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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Los Jueves en el Mercado

O termo regionalismo
A mim sempre causou asco,
Pois na terra do churrasco,
Preferimos, nativismo,
Ou mesmo- universalismo
Que pertence ao mundo inteiro
E eu pergunto ao companheiro
Nesse meu tom informal:
O que é mais universal
Do que o berro dum terneiro?
Jaime Caetano Braun. 1924-1999


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um mosaico em melodias

“A geografia ensina o homem a cantar e em cada geografia há uma identidade cultural.” A frase atribuída ao poeta Maurício Raupp Martins norteia a jornada em que músicos gaúchos de diversas regiões estão prestes a embarcar: por entre cordas de violões e outras sonoridades, através da história, da música e da poesia, começa hoje um passeio pelas diversas expressões do folclore gaúcho – o Mosaico cultural do Rio Grande do Sul.

Se é possível encontrar na milonga uma unidade musical da grande pampa, o novo projeto da parillada Mercado del Puerto pretende mapear a cultura gaúcha justamente pelas diferenças. Isso em apresentações criadas para valorizar a multiplicidade histórica e melódica das mais diversas regiões, como explicou o idealizador e proprietário do restaurante, Javier Nuñez, enquanto cevava um mate para dar início à conversa. “Nossa proposta não é apenas musical. O projeto será uma oportunidade para se mostrar as potencialidades de cada município.”

A viagem começa por Santa Vitória do Palmar com os representantes “mergulhões” Maria da Conceição, Roberto Borges e Frederico Viana, e apresentação e declamação de poemas com o professor Marco Antônio Chaves.

Marcados pela profunda influência latino-americana que caracteriza a zona de fronteira, os três músicos irão cantar o folclore santa-vitoriense em zambas, chamamés e outros ritmos. “O regional do Rio Grande do Sul tem muito de outros ‘regionalismos’”, como diz Conceição, que costuma incluir em seu repertório temas que vem de países como Bolívia, Peru e até Cuba, além de músicas cantadas por Mercedes Sosa, com quem tem forte identificação.

Conceição tem três discos gravados, um deles – Sulinos – ao lado de Frederico Viana e Kininho Dorneles. É professora de música da rede municipal de ensino e leva para a sala de aula a mesma missão que assume nos palcos: mostrar a riqueza cultural do folclore gaúcho. “É algo que os alunos não fazem idéia que existe e talvez nunca chegassem a conhecer. Mas, quando as pessoas se abrem para conhecer algo novo são capazes de se surpreender e gostar”, afirma.

Seu companheiro de palco, Frederico Viana, lança no próximo dia 16 seu terceiro CD da carreira – Cantor de los boliches, com composições próprias e de Horacio Guarani, Carlos Difulvio e Alfredo Zitarrosa. “Não sou grande autor de melodias, mas busco a música nas palavras” diz ele, que além de músicas “sérias” (como ele as denomina), costuma explorar seu lado bem-humorado em músicas debochadas e de crítica à cultura imposta como as do CD Meio certo, meio louco, ou até aquelas criadas simplesmente para fazer o público rir, como as que estarão em De cueca e carpim, com previsão de lançamento para o final deste ano.

Roberto Borges, que encerra o trio que se apresenta nesta quarta-feira no Mercado, é nome conhecido em festivais, além de produtor musical e arranjador. Borges grava agora o primeiro CD, Los dos rios, em parceria com o poeta Martin Cesar, que deve ser finalizado até o início de 2010. Hoje à noite, parte desse repertório será apresentado ao público, além de composições de Pedro Munhoz e temas do folclore argentino.


Próxima atração

O projeto Mosaico cultural do Rio Grande do Sul volta a ocorrer no mês que vem com a provável participação dos músicos Martin Cesar, Fabrício Moura, Paulo Timm, Hélio Ramirez e Rodrigo Jacques, representando a região folclórica do município de Jaguarão.

As edições do projeto serão mensais, preferencialmente em quartas-feiras, e eventualmente em terças, conforme a disponibilidade de agenda dos músicos convidados.


Prestigie!

O quê: Maria da Conceição, Roberto Borges e Frederico Viana no projeto Mosaico Cultural do Rio Grande do Sul
Quando: hoje (13 de maio), a partir das 21h
Onde: na parrillada Mercado del Puerto (rua Rafael Pinto Bandeira, 1.889)
Quanto: couvert artístico no valor de R$ 4,00
Contato: reservas de mesas pelo telefone 3222-0686.


Às quintas

Toda quinta-feira o Mercado del Puerto continua com sua eclética e tradicional programação de “Los jueves en el mercado”, atração que movimenta a casa há quatro anos.

Esta semana quem sobe ao palco são os músicos Ana Mascarenhas e Egbert Parada, para a apresentação intitulada Outras melodias. No repertório estarão canções de nomes consagrados da música popular brasileira e latino-americana, além de músicas próprias.

É amanhã, a partir das 21h, com couvert no valor de R$ 3,00.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em:Pelotas, Quarta-feira, 13 de maio de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Raineri Spohr em Porto Alegre


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terça-feira, 24 de março de 2009

Nos acordes do folclore

Foi por acaso, convidado a substituir a cantora Danieli Rosa em uma apresentação, que o cantor e compositor Fabrício Marques firmou uma parceria com o grupo pelotense de danças folclóricas Abambaé. Deu certo, e a música folclórica do Rio Grande do Sul parece ter conquistado, definitivamente, mais um adepto e divulgador.

Para selar a amizade entre o músico e a companhia, bailarinos fizeram uma participação no show de lançamento do CD, ocorrido no sábado durante a 7ª Bailanta Gaúcho e Prenda. E, depois de viajar para o Chile com o grupo de dança para participar do 19º Encuentro de Folclore Latinoamericano, na cidade de Antofagasta, o músico nativista já pensa em incrementar com mais afinco seu repertório com zambas e chacareras.

