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segunda-feira, 8 de junho de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Os livros e os autores pelotenses
Academia Pelotense de Letras promove de hoje até quarta-feira mostra de títulos e conferências em mais um Salão do livro do autor pelotense
O convite vem em letras rebuscadas: com muita pompa, a Academia Pelotense de Letras (APelL) abre hoje, às 16h, a programação do Salão do Livro do Autor Pelotense. O evento chega este ano à sua oitava edição e só deixou de ser realizado em 2008 porque a instituição ocupava-se da empreitada de erguer um pórtico de colunas gregas em frente à sua sede, no parque Dom Antônio Zattera.
Entre aprovações e rejeições, o projeto segue tramitando na Prefeitura e segundo a presidente da Academia, Zênia de León, já conta com o aval do prefeito Fetter Júnior. Enquanto a construção não sai do papel, a Academia volta-se novamente para seu objetivo de difusão cultural.
Em três dias, o Salão terá sete conferências e uma exposição de mais de 200 títulos de autores pelotenses, desde os contemporâneos até os que produziram no passado uma literatura local escrita “com letras maiúsculas”, como João Simões Lopes Neto. “Teremos muitos livros, mas o acervo que reunimos não chega a 10% daquilo que se tem escrito. Muita coisa ainda ficou de fora”, diz Zênia, que destacou a importância do evento para “abrir portas” para os novos escritores.
O objetivo do Salão, como deixa claro o acadêmico e conferencista Jorge Moraes, não é vender livros, e sim propalar a produção literária pelotense.
A conferência de abertura será proferida pelo escritor e historiador Mário Mattos, do Núcleo de Estudos Simonianos, que irá discorrer sobre um dos principais contos de seu autor preferido: Trezentas Onças.
No encerramento, sexta-feira, a APelL apresenta o professor, ex-ministro do Supremo Tribunal do Trabalho, escritor e poeta Mozart Victor Russomano, que falará sobre uma personalidade da história de Pelotas pouco conhecida, o historiador Alfredo Ferreira Rodrigues.
Expressões modernas
Quem for assistir às palestras, não ficará “a ver navios”, como promete Jorge Moraes, professor de Língua Portuguesa, escritor e radialista que profere a terceira e última palestra de amanhã no Salão do Livro.
O uso da expressão “a ver navios” não é por acaso: Moraes tratará justamente do tema do primeiro volume de seu livro Tópicos Linguísticos, que já tem continuação em fase de produção. Colecionador de expressões curiosas, o professor apresenta nessa obra a análise de mais de 40 “coisas que as pessoas dizem” que, ao contrário de “a ver navios”, não possuem qualquer fundamento histórico ou lógica mas são usadas indiscriminadamente no meio de conversas, ditas “da boca pra fora”.
Algumas relíquias revelam, com muito bom humor, até mesmo os preciosismos locais, como a expressão “Calçadão”. “O correto seria ‘calçadona’ o aumentativo de calçada, que é um substantivo feminino. Calçadão é um calçado grande”, explica com a didática de quem tem muito tempo de experiência em sala de aula.
“Essas expressões se cristalizaram e isso não se arruma de uma geração para outra. Em geral, somos muito relaxados com o que dizemos”, critica.
Programação
Hoje (Terça-feira, 12), a partir das 16h
Participações de:
1. Mário Mattos (Instituto João Simões Lopes Neto)
Tema: Garimpando sobre as Trezentas Onças
2. Paulo Luis Pencarinha e Moraes (APelL)
Tema: Bibliografia de patriotismo
3. José Luis Mazza Leite (Museu do Charque e Instituto Histórico e Geográfico)
Tema: O charque como fator econômico, político e social
Amanhã (13), a partir das 16h
Participações de:
1. Marta Sousa Costa (APelL)
Tema: Releitura sobre circunstâncias comuns, edificantes e adversas do cotidiano
2. J.B. Carpe Escarioni
Tema: Comentários sobre sua obra No País do faz de conta
3. Jorge Moraes (APelL)
Tema: Tópicos Linguísticos – Livro didático da Língua Portuguesa
Quinta-feira (14), a partir das 18h
Conferência de encerramento: Mozart Victor Russomano
Tema: o historiador Alfredo Ferreira Rodrigues
Prestigie
Participe das conferências e prestigie a mostra de livros na sede da APelL (parque Dom Antonio Zattera, 500). A entrada é franca.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em:Pelotas, Terça-feira, 12 de maio de 2009
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terça-feira, 5 de maio de 2009
David Coimbra conta histórias de reportagens
Alguns fatos marcam épocas. E marcam a vida das pessoas no momento em que elas recebem as notícias, sejam elas boas novas ou nem tão boas assim. As reportagens, registros da história, são o tema da palestra que o jornalista David Coimbra profere hoje (5) no auditório da Universidade Católica de Pelotas.
O porto-alegrense fará aqui o lançamento do livro 45 reportagens que fizeram história, que ocorre simultâneamente em todas as faculdades de jornalismo do Estado, 18 ao todo.
Além de reunir fragmentos dos trabalhos publicados ao longo dos 45 anos do jornal Zero Hora, comemorados esse ano, o livro revela as circunstâncias em que foram produzidas as reportagens, dos bastidores à repercussão.
De David Coimbra, duas reportagens foram selecionadas: uma feita em junho de 1997 no vilarejo boliviano de Vallegrande onde estariam os ossos de Che Guevara. Ele e o repórter fotográfico Valdir Friolin foram para lá 30 anos depois da morte de Che, e conversaram com os moradores do lugar de onde o líder pretendia espalhar a revolução armada e da vila de La Higuera, onde foi morto a tiros em outubro de 1967.
No trecho de outra reportagem reproduzido no livro, David conta como chegou – com o fotógrafo José Doval – ao reduto do líder guerrilheiro Gerardo Aguilar, em julho de 2001, para saber por que ele se embrenhara na selva para implantar o socialismo na Colômbia.
Conhecido por textos leves e bem humorados, Coimbra, que tem 13 livros publicados, diz acreditar que, ao contrário do que muitos pensam, o espaço da reportagem é crescente. “A reportagem, essa forma de contar uma coisa, é insubistituível. Com o advento da comunicação cada vez mais veloz as pessoas vão sentir falta disso, de boas reportagens, de textos mais profundos e elaborados”, defende.
Aos 46 anos, o colunista e editor de esportes contabiliza 19 anos de casa no grupo RBS, e já passou por todas as editorias – exceto a de economia – em mais de 10 redações do sul do Brasil. Atualmente é também comentarista da TVCom e apresentador do programa Pretinho Básico, da rádio Atlântida.
Jornalista por formação
Em tempos em que a obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão de jornalista está em pauta, David Coimbra também foi convidado a dar sua opinião sobre o assunto.
Formado pela PUC-RS, na entrevista concedida ao Diário Popular ele criticou o currículo das escolas de comunicação social e diz que por causa do fraco conteúdo a formação perdeu importância. “A universidade é útil, mas eu não conseguiria preencher um caderno com tudo o que se aprende lá”, disse. “Se durante quatro anos os alunos tivessem aulas de inglês, boas indicações de leitura, essas coisa que a gente realmente usa, valeria mais. Mas ainda assim vale pelo convívio com outras pessoas que também querem ser jornalistas, pelas discussões éticas da profissão.”
Quando perguntado diretamente se é a favor ou contra a obrigatoriedade do diploma, ele respondeu: “O diploma já foi mais importante. Hoje ser obrigatório ou não é quase irrelevante. Mesmo que não fosse obrigatório as empresas dariam preferência para pessoas com formação na hora de contratar”, argumentou.
Não perca!
O quê: palestra com o jornalista David Coimbra
Quando: terça-feira (5), às 19h
Onde: no auditório Dom Antonio Zattera (Campus I da UCPel)
Para quem: a palestra tem entrada franca e é dirigida a alunos e professores do Curso de Comunicação Social
Leia mais no site da Livraria Vanguarda.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 5 de maio de 2009
O porto-alegrense fará aqui o lançamento do livro 45 reportagens que fizeram história, que ocorre simultâneamente em todas as faculdades de jornalismo do Estado, 18 ao todo.
Além de reunir fragmentos dos trabalhos publicados ao longo dos 45 anos do jornal Zero Hora, comemorados esse ano, o livro revela as circunstâncias em que foram produzidas as reportagens, dos bastidores à repercussão.
