segunda-feira, 18 de maio de 2009
Dias para se visitar a cultura
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Reportagem sobre IJSLN rende prêmio ao Diário Popular
A menção honrosa não estava no edital que instituiu o concurso; foi um prêmio a mais estabelecido de comum acordo entre os membros da comissão avaliadora, como uma forma de premiar um trabalho bem qualificado. O Prêmio Mário Pedrosa foi idealizado pelo IPHAN como forma de incentivar a publicação de trabalhos sobre museus e, nessa que foi sua primeira edição, a importância social desses espaços foi o foco, com o tema “Museus como agentes de mudança social e desenvolvimento”.
Foi pensando nessa temática que Bianca trabalhou os aspectos de preservação e vivência da memória e incentivo cultural intenso que caracterizam o Instituto João Simões Lopes Neto. “O Henrique [Pires, presidente do IJSLN] abriu as portas do instituto e incentivou a participação no concurso”, conta a jornalista. E na forma de contar a história e a vida da casa do Capitão pode-se sentir o objetivo maior da competição promovida pelo IPHAN: fazer crescer o interesse pelos museus e por tudo que eles representam para a história cultural e a memória de um povo.
Participaram trabalhos de todo o País, publicados entre 1º de janeiro e 15 de novembro de 2008. O resultado, que deveria ter sido divulgado em 18 de dezembro, só foi publicado ontem, no Diário Oficial da União. Além da menção honrosa, outros três prêmios, previstos no edital, foram concedidos. Museu de todos, da jornalista Maria Olivia Mindêlo, publicada Jornal do Commercio, do Recife, ficou com o primeiro lugar. Na segunda e na terceira colocação foram premiados, respectivamente, A Casa é de Todos, de Jacqueline Batista (O Jornal, Maceió) e Memorial Resgata História da Mulher no Agreste de Alagoas, de Davi Barbosa Neto Salsa (Jornal Tribuna Independente, Arapiraca – AL).
A boa notícia do prêmio veio de surpresa. “Como faltava pouco mais de um mês para minha formatura quando a matéria foi publicada, O IPHAN afirmou que a participação não seria homologa”, explica a jornalista. Mesmo assim, o material foi enviado e a qualidade do texto e do conteúdo chamou a atenção do júri. Para o coordenador de redação do Diário Popular, Pablo Rodrigues, que editou e acompanhou a construção da reportagem, o prêmio confirma o potencial da matéria. “Eu sempre soube que tinha chance de ser premiada. É um baita tema e uma baita matéria”, elogia.
Recebida com festa no instituto, a menção honrosa concedida a Bianca será mais um motivo de celebração na programação que marcará os 144 anos do nascimento do escritor, programada pelo IJSLN para o dia 9 de março, data do aniversário do autor. O presidente do instituto, Henrique Pires, afirma que, entre as atividades que vão de manhã até a noite, uma homenagem à repórter será prestada. “No momento que uma jornalista do interior do Rio Grande do Sul ganha um prêmio desse porte, isso mostra que a atividade cultural realizada no interior pode competir de igual para igual com o resto do País. É muito merecido”.
Texto: Aline Reinhardt | Extraído de: Jornal Diário Popular / Contracapa | Publicado em: Pelotas, Sábado, 28 de fevereiro de 2009
Leia também:
Texto de Francisco Vidal sobre o prêmio
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Museu da Z-3
domingo, 2 de novembro de 2008
Onde a história acontece
Não se esqueça de dizer: a porta é de vaivém, e nunca pára. Está sempre se abrindo, para quem mais, além do sol, quiser entrar. E são muitos, sempre bem-vindos. Por ali circulam crianças, moços e velhos, quase que diariamente. Eles percorrem cômodos da residência que durante dez anos foi a moradia do escritor João Simões Lopes Neto e percorrem também as páginas dos livros com uma curiosidade alegre e sagrada. Na sala, como se saísse de uma das paredes, é o próprio Capitão quem saúda os visitantes, com um olhar jovial de quem diz: “Olá! Amigo! Apeie-se; descanse um pouco! Venha tomar um amargo!”
Pela leitura, quem chega vai à busca da redescoberta da cultura gaúcha e dos tesouros perdidos nas entrelinhas escritas por uma caligrafia rebuscada. O Negrinho do Pastoreio os acompanha na procura por este caminho literário que continua a ser percorrido à luz dos tocos de vela acesos pelas Lendas do Sul e pelos Contos Gauchescos. Nem sempre foi assim.