O projeto de um novo disco não foi sequer elaborado, mas duas músicas estão previamente selecionadas por ele: a zamba chamada Antes que se rompa el Alba, sua primeira composição em espanhol, feita com Paulo Timm e Martín César Gonçalves, vencedora do 3º lugar na 9ª edição do Cirio e a chacarera Das lições de um puro cerno, composta com Nelson Souza, que valeu o 2º lugar na 3ª Capela da Canção Nativa, em Amaral Ferrador.

Estudante de Agronomia, Marques descobriu-se músico em rodas de amigos. Começou a levar a sério, teve aulas de técnica vocal com Joca Martins e Robledo Martins. As oportunidades trataram de fazer com que o canto virasse profissão, e lá se vão dez anos desde a primeira participação em um festival nativista.

De vários prêmios conquistados, um dos mais almejados veio justamente quando estava ausente: o de melhor letra na 5ª Galponeira de Bagé, com a composição Frio de maio, em parceria com Fábio Maciel e Juliano Moreno. De quebra, a música ainda levou o 1º lugar. “Eu não estava no palco nesse festival, mas o troféu está lá, na estante.”

No segundo CD, Meu fundamento, lançado em maio de 2008, os ritmos são variados: milongas, rancheiras, chamarritas, polcas, chamamés e mazurcas fazem parte do repertório. Nascido em Pelotas e criado no interior de Canguçu, o cantor e compositor só faz questão de não variar o tema da poesia: a vida campeira. “Sigo uma tendência natural”, diz ele, que cresceu na zona rural ouvindo o avô tocar gaita e não renega essa identificação cultural da infância.


Bagagem

“Mais que um choque, é uma soma de culturas”, diz ele, ao comentar o intercâmbio vivido durante a viagem ao Chile. “Pelo que se viu no festival as culturas do Chile, Bolívia, Colômbia e Equador são muito semelhantes. Mudam os figurinos mas parece que sempre é a mesma dança, a mesma música”, conta o músico que, como era de se esperar, se identificou mais com a cultura presenciada durante a estada na Argentina, parada de quatro dias na viagem de volta.

"Temos nuances musicais que nos remetem à mesma origem. A diferença é que aqui o folclore ainda é muito ligado à pilcha, como se o gaúcho incorporasse um personagem para se unir à tribo dos chamados ‘gaudérios’, e lá isso é vivido por toda a população, em toda parte, independentemente das vestimentas”, conta, admirado com o fato de que em terras argentinas basta se tocar um bumbo leguero, na esquina, no mercado, onde for, para que as pessoas comecem a bater palmas e a dançar ao som de um dos ritmos mais tradicionais da cultura hermana.


Confira

O CD Meu fundamento é vendido com exclusividade na Studio CDs e tem o patrocínio da loja Gaúcho e Prenda, do Casario Imóveis e do Comercial Reponte. O disco conta com as participações dos músicos Fabiano Bachieri e Raineri Spohr.

No próximo sábado, dia 28, Fabrício Marques se apresenta em um evento promovido pelo Dnit que faz parte do projeto de duplicação da BR-392, no Povo Novo. Enquanto isso, o grupo Abambaé tenta arrumar fundos para confirmar a participação em um festival na Hungria. O músico ainda aguarda também os resultados de triagens de festivais que devem fazer parte da sua agenda neste primeiro semestre. A participação na 4ª Nevada da Canção Nativa, de 17 a 19 de abril, no município de São Joaquim (Santa Catarina) está confirmada.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 23 de março de 2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um canto sem fronteiras

Hoje e amanhã o Sesc traz a Pelotas e Rio Grande o porta-voz do nativismo gaúcho e do romantismo latino-americano

A voz de Daniel Torres bem que poderia ser ícone da integração pampeana do Mercosul. Com praticamente quatro nacionalidades, seu ecletismo não é uma mistura gratuita. Suas influências são claras e fortes. Filho de pai chileno e mãe argentina, o músico nasceu em Santa Vitória do Palmar. Cresceu no Uruguai, em meio ao mundo do espetáculo e da música: seus pais eram artistas de circo e também trabalhavam como atores de rádio.

Em mais de 25 anos de carreira, Daniel Torres tem marcos em sua trajetória artística, hora mais nativista, hora evidenciando o melódico romantismo latino.

Seus shows costumam ter a energia da batida do bumbo leguero e as apresentações nas praias do Laranjal e do Cassino - hoje e amanhã - não devem ser diferentes. “Tudo é uma questão de colocar carinho e emoção no que a gente faz. Quando tu joga a tua energia para o público recebe tudo em dobro”, afirma o músico, com um carregado sotaque castelhano.

A música Solo le pido a Diós (Só peço a Deus) - que há poucos meses o músico cantou emocionado ao lado de sua maior intérprete - Mercedes Sosa - durante a Vigília da Canção Gaúcha em Cachoeira do Sul, deverá encerrar a apresentação como ocorre tradicionalmente.


Entre amigos

Os show de Daniel Torres terão no repertório um apanhado de seus oito CDs e também algumas novas músicas que fazem parte de seu mais recente trabalho, o CD Entre amigos, que acaba de ser gravado e deve chegar às lojas entre os meses de março e abril.

No disco, a maioria das canções é inédita mas há também temas rebuscados nas mais marcantes participações do músico em festivais, pelos quais coleciona mais de 50 troféus de melhor intérprete.

Duas são em espanhol: Los gauchos - única no CD de autoria de Torres - e Kilômetro 11, famoso chamamé do cancioneiro folclórico argentino.

Nas interpretações, Daniel Torres ganha a companhia de outros renomados nomes da música do Rio Grande do Sul como César Oliveira, Rogério Melo, Wilson Paim, Cristiano Quevedo, Luiz Marenco e Dante Ramon Ledesma.