De David Coimbra, duas reportagens foram selecionadas: uma feita em junho de 1997 no vilarejo boliviano de Vallegrande onde estariam os ossos de Che Guevara. Ele e o repórter fotográfico Valdir Friolin foram para lá 30 anos depois da morte de Che, e conversaram com os moradores do lugar de onde o líder pretendia espalhar a revolução armada e da vila de La Higuera, onde foi morto a tiros em outubro de 1967.
No trecho de outra reportagem reproduzido no livro, David conta como chegou – com o fotógrafo José Doval – ao reduto do líder guerrilheiro Gerardo Aguilar, em julho de 2001, para saber por que ele se embrenhara na selva para implantar o socialismo na Colômbia.
Conhecido por textos leves e bem humorados, Coimbra, que tem 13 livros publicados, diz acreditar que, ao contrário do que muitos pensam, o espaço da reportagem é crescente. “A reportagem, essa forma de contar uma coisa, é insubistituível. Com o advento da comunicação cada vez mais veloz as pessoas vão sentir falta disso, de boas reportagens, de textos mais profundos e elaborados”, defende.
Aos 46 anos, o colunista e editor de esportes contabiliza 19 anos de casa no grupo RBS, e já passou por todas as editorias – exceto a de economia – em mais de 10 redações do sul do Brasil. Atualmente é também comentarista da TVCom e apresentador do programa Pretinho Básico, da rádio Atlântida.
Jornalista por formação
Em tempos em que a obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão de jornalista está em pauta, David Coimbra também foi convidado a dar sua opinião sobre o assunto.
Formado pela PUC-RS, na entrevista concedida ao Diário Popular ele criticou o currículo das escolas de comunicação social e diz que por causa do fraco conteúdo a formação perdeu importância. “A universidade é útil, mas eu não conseguiria preencher um caderno com tudo o que se aprende lá”, disse. “Se durante quatro anos os alunos tivessem aulas de inglês, boas indicações de leitura, essas coisa que a gente realmente usa, valeria mais. Mas ainda assim vale pelo convívio com outras pessoas que também querem ser jornalistas, pelas discussões éticas da profissão.”
Quando perguntado diretamente se é a favor ou contra a obrigatoriedade do diploma, ele respondeu: “O diploma já foi mais importante. Hoje ser obrigatório ou não é quase irrelevante. Mesmo que não fosse obrigatório as empresas dariam preferência para pessoas com formação na hora de contratar”, argumentou.
Não perca!
O quê: palestra com o jornalista David Coimbra
Quando: terça-feira (5), às 19h
Onde: no auditório Dom Antonio Zattera (Campus I da UCPel)
Para quem: a palestra tem entrada franca e é dirigida a alunos e professores do Curso de Comunicação Social
Leia mais no site da Livraria Vanguarda.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 5 de maio de 2009
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quarta-feira, 22 de abril de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Uma vida ressignificada
Em um apartamento claro e arejado, Eunice espera. Uma espera bem mais paciente e agradável que de tempos passados. Sentada sobre uma poltrona verde, com um colar de grandes contas coloridas ela recebe alegremente os visitantes com cumprimentos distantes. Pede licença, e com o auxílio das muletas cor-de-rosa caminha a passos mansos até o quarto para retocar o batom, com sua blusa muito branca, como as paredes da ampla sala de estar. Também pudera. Branco é a mistura de todas as cores que ela adora.

Há tempos que Eunice passou a sentir repulsa do preto. Comprou as muletas da cor que encontrou e lamenta que não sejam fabricadas cadeiras de rodas coloridas. "A cor passou a ter um outro significado na minha vida", diz ela. Mas não foi apenas a cor.
O andar de Eunice é uma vitória para quem havia deixado de caminhar, assim como vestir-se só e como receber visitas depois de tanto tempo de reclusão. A pose para a foto é um desafio. Dona de belas feições, ela jamais perdeu a vaidade. Por conta disso, foram dois anos sem permitir registros da sua imagem, sem reconhecer-se no espelho e não raro sem ser reconhecida por causa dos efeitos colaterais de um tratamento árduo.
Lições de vida
A psicóloga Eunice Damé Wrege, 61 anos, sempre foi uma profissional ativa. Professora universitária, mantinha um consultório particular e ainda assessorava empresas na gestão de recursos humanos.
Há 3 anos ela foi surpreendida pelo diagnóstico de uma doença chamada Granulomatose de Wegener e de uma hora para a outra teve a rotina interrompida, obrigada a abandonar tudo e dedicar todas as suas forças para lutar pela própria vida.
Em cada 100 mil pessoas apenas 3 sofrem dessa doença. Quando soube, ela se fez a pergunta óbvia que qualquer outra pessoa faria: "por que eu?" "A gente sempre pensa que essas coisas nunca vão acontecer com a gente, mas acontecem."
A descoberta veio através de sinais como rinite, olhos vermelhos, cansaço e depressão, sintomas que mascaravam o real problema: uma espécie de reumatismo raríssimo. Como é uma doença autoimune, o corpo de Eunice passou a combater o próprio corpo, e ela precisou se submeter à quimioterapia e a medicamentos para diminuir as defesas do organismo, ficando vulnerável a qualquer contato com outras pessoas. Com a saúde fragilizada, um simples resfriado se tornou um grande risco.
"Quando a gente adoece, adoece todo mundo junto: a família, os amigos... Mas a cura é um processo solitário", diz ela, que fez das várias batalhas vencidas um mosaico de experiências registradas em livro. Patchwork, retalhos da alma - que a autora autografa hoje à tarde na Livraria Mundial - é uma mensagem de esperança de quem teve a vida despedaçada e sobreviveu, com alegria e fé.
"Tenho medo de me expor, medo de parecer ridícula" confessa Eunice, que foi convencida a publicar o livro em favor de uma causa nobre. Ao dividir os relatos e desabafos que antes só eram compartilhados com familiares e amigos pela Internet, ela espera tornar sua cura menos solitária e oferecer um alento a quem passa por situações semelhantes. Além disso, o livro serve como alerta para outras vítimas dessa doença silenciosa.
"A gente tem que dar uma choradinha e em seguida pintar os olhos, dar um sorriso que a vida segue!"
Em suas crônicas escritas em linguagem simples, Eunice consegue falar com leveza do drama, das idas e vindas do hospital, da UTI e de todos os duros aspectos do tratamento, retratados por palavras de alguém que se sente renascida. "Quando a gente adoece volta a ser criança. A inversão é tanta que eu às vezes chamava as minhas filhas de 'mãe'", conta a autora, que a exemplo da crônica O coelhinho da Páscoa também passou por aqui (leia o trecho nesta página) diversas vezes mergulhou nos refúgios do imaginário infantil para traduzir o que sentia.
Apesar de tudo, ela pouco se queixa e preferiu assumir o papel de sobrevivente, ao invés do papel de vítima. "Nunca fui de ficar reclamando. Mas quando eu estava triste e me diziam para não chorar, mesmo assim eu chorava. Eu tinha motivos pra isso, oras! Mas a gente tem que dar uma choradinha e em seguida pintar os olhos, dar um sorriso que a vida segue!", afirma, com o tom de alguém que realmente já viveu muito para compartilhar conselhos e lições. Hoje, por sinal, é aniversário dela, para quem celebrar a vida tem realmente um significado muito especial.
Prestigie!
O quê: sessão de autógrafos de lançamento do livro Patchwork, retalhos da minha alma, da autora Eunice Damé Wrege
Quando: hoje, das 18h às 19h30min
Onde: na Livraria Mundial (rua 15 de Novembro, 564)
Leia um trecho
Como uma criança, a Páscoa começou a aguçar minhas fantasias. Jamais seria uma boa jogadora de pôquer, pois não podia deixar de esconder meus planos. Vou à casa da afilhadinha, a pequena Sofia, vou abraçar a dedicada afilhada Fernanda, vou visitar as tias, vou, vou. Era eu e mais todos os coelhinhos da Páscoa saltitantes visitando meio mundo. Aliás, eu era o próprio. Visualizava uma coelhinha gordinha dando cambalhotas de jardim em jardim.
Mais se aproximava a semana da Páscoa, mais eu mirabolava.