A reconstrução
Até o final da década de 1990 o local estava caindo aos pedaços. O imóvel, abandonado, por pouco não teve sua destruição decretada. Se isso tivesse ocorrido, os escombros do casario teriam enterrado uma história que, por sorte, alguém se interessou em investigar. Esse alguém era o pesquisador Carlos Sicca Diniz, que através de registros nos cartórios de Pelotas comprovou as suspeitas de que a casa havia pertencido ao mais célebre dos escritores pelotenses. No período em que viveu ali, de 1897 a 1907, João Simões escreveu a lenda O Negrinho Pastoreio.
A descoberta deflagrou uma batalha judicial que mobilizou a comunidade, desde a imprensa até os historiadores e admiradores da literatura simoniana. Sete anos mais tarde a aprovação de um projeto de lei do então deputado Bernardo de Souza transformou a casa em Patrimônio Cultural do Estado. A demolição não aconteceria, mas nada impedia que o prédio ruísse irremediavelmente - no final de um processo de degradação longo, solitário - apenas com a ajuda do tempo e da umidade.
Foi então que um grupo de pessoas disposto a devolver a casa ao seu antigo e mais notável dono apareceu. Esse grupo fundou o Instituto João Simões Lopes Neto, e através dessa instituição civil conseguiu captar recursos, restaurar o prédio e, principalmente, devolver a vida ao lugar.
"Só por ser antiga, a casa já merecia ser recuperada. Mais ainda por Simões ter vivido aqui. A sua obra é a substância desse lugar", diz o escritor Vitor Ramil, autor de Satolep (Cosac Naify, 2008), que confessa uma relação afetiva com "o homem" João. Apesar de não serem contemporâneos, a amizade entre os dois se revela no estilo da prosa e na forma como Vitor é capaz de dialogar com o conterrâneo - autor atemporal.
Ramil defende a tese de que foi a decadência econômica do município que ajudou a conservação do patrimônio histórico de Pelotas, ou pelo menos impediu que a degradação fosse maior. A falta de dinheiro não retardou a ação do tempo, mas amenizou a ação do homem, ainda mais nociva. "É paradoxal isso, mas se a cidade tivesse mais recursos para a construção civil, teria destruído muito mais prédios. Porque a mentalidade das pessoas é de construir coisas novas. As pessoas não conseguem enxergar a beleza do antigo. De certa forma, a gente continua trocando ouro por espelinho", reflete, enquanto admira as escaiolas nas paredes, que antes escondidas nas sombras do prédio em ruínas, com o restauro voltaram a ser vistas.
A reabitação
Com quase dez anos de atividades constantes, dentro e fora da Casa, o Instituto é hoje um espaço concreto habitado por significados abstratos, como as escaiolas - metafóricas e enigmáticas - descritas por Vitor Ramil. Assim, capaz de atrair ações que convergem até ela e irradiar reflexos da mobilização cultural que ocorre no seu interior, não por acaso é reconhecido como um marco sólido da cultura do Rio Grande do Sul do passado, no presente e para o futuro.
Atualmente são mantidos diversos projetos permanentes, (veja no quadro) entre eles o Núcleo de Estudos Simoneanos. O grupo, que começou antes mesmo da criação do Instituto, se reúne semanalmente e é o verdadeiro "cérebro" da instituição, pois mantém a obra de Simões permanentemente lida e discutida, agora num local que não poderia ser mais inspirador.
Além dos simonianos, circulam pelo lugar mais de 500 pessoas todos os meses – uma movimentação que mantém a casa sempre ventilada.
O novo Blau
Mais de nove décadas depois da morte de Simões, sua obra talvez nunca tenha estado tão viva. A casa tem o seu espírito empreendedor, e a alma do velho Blau refletida nas vidraças. É o novo jeito de contar histórias.
A “memória” do vaqueano está se modernizando. Até o final deste ano o Instituto deve dar início à execução do projeto de digitalização do acervo, que só depende da liberação dos recursos (R$ 40 mil) aprovados na Consulta Popular de 2006.
Mais que um ambiente de preservação de um valioso acervo de obras e peças - muitas delas raras -, a Casa do Capitão se tornou um lugar de reflexão e releituras inesgotáveis para o legado simoniano. Mais ainda: tornou-se um ponto de referência por hospedar tantas outras atividades ligadas às artes, à história, à literatura – de oficinas de teatro a reuniões do grupo dos representantes dos museus de Pelotas - de forma ampla em uma cidade ainda órfã de uma casa própria para a cultura.
“Nos interessa que a história seja preservada como um todo. É importante que o Museu da Baronesa esteja em boas condições, por exemplo, porque quando o visitante vai lá ele pode ter uma noção de como era a sociedade pelotense da época de Simões”, contextualiza o presidente do Instituto, Henrique Pires.