A atração no litoral sul é uma promoção do Sesc através do projeto Estação Verão e do Circuito Sesc de Música Gaúcha. No sábado e no domingo, entre outras atividades que contemplam a cultura, o esporte e o lazer, o Sesc leva ao Cassino a Escola de Chimarrão, das 9h às 18h.


Atenção veranistas!

Show de Daniel Torres
Hoje (30), no Laranjal (avenida Antônio Augusto Assumpção, em frente ao Shopping Mar de Dentro)
Amanhã (31), no Cassino (rua Henrique Buhle, perto da Igreja Sagrada Família)

* Ambas as apresentações começam às 21h e são abertas ao público.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Circuito Sesc de música traz Daniel Torres à Pelotas e Rio Grande

O Sesc traz à Pelotas e Rio Grande o músico Daniel Torres. Os shows acontecerão no dia 30 - na praia do Laranjal - e no dia 31 no Cassino, ambos a partir das 21h.

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Com 62 anos de atuação, o Sesc/RS é uma entidade privada, mantida pelos empresários do setor terciário, que tem como objetivo principal a promoção da qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e da comunidade em geral. No Rio Grande do Sul, o Sesc é um dos braços operacionais do Sistema Fecomércio-RS e está presente em mais de 400 municípios com atividades sistemáticas em áreas como a saúde, esporte, lazer, cultura, cidadania, turismo e educação.

Outras informações podem ser obtidas no site www.sesc-rs.com.br.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Por campo, galpões e melodias

De carreira são dez anos, mais de 60 músicas gravadas em discos de festivais e algumas prateleiras de prêmios colecionados pela estrada da vida afora. Apesar da bagagem, Raineri Spohr sente como se estivesse apenas começando, como a cada nova experiência, desde que seu CD de estréia - Por campo e galpões - ficou pronto, há mais ou menos um mês. "Eu tô começando de novo", diz com a humildade - um tanto quanto constrangida - que lhe é peculiar. "Raineri é um pedritense de alma pura e mirada sincera", como diria Guilherme Collares na apresentação do CD.


O disco já está nas lojas (Multisom e Studio CD´s, R$ 11,90), mas os shows de lançamento na região, por conta da agenda de festivais, só devem acontecer no ano que vem. O público, entretanto, teve uma pequena mostra do trabalho na apresentação de Raineri durante a programação da 36ª Feira do Livro.

Se as coisas tem seu próprio tempo para acontecer, este é um disco que veio em boa hora, nem antes nem depois do tempo certo. Isso porque pode até significar um "recomeço", como insiste o músico, mas a sua trajetória não passa em branco neste trabalho tão esperado por ele.

Poucos são os "primeiros CD´s" lançados no cenário local e regional com qualidade equivalente a este, bem cuidado da produção/gravação ao encarte. Raineri está inteiro em cada uma das 12 faixas - em poesia e melodia - bem acompanhado por suas bem-sucedidas parcerias, como os instrumentistas Edilberto Bérgamo, Gustavo Oliveira, Guilherme Ceron, Fábio Andrade, Rodrigo Maia e Felipe Radünz, e os compositores Adriano Alves, Roberto Luçardo e Eron Vaz Mattos, entre tantos.

A idéia inicial, que era fazer uma coletânea das participações em festivais gravadas ao vivo, foi deixada de lado em nome de um projeto maior. "Deixa isso para os poetas e encara a coisa como gente grande", foi o conselho que ouviu dos amigos, companheiros de música, que o incentivaram a gravar o álbum inédito, em estúdio.

No entanto, entre o período da gravação - no segundo semestre do ano passado - e o lançamento este mês, várias músicas foram selecionadas em festivais, conferindo ao CD um atestado de qualidade. A chamarra Despachando a trote largo foi a canção mais popular no Canto das Invernias e o rasguido Baeta Colorada venceu a categoria de melhor grupo instrumental na Vigília do Canto Gaúcho, em Cachoeira do Sul, para citar apenas duas participações premiadas.

Inéditas mesmo, no lançamento, são as canções Potra Solidão, o chamamé Ainda hoje cedo e a milonga No rumo da ilhapa.


Versos campeiros criados na cidade

Se é possível sentir saudade do que não se viveu, Raineri é a prova que sim. Sua vivência no campo foi apenas ocasional. Natural de Dom Pedrito, hoje aos 27 anos, foi criado na cidade. "Sou um gaúcho urbano", diz ele, que ainda assim nunca esqueceu dos tempos de guri vividos no interior do Mato Grosso. "Acordar no campo, comer pão feito em casa com manteiga é diferente que acordar na cidade", lembra com saudoso idealismo da identificação imediata que teve com a vida campeira.

"Eu me apaixono pelas imagens do campo, e canto por quem faz essas lidas e por quem merece. Falar da prenda, do homem do campo, da sua humildade e ao mesmo inteligência e do jeito como ele faz as coisas com amor é o que gosto", diz o romântico confesso.

Consciente de que "ninguém fica rico com um disco", Raineri apresenta seu CD como cartão de visitas e pretende ir além. "Todo mundo tem um sonho. Eu pretendo gravar outros e seguir cantando com essa sensibilidade que eu tenho para transmitir essa imagem do campo que eu canto e que me encanta."


Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 08 de dezembro de 2008

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Aberta temporada de festas II (Programação)

Confira a programação:Justificar
Hoje (28)
20h30min - Abertura da programação | Show com Joca Martins

Amanhã (29)
20h30min - Show com a banda Pimenta Buenta

Domingo (30)
20h30min - Orquestra de Câmara de Pelotas

Segunda-feira (dia 1º/12)
20h - Solenidade de abertura
21h - Chegada do Papai Noel | Mauro Bus | Escolas infantis

Quarta-feira (3)
20h - Grupo Estripulia de malabaristas e pernas-de-pau
21h - O Pequeno Imperador - Grupo de Teatro do COP

Quinta-feira (4)
22h30min - Aluisio Rockembach

Sexta-feira (5)
20h - Estopim - Companhia de Palhaços Clonws
21h - Grupo Oficina de Teatro de Pelotas e Cia. Cem Caras

Sábado (6)
20h - Teatro de Bonecos Estripulia
21h - Especial 50 anos de Bossa Nova - Grupo Pausa & Notas

Domingo (7)
20h - Sacra Folia - Cia. Straganza (Porto Alegre)

Quarta-feira (10)
21h - Banda da Promotoria

Quinta-feira (11)
20h - Tony Konrath
21h - Marquinho Brasil

Sexta-feira (12)
20h - Palhaço Bolacha Contador de Histórias
21h - Grupo de Choro Reminiscências

Sábado (13)
20h30min - Conjuntos Vocais: Costinha, Canto Livre e Original Samba

Domingo (14)
19h30 - Palhaço Bolacha Contador de Histórias
20h30min - Misto Quente - Circo Girassol

Quarta-feira (17)
21h - Solon Silva e coral Louis Braille

Quinta-feira (18)
20h30min - 1º Ato Tavani: Espetáculo de Dança
21h30min - Cuadro de la Expresión del Arte Flamenca

Sexta-feira (19)
20h - Piratas de Rua
21h - Centro Coreográfico Berê Fuhro Souto

Sábado (20)
20h - Auto de Natal - Teatro de Sombras no Theatro Sete de Abril
21h30min - Marco Gottinari

Domingo (21)
20h30 - Novitango - Cia. da Dança

Segunda-feira (22)
Encerramento


Solidariedade

O Clube da Maturidade Ativa do Sesc realizará, durante todos os dias da programação natalina, uma campanha de arrecadação de brinquedos e alimentos não perecíveis. Participe prestigiando as atrações e levando a sua contribuição.


Endereços do Bom-Velhinho

No Calçadão, a Casa do Papai Noel estará aberta de segunda à sábado, das 16h às 19h com atividades recreativas e culturais destinadas à crianças de 0 à 12 anos de idade.
Na Praça Coronel Pedro Osório, o Bom-Velhinho irá receber os visitantes de segunda à sábado das 20h às 22h.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Tudo / Capa | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 28 de novembro de 2008
***ATENÇÃO: ESTA PROGRAMAÇÃO FOI ALTERADA EM RELAÇÃO AO QUE FOI PUBLICADO NO JORNAL NOS DIAS 10, 12 E 14***

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Joca Martins, prazer em vê-lo!

A tal da "velha certeza gaúcha" não se engana: Tinha tudo para ser um show memorável e foi. A noite do dia 31 era do nativismo, de adoração às tradições campeiras. O público recebeu Joca Martins de braços abertos e o antigo Theatro Guarany recebeu Joca com toda a pompa de sua imponência, mas com uma acolhedora simplicidade galponeira, dessas que só a querência proporciona.

O timbre inconfundível da voz rompeu o silêncio. Não havia eco, não havia oco. A casa estava cheia para aplaudir o cantor, de volta a sua terra. Ainda que ele cante com sentimento convicto que “qualquer lugar é querência, se houver cavalo crioulo”, não importa por onde ande, quando volta sabe: Pelotas é o chão de suas raízes.

Prova disso foram as homenagens emocionadas à personalidades daqui e ao sempre poético cenário pelotense. Emocionadas e que emocionaram. Não bastasse a paisagem da pampa ser, por si só, comovente, a melodia mansa da composição considerada um segundo hino do Rio Grande, em tom de oração, completou o momento em que todos cantaram baixinho os versos de Minha Querência.

Era mais uma música que a platéia, inspirada, sabia de cor. E mais um grande momento do show, como as duas vezes em que o ginete "Freio de Ouro" Dado Azevedo exibiu no palco sua habilidade e a destreza de seu cavalo. (Quem diria ver uma exibição dessas, ao vivo, em pleno Guarany!)

A platéia só não correspondeu ao chamado do cantor à participação quando a capacidade das cordas vocais não permitiu: aconteceu durante uma das músicas mais "altas". Não que o refrão não fosse conhecido, mas é que dificilmente a média "normal" do público consegue acompanhar o tom da voz de Joca, principalmente quando ele dá o melhor de si.

Ainda assim, o público abriu a garganta para soltar os tais "gritos selvagens", a variação desafinada de quem não aprendeu uma das artes do homem da pampa: "soltar um sapucai". "Aí que eu me refiro!", repetiu pela terceira ou quarta vez na noite para os aplausos e risos da platéia. "Foi com certeza mais um recorde mundial de grito selvagem e sapucai", afirmou em tom de brincadeira o Joca, a mesma piada do mesmo Joca que todos já conhecem e que ainda assim não perde a capacidade de surpreender, a cada apresentação.

No final, antes de provocar um verdadeiro "frenesi" - como poucos artistas locais provocam - no saguão do Theatro, diante dos fãs que queriam autógrafos e fotos, ainda atendeu a um último pedido feito à beira do palco: tocou "mais uma milonga pra Camaquã".

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A pampa "de a cavalo"

Este não será o primeiro show nativista a ocorrer no Theatro Guarany, mas tem tudo para ser memorável. Isso porque Joca Martins pretende levar para lá um pouco do pampa e, na garupa, a essência e o sentimento do gaúcho. Literalmente. Além da simbologia da música, da temática que remete às origens campeiras, o músico promete carregar "de à cavalo" para o palco um pouco das tradições.

Provavelmente não seja à galope, mas numa marcha elegante, em que o bater ritmado dos cascos farão acompanhamento à melodia. Assim, com o ginete Dado Azevedo montado em um dos símbolos da cultura gaúcha perfilado do palco, Joca vai cantar o refrão de quem "tem a pampa no sangue e o coração nas esporas".