Até que esquentou o tempo e a temperatura de meu corpo também. De tanto o coelhinho pular? Não, era a febre mesmo. Essa parte, agora, quem vai pular sou eu, aqui no papel, porque não vale a pena a gente ficar remoendo. Só para encurtar o caso, Sexta-feira Santa, eu tremia tanto, mais do que vara verde, e quando me dei conta - pois aprendi que doente é muito esperto e que às vezes é melhor ter memória fraca - estava indo para o hospital. É, acreditem se quiser, hospital. A Bel, sempre muito atinada, já estava com as mochilas a postos. Como? Não sei, ela é muito rápida!
Chegando lá, num instantinho ela arrumou o quarto com meus pertences. Eram os meus santinhos na mesa ao lado da cama, todos em cima de um guardanapo de linho branco bordado de vermelho e azul. Detalhe: bordado por mim, pois toda moça que se prezava, na época, aprendia a bordar para seu enxoval de casamento.
(...)
Sábado vem a surpresinha: lembram que no dia seguinte seria domingo de Páscoa? E os meus planos? Parece que um “Tsunami” tinha passado por ali e varrido todos eles.
Voltemos ao sábado. O doutor, este sim, com a própria cara de um muito bom jogador de pôquer, anuncia: “Vamos ter que ir para a UTI.” Minha reação? Nem sei, estou bem embaixo daquela maior e avassaladora onda. Senti meu coração bater com toda a força na ponta dos dedos, na garganta, até chegar às pernas. Aos poucos ele foi se acalmando pois eu perguntava : “Como é lá?”, “Por que tenho que ir para lá?” E as pessoas vão dizendo coisas, e é bem melhor acreditar naquilo de bom que dizem.
(...)
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Livro extra para os fãs de Harry Potter
O sétimo e último livro de uma das séries mais bem sucedidas da literatura chegou às prateleiras no ano passado, mas a história do jovem bruxo ainda deve render muitas páginas inéditas.
Esta semana foi lançado mundialmente o livro Contos de Beedle, o Bardo (no Brasil pela editora Rocco, R$ 24,50 , 128 págs.). Como no resto do mundo, a renda gerada com a venda desta publicação será revertida para uma entidade beneficente criada pela autora J.K. Rowling.
Contos de Beedle, o Bardo é um dos cinco volumes fictícios de contos de fadas deixados pelo professor Dumbledore para Hermione (personagens da série) no sétimo livro. Apenas uma das histórias, O Conto dos Três Irmãos, aparece em Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Originalmente, o livro - primeiro lançado por Rowling após o final da série Harry Potter - teve apenas sete cópias produzidas. As cópias, escritas à mão e ilustradas pela autora, foram presenteadas a amigos e apenas uma foi leiloada.
Esta semana foi lançado mundialmente o livro Contos de Beedle, o Bardo (no Brasil pela editora Rocco, R$ 24,50 , 128 págs.). Como no resto do mundo, a renda gerada com a venda desta publicação será revertida para uma entidade beneficente criada pela autora J.K. Rowling.
Contos de Beedle, o Bardo é um dos cinco volumes fictícios de contos de fadas deixados pelo professor Dumbledore para Hermione (personagens da série) no sétimo livro. Apenas uma das histórias, O Conto dos Três Irmãos, aparece em Harry Potter e as Relíquias da Morte.
Originalmente, o livro - primeiro lançado por Rowling após o final da série Harry Potter - teve apenas sete cópias produzidas. As cópias, escritas à mão e ilustradas pela autora, foram presenteadas a amigos e apenas uma foi leiloada.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Imortal
A cadeira de número 33 da Academia Sul-Brasileira de Letras (ASBL) terá novo dono a partir desta sexta-feira. Toma posse amanhã o médico pneumologista e escritor Rogério Gastal Xavier, em solenidade marcada para as 21h no Centro de Integração do Mercosul (rua Andrade Neves, 1529). Seu patrono será José Vieira Pimenta.
Xavier é autor de Maria dos Mares Lunares, coletânea de poemas lançada em maio deste ano pela editora Literalis. Seu nome foi apresentado como candidato à acadêmico pela presidente da ASBL, Lígia Antunes Leivas e foi aprovado por unanimidade pela assembléia geral da entidade.
"A impressão que eu tive ao ler os poemas dele foi imediatamente deslumbrante. Ele tem uma poesia muito contemporânea, que transcende o intimismo. Ele segue a vertente da 'poesia pura' e mostra que poema não é só chorar as mágoas", afirma Lígia Leivas, ao reiterar a justificativa da posse do novo escritor.
Aos 64 anos de idade, Rogério Gastal Xavier começa a escrever seu segundo livro (com previsão de lançamento para o ano que vem), ainda sem título definido, de contos e alguns poemas. Escrever foi um hábito adquirido na juventude e deixado de lado por um tempo, até ser resgatado há cerca de 5 anos. "Hoje não me imagino mais sem escrever; me considero médico e escritor. Escrever se constitui num prazer, numa catarse. Tem seu aspecto lúdico e construtivo", diz ele, entusiasmado com as novas portas abertas pela literatura. "Fico muito contente com o rumo que a literatura está tomando na minha vida. Ingressar na Academia significa, além de uma honra, uma oportunidade de conviver com pessoas que se interessam pelo aprimoramento da nossa língua (que é uma das mais lindas do mundo). É uma possibilidade de instigar, desafiar e difundir a Língua Portuguesa", destacou.
Ao lado de nomes de peso como Moacyr Scliar, Drauzio Varella e Lya Luft, Xavier participa de um projeto da Associação Brasileira do Câncer e teve um de seus poemas escolhidos para fazer parte do livro intitulado Vivo e Conto, que reúne histórias de vidas que convivem com câncer de pulmão.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Xavier é autor de Maria dos Mares Lunares, coletânea de poemas lançada em maio deste ano pela editora Literalis. Seu nome foi apresentado como candidato à acadêmico pela presidente da ASBL, Lígia Antunes Leivas e foi aprovado por unanimidade pela assembléia geral da entidade.
"A impressão que eu tive ao ler os poemas dele foi imediatamente deslumbrante. Ele tem uma poesia muito contemporânea, que transcende o intimismo. Ele segue a vertente da 'poesia pura' e mostra que poema não é só chorar as mágoas", afirma Lígia Leivas, ao reiterar a justificativa da posse do novo escritor.
Aos 64 anos de idade, Rogério Gastal Xavier começa a escrever seu segundo livro (com previsão de lançamento para o ano que vem), ainda sem título definido, de contos e alguns poemas. Escrever foi um hábito adquirido na juventude e deixado de lado por um tempo, até ser resgatado há cerca de 5 anos. "Hoje não me imagino mais sem escrever; me considero médico e escritor. Escrever se constitui num prazer, numa catarse. Tem seu aspecto lúdico e construtivo", diz ele, entusiasmado com as novas portas abertas pela literatura. "Fico muito contente com o rumo que a literatura está tomando na minha vida. Ingressar na Academia significa, além de uma honra, uma oportunidade de conviver com pessoas que se interessam pelo aprimoramento da nossa língua (que é uma das mais lindas do mundo). É uma possibilidade de instigar, desafiar e difundir a Língua Portuguesa", destacou.
Ao lado de nomes de peso como Moacyr Scliar, Drauzio Varella e Lya Luft, Xavier participa de um projeto da Associação Brasileira do Câncer e teve um de seus poemas escolhidos para fazer parte do livro intitulado Vivo e Conto, que reúne histórias de vidas que convivem com câncer de pulmão.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 27 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Histórias das redações
"Bismarck dizia que as pessoas ficariam indignadas se soubessem como são feitas as leis e as salsichas...". E se soubessem como são feitas as notícias? Eis a provocação do livro A Ópera dos Vivos, que o jornalista Jayme Copstein autografa hoje (14) na Feira do Livro, em Pelotas.

Se conhecer o que se passa nos bastidores da imprensa ajuda a compreender a notícia ou afeta a credibilidade do jornal ele não sabe responder. Mas tem certeza de que as pessoas cairiam na gargalhada se soubessem o que se passa no dia-a-dia de uma redação. "Não sei se ajuda ou atrapalha na questão de credibilidade. Acho que não faz diferença, isso depende do veículo. Mas ajuda a fazer rir, que é a única intenção do livro", diz o autor, que revela sem escrúpulos o lado cômico escondido por detrás das manchetes "sérias" publicadas todos os dias. No livro, ele relata alguns dos episódios mais inusitados, colecionados ao longo dos mais de 65 anos vividos no interior de grandes e tradicionais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul.
