quarta-feira, 28 de maio de 2008

A arte da boa vizinhança

Em nome da integração das artes cinco artistas formados pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas (IAD/UFPel) realizam até sexta-feira no Centro Universitário de Cultura e Artes (Cuca) a exposição A Mostra Mostra Vizinhança, que tem ainda a participação de Zenilda Cardozo, de Porto Alegre, e da artista mexicana Violetha Vite.

Com propostas estéticas bastante singulares, a composição de trabalhos dialoga pela individualidade dos artistas e pela diversidade de temas. "A associação dos trabalhos é muito subjetiva, a afinidade aqui é muito mais pessoal que artística", diz uma das organizadoras, Camila Hein.

A mostra reúne, entre outras obras, as estruturas cambaleantes feitas a traços livres, elaboradas por Vivian Herzog, os curiosos jogos de palavras e formas propostos por Camila Hein, a sobreposição de cores e significados de Francis Silva e a arte-artesanato de Lizandra Pereira, que questiona a sub-valorização dos cultos afrorreligiosos.

A ocasião tem também um tom de despedida, retratado no abraço largo da águia - xilogravura dividida em três partes concebida por Alexandre Lettnin. Inspirada no símbolo do México, que aparece gravado na moeda que carrega no bolso, presente da colega Violetha, a obra é uma homenagem à artista, que desde fevereiro realiza intercâmbio em Pelotas.

Formada pela Universidad Autónoma del Estado de Hidalgo, ela retorna na próxima semana ao seu país, para uma rápida parada antes de embarcar para Madrid, na Espanha, onde fará o curso de mestrado em artes visuais.


Era uma vez... Hambúrguer e fritas com tempero mexicano

Uma pequena prova da arte mexicana também está, até sexta-feira, no corredor do Instituto de Artes e Design da UFPel, representada pelas obras assinadas por Violetha Vite. Na mostra individual Com Mc tudo é possível, a artista faz sutis provocações, e com o pincel "cutuca" a política econômica internacional.

Com uma linguagem contemporânea, Vite propõe uma releitura dos padrões de consumo através de contos infantis como Rapunzel, Branca de Neve, Alice no País das Maravilhas e o Mágico de Oz. Segundo ela, essas e outras histórias universais ficam esquecidas no imaginário cultural coletivo, mas reaparecem quando as manifestações se dão no meio econômico. "Na biblioteca é mais difícil das pessoas darem importância a essas histórias, mas se é uma multinacional que oferece o livro, as pessoas compram", afirma.


Prestigie!

O quê:
Exposição coletiva A Mostra Mostra Vizinhança, com trabalhos de Alexandre Lettnin, Camila Hein, Francis Silva, Lizandra Pereira, Violetha Vite, Vivian Herzog e Zenilda Cardozo. Curadoria: Violetha Vite e professor Wilson Miranda.
Quando: Até sexta-feira, das 14h às 20h. Abertura hoje, às 17h, com a presença dos artistas participantes.
Onde: No Cuca - Centro Universitário de Cultura e Arte (Rua Félix da Cunha, nº 62, em frente à Praça Coronel Pedro Osório).
Entrada franca.

Confira também:
O quê: Com Mc tudo é possível, mostra individual de Violetha Vite.
Quando: Até sexta-feira, aberto à visitação das 8h às 22h.
Onde: No corredor do 2º andar do Instituto de Artes e Design - IAD/UFPel (Rua Alberto Rosa, 62). Entrada franca.

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas,Quarta-feira, 28 de maio de 2008


terça-feira, 27 de maio de 2008

Canto, campo e poesia

As estrofes de Meu Canto - Poemeto de Campo, do poeta bageense Eron Vaz Mattos ganharão versão recitadas em CD, na voz de Xirú Antunes e com arranjos e acompanhamento do dedilhar do violão de Silvério Barcellos. O projeto deve ficar pronto em, no máximo, dois meses.

Nome conhecido e reconhecido no meio musical por marcantes parcerias, ao lado de músicos como Luiz Marenco, Zulmar Benites, Jari Terres, Lizandro Amaral, Joca Martins e do próprio Xirú Antunes, Eron Vaz Mattos recria em versos os cenários e fazeres das tradições campeiras. "A poesia reflete a pequenez e a simplicidade das coisas do campo, e fala de detalhes que a gente vivia e que hoje nem existem mais ou passam despercebidos", diz o autor, sobre o livro publicado ano passado pela editora da Universidade da Região da Campanha (Urcamp).

