringi, da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em exposição até o fim do mês.
Bossas
Na vernissage da exposição No Caminho do Mouse, Inês Rosenthal apresentará outras de suas bossas. As filhas Ju e Mel Rosenthal realizam no jardim do Casarão 2 um recital com repertório de sambas e bossa nova. O repertório se vai pela MPB afora. Tom Jobim, Pixinguinha, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Ary Barroso, Cartola... No musical Nosso Samba, o duo de cavaquinho e violão terá a companhia da artista plástica no violino, em algumas participações especiais.
Prestigie
O quê: exposição No caminho do mouse
Abertura: inauguração conjunta com as demais exposições mensais nas salas da Secult amanhã, às 20h no hall da Prefeitura.
Vernissage: recital Nosso Samba no jardim do Casarão 2 da Praça Coronel Pedro Osório (Secult) após a abertura coletiva das exposições.
Visitação: até 31 de outubro, com entrada franca.
A artista pelotense só queria encontrar um jeito "de fazer a arte fluir rapidamente", e encontrou. Foi assim. Meio que por incentivo de pessoas próximas, meio que por indicação espiritual, que segundo ela descobriu que poderia incorporar a programas de computador as técnicas aprendidas na academia. "Não tenho a intenção de retratar o cotidiano. Eu nem penso na temática antes de começar a desenhar. Mas depois de pronto eu me vejo, vejo que sou eu ali... E de repente o artista já faz parte da obra, é a própria obra. A arte fica à flor da pele. A vida impulsiona a arte", divaga diante dos quadros que em breve estarão na parede.
Um curto espaço de tempo para uma criação exaustiva, armazenada no HD em forma de mais de 4 mil imagens. "As coisas vão aparecendo, realmente, muito rápido." Das milhares, difícil para a artista apaixonada pelas suas obras selecionar apenas algumas da memória digital sem limites para o limitado espaço físico das paredes de uma galeria. Na tentativa, cerca de vinte telas reproduzidas tiradas do computador para o vinil adesivado estão na sala Antônio Caringi, da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), em exposição até o fim do mês.
Bossas
Na vernissage da exposição No Caminho do Mouse, Inês Rosenthal apresentará outras de suas bossas. As filhas Ju e Mel Rosenthal realizam no jardim do Casarão 2 um recital com repertório de sambas e bossa nova. O repertório se vai pela MPB afora. Tom Jobim, Pixinguinha, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Paulinho da Viola, Ary Barroso, Cartola... No musical Nosso Samba, o duo de cavaquinho e violão terá a companhia da artista plástica no violino, em algumas participações especiais.
Prestigie
O quê: exposição No caminho do mouse
Abertura: inauguração conjunta com as demais exposições mensais nas salas da Secult amanhã, às 20h no hall da Prefeitura.
Vernissage: recital Nosso Samba no jardim do Casarão 2 da Praça Coronel Pedro Osório (Secult) após a abertura coletiva das exposições.
Visitação: até 31 de outubro, com entrada franca.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cinza-choque

Cinza-choque
desenhos de Rafael Sica
abertura dia 18 de outubro, sábado, às 19h
Visitação de 18 de outubro a 30 de novembro de 2008
de terça a sábado, das 13h30 às 18h30. Domingos e feriados, das 14h às 18h30
Museu do Trabalho, Rua dos Andradas, 230 – Centro - Porto Alegre
O Museu do Trabalho abre nova exposição no dia 18 de outubro e leva mais um quadrinhista gaúcho para seu badalado espaço cultural no centro da cidade. Desta vez é Rafael Sica, ilustrador com vasta trajetória em jornais e publicações diversas apesar da pouca idade. A mostra traz 13 desenhos inéditos que abordam a alucinação do cotidiano. Estes trabalhos foram feitos a lápis e borracha, sobre papel canson 220 gramas, no formato 48x66cm. Também estarão expostos originais de quadrinhos, ilustrações, esboços e desenhos livres, feitos de materiais variados.
Realização:
Museu do Trabalho, Rua dos Andradas, 230 – Centro - Porto Alegre
Fone: (51) 3227 5196
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quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Sinais do Corpo
As manchas, os riscos, sustentam as telas. As cores pontuam vazios. Os traços que percorrem caminhos, por vezes confusos, denunciam gestos, movimentos. Acusam a ação e a interferência humana no espaço. Não de qualquer pessoa. As obras detém conceito e personalidade: têm a assinatura de Vivian Herzog. A artista que transita por técnicas de desenho e pintura expõe até o dia 19 suas novas telas, na Sala dos Novos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg).
Professora formada em artes visuais pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas, Vivian ressalta no seu trabalho a presença do corpo e a concepção do desenho como espaço a ser preenchido. "Me interessa essa sensação de uma criança que experimenta sua atuação no espaço e também essa relação abstrata com o lugar", afirma ela. "Não gosto de cobrir toda a superfície. Prefiro manter os poros, a textura e também o caimento do tecido", diz ainda, como quem procura na arte um espaço para respirar.
Na série "Entre Lugares" ela reafirma a seqüência do pensamento desenvolvido desde o início da carreira e a constância do amadurecimento que difere as obras das "garatujas" (rabiscos infantis). Na tragetória dos traços, no colorido percurso da mão, registrado pelo bastão sobre o tecido, a espontaneidade divide espaço com a reflexão artística. "Eu corro o risco (no tecido) e corro o risco de perder o trabalho também", reflete a artista, com um natural jogo de palavras. "A diferença é essa: não é uma espontaneidade barata porque apesar de ser um desenho livre existe uma reflexão em termos de composição. Diferente de uma criança desenhando institivamente, eu organizo idéias, seleciono, coloco em ação meus repertórios."
Prestigie
O quê: Mostra Desenhos, de Vivian Herzog
Quando: até o dia 19 de outubro, com visitação de terça à domingo, das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8), às 18h.
Onde: na Sala dos Novos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725).
Entrada franca
Professora formada em artes visuais pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas, Vivian ressalta no seu trabalho a presença do corpo e a concepção do desenho como espaço a ser preenchido. "Me interessa essa sensação de uma criança que experimenta sua atuação no espaço e também essa relação abstrata com o lugar", afirma ela. "Não gosto de cobrir toda a superfície. Prefiro manter os poros, a textura e também o caimento do tecido", diz ainda, como quem procura na arte um espaço para respirar.
Na série "Entre Lugares" ela reafirma a seqüência do pensamento desenvolvido desde o início da carreira e a constância do amadurecimento que difere as obras das "garatujas" (rabiscos infantis). Na tragetória dos traços, no colorido percurso da mão, registrado pelo bastão sobre o tecido, a espontaneidade divide espaço com a reflexão artística. "Eu corro o risco (no tecido) e corro o risco de perder o trabalho também", reflete a artista, com um natural jogo de palavras. "A diferença é essa: não é uma espontaneidade barata porque apesar de ser um desenho livre existe uma reflexão em termos de composição. Diferente de uma criança desenhando institivamente, eu organizo idéias, seleciono, coloco em ação meus repertórios."
Prestigie
O quê: Mostra Desenhos, de Vivian Herzog
Quando: até o dia 19 de outubro, com visitação de terça à domingo, das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8), às 18h.
Onde: na Sala dos Novos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725).
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segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Do fundo do baú: imagens da geração Coca-Cola
"Aí a Raquel me disse: 'tem um espaço vago no Malg, você tem uma idéia?' E eu disse 'só preciso de um tempo'". Da conversa com a diretora do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg), Raquel Schwonke - à procura por uma exposição para cobrir um intervalo na agenda das salas - o interlocutor teve dois dias. Dois dias e uma idéia: tirar o pó da memória de uma geração de artistas pelotenses esquecida no acervo do museu. Quem narra o diálogo é o professor José Luís de Pellegrin, do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas, organizador da mostra Produção Anos 80 e 90.
Instigante em cada centímetro de uma desordenada linha do tempo, a exposição desperta a curiosidade dos olhos e tapa dois buracos de uma vez só. Não entendam mal e não deixem que as impressões enganem. O furo da agenda está notoriamente aproveitado, tanto quanto se houvesse sido planejado tempos atrás. O principal furo que a exposição trata de cobrir é a lacuna histórica deixada até agora. "Quando eu falo da arte pelotense dessa época meus alunos ficam me olhando, não sabem do que estou falando. Mas também, se hoje eles têm 20 anos, naquele tempo estavam nas fraldas..."