O título - A Ópera dos Vivos - é inspirado nos espetáculos que eram apresentados no Rio de Janeiro no século 17. "Era para ser uma tragédia, mas os atores que interpretavam a ópera eram tão bisonhos que faziam a platéia cair na gargalhada. Bem como o jornalismo: a intenção é fazer uma coisa séria, mas algumas situações acabam se tornando engraçadas."
Apaixonado pelo que chama de "notas curiosas sobre a espécie humana" (título de outro livro seu, publicado em 1997), Copstein observa com perspicácia os cacoetes, manias, coisas engraçadas e outras absolutamente sem graça que são inerentes ao homem, especialmente àqueles que perambulam pelas redações. "Fora a tecnologia, não há nenhuma diferença entre o cara que molhava a caneta no tinteiro, datilografava a máquina ou que digita no computador hoje. Esse cara é o mesmo e continua fazendo as mesmas bobagens", para divertimento dos leitores.
Perfil
Natural de Rio Grande, Jayme Copstein começou a desempenhar atividades em rádios e jornais aos 15 anos de idade. A carreira teve início por causa de uma brincadeira entre amigos no alto-falante da cidade, o que mais tarde acabou rendendo um emprego na primeira rádio de Rio Grande, a Rádio Cultura Riograndina.
Trabalhou como repórter de polícia do jornal Gazeta da Tarde, ao mesmo tempo em que escrevia textos de radioteatro para as emissoras da cidade.
Aos 80 anos, Copstein tem no currículo passagens pelos principais veículos de Porto Alegre e vários prêmios, entre eles a Medalha de Prata do Festival Internacional do Rádio de Nova Iorque, em 1995. Atualmente seus comentários podem ser lidos no site <http://www.jaymecopstein.com.br>.
Confira
O quê: sessão de autógrafos do livro A Ópera dos Vivos (Editora Jayme Copstein, R$ 30,00)
Autor: Jayme Copstein
Onde: no estande da Livraria Mundial na Feira do Livro
Quando: hoje (14), a partir das 18h
Texto: Bianca Zanella | Foto: Nilton Santolin / Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Pelotas / P.10 | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Se conhecer o que se passa nos bastidores da imprensa ajuda a compreender a notícia ou afeta a credibilidade do jornal ele não sabe responder. Mas tem certeza de que as pessoas cairiam na gargalhada se soubessem o que se passa no dia-a-dia de uma redação. "Não sei se ajuda ou atrapalha na questão de credibilidade. Acho que não faz diferença, isso depende do veículo. Mas ajuda a fazer rir, que é a única intenção do livro", diz o autor, que revela sem escrúpulos o lado cômico escondido por detrás das manchetes "sérias" publicadas todos os dias. No livro, ele relata alguns dos episódios mais inusitados, colecionados ao longo dos mais de 65 anos vividos no interior de grandes e tradicionais veículos de comunicação do Rio Grande do Sul.
O título - A Ópera dos Vivos - é inspirado nos espetáculos que eram apresentados no Rio de Janeiro no século 17. "Era para ser uma tragédia, mas os atores que interpretavam a ópera eram tão bisonhos que faziam a platéia cair na gargalhada. Bem como o jornalismo: a intenção é fazer uma coisa séria, mas algumas situações acabam se tornando engraçadas."
Apaixonado pelo que chama de "notas curiosas sobre a espécie humana" (título de outro livro seu, publicado em 1997), Copstein observa com perspicácia os cacoetes, manias, coisas engraçadas e outras absolutamente sem graça que são inerentes ao homem, especialmente àqueles que perambulam pelas redações. "Fora a tecnologia, não há nenhuma diferença entre o cara que molhava a caneta no tinteiro, datilografava a máquina ou que digita no computador hoje. Esse cara é o mesmo e continua fazendo as mesmas bobagens", para divertimento dos leitores.
Perfil
Natural de Rio Grande, Jayme Copstein começou a desempenhar atividades em rádios e jornais aos 15 anos de idade. A carreira teve início por causa de uma brincadeira entre amigos no alto-falante da cidade, o que mais tarde acabou rendendo um emprego na primeira rádio de Rio Grande, a Rádio Cultura Riograndina.
Trabalhou como repórter de polícia do jornal Gazeta da Tarde, ao mesmo tempo em que escrevia textos de radioteatro para as emissoras da cidade.
Aos 80 anos, Copstein tem no currículo passagens pelos principais veículos de Porto Alegre e vários prêmios, entre eles a Medalha de Prata do Festival Internacional do Rádio de Nova Iorque, em 1995. Atualmente seus comentários podem ser lidos no site <http://www.jaymecopstein.com.br>.
Confira
O quê: sessão de autógrafos do livro A Ópera dos Vivos (Editora Jayme Copstein, R$ 30,00)
Autor: Jayme Copstein
Onde: no estande da Livraria Mundial na Feira do Livro
Quando: hoje (14), a partir das 18h
Texto: Bianca Zanella | Foto: Nilton Santolin / Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Pelotas / P.10 | Publicado em: Pelotas, Sexta-feira, 14 de novembro de 2008
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Vitor Ramil inaugura Diálogos na Casa de Simões
Quase cinco meses, muitas críticas e interpretações depois daquela sexta-feira 13 em que apresentou a enigmática história de Satolep, Vitor Ramil irá estar diante do público neste sábado (8), na primeira edição do projeto Diálogos na Casa de Simões, promovido pelo Instituto João Simões Lopes Neto.
O músico que afirma não gostar de tocar velhos sucessos, também admite, como escritor, não gostar de retomar aquilo que já foi escrito. "Acho muito frustrante o período posterior ao lançamento do trabalho. Tudo o que eu tenho a dizer sobre o meu livro vai estar sempre aquém do próprio livro", sentencia. "O livro é o livro, são as palavras sobre as quais eu também não tenho mais controle e é preciso lê-lo para entender, não interessa o que eu fale sobre ele".
A afirmação é verdadeira, no entanto, ao contrário e apesar do que pensa e diz o autor, o público normalmente se mostra interessado em saber o que ficou de fora das obras. Não é à toa que as "versões comentadas" de filmes e seriados são incluídas nos "extras" dos DVD´s, os bastidores dos programas de TV ganham espaço exclusivo nas grades de programação e os livros (geralmente os bons livros e os best sellers - que não necessariamente são bons) são capazes de provocar repercussões que transcendem a própria obra.
O enigmático Satolep parece ter esse potencial. Na falta de um "final conclusivo" e com muitas interrogações perdidas na confusa retidão das entrelinhas de Satolep, o público provocado pela narrativa poética de Ramil provavelmente queira, sim, saber o que ele tem a dizer. Uma tentativa, talvez, de preencher as lacunas que ficaram em cada esquina virada nas páginas do romance. A história reticente é instigante, e é por isso que o encontro entre Vitor Ramil, seus leitores e os debatedores Pablo Rodrigues (jornalista e editor de Cadernos do Diário Popular) e Isabella Mozzillo (professora da Universidade Federal de Pelotas) promete ser, no mínimo, curioso.
O livro, que começou a ser traduzido em caráter experimental nos idiomas inglês, francês e espanhol, está sendo divulgado na Internet por meio de um vídeo (book trailler) - nas versões português e inglês - no You Tube. São poucos segundos, mas que valem à pena ser assistidos até por quem já leu o romance. "Foi acompanhando as traduções que me dei conta o quanto a minha escrita é ambígua", reconhece.
A crítica
"Satolep é um ponto de chegada e também um começo...", diz Vitor, que levou 10 anos para concluir as 288 páginas de seu livro. "É uma construção intensa que vem desde a minha infância. Eu queria que ele tivesse o peso e a dimensão de uma cidade." Queria e conseguiu. Satolep - a cidade - é bem mais que um cenário fictício da literatura; é personagem da história que se manifesta fisicamente, e onde "a vida vai no fluxo das escaiolas". Vitor Ramil construiu em palavras, pedra e nuvem (matéria e alma) a sua cidade ideal e faz questão de afirmar isso.