"A poesia reflete a pequenez e a simplicidade
das coisas do campo, e fala de detalhes
que a gente vivia e que hoje nem
existem mais ou passam despercebidos"

Nas entrelinhas da poesia em que busca resgatar certos aspectos das origens do próprio gauchismo, o poeta lança de forma sutil reflexões sobre como essa cultura é vivenciada nos dias de hoje. "Em linhas gerais as pessoas preferem a música para o corpo, e não para a alma. As platéias foram educadas assim para sons extraordinariamente fortes e impactantes", avalia ele, que acredita que a reunião das linguagens poéticas e musicais possa proporcionar um maior alcance de público, se comparado ao próprio livro. "A poesia é intimista, exige reflexão. As metáforas fazem pensar, e também fazem crescer".

Para Xirú, além de contribuir para a popularização da poesia, o projeto é importante para a valorização da cultura nativista, especialmente no meio musical. "Esse trabalho fala um pouco das distorções da cultura gaúcha e de como o nosso verso anda sacrificado", critica.


Composição assinada por Xirú trouxe a Sapecada pra cá

A composição Um certo galpão de pedra, de Xirú Antunes, garantiu, na semana passada, a vinda do troféu de primeiro lugar da 16º edição da Sapecada da Canção Nativa, de Lages/SC, para o sul do Estado. Além do prêmio principal, a canção defendida por Raineri Spohr e André Teixeira venceu também as categorias melhor melodia, do próprio Teixeira, e melhor arranjo, de Silvério Barcellos.

No início do ano, o compositor, que tem participação regular nos festivais nativistas como concorrente e como jurado, já havia vencido a Comparsa, de Pinheiro Machado, com a canção Povoamento, interpretada por Cristiano Quevedo.


Coração de Província repete parceria com quarteto

O quarto CD da carreira, já em fase de produção, a exemplo do anterior, Rincãozito, irá manter duas características essenciais: Este, ainda sem previsão de lançamento, também será acústico e terá o acompanhamento do mesmo quarteto de cordas composto por três violões e um guitarrón, formado pelos instrumentistas Silvério Barcellos, Luís Clóvis Girard, Eguibert Parada e Fabrício Moura.

Entre as doze faixas, todas de sua autoria, Xirú adianta que dois poemas serão recitados. O compositor e intérprete dividirá os vocais com os "amigos de música" Luiz Marenco, Lizandro Amaral, Gustavo Teixeira, André Teixeira e Raineri Spohr.

A faixa título do CD, Coração de Província, está entre as selecionadas da quinta edição da Bicuíra, e será apresentada ao público como concorrente no festival que acontece em setembro na cidade de Rio Grande.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas,Terça-feira, 27 de maio de 2008



segunda-feira, 26 de maio de 2008

Música pela Música ganha incentivo da Funarte, mas ainda aguarda patrocínio da Rouanet

Com novos instrumentos, orquestra e coro preparam concerto que estréia em 4 de junho.

A Orquestra Filarmônica da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) agora soa diferente. O recente incentivo de R$ 24 mil recebido via edital da Fundação Nacional das Artes (Funarte) - vinculada ao Ministério da Cultura -, fez a diferença, garantindo a compra de seis novos instrumentos. Com a verba ainda foi possível adquirir peças de reposição como cordas, palhetas, bocais e surdinas.

Um bombo sinfônico, uma tuba, uma trompa, uma flauta pícolo, um par de pratos e um contrabaixo sinfônico foram incorporados ao conjunto intrumental e passaram a incrementar em sopros, cordas e percussão a riqueza e diversidade sonora, já que, com exceção da trompa, a orquestra não possuía esses instrumentos até então.

A melhora é significativa, mas a formação da orquestra ainda não é a ideal. "Falta ainda uma série de intrumentos, que aos poucos vamos conseguindo adquirir", diz o maestro Sérgio Sisto. Segundo ele, uma orquestra completa precisaria ter, no mínimo, quatro trompas. Com a que foi adquirida, agora pode contar com três. A maioria dos instrumentos utilizados pela filarmônica da SPMM pertencem aos próprios músicos e a instrumentalização é justamente parte mais cara da manutenção de uma orquestra. O custo estimado de uma harpa, por exemplo, que SPMM ainda não tem, é de R$ 100 mil.


Dedicação

Criada em outubro de 1990, a Sociedade Pelotense Música pela Música depende financeiramente da arrecadação das bilheterias e de pequenos contratos (apresentações em casamentos e eventos particulares, por exemplo) para manter ativos a orquestra e o coro - formados por 60 instrumentistas, 40 vozes e um maestro, todos voluntários. Mas, são as verbas "extras" que chegam através dos projetos selecionados em editais de fomento à cultura e às artes que permitem o aumento do efetivo e a instrumentalização da orquestra - tanto pela compra quanto pelo restauro e manutenção das peças - e assim garantem as melhorias na qualidade do grupo.