Nostálgica para os remanescentes da geração Coca-Cola e surpreendente para a geração que já não se surpreende facilmente diante do inquietante e inquieto mundo contemporâneo, o conjunto de obras é, sobretudo, provocante. Talvez porque de certa forma traduza a gênese do que se vive hoje. Talvez por despertar uma expressão de questionamento parecida com a de uma criança que olha para cima e pergunta "Mãe, de onde é que eu vim?". Ao olhar para esta exposição do Malg, senhoras e senhores de vinte e poucos anos terão certeza de que sua origem é pop: a identidade e identificação com as obras não há de negar que culturalmente falando nasceram dos fecundos anos 80 e 90.
Ali está (bem) representado o ontem. Um passado não muito distante, que é ainda presente e mais vivo que o pretérito-mais-que-perfeito da história das artes, já gasta, tanto para as enciclopédias clássicas quanto para a Wikipédia. "O tempo passou e a gente não viu. A gente fez tanto e não teve tempo de pensar sobre o que fez", reflete Pellegrin, admirado de sua própria (re)descoberta ao passar em revista, mais uma vez, diante dos painéis.
Harly Couto, uma das artistas que fazem parte da exposição, surpreende-se também em frente a pinturas que há tempos não via, mas que continuam familiares, preservadas na memória exatamente como no acervo. "Eu olho e sinto como se estivesse pintando esse quadro na Cascata. Não sei dizer por quê, nem como é. Só digo o que sinto, agora, como quando pintei", diz, ao tentar descrever o indescritível enquanto repousa um olhar reflexivo sobre as telas.
Arte no descontexto pelotense
A história da arte universal dá conta de correntes clássicas, renascentistas, vanguardistas, modernistas, pós-modernistas... Pelotas, como o resto do mundo, não ficou alheia a estes movimentos no espaço e no tempo, muitas vezes de nomes repetitivos por falta de verbetes mais adequados. Mas as influências mais determinantes para a arte daqui foram outras.
Partindo do início dos anos 50, até meados da década de 60, basta um breve retrospecto para o encontro de contrapontos. Enquanto lá fora o mundo vivia a grande explosão chamada de neovanguardismo e mergulhava de vez na abstração, em Pelotas a Escola de Belas Artes - fundada em 1949 - vivia seus tempos áureos e cheios de didáticas, tendo como um de seus principais nomes Aldo Locatelli. "De lá para cá a arte pelotense foi muito inspirada na escola clássica e a gente carrega essa tradição nas costas até hoje na nossa arte moderna", afirma o professor.
Dos anos da ditadura e expressões tímidas ou rebaixadas ao underground aos tempos de abertura política, novas mudanças de postura e linguagem. "Nessa época houve a transição, a Escola de Belas Artes virou ILA (Instituto de Letras e Artes) e depois IAD (Instituto de Artes e Design). Houve algumas manifestações de certa ousadia por parte dos artistas daqui, mas talvez não tenham sido incorporadas no todo."
Em novas dimensões, arte
Nos anos 80 sobrou tempo e dinheiro para ser gasto com arte. Gêneros artísticos que haviam sido dispensados foram retomados, como a pintura e a escultura. Mas a escultura saiu dos pedestais, foi para o chão, as telas deixaram as paredes para ir para a rua e para todos os lugares. "Virou uma arte que não é uma coisa nem outra, mas é isso mesmo", define indefinidamente o professor. Em um mundo onde ficção e realidade estão intrínsecos, os novos artistas não vêem possibilidades de expressar as imagens que fazem do mundo de maneira segmentada. Impossível separar gravura de desenho, de pintura, de escultura. Linguagens diferentes dividem em harmonia espaços com humor, dramaticidade, cultura popular, a liberdade gráfica e a publicidade e todos os demais reflexos dessa geração de consumo. "Enquanto os modernistas do início do século queriam ir para o futuro, no final do século os artistas pós-modernos queriam ir para toda parte."
No fluxo veloz das imagens a proposta é de contrafluxo. "A resistência é se dar conta de que mesmo que eu siga o fluxo não é preciso se submeter a ele nem engolir tudo goela abaixo", fala Pellegrin no convite à um olhar mais apurado sobre o que foi produzido de arte localmente nas duas últimas décadas do século passado.
"Tudo bem que a nossa arte não seja tão moderna assim, nem tão transformadora. Mas ela é boa, feita por artistas que construíram uma bela trajetória. A gente ainda é conservador. Nossa pintura, de certa forma, ainda está pendurada na parede. Mas enfim, é a nossa história. E é de verdade."
Confira
O quê: Produção Anos 80 e 90
Quando: até o dia 12 de outubro, com visitação de terça a domingo das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8) às 18h.
Onde: nas salas Marina Moraes Pires e Luciana Araújo Renck Reis, do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725)
Entrada franca
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa| Publicado em: Pelotas, ? de oububro de 2008
Instigante em cada centímetro de uma desordenada linha do tempo, a exposição desperta a curiosidade dos olhos e tapa dois buracos de uma vez só. Não entendam mal e não deixem que as impressões enganem. O furo da agenda está notoriamente aproveitado, tanto quanto se houvesse sido planejado tempos atrás. O principal furo que a exposição trata de cobrir é a lacuna histórica deixada até agora. "Quando eu falo da arte pelotense dessa época meus alunos ficam me olhando, não sabem do que estou falando. Mas também, se hoje eles têm 20 anos, naquele tempo estavam nas fraldas..."
Nostálgica para os remanescentes da geração Coca-Cola e surpreendente para a geração que já não se surpreende facilmente diante do inquietante e inquieto mundo contemporâneo, o conjunto de obras é, sobretudo, provocante. Talvez porque de certa forma traduza a gênese do que se vive hoje. Talvez por despertar uma expressão de questionamento parecida com a de uma criança que olha para cima e pergunta "Mãe, de onde é que eu vim?". Ao olhar para esta exposição do Malg, senhoras e senhores de vinte e poucos anos terão certeza de que sua origem é pop: a identidade e identificação com as obras não há de negar que culturalmente falando nasceram dos fecundos anos 80 e 90.
Ali está (bem) representado o ontem. Um passado não muito distante, que é ainda presente e mais vivo que o pretérito-mais-que-perfeito da história das artes, já gasta, tanto para as enciclopédias clássicas quanto para a Wikipédia. "O tempo passou e a gente não viu. A gente fez tanto e não teve tempo de pensar sobre o que fez", reflete Pellegrin, admirado de sua própria (re)descoberta ao passar em revista, mais uma vez, diante dos painéis.
Harly Couto, uma das artistas que fazem parte da exposição, surpreende-se também em frente a pinturas que há tempos não via, mas que continuam familiares, preservadas na memória exatamente como no acervo. "Eu olho e sinto como se estivesse pintando esse quadro na Cascata. Não sei dizer por quê, nem como é. Só digo o que sinto, agora, como quando pintei", diz, ao tentar descrever o indescritível enquanto repousa um olhar reflexivo sobre as telas.
Arte no descontexto pelotense
A história da arte universal dá conta de correntes clássicas, renascentistas, vanguardistas, modernistas, pós-modernistas... Pelotas, como o resto do mundo, não ficou alheia a estes movimentos no espaço e no tempo, muitas vezes de nomes repetitivos por falta de verbetes mais adequados. Mas as influências mais determinantes para a arte daqui foram outras.
Partindo do início dos anos 50, até meados da década de 60, basta um breve retrospecto para o encontro de contrapontos. Enquanto lá fora o mundo vivia a grande explosão chamada de neovanguardismo e mergulhava de vez na abstração, em Pelotas a Escola de Belas Artes - fundada em 1949 - vivia seus tempos áureos e cheios de didáticas, tendo como um de seus principais nomes Aldo Locatelli. "De lá para cá a arte pelotense foi muito inspirada na escola clássica e a gente carrega essa tradição nas costas até hoje na nossa arte moderna", afirma o professor.
Dos anos da ditadura e expressões tímidas ou rebaixadas ao underground aos tempos de abertura política, novas mudanças de postura e linguagem. "Nessa época houve a transição, a Escola de Belas Artes virou ILA (Instituto de Letras e Artes) e depois IAD (Instituto de Artes e Design). Houve algumas manifestações de certa ousadia por parte dos artistas daqui, mas talvez não tenham sido incorporadas no todo."
