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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Concerto


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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

A popularidade e o requinte do violão

Conservatório de Música da UFPel traz a Pelotas o Quarteto Maogani com o repertório de Impressão de Choro

Conhecido pela criatividade e por interpretações delicadas como a música erudita e espontâneas como a música popular, o Quarteto Maogani realiza nesta sexta-feira concerto em homenagem aos 90 anos do Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas. No grupo camerístico, os músicos Paulo Aragão, Marcos Alves e Carlos Chaves são acompanhados de Maurício Marques, prata da casa.

Graduado pela UFPel em 1998, ele ingressou no quarteto em 2005 e faz parte da terceira formação do Quarteto. Marques vive em Viamão, onde trabalha como professor e arranjador. Os outros três componentes moram no Rio de Janeiro e também desemvolvem atividades paralelas.

A criação dos arranjos - quesito que mais chama atenção na produção fonográfica do grupo - é feita "na ponte aérea" ou via Internet. Os ensaios ocorrem no caminho, e assim já se vão 13 anos de estrada. Na bagagem, prêmios importantes como o Prêmio Tim de Música (2005), Prêmio Rival BR (2004) e o Prêmio Caras (2002), além do reconhecimento de ser um dos grupos instrumentais mais conceituados da música popular brasileira na atualidade, aqui e no exterior.

No mais recente trabalho, Impressão de Choro, eles apresentam composições do ritmo que é considerado uma das maiores referências da MPB, em um espetáculo que já foi assistido por platéias da Itália, Alemanha, Colômbia, Equador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Daqui, segue para Jerusalém antes de retomar a turnê pelo Brasil. No repertório, poderão surgir também "algumas bossas", adianta Marques, gravadas no álbum anterior, feito em homenagem a Tom Jobim.


A MPB passa pelas cordas

"O violão consegue ser popular até mesmo entre a música erudita, ele se identifica em qualquer espaço", assegura o músico. Mas, quem diria, não faz muito tempo que o instrumento era mal-visto e considerado "chulo" pelas elites do passado. Hoje, entra pela porta da frente nos teatros e conservatórios. Se precisar dividir espaço, sente-se à vontade ao lado de flautas, pianos e violinos. Sonho pré-modernista do velho Policarpo Quaresma e de Lima Barreto - personagem e autor - finalmente realizado: a essência da Música Popular Brasileira finalmente vibra sem receios no dedilhado das cordas do violão, no meio urbano em ritmo do choro, ou no embalo das serestas e outros estilos regionais do interior.

"Alguém viu por aí um pianista com seu piano embaixo do braço?", pergunta Marques, e ele mesmo responde: "Deve ser por isso que o violão - uma pequena orquestra portátil, como dizem alguns - chega a todos os lugares". A afirmação tem fundamento. Não é apenas uma questão de acessibilidade física. É cultural. Apesar da ascensão, puxada por nomes como Baden Powell, Raphael Rabello e Canhoto, o violão não esqueceu de onde veio, depois que se tornou "nobre". Ainda está nas serestas de viola caipira (antecessora do violão), ao lado do banquinho nos bares ou nas ruas, nas mãos de hippies, índios, andantes... É e continua sendo versátil e indiscutivelmente popular.


Prestigie

O quê:
Recital de Violões com Quarteto Maogani
Quando: amanhã (25), às 20h
Onde: no Conservatório de Música da UFPel (rua Félix da Cunha, 651)
Ingressos: podem ser trocados no local por um quilo de alimento não perecível. As doações serão em benefício do Banco de Alimentos Madre Teresa de Calcutá.


Prática
No sábado (27) o Quarteto realiza masterclass para violonistas e grupos de câmara, das 10h ao meio-dia no Conservatório de Música com entrada franca.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 24 de setembro de 2008

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Quarteto de Sopros da Amazônia apresenta Villa-Lobos

O Serviço Social do Comércio (Sesc) apresenta hoje, a partir das 20h no Conservatório de Música da UFPel o Quarteto de Sopro da Orquestra Amazonas Filarmônica, com composições de Heitor Villa-Lobos. O concerto faz parte da programação do projeto Sonora Brasil e Arte Sesc - Cultura Por Toda Parte.