Nos ensaios semanais, cabeças cobertas por bonés e cabelos grisalhos se misturam no foyer do Guarany - local provisório de ensaios desde a interdição do Grande Hotel, para reformas. O grupo é heterogêneo em idades, mas é uníssono sob a regência do maestro ao executar melodias sempre pulsadas pelo esforço de quem é verdadeiramente apaixonado pela música.

A falta de uma ajuda de custo fixa não impede, por exemplo, que muitos que residem em cidades como Porto Alegre, Rio Grande, São Lourenço e Canguçu, freqüentem os ensaios. "Não é sempre que o auxílio financeiro chega, mas mesmo quando não tem eles não deixam de vir", enfatiza Ana Elisa Kratz, presidente da SPMM, que fala ainda de outras carências do grupo: Sem dinheiro até para pagar cópias as partituras precisam ser reproduzidas à mão. O resultado de todo esse empenho ecoa no Theatro Guarany a cada espetáculo.


Estréia

Com um repertório eclético, arrebatador e vibrante, que transita entre os conceitos de "popular" e "erudito", a orquestra filarmônica e o coro da Música pela Música pretendem atingir o público de uma forma "diferente" no novo concerto - e primeiro do ano - marcado para o dia 4 de junho. Participam como convidados os solistas Auildo Munhoz, Ataulfo Martins e Lenisa Menna Barreto. "É um programa atraente, comovente, mobilizador", adjetiva a porta-voz da entidade.

A atração conta com o apoio do Diário Popular e tem patrocínio exclusivo da VIVO, nova parceira da Música pela Música. "A grande maioria das empresas locais não possui políticas de incentivo à cultura, embora as leis existam e haja exemplos de que vale à pena investir nesse setor", critica ela, referindo-se ao fato de que a maior parte dos patrocínios que a SPMM recebe vem de fora da cidade.

Aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura - a Lei Rouanet - o projeto de estruturação administrativa e manutenção artística e financeira da Música pela Música, orçado em 1,6 mi, ainda espera por patrocínio. Detalhe: por se tratar de um projeto ligado à categoria de música erudita, a Lei garante que cem por cento do valor investido seja descontado do Imposto de Renda do contribuinte, seja Pessoa Física ou Jurídica.


Prestigie!

O quê: Concerto da Orquestra Filarmônica e Coro Música pela Música
Quando: Dia 4 de junho (quarta-feira), às 21h
Onde: No Theatro Guarany
Ingressos: À venda a partir de quarta-feira na loja VIVO do Calçadão. Os primeiros 300 antecipados custam R$ 20,00. Os seguintes custarão R$ 30,00. Desconto de 50% para estudantes, maiores de 60 anos e assinantes do Diário Popular.

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 26 de maio de 2008



quarta-feira, 21 de maio de 2008

Freak e Calavera prometem noite "punkada"

A energia da Freak Brotherz e a irreverência da Calavera sobem juntas ao palco, hoje no Bar Hora Extra: De um lado, a experiência de 10 anos de estrada do grupo formado por Solano e Danilo Ferreira, Rodrigo Monteiro, Clovinho Mota e Ricardo Pantanal. De outro, o sangue novo de Mike 69, Humberto, Nilton, Lessandro e Anderson Ramone - grupo com apenas um ano de formação, mas que já está dando o que falar nos cenários da música underground pelotense.

No repertório do show, composições originais e também alguns covers de bandas clássicas influentes como Red Hot Chili Peppers e Rage Against the Machine. À cargo da Calavera fica o tom mais escrachado do movimento punk - um certo tom de sarcasmo e uma boa dose de rebeldia subversiva.



Enquanto isso, a Freak dará lugar a um som "levemente pesado", com destaque para as canções mais conhecidas do CD Dentro da Idéia, primeiro da banda, lançado ano passado, e também algumas novas que estarão no próximo CD, que começa a ser gravado no mês que vem e deve ficar pronto até final deste ano.
Uma das músicas novas que o público vai poder conhecer é Deixo pra trás, que junto com a também inédita Essa espera será apresentada como concorrente no 2º Festival Seiva da Terra, evento paralelo à Fearg/Fecis, marcado para os meses de junho e julho em Rio Grande.