Em novas dimensões, arte
Nos anos 80 sobrou tempo e dinheiro para ser gasto com arte. Gêneros artísticos que haviam sido dispensados foram retomados, como a pintura e a escultura. Mas a escultura saiu dos pedestais, foi para o chão, as telas deixaram as paredes para ir para a rua e para todos os lugares. "Virou uma arte que não é uma coisa nem outra, mas é isso mesmo", define indefinidamente o professor. Em um mundo onde ficção e realidade estão intrínsecos, os novos artistas não vêem possibilidades de expressar as imagens que fazem do mundo de maneira segmentada. Impossível separar gravura de desenho, de pintura, de escultura. Linguagens diferentes dividem em harmonia espaços com humor, dramaticidade, cultura popular, a liberdade gráfica e a publicidade e todos os demais reflexos dessa geração de consumo. "Enquanto os modernistas do início do século queriam ir para o futuro, no final do século os artistas pós-modernos queriam ir para toda parte."
No fluxo veloz das imagens a proposta é de contrafluxo. "A resistência é se dar conta de que mesmo que eu siga o fluxo não é preciso se submeter a ele nem engolir tudo goela abaixo", fala Pellegrin no convite à um olhar mais apurado sobre o que foi produzido de arte localmente nas duas últimas décadas do século passado.
"Tudo bem que a nossa arte não seja tão moderna assim, nem tão transformadora. Mas ela é boa, feita por artistas que construíram uma bela trajetória. A gente ainda é conservador. Nossa pintura, de certa forma, ainda está pendurada na parede. Mas enfim, é a nossa história. E é de verdade."
Confira
O quê: Produção Anos 80 e 90
Quando: até o dia 12 de outubro, com visitação de terça a domingo das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8) às 18h.
Onde: nas salas Marina Moraes Pires e Luciana Araújo Renck Reis, do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725)
Entrada franca
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa| Publicado em: Pelotas, ? de oububro de 2008
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Shakespeare, aqui e agora
Para uns, um reencontro. Para outros, uma oportunidade de se apaixonar à primeira vista pela obra Shakespereana. A primeira Mostra Sesc de Teatro - que trouxe ao circuito pelotense de quarta-feira a domingo oito espetáculos, além de oficinas e workshops - envolveu atores e platéias nas tramas de um dos maiores mestres na arte de fazer rir e chorar.
Lado a lado, o cômico e o trágico. De um lado Shakespeare e do outro também. Foi um prazer ver ou rever, assim tão bem.
A discussão temática foi além. Nada melhor que uma agradável conversa. Muitos assistiram com uma finalidade analista, um olhar estritamente crítico. Há quem foi apenas pelo prazer da apreciação estética, pelo gosto pelas artes cênicas. Em ambos os casos, quem esteve no Sete de Abril ou nos demais locais que abrigaram a programação teve motivos para sair satisfeito.
A sátira de temas cotidianos, a reflexão intimista, a análise das complexas relações humanas são ainda tão presentes e dizem tanto à realidade atual que não são necessárias mais que adaptações sutis para que se pense que tal texto possa ter sido recém-concebido. Por isso, diz-se "clássico".
Porém um bom espetáculo se faz de um bom texto, mas não apenas disso. A qualidade técnica e interpretativa, e a emoção dos atores escancarada no palco deram nova vida à Shakespeare e a seus personagens, em releituras excelentes e minuciosamente bem cuidadas. Contemporâneas e arejadas, as peças ganharam também personalidade. Hamlets, Antífolos, Drômios, Valentinos e Proteus assumiram uma vida própria e jamais serão iguais àqueles que foram vistos em Pelotas na semana que passou. Foram, sem dúvida, apresentações únicas. Variações criativas e atuais para personagens que em essência ainda falam muito a qualquer público.
Merece destaque o incentivo dado pelos organizadores às produções locais, que valoriza e oferece crédito a um trabalho que começa a se desenvolver. O Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, que contribuiu para enriquecer a programação da Mostra, demonstra que vem adquirindo maturidade, e apresentou um bom trabalho mesmo ao lado de elencos consagrados, como os grupos Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e as companhias Rústica, Santa Estação e Stravaganza, de Porto Alegre.
O êxito do projeto vem a confirmar a qualidade dos eventos culturais realizados pelo Sesc Pelotas. A Mostra de Teatro foi mais um, de tantos grandes e bons espetáculos a que o público pelotense tem tido a oportunidade de assisir. Merece ser aplaudido de pé. Merece bis.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008
Lado a lado, o cômico e o trágico. De um lado Shakespeare e do outro também. Foi um prazer ver ou rever, assim tão bem.
A discussão temática foi além. Nada melhor que uma agradável conversa. Muitos assistiram com uma finalidade analista, um olhar estritamente crítico. Há quem foi apenas pelo prazer da apreciação estética, pelo gosto pelas artes cênicas. Em ambos os casos, quem esteve no Sete de Abril ou nos demais locais que abrigaram a programação teve motivos para sair satisfeito.
A sátira de temas cotidianos, a reflexão intimista, a análise das complexas relações humanas são ainda tão presentes e dizem tanto à realidade atual que não são necessárias mais que adaptações sutis para que se pense que tal texto possa ter sido recém-concebido. Por isso, diz-se "clássico".
Porém um bom espetáculo se faz de um bom texto, mas não apenas disso. A qualidade técnica e interpretativa, e a emoção dos atores escancarada no palco deram nova vida à Shakespeare e a seus personagens, em releituras excelentes e minuciosamente bem cuidadas. Contemporâneas e arejadas, as peças ganharam também personalidade. Hamlets, Antífolos, Drômios, Valentinos e Proteus assumiram uma vida própria e jamais serão iguais àqueles que foram vistos em Pelotas na semana que passou. Foram, sem dúvida, apresentações únicas. Variações criativas e atuais para personagens que em essência ainda falam muito a qualquer público.
Merece destaque o incentivo dado pelos organizadores às produções locais, que valoriza e oferece crédito a um trabalho que começa a se desenvolver. O Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas, que contribuiu para enriquecer a programação da Mostra, demonstra que vem adquirindo maturidade, e apresentou um bom trabalho mesmo ao lado de elencos consagrados, como os grupos Nós do Morro, do Rio de Janeiro, e as companhias Rústica, Santa Estação e Stravaganza, de Porto Alegre.
O êxito do projeto vem a confirmar a qualidade dos eventos culturais realizados pelo Sesc Pelotas. A Mostra de Teatro foi mais um, de tantos grandes e bons espetáculos a que o público pelotense tem tido a oportunidade de assisir. Merece ser aplaudido de pé. Merece bis.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008
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Crítica,
Opinião,
Teatro
Lugar de mulher... é na arte
Uma história mal-contada. Raras vezes lembradas nas coleções e historiografias oficiais da arte universal, as mulheres reivindicam seu espaço, no passado e no presente. O assunto foi o mote da palestra de abertura do Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória (Sigam), que começou ontem no Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (ICH/UFPel). O evento que pretende discutir a presença feminina nas artes e na filosofia continua até amanhã (1º de outubro).
"Esses vazios na história da mulher na arte é um tipo de silêncio ruidoso, e também uma forma de representação, uma tomada de posição ao lado de quem já detém a legitimidade", analisa Luciana Loponte, doutora em arte e educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O reconhecimento no meio artístico é para poucos, e geralmente para aqueles que pertencem a um perfil pré-determinado. "Os que são considerados 'gênios da arte', normalmente se enquadram no estereótipo de homens, brancos, europeus. Todos mortos", analisa. "À mulher é reservado o papel de musa, de objeto da representação e quase nunca o de agente criador. As mulheres se expõem. Os homens expõem as mulheres."
À crítica, soma-se a concepção de mito de democracia de gênero. O fato de haver mais mulheres envolvidas com a arte contemporânea por si só não garante, segundo a pesquisadora, que haja maior discussão sobre o tema. "Porque as mulheres estão em toda parte não quer dizer que o discurso tenha deixado de ser 'generizado'. As pessoas não vêem mais sentido em falar de feminismo, como se todas as questões estivessem superadas", diz a professora, que é ainda mais enfática: "Só citar Tarsila (do Amaral) e (Anita) Malfat não basta para reconhecer a participação da mulher na arte brasileira".
Recortes contemporâneos
Pouco privilegiada no aprendizado das artes, ou com acesso limitado aos ambientes próprios, ditos "femininos", as mulheres ficaram relegadas a fazer desenhos e pinturas com temas amenos. Flores, frutas, natureza morta. Entre as que se permitiram "manobras radicais" ou "discretas ousadias", rompendo com barreiras de estilo ou inovando na temática, a pesquisadora mostra que a arte, assim como a política, é uma esfera de poder. A gente olha para a coisa e a coisa também nos olha.