Composto pelos instrumentistas Cláudio Abrandes (flauta), Ravi Shankar (oboé), Vadim Ivanov (clarineta) e Romeu Rabelo (fagote), o grupo pretende interpretar o repertório camerístico de música brasileira para esta formação e suas variantes, de solos, duos ou trios, pouco conhecidas do grande público.

Todos os integrantes do quarteto atuam nos palcos do Brasil e do exterior. Cláudio Abrantes e Vadim Ivanov tocam juntos na Orquestra Amazonas Filarmônica, aprovados em concurso internacional desde que foi criada em 1997. A eles juntou-se Ravi Shankar como músico convidado da Amazonas Filarmônica no 12º Festival Amazonas de Ópera, realizado este ano, e finalmente Romeu Rabelo, convidado especialmente para participar da terceira etapa do projeto Sonora Brasil, do Sesc. Pelotas é uma das 63 cidades, de 19 estados do Brasil, que irão receber o espetáculo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Conservatório chega aos noventa

No Conservatório de Música Pelotas, há 9 décadas, muda-se o compasso mas não se perde o ritmo. A música não pára nunca. Ali, tudo é feito de som desde que José Corsi e o professor Guilherme Fontainha, então diretor do Conservatório de Música de Porto Alegre, idealizaram uma nova proposta artístico-cultural, no início do século 20. O tempo era de auto-afirmação. Quando já se anunciava a antropofagia que viria escancarada na Semana de Arte Moderna de 22, o que se pretendia em termos regionais, lá em 1918, era a criação de um movimento cultural autônomo no Rio Grande do Sul.

Na prática a idéia propunha o estabelecimento de uma rede de centros culturais que permitisse a circulação permanente de artistas nacionais e internacionais, e que pudesse servir também para promover a educação musical da comunidade. A estratégia tratava de resolver o problema logístico, um dos principais empecilhos para o intercâmbio artístico na época do quase-pré-histórico mundo pré-globalizado, quando - imaginem! - não havia como fazer downloads das últimas composições, ou assistir no You Tube o vídeo do mais novo concerto do circuito europeu.
As obras, os artistas, continuavam a viajar - com piano e tudo, se necessário fosse - de navio até aqui. O itinerário - do qual Pelotas e outras 16 cidades faziam parte - não eliminava a epopéia dos músicos que se aventuravam a chegar até a pampa, mas ao menos facilitava o acesso às novas tendências musicais e rendia assunto para as conversas nas rodas em que circulava a intelectualidade pelotense.

A fundação do Conservatório se deu no embalo do positivismo. A intenção era formar músicos e platéia, e estabelecer uma educação musical de forma ampla. Era prioridade que as mulheres, na função de primeiras educadoras, desenvolvessem seus dotes musicais e seus conhecimentos gerais. "Desde o início as atividades do Conservatório jamais desvincularam o ensino da música da prática, da vivência de concertos. Mais do que promover o acesso à música, a idéia era incentivar as pessoas a pensarem sobre cultura, arte e filosofia", explica a diretora da instituição e pesquisadora Isabel Nogueira.


O som da idade

Tijolos de dó, ré, mi, portas de fá, janelas de sol, lá, música, si. Talentos que entram e saem mantém as portas da instituição quase centenária sempre abertas. Por elas, arejadas, sopra um vento à favor da continuidade descontinuísta. Um ar de renovação. Aos noventa, o Conservatório é ainda como um jovem músico a experimentar os primeiros acordes. Mas a estrutura...

A idade faz barulho. Se o tempo tem outro som além dos tics e tacs, este som é o do rangir das articulações. Sobem a escada. Os degraus gemem. Caminham pela ante-sala. No salão ao lado, os passos viram um acompanhamento indesejável para os acordes de perfeita harmonia. A melodia às vezes inquieta. Diante do palco de tábuas corridas e plena concentração, basta que um ouvinte se acomode na platéia para que todas as cadeiras, ouvintes de todos os concertos desde 1950, desacomodem-se também. Presas ao chão, seus acentos exclamam, porque os parafusos fizeram casa, reclamam e fazem sua própria melodia de madeira e verniz.

Se a música é tempo, o espaço de oito salas ficou pequeno para acomodar mais gente. Por isso os projetos são de reformar e ampliar as acomodações, que hoje limitam o grupo de alunos em cerca de 150.


Conservador, nem tanto

Por definição, conservatórios são locais de ensino de música e também onde se conservam certos valores culturais e intelectuais. A prática, no entanto, não necessariamente se associa à idéia engessada de conservadorismo.