Quem ainda está por fora do repertório antigo da Freak pode entrar no blog da banda e fazer um download free de trilhas como Zuera, Tô afim de batalhar um esquema, Otário, Pisa Fundo e outras. E quem quer ter acesso ao material completo - com direito a encarte - e de quebra dar um incentivo à produção musical local, é só procurar o CD, que continua nas lojas.


Só para quem curte punk rock

O quê: Show da Freak Brotherz e Calavera
Quando: Hoje, pós 23h
Onde: No bar Hora Extra (rua Gonçalves Chaves, 1135)
Ingressos: À venda no Estúdio Pantanal (rua Dom Pedro II, 260), na CD House (Galeria Zabaleta) e com os músicos das bandas. Valor: R$ 5,00.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Arquivo Freak Brotherz / Dornelles | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 21 de maio de 2008


terça-feira, 20 de maio de 2008

A Prata da Casa no IAD

A Galeria de Arte do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas (IAD/UFPel) apresenta a partir de hoje seus mais novos talentos, formados no curso de Artes Visuais no final do ano passado, em duas exposições seqüenciais. A primeira começa hoje e vai até o dia 19 de junho.

Os artistas participantes não são exatamente iniciantes no circuito local de exposições, mas nesta mostra revisitam trabalhos pré-elaborados, repensam conceitos e reapresentam seus projetos sob novas roupagens, agora em um novo estágio de evolução e desenvolvimento.

Para quem está acostumado, por exemplo, a ver os desenhos de Marina Guedes em proporções descomunais, feitos à base de carvão e água em paredes imperfeitas, poderá surpreender-se com a seqüência de rostos diminutos, onde a lizura do papel e o tamanho reduzido multiplicam a precisão do traço e a delicadeza da expressão nas feições femininas.

As ambíguas criações de Carina Neves (quem já não viu por aí as meigas bonequinhas de pano pregadas na parede?) também ganham uma nova versão, dessa vez no emaranhado de fios de cabelo artificiais, embora mantenha o uso e a conceituação dos pregos, duros e pesados em significado.

Vale à pena espiar, também, através do curioso prisma criado por Aline Martins. A cabine de espelhos dá uma nova dimensão à gravura, acentua a relação do corpo do observador com o objeto observado, e garante, literalmente, múltiplos "pontos de vista" sobre a obra.

Outras criações feitas a partir de técnicas de desenho, escultura, pintura, fotografia e stop motion (animação) presentes na mostra, também desafiam a percepção e a sensibilidade os espectadores. A dica para compreendê-las é tentar relacioná-las a uma visão de si mesmo. "Em todos esses trabalhos o corpo é uma referência muito forte", explica a professora responsável, Martha Gofre, analisando as possibilidades interpretativas explícitas e implícitas presentes em cada obra.


Quem participa

Aline Martins, Bruno Barboza, Carina Neves, Cristiane Leite, Ilma Lima, Geovani Gonçalves, Mário Schuster, Marina Guedes, Pauline Treicha, Renata Job e Simone Petrucci.


Extra-classe

Esta será a primeira de duas exposições "gêmeas", das quais fazem parte todos os alunos que concluíram o curso de artes visuais no segundo semestre do ano passado. Na segunda exposição, prevista para o início de junho, outros recém-formados terão a oportunidade de mostrar seus trabalhos. Até o final do ano a galeria já tem seu calendário praticamente lotado, com previsão também de exposições de professores e convidados.

Segundo a professora Martha Gofre, que assumiu a coordenação do espaço no mês passado, a galeria vai manter a política de incentivar a qualificação da produção e ao mesmo tempo conferir destacamento às produções expostas, e não de "marcar lugar" e garantir acesso a trabalhos que ainda não alcançaram certo nível de "consistência e amadurecimento". Para ela, a galeria cumpre o papel didático de oferecer aos artistas iniciantes a possibilidade de mostrar seu trabalho, desde que estes sejam convincentes. "A proposta de uma sala de exposições é diferente da proposta de uma sala de aula. Por isso os expositores devem encarar a galeria não como alunos, mas como artistas".

A professora citou ainda outros espaços alternativos para os jovens talentos, como o recém-instaurado Cuca (Centro Universitário de Cultura e Artes), os corredores do campus e a também recém inaugurada Sala dos Novos, no Malg (Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo).


Prestigie!

O quê: Exposição Artistas Visuais 2008

Onde: Na galeria de Arte do IAD (rua Alberto Rosa, 62)

Quando: Abertura hoje, às 18h. Visitação até o dia 19 de junho, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 19h. Entrada franca.