Mas a cidade, que nasceu no escritor, já não é mais habitada apenas por ele. Ramil a expôs ao mundo e agora vive as conseqüências e os riscos de tal exposição. "As interpretações são livres e fazem parte do processo de criação, mas nem todas fecham com o que eu penso", diz, sem parecer intransigente, mas também sem esconder a decepção a que todos os escritores (ao menos os humanos) têm direito. "Uma das críticas que recebi, mesmo antes de lançar o livro, foi que a parte do sarau literário, em que o Selbor (protagonista) conversa com Simões (Lopes Neto) estava longa demais. Resolvi não mudar. Achei que meu personagem tinha que ser afetado por aquela figura", afirma com segurança sobre a sua criação e revela: "Eu não sei exatamente por que Simões apareceu no meu livro, e não tinha a intenção que ele tomasse a dimensão que tomou. Na verdade, eu não tinha intenção nenhuma. Só sei que quando eu deixei ele falar eu não conseguia mais parar de escrever. Eu não conseguia fazer ele parar de falar. Achei fantástico o que ele disse", numa demonstração espontânea de quem se surpreende com sua própria criação, ou melhor, com si mesmo.
A estética do frio
"O frio geometriza as coisas." A frase atribuída a Alejo Carpentier, músico cubano que inspirou um dos personagens do livro de Ramil deu origem a outra das "citações geniais" constantes em Satolep: "a milonga geometriza as coisas."
E apesar de ter sugerido, no começo, que Estética do Frio e Satolep não se misturavam, o autor voltou atrás, e lendo um trecho do livro em voz alta, na página 54, admite que a idéia da Estética do Frio está praticamente enunciada em vários pontos do romance, embora não concorde que o próprio livro tenha as características dessa idéia que ele concebeu. "A Estética do Frio ainda é só uma idéia. O dia em que ela se consolidar, que eu tiver alguma música ou alguma obra concreta, aí eu apresento: isso é 'Estética do Frio'. Por enquanto, ainda falta muito para se chegar a isso. Mas ela é a minha busca constante, é essa idéia que mobiliza a minha criação."
O patrimônio
Apaixonado por Pelotas, ou por Satolep, o escritor não perde oportunidade de levantar a bandeira da preservação do patrimônio histórico. Por outros lugares onde anda, ele reúne comentários que levam a uma triste constatação: o valor daqui é mais percebido por quem é "de fora". "Quando os franceses viram meu livro, se surpreederam com Pelotas. E sabe o que eles disseram? Eles disseram 'Bah, mas isso aqui é uma pequena Paris!' Por que aqui as pessoas não percebem o quanto essa cidade é inacreditável?"
"Posso aproveitar para dizer mais uma coisa?" O pedido foi feito ao final da entrevista: "Escreve aí por favor: 'Eu, Vitor Ramil, achei um crime asfaltarem as ruas do entorno do Theatro Guarany e peço, encarecidamente, que não asfaltem a rua Benjamin Constant, ponto.'" Protesto registrado, pedido atendido, com todas as letras.
Para saber o que mais Vitor Ramil tem a dizer, sobre o Satolep, patrimônio e tudo o mais, participe:
O quê: Diálogos na Casa de Simões, com Vitor Ramil. Debatedores: Pablo Rodrigues e Isabella Mozzilo.
Quando: sábado, dia 8 de novembro, às 19h
Onde: no auditório do Instituto João Simões Lopes Neto (rua Dom Pedro II, 810).
Entrada franca.
Leia antes:
Satolep (Editora Cuciac Naify, 2008)
Veja também:
Assita no You Tube ao vídeo Satolep Book Trailer. Disponível nas versões português e inglês.
Fique ligado:
O projeto Diálogos na Casa de Simões deve passar a integrar o calendário permanente de eventos do Instituto João Simões Lopes Neto. No entanto, a periodicidade ainda não foi definida, nem os autores que serão convidados nas próximas edições. Fique atento à agenda da Casa pelo site.
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 6 de novembro de 2008
O músico que afirma não gostar de tocar velhos sucessos, também admite, como escritor, não gostar de retomar aquilo que já foi escrito. "Acho muito frustrante o período posterior ao lançamento do trabalho. Tudo o que eu tenho a dizer sobre o meu livro vai estar sempre aquém do próprio livro", sentencia. "O livro é o livro, são as palavras sobre as quais eu também não tenho mais controle e é preciso lê-lo para entender, não interessa o que eu fale sobre ele".
A afirmação é verdadeira, no entanto, ao contrário e apesar do que pensa e diz o autor, o público normalmente se mostra interessado em saber o que ficou de fora das obras. Não é à toa que as "versões comentadas" de filmes e seriados são incluídas nos "extras" dos DVD´s, os bastidores dos programas de TV ganham espaço exclusivo nas grades de programação e os livros (geralmente os bons livros e os best sellers - que não necessariamente são bons) são capazes de provocar repercussões que transcendem a própria obra.
O enigmático Satolep parece ter esse potencial. Na falta de um "final conclusivo" e com muitas interrogações perdidas na confusa retidão das entrelinhas de Satolep, o público provocado pela narrativa poética de Ramil provavelmente queira, sim, saber o que ele tem a dizer. Uma tentativa, talvez, de preencher as lacunas que ficaram em cada esquina virada nas páginas do romance. A história reticente é instigante, e é por isso que o encontro entre Vitor Ramil, seus leitores e os debatedores Pablo Rodrigues (jornalista e editor de Cadernos do Diário Popular) e Isabella Mozzillo (professora da Universidade Federal de Pelotas) promete ser, no mínimo, curioso.
O livro, que começou a ser traduzido em caráter experimental nos idiomas inglês, francês e espanhol, está sendo divulgado na Internet por meio de um vídeo (book trailler) - nas versões português e inglês - no You Tube. São poucos segundos, mas que valem à pena ser assistidos até por quem já leu o romance. "Foi acompanhando as traduções que me dei conta o quanto a minha escrita é ambígua", reconhece.
A crítica
"Satolep é um ponto de chegada e também um começo...", diz Vitor, que levou 10 anos para concluir as 288 páginas de seu livro. "É uma construção intensa que vem desde a minha infância. Eu queria que ele tivesse o peso e a dimensão de uma cidade." Queria e conseguiu. Satolep - a cidade - é bem mais que um cenário fictício da literatura; é personagem da história que se manifesta fisicamente, e onde "a vida vai no fluxo das escaiolas". Vitor Ramil construiu em palavras, pedra e nuvem (matéria e alma) a sua cidade ideal e faz questão de afirmar isso.
Mas a cidade, que nasceu no escritor, já não é mais habitada apenas por ele. Ramil a expôs ao mundo e agora vive as conseqüências e os riscos de tal exposição. "As interpretações são livres e fazem parte do processo de criação, mas nem todas fecham com o que eu penso", diz, sem parecer intransigente, mas também sem esconder a decepção a que todos os escritores (ao menos os humanos) têm direito. "Uma das críticas que recebi, mesmo antes de lançar o livro, foi que a parte do sarau literário, em que o Selbor (protagonista) conversa com Simões (Lopes Neto) estava longa demais. Resolvi não mudar. Achei que meu personagem tinha que ser afetado por aquela figura", afirma com segurança sobre a sua criação e revela: "Eu não sei exatamente por que Simões apareceu no meu livro, e não tinha a intenção que ele tomasse a dimensão que tomou. Na verdade, eu não tinha intenção nenhuma. Só sei que quando eu deixei ele falar eu não conseguia mais parar de escrever. Eu não conseguia fazer ele parar de falar. Achei fantástico o que ele disse", numa demonstração espontânea de quem se surpreende com sua própria criação, ou melhor, com si mesmo.
A estética do frio
"O frio geometriza as coisas." A frase atribuída a Alejo Carpentier, músico cubano que inspirou um dos personagens do livro de Ramil deu origem a outra das "citações geniais" constantes em Satolep: "a milonga geometriza as coisas."
E apesar de ter sugerido, no começo, que Estética do Frio e Satolep não se misturavam, o autor voltou atrás, e lendo um trecho do livro em voz alta, na página 54, admite que a idéia da Estética do Frio está praticamente enunciada em vários pontos do romance, embora não concorde que o próprio livro tenha as características dessa idéia que ele concebeu. "A Estética do Frio ainda é só uma idéia. O dia em que ela se consolidar, que eu tiver alguma música ou alguma obra concreta, aí eu apresento: isso é 'Estética do Frio'. Por enquanto, ainda falta muito para se chegar a isso. Mas ela é a minha busca constante, é essa idéia que mobiliza a minha criação."