Contar como será o grande momento por um lado atiça a curiosidade, por outro estraga a surpresa. Mas não se preocupe, caro leitor. Esta não será a única da noite. João Luiz Nolte Martins, o Joca, ainda promete mais. "Parte do show vai ser dedicada especialmente à Pelotas", afirma, sem revelar detalhes da homenagem que fará à cidade-natal. Diz apenas que esta inclui uma música inédita.


Surpresas e possíveis improvisos à parte, a programação já traz motivos de sobra para os fãs da boa e nova música nativista prestigiarem o show. No repertório do lançamento do 12º disco, Joca Martins irá apresentar, além das novas, as canções "das antigas", de Domingueiro (Usadiscos, 2007) para trás, rememorando os sucessos dos mais de 20 anos de carreira.

"No pré-lançamento que venho fazendo desde setembro já pude sentir que as pessoas têm recebido bem este novo trabalho", diz ele que já marcou no público alguns dos novos refrões. "Coração nas esporas já estão cantando, porque é bastante forte. Encomenda é outra que o pessoal tem gostado bastante. É uma letra muito emocional que conta a história de um pala perdido. As pessoas gostam de histórias."


Estampa de campeiro

O "pampa" - ou a pampa - a que tanto se refere Joca está no sentimento, na essência do gaúcho, mesmo distante do bucólico cenário a que o termo remete. E se o gaúcho passou por um êxodo rural, a própria cultura o acompanhou, e se urbanizou. A bombacha e outras vestimentas típicas, por exemplo, migraram para a cidade e embora tenham sofrido adaptações, não abandonaram suas origens campeiras, defende o músico. "Antigamente era mais fácil identificar a região de origem do gaúcho. Dava pra ver se era da serra, da fronteira ou do litoral. Rio-grandense, uruguaio ou argentino", diz Joca, que se lembra da época em que as bombachas eram confeccionadas ao gosto do freguês. "No meu tempo de guri a gente comprava a 'fazenda' e ia na costureira encomendar um 'feitio'", brinca.

"De certa forma a cultura hoje está mais homogênea, apesar de não ter perdido completamente suas peculiaridades. O lado bom disso é que a gente vê que o pessoal voltando a usar essa vestimenta, do seu próprio jeito", diz ele, que embora costume optar por trajes mais convencionais não se sente incomodado com a combinação bombacha-e-tênis e outras tantas misturas "modernas" até condenáveis pelos mais ferrenhos tradicionalistas, mas que desfilam despreocupadas e confortavelmente pelas ruas da cidade.

"A partir dos inúmeros e-mails e manifestações do público, principalmente de quem vive fora do Estado, a gente vê que as pessoas gostam e fazem questão de expressar o orgulho pelo Rio Grande. Daí surgiu a idéia da gente criar uma linha de roupas" diz a assessora de imprensa Gabriela Mazza, que idealizou o projeto de criar uma espécie de "grife" Joca Martins e transformou o bordão "aí que eu me refiro" em marca.

A frase, assim como o primeiro verso da faixa-título do CD Pampa viraram estampas das camisetas que começam a ser vendidas no show de amanhã. Um dos dois primeiros modelos ainda reproduz o detalhe da grega bordada, modelo argentino, que enfeita palas, rastas e outros apetrechos da vestimenta gaúcha e que também aparece estampada na capa do disco. Tudo para agradar os adeptos de um estilo gaudério, que combina tanto com jeans quanto com bombachas. "A intenção é fazer outros produtos com essa temática para que as pessoas possam levar consigo. As camisetas são apenas o início", comenta a assessora.


Pra reunir a gauchada:

O quê:
Show de Joca Martins - lançamento do CD Pampa
Quando: Amanhã, às 21h
Onde: no Theatro Guarany
Quanto: ingressos antecipados a R$ 10,00, à venda no posto Cidadão Capaz (rua Tiradentes, esquina com a Félix da Cunha). CD´s estarão à venda no local a R$ 15,00 e camisetas a R$ 20,00.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 30 de oububro de 2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tem Festival no Sete de Abril

Em uma nova tentativa de inserir Pelotas no forte circuito de festivais de música gaúcha, ocorre neste sábado (18) no Theatro Sete de Abril a segunda Salamanca da Canção Nativa. Além de divulgar a poesia e a canção regionalista e incentivar novos talentos, o festival homenageia de uma só vez a música e a literatura gaúcha e pelotense personificada em um de seus principais representantes, João Simões Lopes Neto. As metafóricas referências à lenda da Salamanca do Jarau, explícitas nos nomes que batizam o prêmio e o grupo que o criou, são a maior prova da identidade do projeto, nascido com a proposta de cultuar a cultura tradicionalista em sentido amplo, em todas as suas formas de manifestação.

A iniciativa é do grupo autônomo Alma Forte, Coração Sereno, que semeou a idéia no interior do CTG Rancho Grande, do Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça (CAVG), onde em fevereiro do ano passado foi realizada a primeira edição do festival. "No início eram quatro ou cinco estudantes. A maior parte da gurizada estava no último ano lá, mas mesmo depois que nos formamos achamos que a gente não podia deixar a idéia morrer", conta Lillian Muller, que atualmente é estudante de agronomia e toma a frente da organização junto com Normando Bresolin e Fábio de Castro.


Aposta no entusiasmo

A cada vez que surge um levante eufórico determinado a criar um festival forte no cenário musical pelotense, a pergunta é inevitável: será que dessa vez dará certo? O Círio (Canto Interuniversitário Rio-Grandense) e a Charqueada da Canção, já extintos, são apenas dois de vários exemplos das iniciativas criadas com o mesmo objetivo que não prosperaram.