Agendamento: Grupos e turmas de estudantes podem agendar visitas guiadas no Núcleo de Extensão e Divulgação (NED) pelo telefone 3278-6711.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 20 de maio de 2008

Paradigmas do Corpo

Companhia Municipal de Dança de Caxias do Sul
apresenta nesta quarta-feira duplo espetáculo no Sete de Abril.


O que é o corpo, como ele se relaciona com outros corpos e com tudo mais que há? Como reage e interage com as interferências de elementos externos? As questões acerca da forma e das conseqüências da ação inevitável das mais elementares leis da física intrigam e inspiram a concepção do duplo espetáculo que a Companhia Municipal de Dança de Caxias do Sul traz a Pelotas amanhã.



Entrecorpo e Suspensos pelo Vento dialogam de maneira sutil, através das linguagens contemporâneas da dança, sobre as intervenções do corpo no espaço, provocando, no palco, efeitos visuais que se expressam no contraste de luz e sombra e em silhuetas, movimentos e rítmos. "As duas partes são bem diferentes. Enquanto Entrecorpo é bem mais intimista, Suspensos pelo Vento provoca uma overdose de movimentos ao abordar a relação dos corpos com a gravidade", diz coreógrafa Janaína Jorge, responsável por ensaiar as duas montagens, que juntas têm cerca de uma hora e dez minutos de duração.



Sobre a Companhia

A Companhia Municipal de Dança de Caxias do Sul é a única companhia pública oficial do Rio Grande do Sul. Fundada em 1997, a partir de um projeto de lei, vem experimentando diversas possibilidades de criação artística e diversificando seu repertório através da participação de coreógrafos nacionais e estrangeiros, que compartilham a proposta de alargar o vocabulário da dança contemporânea.

Mesmo em sua breve existência, se comparada às escolas mais tradicionais do País, a Companhia de Dança de Caxias do Sul já possui uma significativa trajetória. Conquistou renome e reconhecimento ao participar de grandes eventos nacionais e internacionais, como o Uni Modern Dance Festival, da Alemanha, o Festival de Danza Nueva, no Peru, o Sesc - Fora do Eixo, em São Paulo e o Porto Alegre em Cena.

Desde novembro do ano passado quem está à frente da Companhia é a coreógrafa pelotense Janaína Jorge, bailarina com formação clássica e moderna, que já soma 17 anos de carreira profissional. Apesar de radicada em Caxias, ela continua desenvolvendo trabalhos paralelos em Pelotas, fazendo parte, por exemplo, do elenco do espetáculo Nau dos Sentimentos.

A expectativa dela é de que a apresentação do grupo da Serra em Pelotas contribua para a valorização dos profissionais da dança na cidade. "Pelotas tem um elenco de bailarinos com muita garra, dedicação e qualidade, que com pouco tempo de ensaio consegue dar conta de um repertório que não é nada fácil. Mas ainda é amador, as pessoas aqui pagam para dançar", diz ela, ressaltando a principal diferença entre o pioneiro grupo caxiense - bancado pelo Poder Público - e os grupos de dança de Pelotas. A bailarina espera que o exemplo bem-sucedido da Companhia de Caxias (que inclusive contribuiu para que o município fosse escolhido, ano passado, como Capital Cultural do Estado pela Revista Aplauso, desbancando Pelotas) sirva de estímulo para o surgimento de iniciativas semelhantes, que incentivem e viabilizem as produções por aqui.

Prestigie!

O quê: Entrecorpo e Suspensos pelo Vento, duplo espetáculo da Cia. Municipal de Dança de Caxias do Sul

Quando: Nesta quarta-feira, às 21h

Onde: No Theatro Sete de Abril

Ingressos: Antecipados à venda na bilheteria do Theatro e no Studio Pilates, na rua Padre Anchieta, 2247

* A vinda deste espetáculo para Pelotas tem o apoio do Restaurante Trem Bão e da Parrillada Mercado del Puerto.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 20 de maio de 2008

E aí? Você acha que Pelotas deveria seguir o exemplo de Caxias do Sul e bancar sua própria companhia de dança?

Até o dia 31 de maio, participe da enquete (na lateral esquerda do blog) e opine sobre este assunto!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Festah!

Atenção!

Dia 21 de maio, véspera de feriado, tem
Festa da Abdução na Quarta Universitária do Rua XV.


Show com Os Comparsas e Bebeto e Banda.
Skol a R$ 2,50 até o final do jogo.
Ingressos comigo! Valor: R$ 6,00

Organização do ATC dos Midiáticos - UCPel 2008/2