O patrimônio
Apaixonado por Pelotas, ou por Satolep, o escritor não perde oportunidade de levantar a bandeira da preservação do patrimônio histórico. Por outros lugares onde anda, ele reúne comentários que levam a uma triste constatação: o valor daqui é mais percebido por quem é "de fora". "Quando os franceses viram meu livro, se surpreederam com Pelotas. E sabe o que eles disseram? Eles disseram 'Bah, mas isso aqui é uma pequena Paris!' Por que aqui as pessoas não percebem o quanto essa cidade é inacreditável?"
"Posso aproveitar para dizer mais uma coisa?" O pedido foi feito ao final da entrevista: "Escreve aí por favor: 'Eu, Vitor Ramil, achei um crime asfaltarem as ruas do entorno do Theatro Guarany e peço, encarecidamente, que não asfaltem a rua Benjamin Constant, ponto.'" Protesto registrado, pedido atendido, com todas as letras.
Para saber o que mais Vitor Ramil tem a dizer, sobre o Satolep, patrimônio e tudo o mais, participe:
O quê: Diálogos na Casa de Simões, com Vitor Ramil. Debatedores: Pablo Rodrigues e Isabella Mozzilo.
Quando: sábado, dia 8 de novembro, às 19h
Onde: no auditório do Instituto João Simões Lopes Neto (rua Dom Pedro II, 810).
Entrada franca.
Leia antes:
Satolep (Editora Cuciac Naify, 2008)
Veja também:
Assita no You Tube ao vídeo Satolep Book Trailer. Disponível nas versões português e inglês.
Fique ligado:
O projeto Diálogos na Casa de Simões deve passar a integrar o calendário permanente de eventos do Instituto João Simões Lopes Neto. No entanto, a periodicidade ainda não foi definida, nem os autores que serão convidados nas próximas edições. Fique atento à agenda da Casa pelo site
Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 6 de novembro de 2008
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terça-feira, 16 de setembro de 2008
Uma escritora de primeira viagem

Era uma vez uma digitadora de laudos médicos que trabalhava em uma clínica e detestava seu emprego. Ela passava o dia escrevendo - laudos, obviamente - mas queria mesmo era escrever histórias.
Tímida e romântica, Elisiane Martins - a Lisi - escreveu um livro que não teve coragem de mostrar para quase ninguém. Até o dia em que perdeu o emprego e resolveu arriscar. Com o dinheiro da demissão mandou editar apenas trinta exemplares, fez um lançamento discreto entre familiares e amigos íntimos e nunca mais tocou no assunto.
O livro, era praticamente um segredo. Até que um belo dia ela viu no jornal uma matéria que lhe chamou a atenção. Era a história de Laura Matheus - a Dona Laura - moradora da colônia Z-3 que aos 71 anos concretizou um sonho, que sem saber compartilhava com Lisi: o de ser reconhecida como escritora.
A trajetória da pescadora de palavras até o lançamento do livro Barbiele, publicada no Caderno Zoom do Diário Popular do dia 4 de junho foi inspiradora. Mas Lisi não teve pressa. Como ela diz, tudo para ela demora a acontecer...
Meses depois enviou um e-mail à redação. Na mensagem, que pelo tom da narrativa mais parecia uma carta, ela contava a sua história e tomava coragem de finalmente mostrar ao público seu livro de estréia. Para quem estava decidida a seguir a carreira como escritora não havia mais escolha: precisava se expor à crítica.
O romantismo em tempos de MSN
O Destino de Lisa - viver além da vida, amar além do amor traz no longo título a dramaticidade e o romantismo exacerbado que carrega na trama, curta, descrita em apenas 107 páginas, mas feita para ir além, como toda história de amor.
A personagem Lisi é perdidamente apaixonada por Josef, mas mesmo depois que resolve declarar seu amor incondicional - pela Internet, de forma quase anônima -, ainda se mantém resistente em ceder à conquista do amado e ao desejo dele de conhecê-la na vida real.
O livro, têm o ritmo do diálogo em mensagens instantâneas e o andar romântico de um malandro galanteador cortejando alguma moça que desfila pela rua. E tem também um pesar. Um ar de tensão, um medo e um sentimento de perda de quem nunca teve. A história mescla a ingenuidade adolescente, a anciosidade de resposta imediata e sua antítese - uma espera nada imediatista de um amor platônico.
Às vezes soa inocente demais, idealizado demais, sentimental demais, mas... é mais um modo de se ver a vida. "As mulheres de hoje precisam se valorizar", defende. "Acho que mulheres como a Lisi existem, mas são raras. No fundo Josef (par romântico da difícil Lisi) é mais idealizado que ela. Porque é ela quem define os rumos da história o tempo todo e não deixa muitas escolhas para ele, que mesmo assim não desiste do relacionamento", diz, ao comentar os desvios de comportamento e caráter dos personagens que criou. "O livro também toca no assunto do preconceito racial. Acho que todo escritor deve se sentir responsável por falar nessas coisas", afirma.
As histórias de Lisi e Lisa têm muito em comum. A autora e a protagonista estão sempre conectadas no mundo virtual: MSN, Orkut, e-mail... mas não perdem o ar sonhador.
A ficção toma emprestado alguns fatos da vida real. Como a mãe da personagem do livro, a mãe da escritora também teve um grande amor, que foi prorrogado por tempo demais. "Depois da separação minha mãe levou muitos anos até ir procurar o homem por quem ela realmente era apaixonada. E quando ela decidiu fazer isso descobriu que ele tinha falecido", conta Lisi, que é casada e confessa que também viveu um grande e primeiro amor.
Editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, o livro é a primeira parte de uma história que já tem continuação. O segundo volume, com título provisório de O Segredo de Lisa, está quase concluído, mas ainda não tem previsão de lançamento. Nessa espécie de retorno à escola Romântica adaptada aos dias atuais - em que ao invés de cartas se escrevem e-mails apaixonados (será?), a grande pergunta que o livro faz ao leitor é se as ferramentas do mundo virtual sufocam os relacionamentos ou se ao contrário, o romantismo está reconquistando seu espaço na vida das pessoas e ainda é capaz de sensibilizar o público através da literatura.
Como quase todo livro de estréia, este ainda não é uma obra-prima, mas um bom começo. Quem deseja ser escritor precisa, ao menos, escrever.
Leia um trecho
Deixou o micro conectado à Internet e com o volume alto para que pudesse ouvir quando ele entrasse.
Estava comendo distraidamente o segundo pedaço de sanduíche que preparara, quando ouviu o sinal no seu micro e correu ainda mastigando, quase tropeçando nas escadas de tão agitada e atrapalhada que ficara. Sentou-se rapidamente na cadeira em frente à sua mesa do computador e seus olhos mal acreditavam no que estava vendo.
Era ele, era Josef, que acabara de entrar. Sua emoção era tão grande que mal conseguia respirar e seu coração parecia explodir. Respirou fundo e digitou:
- Oi Josef! - fechando os olhos, como se estivesse fazendo uma prece para que ele respondesse.
- Oi Lisa!
- Ele respondeu. - Ele respondeu! - pensou Lisa, paralisada em frente ao micro.
- Tudo bem com você? - foi a única coisa que conseguiu digitar.
Contato
O livro O destino de Lisa pode ser encontrado na Livraria e Café Dom da Palavra. Contato com a escritora e encomenda de exemplares pelo telefone 9161-5960 ou através do e-mail lisi.martins@yahoo.com.br.
Tímida e romântica, Elisiane Martins - a Lisi - escreveu um livro que não teve coragem de mostrar para quase ninguém. Até o dia em que perdeu o emprego e resolveu arriscar. Com o dinheiro da demissão mandou editar apenas trinta exemplares, fez um lançamento discreto entre familiares e amigos íntimos e nunca mais tocou no assunto.
O livro, era praticamente um segredo. Até que um belo dia ela viu no jornal uma matéria que lhe chamou a atenção. Era a história de Laura Matheus - a Dona Laura - moradora da colônia Z-3 que aos 71 anos concretizou um sonho, que sem saber compartilhava com Lisi: o de ser reconhecida como escritora.