Não por falta de talentos, já que os músicos pelotenses participam com destaque de festivais em outras cidades e não raramente trazem prêmios significativos para cá. Para os organizadores da Salamanca, o público pelotense não é resistente aos festivais, e também não faltam recursos para realizar os eventos e colocar as idéias em prática. "Pelotas comporta muitos festivais e realizá-los é totalmente viável. As verbas estão aí, os talentos e o público também. Falta organização de bons projetos", defende Bresolin. O grande número de inscrições, de músicos oriundos de diversas cidades do Estado, já demonstra, segundo ele, um grande interesse dos artistas e indica uma boa participação da comunidade. "Quando os projetos são muito vinculados a alguma entidade, ou acabam ficando na mão de uma única pessoa, não vão para a frente. Mas quando tu pegas um grupo de empreendedores apaixonados pela causa e capazes de organizar isso, as coisas saem do papel. Começamos pequeno para amadurecer aos poucos", continua ele.

A Salamanca da Canção Nativa tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, da Universidade Federal de Pelotas e do restaurante Rincão Nativo.


Os finalistas

(Lista de músicas e intérpretes classificados por ordem de apresentação)
1. Última marcha (Richard Pereira)
2. Pra cantar ainda de espora (Alex Barcelos)
3. Onde as almas ressucitam (Maicon Gonzales)
4. Tumbeiro (Sérgio Terres Viana)
5. Relíquia (Diego Machado)
6. Quisera (Alex Sandro Moraes Moreira)
7. Joguei fora a felicidade (Flávio Mendez)
8. Romanceiro (Fabrício Marques)
9. De repontes e estradas (Igor Moraes)
10. Vai coração (Alci Vieira Júnior)
11. Um dueto pra um desfile (Gustavo Campelo)
12. Assim me faço campeiro (Rodrigo Madrid)
O júri é formado pelo escritor e compositor Édson Silva, pelo instrumentista, maestro e professor Leonardo Oxley e pelo cantor e compositor Rui Carlos Ávila.


Prestigie e incentive!

O quê: II Salamanca da Canção Nativa. No intervalo do festival, show com Rodrigo Jacques
Quando: Sábado, dia 18, às 19h
Onde: no Theatro Sete de Abril

* Após as apresentações e entrega dos prêmios haverá uma confraternização entre os participantes, o público e os organizadores do festival no restaurante Rincão Nativo (rua Félix da Cunha, 859)


1 livro = 1 ingresso

Os ingressos podem ser trocados na hora ou antecipadamente no teatro por livros - didáticos ou literários, novos ou usados (desde que em bom estado de conservação). A bilheteria do evento será em benefício da biblioteca de uma unidade de educação do interior de Pelotas. A escola que irá receber as doações ainda não definida.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Show do Joca


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

No compasso do nativismo

Novo CD de Joca Martins evoca a essência do gaúcho

Pampa. Um dos principais verbetes do vocabulário gaúcho empresta sua sonoridade e seus significados ao novo CD de Joca Martins, onde poesias e melodias exploram os muitos sinônimos de “pampa” forjados pelas matrizes culturais plantadas no solo da Pátria Grande.

Os temas são recorrentes na trajetória de Joca, mas a versatilidade da poesia e a personalidade imposta em cada nota o fazem escapar do que poderia parecer repetitivo. Em Pampa, é de novo a querência na alma e na estampa do músico que fala mais alto, e neste ponto o intérprete toma emprestado os versos gaúchos de Roberto Paines Nunes, registrados no refrão da nona faixa do CD: “aos que dizem que meu tema guarda sempre a mesma essência / eu respondo que a querência, mãe de todos, é vertente / esse amor que a gente sente faz do pampa um universo / talvez por isso cada verso não pareça diferente”. Aí que eu me refiro...


As canções – com pó dos arreios e gosto de chimarrão - levam a própria pampa ao encontro do gaúcho, por mais afastado que ele esteja desse cenário de planície e coxilhas. O cantor concorda que os gaúchos estejam cada vez mais urbanizados, e que a própria paisagem campeira esteja em transformação, mas não duvida que esses temas possam sensibilizar mesmo que vive distante da realidade campeira. “Acredito que justamente por isso a temática nativista seja ainda mais valorizada. Porque há uma busca interna que tem a ver muito mais com o lado emocional que com a necessidade de estar presente fisicamente nesse local.”


Companheiros de estrada

Este 12° disco marca o reencontro de Joca Martins com antigas parcerias da carreira. Luciano Maia, além do acordeom, assina a produção, a exemplo dos anteriores Por ter querência na alma (2002), Joca Martins canta poemas de Jaime Caetano Braun (2005) e Domingueiro (2007). Pampa sustenta a seqüência de trabalhos de uma forma bastante coerente, como se todas as letras dialogassem entre si. Da polca de abertura Com o coração nas esporas até a última faixa Tino Sestroso, chamarras, milongas, vaneiras, rasguidos e rancheiras se costuram na linha que segue os ícones presentes na pampa: As tropilhas, as canções, os bailes de fronteira, o cavalo... e principalmente o homem do campo.

No equilíbrio entre um saudosismo nostálgico e o embalo das lidas cotidianas, as canções também reafirmam em vários momentos o compromisso dos músicos nativistas como porta-vozes do tradicionalismo e responsáveis por projetar no futuro o legado das origens gaúchas. Pois "quem aceita o encargo de campeiro cantador sabe que é fiador da memória do seu pago”.

Nas composições, Joca divide versos e melodias com Anomar Danúbio Vieira, Fabrício Harden, Rodrigo Bauer, Gujo Teixeira, Eduardo Soares, Gaspar Machado, Fabiano Bacchieri, Pedro Guerra entre outros nomes e faz uma homenagem a José Cláudio Machado. Há ainda uma referência ao folclórico Romance do Pala Velho, adaptado por Noel Guarany, na trilha Encomenda, que conta a história de um gaúcho que procura seu pala, extraviado em um desfile de 20 de Setembro. Recompensa-se, aliás, quem encontrar o objeto, cor branca franjado de azul.