“Abrir as portas para a comunidade é o que justifica a existência de um espaço como esse. Uma casa que foi reformada e é mantida com recursos de renúncia fiscal tem a obrigação de estar a serviço do público”, afirma ainda, ao admitir que teme que a polêmica envolvendo desvio de recursos da Lei de Incentivo à Cultura (LIC-RS) possa comprometer a programação do ano que vem. “Por enquanto a análise dos projetos está suspensa, mas nós vamos atrás de parcerias”, garante.
Algumas atividades
- Prêmio Trezentas Onças - reconhecimento simbólico concedido anualmente às personalidades que se destacam no trabalho pela preservação da memória e divulgação da obra de Simões.
- Simões Lopes vai à Escola - projeto de aproximação do escritor com os novos leitores através de atividades que se realizam nas escolas e no Instituto. Desde 2007, já contemplou mais de 40 colégios e cerca de 3 mil alunos das redes públicas e particular de ensino de Pelotas e região.
- Blau: Centro de Estudos Cênicos - oficina permanente de teatro onde a obra simoniana é a matéria-prima da didática de formação do ator.
- Teatro Mostra Simões - projeto que incentiva a formação de grupos de teatro nas escolas por meio de oficinas preparatórias. Os grupos recebem suporte técnico para elaborar esquetes inspiradas na obra de Simões e depois apresentam as montagens em outras escolas. Este ano, 6 colégios participam diretamente e outros 14 irão receber as apresentações itinerantes até dezembro.
- Seminários - o IJSLN faz parte da comissão organizadora da Feira do Livro e anualmente promove seminários temáticos. Este ano, pela primeira vez, contará também com um estande próprio no evento.
- Prêmio JSLN de Artes Visuais - implementado este ano, o concurso incentiva a produção contemporânea de artistas gaúchos.
- Palestras e oficinas - inúmeras oficinas voltadas para o aprendizado de diversas linguagens artísticas são promovidas pelo Instituto, quase sempre com participação gratuita, ou a preços simbólicos. Além disso, palestras, debates e seções de exibição de filmes são freqüentemente realizados no auditório da Casa. No próximo domingo, Vitor Ramil inaugura a série Diálogos na Casa de Simões, quando irá discutir com leitores as interpretações de seu livro Satolep.
Novos leitores
Na escola, os alunos aprendem que "João Simões Lopes Neto foi o mais importante escritor regionalista do Rio Grande do Sul". No Instituto, onde as crianças se sentem em casa, o Simões, ou simplesmente João, assume um tom menos solene e uma importância real não para o mundo, mas para cada um dos novos leitores que são conquistados pelo carisma e pela prosa cativante do escritor.
Alana, de nove anos, acha que ele foi importante porque seus livros registraram as histórias dos gaúchos e, traduzidos, fizeram com que o Estado ficasse conhecido em todo o mundo. Ela, como os colegas, não sabe ler japonês. A tradução, para eles, nem é tão importante assim, porque apesar de viverem no Rio Grande do Sul, eles aprenderam e reconheceram suas próprias origens pelas histórias de Simões, contadas em português mesmo, mas um português carregado de sotaque.
Durante a leitura, orientada pela professora, os alunos formularam um glossário. "Charlador" foi uma das primeiras palavras cujo significado precisaram pesquisar. "Charlador é uma pessoa que fala muito, que conta histórias, como o Blau Nunes", explica a aluna Eduarda, mostrando que tem a lição na ponta da língua. "Ele é um tagarela", completa Arthur, arriscando um sinônimo mais próximo do seu vocabulário.
Envolvidos pela atmosfera do passeio literário, os alunos da quarta série do Colégio São Francisco de Assis soltam a imaginação. "Eu acho que o Simões era alto, magro e bigodudo", diz alguém. "Era até bem charmoso... E ele fumava! Naquela época fumar era considerado elegante! Mas hoje é bem diferente...", analisa outro aluno.
"Mesmo ele tendo a aparência de um senhor muito velho, eu acho que ele tinha mesmo uma alma de criança. Ele é muito simpático!", diz Bruna, que no teatrinho montado na escola fez o papel de protagonista do conto O mate do João Cardoso.
"As pessoas acham que museu é uma coisa chata, parada, mas esse aqui não é. A gente não deve destruir nada disso porque se a gente estragar não tem como ele escrever de novo! E eu acho que lá do céu o Simões deve estar feliz porque a gente vem visitar a casa dele e quer saber mais das histórias que ele contava", resume a colega Eduarda.