Para Luciana Loponte, que faz coro a recentes linhas de pensamento, é preciso estudar as conseqüências dessa troca. "As mulheres se conhecem apenas por imagens feitas por homens e não por elas mesmas. Não que a visão dos homens seja falsa, mas é preciso deslocar o olhar que estamos acostumados, diversificar o ponto de vista."
Quando se busca e se encontra, nas lógicas sutis - fora da historiografia oficial - a presença feminina no contexto cultural predominantemente masculino, os exemplos mostram que a diferença está na cara, bem diante dos olhos. Um mesmo episódio diplomático - a Independência do Brasil - parece dois fatos distintos nas leituras de Pedro Américo (O Grito do Ipiranga, 1888) e de Georgina de Albuquerque (Sessão do Conselho do Estado, 1922). A diferença é o foco. No segundo, a protagonista, representada em primeiro plano, é a Imperatriz Leopoldina, enquanto no primeiro a figura heróica é representada por Dom Pedro I. "Pela primeira vez a mulher era colocada como a principal na cena. Apesar do estilo acadêmico de pintura ser mantido, Georgina ousa representar um assunto político, e faz isso de forma diferenciada."
Para a pesquisadora, a importância de se duvidar das convenções não é apenas uma questão de corrigir uma injustiça histórica, que se perpetua nos dias atuais. "É preciso entender como os processos de representações e o ato de olhar para a arte se relacionam com as condições com que os homens e mulheres olham, na vida", conclui, ao citar a pensadora Michelle Perrot.
Confira
As palestras ocorrem às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As comunicações são abertas ao público e têm entrada franca para ouvintes (sem certificado). Para assistir às palestras é preciso efetuar a inscrição no evento, que custa R$ 15,00.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008
"Esses vazios na história da mulher na arte é um tipo de silêncio ruidoso, e também uma forma de representação, uma tomada de posição ao lado de quem já detém a legitimidade", analisa Luciana Loponte, doutora em arte e educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O reconhecimento no meio artístico é para poucos, e geralmente para aqueles que pertencem a um perfil pré-determinado. "Os que são considerados 'gênios da arte', normalmente se enquadram no estereótipo de homens, brancos, europeus. Todos mortos", analisa. "À mulher é reservado o papel de musa, de objeto da representação e quase nunca o de agente criador. As mulheres se expõem. Os homens expõem as mulheres."
À crítica, soma-se a concepção de mito de democracia de gênero. O fato de haver mais mulheres envolvidas com a arte contemporânea por si só não garante, segundo a pesquisadora, que haja maior discussão sobre o tema. "Porque as mulheres estão em toda parte não quer dizer que o discurso tenha deixado de ser 'generizado'. As pessoas não vêem mais sentido em falar de feminismo, como se todas as questões estivessem superadas", diz a professora, que é ainda mais enfática: "Só citar Tarsila (do Amaral) e (Anita) Malfat não basta para reconhecer a participação da mulher na arte brasileira".
Recortes contemporâneos
Pouco privilegiada no aprendizado das artes, ou com acesso limitado aos ambientes próprios, ditos "femininos", as mulheres ficaram relegadas a fazer desenhos e pinturas com temas amenos. Flores, frutas, natureza morta. Entre as que se permitiram "manobras radicais" ou "discretas ousadias", rompendo com barreiras de estilo ou inovando na temática, a pesquisadora mostra que a arte, assim como a política, é uma esfera de poder. A gente olha para a coisa e a coisa também nos olha.
Para Luciana Loponte, que faz coro a recentes linhas de pensamento, é preciso estudar as conseqüências dessa troca. "As mulheres se conhecem apenas por imagens feitas por homens e não por elas mesmas. Não que a visão dos homens seja falsa, mas é preciso deslocar o olhar que estamos acostumados, diversificar o ponto de vista."
Quando se busca e se encontra, nas lógicas sutis - fora da historiografia oficial - a presença feminina no contexto cultural predominantemente masculino, os exemplos mostram que a diferença está na cara, bem diante dos olhos. Um mesmo episódio diplomático - a Independência do Brasil - parece dois fatos distintos nas leituras de Pedro Américo (O Grito do Ipiranga, 1888) e de Georgina de Albuquerque (Sessão do Conselho do Estado, 1922). A diferença é o foco. No segundo, a protagonista, representada em primeiro plano, é a Imperatriz Leopoldina, enquanto no primeiro a figura heróica é representada por Dom Pedro I. "Pela primeira vez a mulher era colocada como a principal na cena. Apesar do estilo acadêmico de pintura ser mantido, Georgina ousa representar um assunto político, e faz isso de forma diferenciada."
Para a pesquisadora, a importância de se duvidar das convenções não é apenas uma questão de corrigir uma injustiça histórica, que se perpetua nos dias atuais. "É preciso entender como os processos de representações e o ato de olhar para a arte se relacionam com as condições com que os homens e mulheres olham, na vida", conclui, ao citar a pensadora Michelle Perrot.
Confira
As palestras ocorrem às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As comunicações são abertas ao público e têm entrada franca para ouvintes (sem certificado). Para assistir às palestras é preciso efetuar a inscrição no evento, que custa R$ 15,00.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 30 de setembro de 2008
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Arte,
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Cultura,
Educação
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Questões de gênero - Programação
Programação SIGAM - Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória
Segunda-feira
14h - Palestras
- Mulheres e artes visuais no Brasil: veredas e memórias descontínuas
- Donas da Beleza - a imagem feminina pelas artistas plásticas do século XX
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 101 - ICH)
- A Poética da Dor: Maria, Frida e Camille
- Nazareth Pacheco: dor e encantamento
- Mãos que batucam: os casos de três Tamboreiras de Nação do extremo sul brasileiro
- A Docência na Literatura de Érico Veríssimo: um estudo do romance Clarissa
Eixo temático: educação, gênero, arte e memória (sala 103 - ICH)
- Contribuições do universo artesanal da cerâmica à formação dos professores de arte
- Uma experiência no ensino das artes visuais revisitada através da "lousa mágica"
- Meditações entre história de vida, letramento e gênero: a história de Sônia à luz do meu olhar de hoje
- Mulheres, adolescentes e grávidas...
Eixo temático: história, gênero, arte e memória (sala 134 - ICH)
- Os homens vivem, as mulheres esperam: as relações de gênero na obra Presença de Anita
- Crimes de defloramento nos anos de 1920-30: dentro dos processos jurídicos da 2ª Vara Civil de Soledade-RS
- Costurando vidas: os itinerários de Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1951) e Júlia Malvina Hailliot Tavares (1866-1939)
- O tecido que cobriu as mulheres artistas durante a Idade Média: finas amarras de opressão
19h - Conferência de Abertura
- La 'razón poética' como discurso femenino del exilio en el pensamiento de María Zambrano
- A Caixa de Pandora - arte e pensamento feminino no século XX
Terça-feira
14h - Palestras
- Estudos de Gênero em Música: Panorama e duas musicistas brasileiras
- As noções de desejo e erotismo no 'ku torno das batucadeiras de São Martinho Grande (Ilha de Santiago - Cabo Verde)
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 101- ICH)
- A representação romântica e contemporânea de Lucrécia Bórgia
- Lucrécia Bórgia sua Imagem no Renascimento
- Arte das cidades-estados na África Ocidental
- Problematizando as relações de gênero através do teatro-fórum: reflexões acerca de uma prática na escola
Eixo temático: filosofia, gênero e memória (sala 134 - ICH)
- Os Incríveis: disciplina, gênero e normalização
- Mulher e o infanticídio: uma abordagem sobre gênero e as relações de poder
- As mulheres e Maio de 68
Eixo temático: educação, gênero, arte e memória (sala 103 - ICH)
- O movimento feminista e os denominados novos movimentos sociais: breves apontamentos e registros a partir do olhar da filosofia (da educação)
- Educação e gênero: a não escolaridade de quatro mulheres da zona rural
- Memória, pós-modernidade e educação
- Educação e gênero: Os "Collegios Femininos Privados" e as "Aulas Particulares" como campo de trabalho das mulheres, em Pelotas-RS (1875-1890)
- Um passeio sobre as questões de gênero e sexualidade na Coleção Galeras, Paqueras (Cathy Hopkins)
19h - Palestras
- Narrar processos: mulheres e criatividade visível
- Deusas (Im)perfeitas ou apenas mulheres?