A trajetória da pescadora de palavras até o lançamento do livro Barbiele, publicada no Caderno Zoom do Diário Popular do dia 4 de junho foi inspiradora. Mas Lisi não teve pressa. Como ela diz, tudo para ela demora a acontecer...
Meses depois enviou um e-mail à redação. Na mensagem, que pelo tom da narrativa mais parecia uma carta, ela contava a sua história e tomava coragem de finalmente mostrar ao público seu livro de estréia. Para quem estava decidida a seguir a carreira como escritora não havia mais escolha: precisava se expor à crítica.
O romantismo em tempos de MSN
O Destino de Lisa - viver além da vida, amar além do amor traz no longo título a dramaticidade e o romantismo exacerbado que carrega na trama, curta, descrita em apenas 107 páginas, mas feita para ir além, como toda história de amor.
A personagem Lisi é perdidamente apaixonada por Josef, mas mesmo depois que resolve declarar seu amor incondicional - pela Internet, de forma quase anônima -, ainda se mantém resistente em ceder à conquista do amado e ao desejo dele de conhecê-la na vida real.
O livro, têm o ritmo do diálogo em mensagens instantâneas e o andar romântico de um malandro galanteador cortejando alguma moça que desfila pela rua. E tem também um pesar. Um ar de tensão, um medo e um sentimento de perda de quem nunca teve. A história mescla a ingenuidade adolescente, a anciosidade de resposta imediata e sua antítese - uma espera nada imediatista de um amor platônico.
Às vezes soa inocente demais, idealizado demais, sentimental demais, mas... é mais um modo de se ver a vida. "As mulheres de hoje precisam se valorizar", defende. "Acho que mulheres como a Lisi existem, mas são raras. No fundo Josef (par romântico da difícil Lisi) é mais idealizado que ela. Porque é ela quem define os rumos da história o tempo todo e não deixa muitas escolhas para ele, que mesmo assim não desiste do relacionamento", diz, ao comentar os desvios de comportamento e caráter dos personagens que criou. "O livro também toca no assunto do preconceito racial. Acho que todo escritor deve se sentir responsável por falar nessas coisas", afirma.
As histórias de Lisi e Lisa têm muito em comum. A autora e a protagonista estão sempre conectadas no mundo virtual: MSN, Orkut, e-mail... mas não perdem o ar sonhador.
A ficção toma emprestado alguns fatos da vida real. Como a mãe da personagem do livro, a mãe da escritora também teve um grande amor, que foi prorrogado por tempo demais. "Depois da separação minha mãe levou muitos anos até ir procurar o homem por quem ela realmente era apaixonada. E quando ela decidiu fazer isso descobriu que ele tinha falecido", conta Lisi, que é casada e confessa que também viveu um grande e primeiro amor.
Editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, o livro é a primeira parte de uma história que já tem continuação. O segundo volume, com título provisório de O Segredo de Lisa, está quase concluído, mas ainda não tem previsão de lançamento. Nessa espécie de retorno à escola Romântica adaptada aos dias atuais - em que ao invés de cartas se escrevem e-mails apaixonados (será?), a grande pergunta que o livro faz ao leitor é se as ferramentas do mundo virtual sufocam os relacionamentos ou se ao contrário, o romantismo está reconquistando seu espaço na vida das pessoas e ainda é capaz de sensibilizar o público através da literatura.
Como quase todo livro de estréia, este ainda não é uma obra-prima, mas um bom começo. Quem deseja ser escritor precisa, ao menos, escrever.
Leia um trecho
Deixou o micro conectado à Internet e com o volume alto para que pudesse ouvir quando ele entrasse.
Estava comendo distraidamente o segundo pedaço de sanduíche que preparara, quando ouviu o sinal no seu micro e correu ainda mastigando, quase tropeçando nas escadas de tão agitada e atrapalhada que ficara. Sentou-se rapidamente na cadeira em frente à sua mesa do computador e seus olhos mal acreditavam no que estava vendo.
Era ele, era Josef, que acabara de entrar. Sua emoção era tão grande que mal conseguia respirar e seu coração parecia explodir. Respirou fundo e digitou:
- Oi Josef! - fechando os olhos, como se estivesse fazendo uma prece para que ele respondesse.
- Oi Lisa!
- Ele respondeu. - Ele respondeu! - pensou Lisa, paralisada em frente ao micro.
- Tudo bem com você? - foi a única coisa que conseguiu digitar.
Contato
O livro O destino de Lisa pode ser encontrado na Livraria e Café Dom da Palavra. Contato com a escritora e encomenda de exemplares pelo telefone 9161-5960 ou através do e-mail lisi.martins@yahoo.com.br.
Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 16 de setembro de 2008
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Talentos locais
terça-feira, 17 de junho de 2008
Autor pelotense lança livro sobre a homossexualidade
O pesquisador espiritualista Gilberto Cabana lança hoje o livro Homossexualidade - Espírito e Matéria, no qual faz uma abordagem do tema com base nas filosofias transcendentais das leis de causa e efeito.
A idéia de estudar o assunto surgiu quando Cabana assistia na TV a uma entrevista com o estilista Clodovil, em que ele dizia que, quando morresse, iria perguntar a Deus por que havia nascido gay. A resposta a esta pergunta que é feita por muitas pessoas - homossexuais ou não -, segundo o autor, está relacionada ao espírito. "Trata-se de uma necessidade de aprendizado para a evolução da personalidade em seu aspecto afetivo e sexual", defende, embasado em teorias de evolução espíritas e em teorias da linha freudiana da psicologia. Mas ele esclarece: isso não significa que homossexuais sejam menos evoluídos que os heterossexuais, ou vice-versa. "A personalidade tem várias colunas e não é possível evoluir em todas elas ao mesmo tempo, no mesmo rítmo. Existem muitos heterossexuais mau-caráter, por exemplo".
Cabana, que também é autor do livro A Lógica da Vida, lançado em 2001, traz em Homossexualidade, além das suas possíveis causas, uma análise comportamental, política e social do tema, ao abordar, por exemplo, questões como o casamento gay, adoção e discriminação. "Este livro se propõe a servir de orientação a todas as pessoas sobre como lidar com o homossexualismo", afirma.
Convite
O autor convida para o lançamento do livro nesta terça-feira, a partir das 19h30 na Associação CTMR (rua Santa Tecla, 253). Homossexualidade - Espírito e Matéria já está à venda, à R$ 20,00, na livraria Vanguarda.
A idéia de estudar o assunto surgiu quando Cabana assistia na TV a uma entrevista com o estilista Clodovil, em que ele dizia que, quando morresse, iria perguntar a Deus por que havia nascido gay. A resposta a esta pergunta que é feita por muitas pessoas - homossexuais ou não -, segundo o autor, está relacionada ao espírito. "Trata-se de uma necessidade de aprendizado para a evolução da personalidade em seu aspecto afetivo e sexual", defende, embasado em teorias de evolução espíritas e em teorias da linha freudiana da psicologia. Mas ele esclarece: isso não significa que homossexuais sejam menos evoluídos que os heterossexuais, ou vice-versa. "A personalidade tem várias colunas e não é possível evoluir em todas elas ao mesmo tempo, no mesmo rítmo. Existem muitos heterossexuais mau-caráter, por exemplo".
Cabana, que também é autor do livro A Lógica da Vida, lançado em 2001, traz em Homossexualidade, além das suas possíveis causas, uma análise comportamental, política e social do tema, ao abordar, por exemplo, questões como o casamento gay, adoção e discriminação. "Este livro se propõe a servir de orientação a todas as pessoas sobre como lidar com o homossexualismo", afirma.
Convite
O autor convida para o lançamento do livro nesta terça-feira, a partir das 19h30 na Associação CTMR (rua Santa Tecla, 253). Homossexualidade - Espírito e Matéria já está à venda, à R$ 20,00, na livraria Vanguarda.
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Antes da história, um sonho
Analfabeta até os 50 anos, a moradora da colônia Z-3 Laura Matheus - a Dona Laura - emociona-se, aos 71, ao lançar seu primeiro livro.