Casa velha, vida nova
Arejadas pelo folhear dos jovens as páginas amareladas dos livros são tratadas como verdadeiras preciosidades. As velhas histórias são novidade para as crianças e outros leitores que como elas dão os primeiros passos nas andanças literárias feitas há muito tempo pelo velho Blau.
A Casa do Capitão é ponto de partida para esses caminhos. É a descoberta, de que entre Simões - escritor, empreendedor - e João - o homem -, ficou estendida uma longa estrada semeada de recordações – casos, dizia –, que de vez em quando alguém reconta, como quem estende ao sol, para arejar, roupas guardadas ao fundo de uma arca...
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / Capa e páginas centrais | Publicado em: Pelotas, Domingo, 2 de novembro de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
A cultura homenageia Pelotas
Diversas organizações ligadas aos segmentos de arte, cultura e turismo estão mobilizadas para render homenagens à Pelotas alusivas ao seu 196º aniversário comemorado hoje. Pela ocasião são oferecidas à comunidade atrações que, além de opções de lazer, servem para o resgate e valorização da memória da cidade.
Artes plásticas, dança, literatura e fotografia são alguns destaques do circuito cultural comemorativo. Algumas atividades sugeridas na programação, que já acontece desde a semana passada, se estendem até o final do mês. Todas as atrações, exceto a mostra de dança, têm entrada franca.
Confira!
Artes Plásticas
O ateliê Giane Casaretto inaugura hoje a mostra Preciosa Catedral, com desenhos e pinturas que contemplam os detalhes da Catedral São Francisco de Paula. Visitação até o final do mês na rua 15 de Novembro, 871.
Amanhã, no Shopping Zona Norte, é o último dia para conferir a exposição de telas e objetos do Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas intitulada MAPP - 8 anos amparados nos 196 de Pelotas.
Até o dia 17 o Espaço Arte & Eventos Zilah Costa (parque Dom Antônio Záttera, 255) realiza a exposição coletiva de telas e objetos Para sempre, Pelotas!. O local fica aberto das 14h às 18h.
No Sest/Senat (Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional do Transporte) termina hoje a exposição de telas dos alunos do curso de pintura. O endereço do Sest/Senat é avenida Ildefonso Simões Lopes, 1206, aberto ao público das 8h às 12h e das 13h30 às 18h.
Na Galeria de Arte da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Stella Onega expõe arte sobre tela e gravura expandida. Visitação das 8h às 22h.
Fotografia
A atração do saguão do Campus I da UCPel é a exposição Pelotas, do Apogeu às Doces Riquezas, com fotos de Felipe Macedo, acadêmico do curso de Jornalismo. A partir do dia 14 a mostra muda de endereço e vai para o saguão do Campus II (rua Almirante Barroso, 1202) onde fica até o dia 27.
No Corredor Arte do Hospital Escola da FAU/UFPel (rua Professor Araújo, 538) Francisco Vargas expõe Olhares até o dia 16. Vargas é administrador de empresas aposentado que tem a fotografia com hobby. As imagens que fazem parte da mostra exaltam a beleza histórica e arquitetônica do município.
Literatura
O Centro Literário Pelotense (Clipe) promove hoje Sarau Poético e Mini Feira do Livro de autores pelotenses. O evento será na Dom da Palavra Livraria e Cyber Café (esquina das ruas Dom Pedro II e 15 de Novembro) a partir das 15h.
O Clipe realiza também, até o dia 25, exposição de poesias ilustradas na Sala Inah Costa, situada no Centro Cultural Adail Bento Costa (praça Coronel Pedro Osório, casa 2). Duas obras premiadas na Expoesia 2008, de Porto Alegre, estão entre os títulos da mostra.
Acervos
Até o dia 5 de agosto a sala de exposições da Secretaria de Turismo expõe mobiliário e acessórios do Museu da Baronesa. Leques, chapéus e outras peças fazem parte do conjunto que engloba a temática Recanto feminino. A Secretaria de Turismo fica no Parque Museu da Baronesa.
Olhares através do tempo é o título da exposição do acervo da Secretaria de Cultura (Secult), que fica até o dia 25 nas sala Antônio Caringi do Centro Cultural Adail Bento Costa (praça Coronel Pedro Osório, casa 2) e na sala Frederico Trebbi, situada no saguão da Prefeitura.