Quarta-feira
14h - Palestras
- Clarice Lispector e esses vestidos colados no corpo: sobre gêneros e faceirices
- Movimentos feministas da década de sessenta e suas conseqüências diretas na arte contemporânea
- Lembrar do tempo através dos olhos das mulheres: memória da fotografia em histórias de fotógrafas
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 132 - ICH)
- Camille Claudel: sofrimento e angústia rompendo a modernidade
- A escultura de Maria Martins nos anos 40
- A artista brasileira no mercado de quadrinhos
- A germanidade no feminino: representações da mulher de origem alemã no Musterreiter´s neuer historischer Kalender (Novo Almanaque Histórico dos Caixeiros-Viajantes)
Eixo temático: filosofia, gênero e memória (sala 212 - ISP)
- Natalidade: a esperança de um novo começo
- Res Publica e Liberdade em Hannah Arendt
- O conceito de poder em Hannah Arendt e o pensamento político contemporâneo
Eixo temático: história, gênero, arte e memória (sala 245 - FaE)
- Contribuições de escritoras na "Revista do Globo": Porto Alegre-RS (1929-1939)
- Imprensa feminina no sul do Brasil: Corymbo, 21 de outubro de 1939
- Mulher e gênero: sua presença nos partidos políticos e na eleição municipal do ano 2000 em Pelotas
19h - Palestras
- O Feminino na Literatura
Segunda-feira
14h - Palestras
- Mulheres e artes visuais no Brasil: veredas e memórias descontínuas
- Donas da Beleza - a imagem feminina pelas artistas plásticas do século XX
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 101 - ICH)
- A Poética da Dor: Maria, Frida e Camille
- Nazareth Pacheco: dor e encantamento
- Mãos que batucam: os casos de três Tamboreiras de Nação do extremo sul brasileiro
- A Docência na Literatura de Érico Veríssimo: um estudo do romance Clarissa
Eixo temático: educação, gênero, arte e memória (sala 103 - ICH)
- Contribuições do universo artesanal da cerâmica à formação dos professores de arte
- Uma experiência no ensino das artes visuais revisitada através da "lousa mágica"
- Meditações entre história de vida, letramento e gênero: a história de Sônia à luz do meu olhar de hoje
- Mulheres, adolescentes e grávidas...
Eixo temático: história, gênero, arte e memória (sala 134 - ICH)
- Os homens vivem, as mulheres esperam: as relações de gênero na obra Presença de Anita
- Crimes de defloramento nos anos de 1920-30: dentro dos processos jurídicos da 2ª Vara Civil de Soledade-RS
- Costurando vidas: os itinerários de Ana Aurora do Amaral Lisboa (1860-1951) e Júlia Malvina Hailliot Tavares (1866-1939)
- O tecido que cobriu as mulheres artistas durante a Idade Média: finas amarras de opressão
19h - Conferência de Abertura
- La 'razón poética' como discurso femenino del exilio en el pensamiento de María Zambrano
- A Caixa de Pandora - arte e pensamento feminino no século XX
Terça-feira
14h - Palestras
- Estudos de Gênero em Música: Panorama e duas musicistas brasileiras
- As noções de desejo e erotismo no 'ku torno das batucadeiras de São Martinho Grande (Ilha de Santiago - Cabo Verde)
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 101- ICH)
- A representação romântica e contemporânea de Lucrécia Bórgia
- Lucrécia Bórgia sua Imagem no Renascimento
- Arte das cidades-estados na África Ocidental
- Problematizando as relações de gênero através do teatro-fórum: reflexões acerca de uma prática na escola
Eixo temático: filosofia, gênero e memória (sala 134 - ICH)
- Os Incríveis: disciplina, gênero e normalização
- Mulher e o infanticídio: uma abordagem sobre gênero e as relações de poder
- As mulheres e Maio de 68
Eixo temático: educação, gênero, arte e memória (sala 103 - ICH)
- O movimento feminista e os denominados novos movimentos sociais: breves apontamentos e registros a partir do olhar da filosofia (da educação)
- Educação e gênero: a não escolaridade de quatro mulheres da zona rural
- Memória, pós-modernidade e educação
- Educação e gênero: Os "Collegios Femininos Privados" e as "Aulas Particulares" como campo de trabalho das mulheres, em Pelotas-RS (1875-1890)
- Um passeio sobre as questões de gênero e sexualidade na Coleção Galeras, Paqueras (Cathy Hopkins)
19h - Palestras
- Narrar processos: mulheres e criatividade visível
- Deusas (Im)perfeitas ou apenas mulheres?
Quarta-feira
14h - Palestras
- Clarice Lispector e esses vestidos colados no corpo: sobre gêneros e faceirices
- Movimentos feministas da década de sessenta e suas conseqüências diretas na arte contemporânea
- Lembrar do tempo através dos olhos das mulheres: memória da fotografia em histórias de fotógrafas
16h - Comunicações
Eixo temático: artes, gênero e memória (sala 132 - ICH)
- Camille Claudel: sofrimento e angústia rompendo a modernidade
- A escultura de Maria Martins nos anos 40
- A artista brasileira no mercado de quadrinhos
- A germanidade no feminino: representações da mulher de origem alemã no Musterreiter´s neuer historischer Kalender (Novo Almanaque Histórico dos Caixeiros-Viajantes)
Eixo temático: filosofia, gênero e memória (sala 212 - ISP)
- Natalidade: a esperança de um novo começo
- Res Publica e Liberdade em Hannah Arendt
- O conceito de poder em Hannah Arendt e o pensamento político contemporâneo
Eixo temático: história, gênero, arte e memória (sala 245 - FaE)
- Contribuições de escritoras na "Revista do Globo": Porto Alegre-RS (1929-1939)
- Imprensa feminina no sul do Brasil: Corymbo, 21 de outubro de 1939
- Mulher e gênero: sua presença nos partidos políticos e na eleição municipal do ano 2000 em Pelotas
19h - Palestras
- O Feminino na Literatura
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Caderno Zoom
Questões de gênero
Grupo de estudos da UFPel coloca em pauta o feminino nas artes e na filosofia
O mito grego de Pandora é a inspiração para o grupo de mulheres pesquisadoras dos cursos de artes, filosofia e ciências sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mote para o ciclo de palestras e debates que começa hoje (29) e vai até quarta-feira.
O Sigam - Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória pretende colocar em discussão a contribuição feminina para o pensamento moderno, a partir de trabalhos realizados na UFPel e em outras universidades do Estado como a UFRGS, a Unisinos e a Furg e a UBA, da Argentina.
Nos mais de 30 trabalhos e 12 palestras, quase todos os autores são autoras. A visão das mulheres sobre as próprias mulheres só não é diversificada em relação ao gênero porque eles ou não se arriscam a tentar compreender esse universo ou não têm interesse. No grupo de estudos da UFPel "Caixa de Pandora", que desenvolve pesquisas desde abril do ano passado sobre mulheres artistas e filósofas do século 20, apenas um professor preenche a exceção. "Os homens não se interessam muito pelos assuntos relacionados à mulher, ou se sentem intimidados", palpita a estudante Daniela Azevedo.
Em pouco tempo de trabalho, elas já se surpreenderam com as descobertas que serão apresentadas durante o Simpósio. "Pouco se tem idéia da produção artística e filosófica feminina, que no entanto sempre existiu".
As aparências enganam
Apesar do que se possa supor, as meninas evitam falar em "discurso feminista", pelo menos no que se refere à idéia de que a mulher é superior e totalmente independente aos homens. "Há um problema conceitual em relação a esse termo", considera uma das integrantes que explica a intenção do Simpósio de buscar a valorização de forma igualitária entre ambos os gêneros. "A temática é apenas um pano de fundo. Mais importante que o fato de serem mulheres, é a contribuição que cada uma delas para o mundo."
"Historicamente a mulher é entendida como o pólo negativo, a parte fraca, vulnerável, ardilosa, ou como o lado pecador", analisa outra pesquisadora. Na tentativa de romper com esse dualismo que consideram preconceituoso, elas contra-atacam e assumem a imagem construída pelo senso comum para contestá-la. Abrir a Caixa de Pandora - aquela que contém todos os males do mundo - significa para elas principalmente despertar a curiosidade para lugares desconhecidos das artes e do pensamento. Ou, como diz Daniela, quer dizer, "então tá: somos a Caixa de Pandora e agora vamos abrí-la para mostrar ao mundo o que é que tem lá, afinal". O convite a participar é, portanto, para quem deseja (tentar) ao menos conhecer (se não for possível compreender) o desconhecido universo feminino.