Afinal, a pampa

A faixa-título do CD dá conta da ironia histórica, característica que sempre permeia o imaginário gaúcho. "Todo pampeano, sem erro, tem muito de Martín Fierro", afirma o verso para questionar a separação política de grupos culturalmente intrínsecos e mostrar que, afinal, são apenas diferenças sutis que afastam o gaúcho del gaucho. As três vozes de Luís Marenco, Fabiano Bachieri e Joca Martins - representando os sotaques uruguaio, argentino e rio-grandense - fazem coro no refrão: "Somos um só nesta pampa, mas se contam três. Por que se contam três?"


Lançamento

Durante o Mês Farroupilha Joca Martins cumpre uma extensa agenda de apresentações pelo Rio Grande afora, por onde fará o pré-lançamento do CD, incluindo algumas músicas novas no repertório antigo. Em outubro, o cantor retorna a Pelotas para o lançamento oficial de Pampa, em show marcado para o dia 31, no Theatro Guarany.

Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / P. 12| Publicado em: Pelotas, Domingo, 7 de setembro de 2008


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Para evitar que a casa caia

Nativistas se mobilizam para organizar show em benefício do pagamento das dívidas da União Gaúcha

Um abrigo para a cultura sulina, palco de lançamento e projeção de grandes nomes da música nativista, refúgio da história. A sede do CTG União Gaúcha João Simões Lopes Neto está prestes a ruir no terreno instável das dívidas, mas à entidade - que já foi casa de tantos - não faltam ativistas para segurar suas estruturas.


Sensibilizados com a situação que coloca em risco um dos mais importantes centros de tradicionalismo e preocupados em manter a União Gaúcha em atividade, músicos nativistas estão mobilizados para ajudar o CTG a colocar as contas em dia. A maior parcela é devida ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) e se refere ao pagamento de direitos autorais por execução pública de obras musicais. Curiosamente, os músicos pretendem ajudar a arrecadar fundos para pagar... os próprios músicos. Assim eles esperam afastar de vez o fantasma da hipoteca.

A idéia partiu da MP Promoções, responsável por empresariar músicos do porte de César Oliveira e Rogério Melo, que propôs à patronagem do CTG a organização de um show em que a bilheteria seria revertida para o pagamento da dívida. "Essa situação que estamos acompanhando nos jornais me deixa triste, e não acho que seja difícil reunir pessoas interessadas em ajudar. Há muita gente que se importa com isso", afirmou o produtor Pierre da Luz.

Segundo informações do vice-patrão Jamir Rodrigues a dupla de cantores teria manifestado interesse em participar da bailanta, assim outros músicos "da casa" como Fabrício Marques, Rui Carlos Ávila, Robledo Martins e Joca Martins. Até o momento, no entanto, nenhuma das atrações foi confirmada. "Ainda estamos em fase de organização para estruturar o projeto", informou o porta-voz do CTG. A previsão é de que a festa - ou as festas, pois talvez sejam realizadas duas, uma em setembro e outra em novembro - siga os moldes do extinto Gente da Terra, que reuniu vários nomes da música nativista anos atrás no salão de baile.

Rui Carlos Ávila era um desses nomes, e por isso mesmo foi um dos primeiros a se manifestar a favor da iniciativa. "Tocar na União Gaúcha foi um grande momento da minha carreira. Esse foi um espaço que se abriu para os músicos da região, acho justo que eles agora ajudem a resolver essa situação", disse.

Pelas contas dos organizadores, se além da mobilização dos músicos o público comparecer em peso e empresários contribuirem para custear o show, a bilheteria do evento seria suficiente para recuperar a saúde financeira da entidade. "Qualquer forma de apoio é bem-vinda", destaca Pierre da Luz. "Se não der pra arrecadar todo o valor, pelo menos vamos poder tentar um parcelamento", diz Jamir Rodrigues. Interessados em colaborar com o pagamento das despesas, como o transporte, hospedagem e alimentação dos músicos, ou artistas dispostos a participar do show podem entrar em contato pelo telefone 8124-0161.

Em tudo isso há porém um ponto polêmico: os músicos irão se apresentar de graça, mas, abrir mão do cachê irá significar também abrir mão de receber os direitos autorais referentes à execução das músicas nesse show ou a cota seria incluída no orçamento de despesas? Para Pierre a decisão vai depender do bom senso do Ecad. "Os artistas certamente não irão se importar de não receber direitos autorais por este show, mas esse problema é mais burocrático, não depende somente da vontade deles. Temos que ver se o Ecad vai ceder", afirmou. O cantor Rui Carlos Ávila, no entanto, chama a atenção para a diversidade de autores do repertório nativista. Na opinião dele essa liberação não é tão certa: "Os músicos que irão se apresentar cantam músicas de outros compositores, de outras partes do Estado. Eles têm o direito de receber do Ecad e isso deve ser respeitado", defendeu.


Segundo leilão não se realiza por falta de compradores
(Ivelise Alves Nunes)

Pela segunda vez em 16 dias o mesmo motivo impediu a venda pública da União Gaúcha João Simões Lopes Neto: a falta de interessados na compra do imóvel. O leilão ocorreu na última segunda-feira e, conforme o advogado da entidade tradicionalista, Romualdo Cunha, com isso se abre um novo canal para a patronagem negociar a dívida, hoje avaliada em R$ 22 mil, com o autor da cobrança, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). “Ninguém vai se arriscar em comprar uma área e correr o risco de perdê-la mais tarde”, afirma o advogado.

Ele explica que também aguarda o julgamento do embargo de terceiro solicitado pela prefeitura de Pelotas no dia 4, quando ocorreu o primeiro leilão. O Ecad cobra da União Gaúcha dívida referente ao não-pagamento dos direitos autorais pela execução de músicas em eventos realizados entre os anos de 1999 e 2000. O valor inicial do débito era R$ 8,6 mil.