Dança
Dia 11, às 19h30, a Associação de Dança de Pelotas (Adap) realiza no auditório externo do Cefet uma mostra de dança com a participação das escolas e grupos autônomos filiados e também de grupos escolares, com coreografias em diversos estilos. Ingressos à venda ao valor de R$ 3,00 nos seguintes locais: Cia. da Dança, Adágio Centro de Ginástica e Dança, Ateliê da Dança, 1 Ato Tavane Viana, Studio Unidança, Darla Duarte Cia. de Dança, Grupo de Dança Trem do Sul e Cia. de Dança Daniel Amaro. Mais informações pelo telefone 3225-6056 ou 8127-4505.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 7 de julho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
A novíssima Sala dos Novos
A proposta, segundo a professora Francisca Michelon - que assina a curadoria ao lado de Raquel Schwonke - é sucitar através desse olhar diferenciado, reflexões a respeito daquilo que possui valor patrimonial e constitui memória, conceitos que, segundo ela, são construídos sob grande influência do discurso fotojornalístico. "O fotojornalismo é diferente da fotografia meramente contemplativa, principalmente porque exerce uma percepção muito mais factual e sintética. Ao mesmo tempo, o fotógrafo no jornal tem um poder muito mais imediato que o repórter. A matéria é informativa, porém a foto é reflexiva", afirma a professora da UFPel, que tem formação em artes visuais e doutorado na área da história.
Participam da mostra os fotógrafos Nauro Júnior, da Zero Hora, Vilmar Tavares, do Diário da Manhã, Paulo Rossi e Moizés Vasconcellos, ambos do Diário Popular, escolhidos, segundo Francisca Michelon, porque "possuem uma maturidade fotográfica conquistada ao longo de suas trajetórias profissionais, e estilos bastante distintos".
Mostra fotográfica será a primeira a ocupar a Sala dos Novos
Malg na Semana Nacional de Museus
Até domingo o Malg promove atividades integradas à programação nacional da 6ª Semana dos Museus, que este ano tem como tema central o papel dos museus como agentes de mudança social e desenvolvimento. Para diretora Raquel Schwonke, o fato do Malg estar inserido nesta programação de forma bastante diferenciada, não apenas com exposições mas também com oficinas e palestras, faz com que o Museu ocupe uma posição destacada nacionalmente. Ela acredita que a ampla divulgação deva repercutir tanto como fator de valorização do Malg no âmbito local quanto como forma de atrair visitantes de outras localidades que estejam em trânsito. "Nossa preocupação foi manter esta semana uma proposta não tanto voltada para a arte, mas sim para a relação da comunidade com a arte", explica.
A expectativa, segundo a diretora, é de que o público freqüentador do museu durante esses dias alcance o dobro da média normal. Atualmente esse número já tem se mantido alto - entre 150 e 200 visitantes por dia - desde o início da exposição do acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) A Expressividade na arte brasileira, que ocupa a sala principal até o dia 1º de junho e já tem lotada a agenda de visitação em grupos.
Prestigie!
O quê: Exposição Pelotas Antiga vista pelos Fotojornalistas
Quando: Vernissage - Quarta-feira, dia 14, às 18h Visitação - de 15 de maio a 31 de julho, com visitação de terças a domingos das 10h às 19h. Entrada franca
Onde: na Sala dos Novos, no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725).
***Confira também***
Programação da 6ª Semana Nacional de Museus no MALG
De 12 a 31 de maio
Oficina de Xilogravura. Coordenação Gabriela Pereira IAD/UFPel. Horário: das 14h às 17h. Valor: R$ 5,00
Hoje
Palestra - Museu e Inclusão Social; discutindo a acessibilidade. Palestrante Cíntia Essinger - UFPel. Das 18h às 20h. Entrada franca.
Amanhã
Oficina - Desenho de modelo vivo. Coordenação Nadia Senna - IAD/UFPel. Das 14h às 17h. Valor: R$ 5,00
Quinta-feira
Mesa Redonda - Museu, Fotografia e Memória. Participação Francisca Michelon e Letícia Mazucchi - UFPel. Das 14h às 17h. Entrada franca.
Sexta-feira
Oficina - Educação para o Patrimônio e Mudança Social. Relatos. Participação de Francisca Michelon e alunos da UFPel. Das 8h30 às 17h. Entrada franca.
Cinema - Mostra do filme Saneamento Básico seguida de debate. Coordenação Lanza Xavier - Curso de Cinema e Animação da UFPel. Das 18h às 19h30. Ingressos gratuitos e limitados, disponíveis antecipadamente no Malg.
Mesa Redonda - Cinema e Memória. Coordenador Guilherme da Rosa - Curso de Cinema e Animação da UFPel. Das 19h30 às 20h30. Entrada franca.
Inscrições: no local ou pelo telefone 3225-9144
Mais informações: no site http://ila.ufpel.edu.br/malg
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 13 de maio de 2008 | Foto: Divulgação (1)/ Dankas Moraes (2)