O gênero na cena
O Núcleo de Teatro da UFPel irá participar nos intervalos da programação (diariamente às 18h30) com intervenções no saguão da Faculdade de Urbanismo (Faurb/UFPel). "Vamos apresentar uma série de cenas curtas abordando a mulher e suas questões de trabalho, afetividade e principalmente políticas", adianta o coordenador do Núcleo, Adriano de Moraes. "Mas a gente não sabe exatamente como vai ser", confessa, revelando o tom de improviso que terão as montagens.
Confira
As palestras ocorrem sempre às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As inscrições custam R$ 15,00.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O mito grego de Pandora é a inspiração para o grupo de mulheres pesquisadoras dos cursos de artes, filosofia e ciências sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mote para o ciclo de palestras e debates que começa hoje (29) e vai até quarta-feira.
O Sigam - Simpósio sobre Gênero, Arte e Memória pretende colocar em discussão a contribuição feminina para o pensamento moderno, a partir de trabalhos realizados na UFPel e em outras universidades do Estado como a UFRGS, a Unisinos e a Furg e a UBA, da Argentina.
Nos mais de 30 trabalhos e 12 palestras, quase todos os autores são autoras. A visão das mulheres sobre as próprias mulheres só não é diversificada em relação ao gênero porque eles ou não se arriscam a tentar compreender esse universo ou não têm interesse. No grupo de estudos da UFPel "Caixa de Pandora", que desenvolve pesquisas desde abril do ano passado sobre mulheres artistas e filósofas do século 20, apenas um professor preenche a exceção. "Os homens não se interessam muito pelos assuntos relacionados à mulher, ou se sentem intimidados", palpita a estudante Daniela Azevedo.
Em pouco tempo de trabalho, elas já se surpreenderam com as descobertas que serão apresentadas durante o Simpósio. "Pouco se tem idéia da produção artística e filosófica feminina, que no entanto sempre existiu".
As aparências enganam
Apesar do que se possa supor, as meninas evitam falar em "discurso feminista", pelo menos no que se refere à idéia de que a mulher é superior e totalmente independente aos homens. "Há um problema conceitual em relação a esse termo", considera uma das integrantes que explica a intenção do Simpósio de buscar a valorização de forma igualitária entre ambos os gêneros. "A temática é apenas um pano de fundo. Mais importante que o fato de serem mulheres, é a contribuição que cada uma delas para o mundo."
"Historicamente a mulher é entendida como o pólo negativo, a parte fraca, vulnerável, ardilosa, ou como o lado pecador", analisa outra pesquisadora. Na tentativa de romper com esse dualismo que consideram preconceituoso, elas contra-atacam e assumem a imagem construída pelo senso comum para contestá-la. Abrir a Caixa de Pandora - aquela que contém todos os males do mundo - significa para elas principalmente despertar a curiosidade para lugares desconhecidos das artes e do pensamento. Ou, como diz Daniela, quer dizer, "então tá: somos a Caixa de Pandora e agora vamos abrí-la para mostrar ao mundo o que é que tem lá, afinal". O convite a participar é, portanto, para quem deseja (tentar) ao menos conhecer (se não for possível compreender) o desconhecido universo feminino.
O gênero na cena
O Núcleo de Teatro da UFPel irá participar nos intervalos da programação (diariamente às 18h30) com intervenções no saguão da Faculdade de Urbanismo (Faurb/UFPel). "Vamos apresentar uma série de cenas curtas abordando a mulher e suas questões de trabalho, afetividade e principalmente políticas", adianta o coordenador do Núcleo, Adriano de Moraes. "Mas a gente não sabe exatamente como vai ser", confessa, revelando o tom de improviso que terão as montagens.
Confira
As palestras ocorrem sempre às 14h e às 19h no auditório da Faurb/UFPel (rua Benjamin Constant, 1359) e as comunicações das 16h às 18h nas salas do Instituto de Ciências Humanas da Faculdade de Educação (ICH/Fae/UFPel), na rua Alberto Rosa, 154. As inscrições custam R$ 15,00.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 29 de setembro de 2008
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terça-feira, 23 de setembro de 2008
Nós do Morro abre mostra shakespeareana
Para nobres e plebeus, começa amanhã uma maratona de cinco dias para se ver, ouvir, sentir e debater Shakespeare. Através do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte, o Serviço Social do Comércio traz à Pelotas cinco espetáculos com grupos de Porto Alegre e do Rio de Janeiro. A Mostra Sesc de Teatro terá ainda três apresentações do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), uma oficina e um workshop para atores.

Seguindo a tendência estética da linguagem cênica contemporânea, as montagens colocam o ator no centro da obra e dão vida nova aos textos clássicos escritos há cerca de 400 anos. Não que Shakespeare algum dia tenha ficado ultrapassado. "Ele é sempre visceral. As questões que ele aborda não tem época, não tem país", reafirma Guti Fraga, diretor do grupo carioca Nós do Morro, que abre a Mostra amanhã à noite.
No palco do Sete de Abril a trupe irá encenar a mesma peça - Os dois cavalheiros de Verona - que há dois anos é encenada em favelas do Rio de Janeiro, em várias partes do país e nos palcos de Stratford, Inglaterra, casa do mestre da dramaturgia, para onde retornam após a passagem por Pelotas em uma nova temporada de apresentações em Londres. "Lá, por mais contemporâneos que eles sejam, ainda são também muito tradicionais", comenta o diretor que não teve medo de parecer moderninho demais frente à platéia conservadora. "O texto pede essa irreverência brasileira, tem tudo a ver e deu certo", afirma, sobre a mistura que volta a popularizar a linguagem shakespeareana e procura, ao mesmo tempo, não ferir a essência dos temas universais clássicos.
"A gente vive nessa eterna reciclagem, busca por novos estímulos. O grande barato é poder experimentar, isso não tem problema, desde que não descaracterize aquilo que o autor quis passar", opina Fraga, que garante não ter mudado uma linha do texto original nesta montagem. "O roteiro é impecável, tem coisas que só Shakespeare seria capaz de dizer", diz ele, que joga nas mãos dos atores a responsabilidade de fazer pulsar as obras.
A comédia romântica traz mais um dos triângulos amorosos shakespereanos, este vivido na corte de Milão por Valentino, Proteu e Sílvia, filha do Duque. Na trama de paixão, ciúme e traição, o plano armado por Proteu é atrapalhado por uma quarta personagem, Júlia, mulher com quem tinha prometido se casar antes de deixar Verona, que travestida de homem vai desmascara-lo.
As particularidades da montagem ficam por conta do figurino, que sai do próprio cenário, com tecidos que assumem funções múltiplas, e da trilha sonora dos prólogos, que mistura ritmos como xote, funk, balanço, samba, repente, rap e capoeira.
Agende-se:
Quarta-feira (24)
Os dois cavalheiros de Verona
Grupo Nós do Morro (Rio de Janeiro)
20h - Theatro Sete de Abril
Variações sobre um mesmo Hamlet
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Quinta-feira (25)
A tempestade e o mistério da ilha
Cia. Santa Estação (Porto Alegre)
14h - Theatro Sete de Abril
Máscara Hamlet
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Sexta-feira (26)
Sonho de uma noite de verão
Cia. Rústica (Porto Alegre)
20h - Theatro Sete de Abril
Ofélia
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Sábado (27)
A megera domada
Cia Rústica (Porto Alegre)
20h - Theatro Sete de Abril
Domingo (28)
A comédia dos erros
Cia Stravaganza (Porto Alegre)
20h - Ginásio do Colégio São José
Ingressos
À venda no Sesc e na bilheteria do Theatro Sete de Abril de acordo com os seguintes valores:
R$ 10,00 para o público em geral
R$ 5,00 para idosos e estudantes (mediante apresentação de carteirinha)
R$ 3,00 para comerciários e a classe artística
R$ 1,00 para crianças até 12 anos
* Os espetáculos do Núcleo de Teatro da UFPel têm entrada franca. As senhas estão disponíveis no local (rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa).
Práticas
Quinta-feira (25)
Workshop - Formação do Ator-Criador
Grupo Nós do Morro (Rio de Janeiro)
19h - Theatro Sete de Abril
Sábado (27)
Oficina - Desmontando Shakespeare
Cia. Rústica (Porto Alegre)
das 10h às 17h - Teatro do Cefet
* Inscrições para as práticas podem ser feitas no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 914) e o valor de cada uma delas é de R$ 25,00. As vagas são limitadas.