Uma das personagens mais simbólicas da colônia de pescadores Z-3, segundo distrito de Pelo
tas, vive hoje a realização de um sonho de infância: Aos 71 anos, a menina que cresceu desenhando letras no ar tem um livro seu publicado. "Foi para isso que vivi a vida inteira", diz, emocionada, Laura Matheus, que autografa exemplares de Barbiele hoje, a partir das 17h30, na Livraria Vanguarda.
Mais do que saber contar histórias, Laura Matheus sabe sonhá-las. Não bastasse o talento para a narrativa, um carisma e um senso de humor impagáveis, a escritora demonstra uma aguçada sensibilidade para transitar com desenvoltura no limiar entre o real e o imaginário.
A trajetória da contista é pontuada por uma enorme força de vontade: Aos oito anos matriculou-se por conta própria em uma escola, mas foi obrigada a trocar os estudos para ajudar a família na colheita de cebolas. As aulas não duraram muito, mas as primeiras lições ficaram para a vida inteira: com quase 50 anos, a "teimosa" - como ela mesma se intitula - e praticamente autodidata, retomou seu sonho literário. "Eu acho até que escrevo muita bobagem", brinca a escritora, com franca humildade.
Durante muito tempo, seus textos rabiscados em folhas de papel avulsas ou no velho caderno de registros do Porto de Rio Grande (sua maior relíquia) ficaram guardados em um baú, quase nunca aberto principalmente depois da morte de seu marido, que era pescador e grande incentivador de seu trabalho. Alguns contos chegaram a ser publicados em colunas do jornal O Pescador, que circula na comunidade, e nas coletâneas Tarde demais para não Publicar, decorrente de uma oficina literária organizada pela escritora Hilda Simões Lopes, e Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica (ed. Agir, 2005), organizada por Ferréz. Foram estas antologias que permitiram a uma editora paulistana redescobrir este pequeno tesouro literário, que pela primeira vez ganha as páginas de um livro somente seu.
Garimpos
Barbiele é um dos dois títulos que inauguram a editora Luzes no Asfalto, selo recém criado por Marcelo Vessoni, que pretende mesclar publicações de autores renomados a outros anônimos no mundo das letras. "O meu propósito é lançar autores que indiquem caminhos de elevação de consciência aos leitores. Vi em Laura Matheus, um olhar extremamente generoso, angelical com o real", afirma Vessoni, que considera os escritos da autora verdadeiras lições de vida. "Tive a sensação que os personagens de seu livro (inclusive ela, no conto autobiográfico "Teimosa") esperam por uma nova forma de vida, mais evoluída espiritualmente", analisa.

Barbiele
Nos onze contos compilados em Barbiele, a realidade de personagens anônimos é exposta de maneira muito peculiar, com uma linguagem que se alterna entre a fala coloquial e regional e várias pinceladas líricas e, em quatro dos textos, com um toque sobrenatural. Na narrativa que dá título ao livro, uma criança rica, mimada e malvada é levada por um ser que diz ser uma estrela (e aparece na forma da menina Barbiele) a viver num ambiente social totalmente oposto ao seu para se transformar numa pessoa melhor.
Para voltar a escrever
Foi com um certo "friozinho na barriga" que Dona Laura, como é conhecida na comunidade, acompanhou todo o processo de edição do livro e é com grande expectativa que ela participa do lançamento hoje.
Se antes era a necessidade de trabalhar que a impedia de estudar e escrever, agora são os olhos que a traem. Há algum tempo, a visão comprometida a obrigou a deixar de lado, novamente, a vocação de escritora. Agora, ela acredita que será justamente o resultado de sua obra, com o lançamento de Barbiele, que irá lhe proporcionar a alegria de enxergar novamente, e voltar a escrever: com a venda do livro, Dona Laura espera poder arcar com os custos de uma cirurgia de catarata.
Prestigie!
O quê: Lançamento do livro Barbiele, de Laura Matheus
Quando: Hoje, das 17h às 20h30
Onde: na Livraria Vanguarda (Rua Gonçalves Chaves, entre Dom Pedro II e 3 de Maio)
Preço do livro: R$ 15,00
Consulte também: www.luzesnoasfalto.com.br
Links relacionados:
Resenhas
Vagão do Humor
Uma das personagens mais simbólicas da colônia de pescadores Z-3, segundo distrito de Pelo
tas, vive hoje a realização de um sonho de infância: Aos 71 anos, a menina que cresceu desenhando letras no ar tem um livro seu publicado. "Foi para isso que vivi a vida inteira", diz, emocionada, Laura Matheus, que autografa exemplares de Barbiele hoje, a partir das 17h30, na Livraria Vanguarda.Mais do que saber contar histórias, Laura Matheus sabe sonhá-las. Não bastasse o talento para a narrativa, um carisma e um senso de humor impagáveis, a escritora demonstra uma aguçada sensibilidade para transitar com desenvoltura no limiar entre o real e o imaginário.
A trajetória da contista é pontuada por uma enorme força de vontade: Aos oito anos matriculou-se por conta própria em uma escola, mas foi obrigada a trocar os estudos para ajudar a família na colheita de cebolas. As aulas não duraram muito, mas as primeiras lições ficaram para a vida inteira: com quase 50 anos, a "teimosa" - como ela mesma se intitula - e praticamente autodidata, retomou seu sonho literário. "Eu acho até que escrevo muita bobagem", brinca a escritora, com franca humildade.
Durante muito tempo, seus textos rabiscados em folhas de papel avulsas ou no velho caderno de registros do Porto de Rio Grande (sua maior relíquia) ficaram guardados em um baú, quase nunca aberto principalmente depois da morte de seu marido, que era pescador e grande incentivador de seu trabalho. Alguns contos chegaram a ser publicados em colunas do jornal O Pescador, que circula na comunidade, e nas coletâneas Tarde demais para não Publicar, decorrente de uma oficina literária organizada pela escritora Hilda Simões Lopes, e Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica (ed. Agir, 2005), organizada por Ferréz. Foram estas antologias que permitiram a uma editora paulistana redescobrir este pequeno tesouro literário, que pela primeira vez ganha as páginas de um livro somente seu.
Garimpos
Barbiele é um dos dois títulos que inauguram a editora Luzes no Asfalto, selo recém criado por Marcelo Vessoni, que pretende mesclar publicações de autores renomados a outros anônimos no mundo das letras. "O meu propósito é lançar autores que indiquem caminhos de elevação de consciência aos leitores. Vi em Laura Matheus, um olhar extremamente generoso, angelical com o real", afirma Vessoni, que considera os escritos da autora verdadeiras lições de vida. "Tive a sensação que os personagens de seu livro (inclusive ela, no conto autobiográfico "Teimosa") esperam por uma nova forma de vida, mais evoluída espiritualmente", analisa.
Barbiele
Nos onze contos compilados em Barbiele, a realidade de personagens anônimos é exposta de maneira muito peculiar, com uma linguagem que se alterna entre a fala coloquial e regional e várias pinceladas líricas e, em quatro dos textos, com um toque sobrenatural. Na narrativa que dá título ao livro, uma criança rica, mimada e malvada é levada por um ser que diz ser uma estrela (e aparece na forma da menina Barbiele) a viver num ambiente social totalmente oposto ao seu para se transformar numa pessoa melhor.
Para voltar a escrever
Foi com um certo "friozinho na barriga" que Dona Laura, como é conhecida na comunidade, acompanhou todo o processo de edição do livro e é com grande expectativa que ela participa do lançamento hoje.
Se antes era a necessidade de trabalhar que a impedia de estudar e escrever, agora são os olhos que a traem. Há algum tempo, a visão comprometida a obrigou a deixar de lado, novamente, a vocação de escritora. Agora, ela acredita que será justamente o resultado de sua obra, com o lançamento de Barbiele, que irá lhe proporcionar a alegria de enxergar novamente, e voltar a escrever: com a venda do livro, Dona Laura espera poder arcar com os custos de uma cirurgia de catarata.
Prestigie!
O quê: Lançamento do livro Barbiele, de Laura Matheus
Quando: Hoje, das 17h às 20h30
Onde: na Livraria Vanguarda (Rua Gonçalves Chaves, entre Dom Pedro II e 3 de Maio)
Preço do livro: R$ 15,00
Consulte também: www.luzesnoasfalto.com.br
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Resenhas
Vagão do Humor
Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação / Satolep Press | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de junho de 2008
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