Ao longo do tempo, as diversas formas de interação de culturas e criações têm dissipado as fronteiras entre a música popular e a música erudita, em todos os lugares, e no Conservatório também.

Quando completa noventa anos de atividades ininterruptas, o Conservatório quer renascer. Afinal, não é para isso que servem os aniversários? "Eu vejo o conservatório hoje como um espaço que sedia um novo movimento de contra-cultura. Afinal, aqui resiste uma forma de música que é diferente daquela que está exposta na mídia. O que toca aqui não é trilha de nenhuma novela". Essa é a resposta que Isabel Nogueira tem na ponta da língua para os críticos que afirmam que o Conservatório é uma casa elitista. "Este lugar foi construído com um caráter muito humano, sobre pilares de um idealismo muito forte. A casa sempre esteve aberta e além disso, muitos alunos que passam por aqui desenvolvem projetos fora. Através deles o Conservatório e a música se aproximam da comunidade".

Municipalizado em 1937 e vinculado à Universidade Federal de Pelotas desde 1983, o Conservatório de Pelotas, é um dos remanescentes do projeto original, acompanhado das instituições de Rio Grande, Bagé e Porto Alegre, que seguiram trajetórias parecidas e ainda hoje se mantém em funcionamento.

Na noite de quinta-feira, 18 de setembro, professores da casa e convidados farão soar instrumentos em homenagem à data que marcou a fundação da instituição. O repertório vai do folk e popular ao erudito e inclui nomes como Liszt, Mozart, Schubert e Piazzola.


O concerto soará também em tom de novidade: propiciada pela recém criação do curso de composição musical da UFPel, os professores Rogério Constante e Luciano Zanatta farão uma apresentação eletroacústica. O gênero inédito no local é caracterizado pela técnica de composição que utiliza sons produzidos ou processados eletronicamente. "Pode ser um choque, em princípio, porque a música não tem uma estrutura a que o público está acostumado a acompanhar. Mas vai ser interessante", adianta a diretora.

Este será o segundo de uma série de sete concertos, inaugurada em agosto com o pianista Alexandre Alcântara - por ocasião da passagem dos 39 anos da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) - e que terá seqüência até o final do ano.

A programação é também alusiva aos 120 anos da Caixa Econômica Federal em Pelotas e tem o apoio do Serviço Social da Indústria (Sesi).


Programação

Esta semana
Dia 18, concerto com professores e convidados

Em setembro
Dia 26, Quarteto de Violões Maogani (São Paulo)

Em outubro
Dia 10, Olinda Alessandrini, Hella Frank e Inge Schmiedt - piano, violino e violoncelo
Dia 22, Laura de Souza e Max Uriarte - canto e piano
Dia 28, Nancy Lee Harper - piano solo (Portugal)

Em dezembro
Dia 5, Lucas Debevec Mayer, Rosana Schiavi e Carlos Moejano - canto e piano (Argentina/Brasil)



* Todos os concertos ocorrerão no Salão Milton de Lemos, nas dependências do Conservatório de Música da UFPel (rua Félix da Cunha, 651.

** Os ingressos são distribuídos local, mediante a troca por um quilo de alimento não perecível. Os donativos arrecadados serão repassados ao Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá.


Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 6 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 15 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Duo Kurtz-Morejano

No próximo dia 12 de setembro, o Auditório Milton de Lemos será palco de mais um Recital do DUO KURTZ-MOREJANO, formado pela soprano Luísa Kurtz e pelo pianista Carlos Morejano, professores do Conservatório de Música da UFPel.



O Duo, que iniciou suas atividades em 2005, apresentará canções de E. Granados (Goyescas y Tonadillas), M. de Falla (Siete Canciones Populares Españolas); R. Schumann (Liederkreis, op. 39) e H. Villa-Lobos (Quatro Canções da Floresta do Amazonas), além de árias antigas de A. Lotti e A. Caldara. A renda deste recital é destinada ao Instituto São Benedito, tradicional entidade assistencial da cidade de Pelotas.



Serviço


O quê: Recita Beneficente Duo Kurtz-Morejano

Quando: Sexta-feira, 12, a partir das 20h

Onde: no Conservatório de Música da UFPel

Quanto: R$ 5,00 (ingressos no local)