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 23 de setembro de 2008

Seguindo a tendência estética da linguagem cênica contemporânea, as montagens colocam o ator no centro da obra e dão vida nova aos textos clássicos escritos há cerca de 400 anos. Não que Shakespeare algum dia tenha ficado ultrapassado. "Ele é sempre visceral. As questões que ele aborda não tem época, não tem país", reafirma Guti Fraga, diretor do grupo carioca Nós do Morro, que abre a Mostra amanhã à noite.
No palco do Sete de Abril a trupe irá encenar a mesma peça - Os dois cavalheiros de Verona - que há dois anos é encenada em favelas do Rio de Janeiro, em várias partes do país e nos palcos de Stratford, Inglaterra, casa do mestre da dramaturgia, para onde retornam após a passagem por Pelotas em uma nova temporada de apresentações em Londres. "Lá, por mais contemporâneos que eles sejam, ainda são também muito tradicionais", comenta o diretor que não teve medo de parecer moderninho demais frente à platéia conservadora. "O texto pede essa irreverência brasileira, tem tudo a ver e deu certo", afirma, sobre a mistura que volta a popularizar a linguagem shakespeareana e procura, ao mesmo tempo, não ferir a essência dos temas universais clássicos.
"A gente vive nessa eterna reciclagem, busca por novos estímulos. O grande barato é poder experimentar, isso não tem problema, desde que não descaracterize aquilo que o autor quis passar", opina Fraga, que garante não ter mudado uma linha do texto original nesta montagem. "O roteiro é impecável, tem coisas que só Shakespeare seria capaz de dizer", diz ele, que joga nas mãos dos atores a responsabilidade de fazer pulsar as obras.
A comédia romântica traz mais um dos triângulos amorosos shakespereanos, este vivido na corte de Milão por Valentino, Proteu e Sílvia, filha do Duque. Na trama de paixão, ciúme e traição, o plano armado por Proteu é atrapalhado por uma quarta personagem, Júlia, mulher com quem tinha prometido se casar antes de deixar Verona, que travestida de homem vai desmascara-lo.
As particularidades da montagem ficam por conta do figurino, que sai do próprio cenário, com tecidos que assumem funções múltiplas, e da trilha sonora dos prólogos, que mistura ritmos como xote, funk, balanço, samba, repente, rap e capoeira.
Agende-se:
Quarta-feira (24)
Os dois cavalheiros de Verona
Grupo Nós do Morro (Rio de Janeiro)
20h - Theatro Sete de Abril
Variações sobre um mesmo Hamlet
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Quinta-feira (25)
A tempestade e o mistério da ilha
Cia. Santa Estação (Porto Alegre)
14h - Theatro Sete de Abril
Máscara Hamlet
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Sexta-feira (26)
Sonho de uma noite de verão
Cia. Rústica (Porto Alegre)
20h - Theatro Sete de Abril
Ofélia
Núcleo de Teatro da UFPel (Pelotas)
22h - Rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa
Sábado (27)
A megera domada
Cia Rústica (Porto Alegre)
20h - Theatro Sete de Abril
Domingo (28)
A comédia dos erros
Cia Stravaganza (Porto Alegre)
20h - Ginásio do Colégio São José
Ingressos
À venda no Sesc e na bilheteria do Theatro Sete de Abril de acordo com os seguintes valores:
R$ 10,00 para o público em geral
R$ 5,00 para idosos e estudantes (mediante apresentação de carteirinha)
R$ 3,00 para comerciários e a classe artística
R$ 1,00 para crianças até 12 anos
* Os espetáculos do Núcleo de Teatro da UFPel têm entrada franca. As senhas estão disponíveis no local (rua Andrade Neves, esquina com a Lobo da Costa).
Práticas
Quinta-feira (25)
Workshop - Formação do Ator-Criador
Grupo Nós do Morro (Rio de Janeiro)
19h - Theatro Sete de Abril
Sábado (27)
Oficina - Desmontando Shakespeare
Cia. Rústica (Porto Alegre)
das 10h às 17h - Teatro do Cefet
* Inscrições para as práticas podem ser feitas no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 914) e o valor de cada uma delas é de R$ 25,00. As vagas são limitadas.
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 23 de setembro de 2008
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Teatro
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Que som é este?
Mozart, Liszt, Schubert, Piazzola... em meio a nomes conhecidos da música, algo vai soar estranho no concerto que ocorre hoje à noite, em homenagem aos 90 anos do Conservatório de Pelotas. Dispostos a explorar as fronteiras entre a música e o barulho, os professores Rogério Constante e Luciano Zanatta farão uma intervenção diferente no repertório consagrado de música brasileira e da chamada nova música contemporânea.
O gênero não é exatamente novo, mas o momento é inédito no circuito pelotense. Cerca de cinqüenta anos depois da inauguração das duas principais correntes que deram origem ao estilo - a escola de Colônia na Alemanha e a escola de Paris - Pelotas assistirá pela primeira vez, ao menos oficialmente, a uma apresentação Eletroacústica.
As composições surgem da fusão entre a música concreta - sons incidentais captados no ambiente - e a música eletrônica - sons gerados por computador. Os ruídos, que em outras circunstâncias seriam indesejáveis (nos concertos clássicos, por exemplo), aqui viram matéria-prima para elaborações musicais que evidenciam a plasticidade, com altas doses de experimentação e inventividade.
Através da manipulação digital e técnicas de sintetização, os músicos moldam as propriedades essenciais do som: alteram timbres, aumentam ou diminuem freqüências, ressaltam notas. O resultado é uma seqüência sonora com estética diferenciada - de estrutura indefinida, sem ritmo constante ou melodia harmônica -, que tensiona o espectador e obriga o ouvinte a testar sua capacidade de percepção.
"O maior choque que a música eletroacústica pode causar é a ausência da relação de causa e efeito. As pessoas estão acostumadas a ver alguém que toca um instrumento e a partir dessa ação o som é ouvido. Nesse caso não há intérprete, o compositor já deixa a música pronta no computador", explica Rogério Constante, que usou como base para a composição o rangir das cadeiras cinqüentenárias do auditório. "A proposta é justamente dialogar com o ambiente", diz ele, que ainda guarda no notebook a composição que apresentará amanhã inacabada.
O método de criação é similar ao de qualquer outra música. A grande diferença, demonstrada pelos professores, é que na música instrumental é feita de sons "prontos", ainda que se considere as variações de cada intrumento e de cada instrumentista. "Na música eletroacústica o compositor pode e deve, além de compor com os sons, compor os próprios sons", enfatiza Luciano Zanatta, que preparou uma audição de piano diferente, com inserções de estalos e ruídos provocados por uma caixa amplificadora saturada, exposta ao limite da sua capacidade.
Um desafio aos sentidos em três dimensões
"A questão chave para quem vai ouvir alguma coisa pela primeira vez é descobrir o que há ali para ser ouvido. Quem for ouvir eletroacústica esperando algum tipo de estrutura musical - no conceito restrito disso - vai se decepcionar. Isso não está lá porque não é para estar", sugere Zanatta, dando pistas de como o público deverá se comportar para melhor aproveitar a apresentação. "Em alguns momentos pode ser interessante tentar identificar os sons. Em outros, o melhor é abstrair mesmo", completa Constante.
Para demonstrar o dinamismo do som uma estrutura foi especialmente planejada. Serão quatro saídas de áudio em torno do público, que facilitarão a observação nítida dos movimentos da música, em seus vários planos, no espaço.
"Todo o repertório do concerto é bastante diversificado, o que só vem a demonstrar a vitalidade do Conservatório, que consegue se renovar e ao mesmo tempo se abrir para um leque bastante amplo de tendências musicais", observa Zanatta, que adverte que por ser uma experiência estética intensa, a apresentação exigirá a atenção constante do público.
A série de concertos em homenagem aos 90 anos do Conservatório de Música, que se estende até o mês de dezembro, é uma realização da Ato Produção Cultural e conta com o apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi) e patrocínio da Caixa Econômica Federal, que também comemora seus 120 anos na cidade.
Serviço
O quê: Concerto de professores e convidados
Quando: hoje, com início às 20h
Onde: no Salão Milton de Lemos, nas dependências do Conservatório de Música da UFPel (rua Félix da Cunha, 651)
Quanto: os ingressos podem ser retirados antecipadamente ou na hora, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. Os lugares são limitados.
Contato: Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3222-2562.