A prefeitura de Pelotas se envolveu no caso porque a área onde está localizada a sede da União Gaúcha (na avenida Ildefonso Simões Lopes) foi doada pelo município através da Lei 611 de 15 de dezembro de 1955, com aprovação da Câmara de Vereadores. O documento deixa claro que o terreno deve ter, exclusivamente, a finalidade de assentamento da entidade tradicionalista e ao sair dessa esfera tem de retornar ao patrimônio público. O processo judicial começou a tramitar em 24 de maio de 2004.


Texto: Bianca Zanella e Ivelise Nunes | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 20 de agosto de 2008

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Cristiano Quevedo convida para "Um mate novo"

Com sabor de chimarrão cevado a capricho, o novo CD de Cristiano Quevedo tem na essência as tradições gaúchas e campeiras, marcadas pela personalidade da voz e da poesia que o intérprete e compositor carrega como identidade. Depois de Portugal, que teve um pré-lançamento do CD ainda no ano passado, os pelotenses serão os primeiros a conhecer este novo trabalho dedicado aos fãs e amigos, hoje à noite no Theatro Guarany.

A escolha por iniciar a turnê oficial de divulgação de Um Mate Novo por aqui diz muito sobre a trajetória do músico, que já acumula 15 anos na estrada. Afinal, na sua geografia, Pelotas aparece como um lugar de destaque por ser o lugar onde começou a escrever sua história profissional.

Radicado em Porto Alegre, ele não nega porém, seu orgulho em ser piratiniense, naturalidade constantemente reafirmada. Depois de cantar um verdadeiro hino à "primeira capital" do Rio Grande no CD anterior, neste ele entoa em ritmo de vanera um novo refrão de saudação e saudade, que assina ao lado de Elton Sandanha e Erlon Péricles: Piratini, Piratini / A capital farroupilha / Terra buena onde nasci / Piratini, Piratini / Eu sou um guerreiro a cavalo / Que não esqueci de ti.

O chamame especialmente dedicado à sua filha e "primeira prenda da casa", a "flor de menina" Maria Rosa, também se destaca entre outras canções que traduzem seu encantamento, respeito e adoração quando se refere à mulher gaúcha.

Participam do show e do CD os músicos Paulinho Goulart (acordeon), Érlon Péricles (baixo), Jucá de Leon (percussão), Renato "Popó" (bateria) e Felipe Barreto (violão). Cristiano ainda divide o palco com convidados especiais, seus amigos e músicos Erlon Péricles, Shana Muller e Ângelo Franco com quem forma o projeto “Buenas e M’Espalho”, quarteto que valoriza a integração entre músicos e vêm fazendo grande sucesso por onde passa.


Tema da Semana Farroupilha tem a voz de Cristiano Quevedo

Para o músico, que iniciou sua carreira nos festivais, esses palcos "são um verdadeiro laboratório porque oferecem uma boa estrutura para o artista e tem grande repercussão na mídia". Aliás, um de seus maiores sucessos e marco na sua discografia - Contraponto - saiu justamente de um festival, e de Pelotas, tendo vencido a 5ª edição do Círio - Canto Interuniversitário Rio-Grandense.

De festival em festival, Cristiano Quevedo canta mensagens de amor e orgulho das tradições gaúchas, mesclando sensibilidade, simplicidade, emoção e técnica sobre cada tema, a cada interpretação. O talento e a competência do músico, lhe renderam ano passado cinco prêmios, e em 2008, já venceu três dos quatro concursos que participou.

Foi premiado em nada menos que em dois dos festivais nativistas mais tradicionais do Estado: o Cante uma Canção, realizado durante o Rodeio Internacional de Vacaria e a Comparsa de Pinheiro Machado. De "lambuja", ainda arrebanhou o primeiro lugar como intérprete no festival que escolheu a música Orgulho de um Povo, com letra de Silvio Ayone Genro e música de Duca Duarte, como tema da Semana Farroupilha 2008.

Eu tenho orgulho das nossas rodas de Mate / E na paz que se reparte / Nesse gesto de oferenda! dizem alguns dos versos da canção que será a trilha sonora oficial do Estado no mês de setembro. Conforme a temática escolhida, a poesia valoriza os 10 símbolos oficiais do Rio Grande do Sul: a Bandeira, o Hino, as Armas, a planta Erva-mate, a ave Quero-Quero, a flor Brinco-de-princesa, o Cavalo Crioulo, a planta medicinal Macela, a bebida Chimarrão, e o Churrasco, como principal prato típico.


Música gaúcha sem fronteiras


"O Rio Grande do Sul absorve toda a cultura Latino-Americana. Por que não absorver também a bossa nova, o choro, o jazz...", questiona o músico, que costuma ouvir um repertório diversificado, com influências que vão de Djavan a Noel Guarani. "Não quero transformar a música nativista, só atualizá-la", diz ele que assegura que mesmo nos espaços mais conservadores, há lugar para ineditismos, desde que a expressividade seja autêntica. "Tem que haver verdade, a música precisa ser sincera".

"Essa audácia de buscar o novo sem pisar no rastro e reacender as brasas" é justamente o contraponto de manter sempre os pés no chão e o orgulho de cantar o que é nosso, que costuma agradar a "gregos e troianos" - gaúchos de todas as querências onde passa. Pois na peleia entre a Tchê Music e as vertentes mais conservadoras da música nativista, não toma partido. Sua ousadia musical é sensível e ponderada. Não se prende às amarras do tradicionalismo, nem choca quem aprecia essa linha musical com os arranjos e refrões pré-fabricados da música gaúcha que virou pop.


Prestigie!
O quê: Show de lançamento do CD Um Mate Novo, de Cristiano Quevedo
Quando: Nesta quinta-feira, 15 de maio, às 21h
Onde: No Theatro Guarany
Ingressos: Antecipados à venda no Posto Cidadão Capaz e na bilheteria do Theatro, à R$ 10,00. Estudantes e idosos têm direito a 50% de desconto

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 15 de maio de 2008