Prestigie também
O aniversário do Conservatório também será lembrado amanhã, às 19h, quando acontece a 25ª edição do projeto Tertúlias Musicais. Sob a coordenação do professor Marcelo Cazarré, participam do recital os alunos Adrian Borges, Jerônimo Collares e Washington Rodrigues com interpretações de piano, Igor Krüger e Maithan Timm no violão, e Lys Marcia Ferreira com peças de violino. A entrada é franca.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 18 de setembro de 2008
O gênero não é exatamente novo, mas o momento é inédito no circuito pelotense. Cerca de cinqüenta anos depois da inauguração das duas principais correntes que deram origem ao estilo - a escola de Colônia na Alemanha e a escola de Paris - Pelotas assistirá pela primeira vez, ao menos oficialmente, a uma apresentação Eletroacústica.
As composições surgem da fusão entre a música concreta - sons incidentais captados no ambiente - e a música eletrônica - sons gerados por computador. Os ruídos, que em outras circunstâncias seriam indesejáveis (nos concertos clássicos, por exemplo), aqui viram matéria-prima para elaborações musicais que evidenciam a plasticidade, com altas doses de experimentação e inventividade.
Através da manipulação digital e técnicas de sintetização, os músicos moldam as propriedades essenciais do som: alteram timbres, aumentam ou diminuem freqüências, ressaltam notas. O resultado é uma seqüência sonora com estética diferenciada - de estrutura indefinida, sem ritmo constante ou melodia harmônica -, que tensiona o espectador e obriga o ouvinte a testar sua capacidade de percepção.
"O maior choque que a música eletroacústica pode causar é a ausência da relação de causa e efeito. As pessoas estão acostumadas a ver alguém que toca um instrumento e a partir dessa ação o som é ouvido. Nesse caso não há intérprete, o compositor já deixa a música pronta no computador", explica Rogério Constante, que usou como base para a composição o rangir das cadeiras cinqüentenárias do auditório. "A proposta é justamente dialogar com o ambiente", diz ele, que ainda guarda no notebook a composição que apresentará amanhã inacabada.
O método de criação é similar ao de qualquer outra música. A grande diferença, demonstrada pelos professores, é que na música instrumental é feita de sons "prontos", ainda que se considere as variações de cada intrumento e de cada instrumentista. "Na música eletroacústica o compositor pode e deve, além de compor com os sons, compor os próprios sons", enfatiza Luciano Zanatta, que preparou uma audição de piano diferente, com inserções de estalos e ruídos provocados por uma caixa amplificadora saturada, exposta ao limite da sua capacidade.
Um desafio aos sentidos em três dimensões
"A questão chave para quem vai ouvir alguma coisa pela primeira vez é descobrir o que há ali para ser ouvido. Quem for ouvir eletroacústica esperando algum tipo de estrutura musical - no conceito restrito disso - vai se decepcionar. Isso não está lá porque não é para estar", sugere Zanatta, dando pistas de como o público deverá se comportar para melhor aproveitar a apresentação. "Em alguns momentos pode ser interessante tentar identificar os sons. Em outros, o melhor é abstrair mesmo", completa Constante.
Para demonstrar o dinamismo do som uma estrutura foi especialmente planejada. Serão quatro saídas de áudio em torno do público, que facilitarão a observação nítida dos movimentos da música, em seus vários planos, no espaço.
"Todo o repertório do concerto é bastante diversificado, o que só vem a demonstrar a vitalidade do Conservatório, que consegue se renovar e ao mesmo tempo se abrir para um leque bastante amplo de tendências musicais", observa Zanatta, que adverte que por ser uma experiência estética intensa, a apresentação exigirá a atenção constante do público.
A série de concertos em homenagem aos 90 anos do Conservatório de Música, que se estende até o mês de dezembro, é uma realização da Ato Produção Cultural e conta com o apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi) e patrocínio da Caixa Econômica Federal, que também comemora seus 120 anos na cidade.
Serviço
O quê: Concerto de professores e convidados
Quando: hoje, com início às 20h
Onde: no Salão Milton de Lemos, nas dependências do Conservatório de Música da UFPel (rua Félix da Cunha, 651)
Quanto: os ingressos podem ser retirados antecipadamente ou na hora, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível. Os lugares são limitados.
Contato: Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3222-2562.
Prestigie também
O aniversário do Conservatório também será lembrado amanhã, às 19h, quando acontece a 25ª edição do projeto Tertúlias Musicais. Sob a coordenação do professor Marcelo Cazarré, participam do recital os alunos Adrian Borges, Jerônimo Collares e Washington Rodrigues com interpretações de piano, Igor Krüger e Maithan Timm no violão, e Lys Marcia Ferreira com peças de violino. A entrada é franca.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 18 de setembro de 2008
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terça-feira, 5 de agosto de 2008
Instituto João Simões Lopes Neto lança prêmio para as artes visuais
Pinturas, esculturas, objetos, gravuras e vídeos inspirados na literatura simoniana vão passar a ter seu valor reconhecido pela instituição que é referência nos estudos e na preservação da memória e do patrimônio cultural legado pelo autor. Trata-se do prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais, lançado pelo instituto que leva o nome do escritor e que promete figurar entre as boas atividades desenvolvidas na área em todo o Estado.
De acordo com os organizadores, o objetivo é incentivar reinterpretações da obra de Simões - freqüentes por meio da dramaturgia - também através de outras construções artísticas. "O universo Simoniano é uma fonte inesgotável", afirma um dos idealizadores da proposta, Igor Simões, que há tempos desenvolve projetos teatrais e literários envolvidos na atmosfera narrativa das Lendas do Sul e dos Contos Gauchescos. Além disso, acrescenta ele, o prêmio irá proporcionar a criação de um espaço de visibilidade à arte feita no Rio Grande do Sul e promover o intercâmbio entre linguagens como a literatura e as artes visuais - algo recorrente na arte ocidental e contemporânea.
A obra vencedora do concurso será incorporada ao acervo do Instituto e seu autor receberá R$ 6 mil reais como premiação. Outros cinco trabalhos serão destacados e receberão menção honrosa como incentivo à produção artística no valor de R$ 1,5 mil cada.
O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais tem o apoio das empresas "amigas do Instituto" - Colégio Gonzaga, Livraria Vanguarda, Construtora Theo Bonow e Caixa Econômica Federal - além da Braskem e da Copesul, patrocinadoras através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
Inscrições começam amanhã
De 6 de agosto até o dia 10 de setembro artistas gaúchos ou residentes no Rio Grande do Sul há pelo menos cinco anos poderão inscrever seus trabalhos. O regulamento e a ficha de inscrição podem ser obtidos na sede do Instituto (rua Dom Pedro II, 810) e a partir de amanhã estarão disponíveis também na internet, no endereço www.joaosimoeslopesneto.com.br. Mais informações pelo telefone 3027-1865.
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 05 de agosto de 2008
De acordo com os organizadores, o objetivo é incentivar reinterpretações da obra de Simões - freqüentes por meio da dramaturgia - também através de outras construções artísticas. "O universo Simoniano é uma fonte inesgotável", afirma um dos idealizadores da proposta, Igor Simões, que há tempos desenvolve projetos teatrais e literários envolvidos na atmosfera narrativa das Lendas do Sul e dos Contos Gauchescos. Além disso, acrescenta ele, o prêmio irá proporcionar a criação de um espaço de visibilidade à arte feita no Rio Grande do Sul e promover o intercâmbio entre linguagens como a literatura e as artes visuais - algo recorrente na arte ocidental e contemporânea.
A obra vencedora do concurso será incorporada ao acervo do Instituto e seu autor receberá R$ 6 mil reais como premiação. Outros cinco trabalhos serão destacados e receberão menção honrosa como incentivo à produção artística no valor de R$ 1,5 mil cada.
O Prêmio João Simões Lopes Neto de Artes Visuais tem o apoio das empresas "amigas do Instituto" - Colégio Gonzaga, Livraria Vanguarda, Construtora Theo Bonow e Caixa Econômica Federal - além da Braskem e da Copesul, patrocinadoras através da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul.
Inscrições começam amanhã
De 6 de agosto até o dia 10 de setembro artistas gaúchos ou residentes no Rio Grande do Sul há pelo menos cinco anos poderão inscrever seus trabalhos. O regulamento e a ficha de inscrição podem ser obtidos na sede do Instituto (rua Dom Pedro II, 810) e a partir de amanhã estarão disponíveis também na internet, no endereço www.joaosimoeslopesneto.com.br. Mais informações pelo telefone 3027-1865.
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 05 de agosto de 2008
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segunda-feira, 4 de agosto de 2008
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