quinta-feira, 5 de junho de 2008

Segunda edição do Festival Grindhouse é neste sábado

A pedida deste sábado (07/06) é a segunda edição do festival Grindhouse, evento que reúne diversas bandas do circuito underground pelotense no Galpão do Rock (Rua José do Patrocínio, 8). Ingressos, somente no local, serão vendidos a R$ 6,00.



O festival vai contar com representantes de diversos estilos e vertentes da música underground: do Death Metal, representado pela Postmortem, ao Hard Rock, defendido pela Perfect Scar, passando pelo Gothic e Doom Metal da Vetitum. As bandas clássicas desse nicho musical serão lembradas nas participações especiais da Drunkenstein, fazendo covers de Misfits e da Jardim Elétrico, que sobe ao palco para um tributo ao Black Sabbath.


Programação:

23h - Abertura dos "portões"
23h30 - Sorteio de um MP3 Player

23h45 - Postmortem
00h45 - Drunkenstein
01h45 - Vetitum
02h45 - Jardim Elétrico
03h45 - Perfect Scar

04:45 = Encerramento do Festival com sorteio de mais um MP3 Player e camisetas

Humor e Cultura em Quadrinhos

Revista rio-grandina chega a quarta edição conquistando leitores e colaboradores em vários estados do Brasil.

Em 28 páginas de delírios gráficos, saiu da forma essa semana a quarta edição da revista Idéia. O lançamento oficial será amanhã, no Espaço Cultural Petruzzi, em Rio Grande. Na ocasião ocorre também a 11ª edição do encontro do Grupo de Estudos em Animação da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

A atração musical da noite é o Trio Acústico, formado por Lilian Reckia (voz), Leopa (violão e voz) e Gabriel Gonçalves (percussão). Os três irão apresentar um repertório de pop rock e MPB, garimpado na discografia dos anos 80 e 90.

Editada pelos rio-grandinos Alisson Affonso, Ivonei D´Peraça e Wagner Passos, a revista Idéia é um espaço de desenho experimental, com temática variada e conta, desta vez, com um grande número de colaboradores: ao todo são 11, do Rio Grande do Sul, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minhas Gerais e da Bahia. "A Idéia é feita em formato cooperativado, nas outras vezes tivemos apenas três ou quatro colaboradores, mas agora já tem mais gente engajada", diz Passos, um dos idealizadores do projeto. Como a proposta é manter esse sistema de produção, quem quiser participar pode entrar em contato com a equipe da revista e enviar sugestões ou até o seu próprio material.


De onde vem essa Idéia?

A primeira edição da revista Idéia foi lançada em junho de 2007, para alegria dos fãs e órfãos do Jornal Peixe Frito, que teve quatro edições em 2006 e chegou a ser reconhecido como uma das melhores publicações independentes do País, figurando entre os indicados a Melhor Prozine do HQMix 2007, um dos mais prestigiados eventos do mundo especializados em quadrinhos.

O projeto da revista, idealizado pelo mesmo trio rio-grandino, é mais audacioso - e mais caro - que o jornal, mas a publicação mantém a identidade bem definida nos traços ousados, que marcam a personalidade e o estilo de cada quadrinhista. Um prato cheio para os apaixonados por HQ e por cultura alternativa.


Como adquirir?

A revista Idéia é distribuída em várias partes do Brasil por consignação ou por meio de trocas com produções de outros quadrinhistas, mediadas através do projeto Quarto Mundo.

Também é vendida através do site, com preço de capa igual a R$ 5,00 (o mesmo desde a primeira edição). Quem compra pela Internet ainda ganha de brinde uma caricatura feita por Wagner Passos.


2ª edição da Penitente depende de incentivo

Outra revista em quadrinhos made in Rio Grande que desponta no cenário nacional é a Penitente, protagonizada por um matador de aluguel que depois de morto é condenado a vagar como zumbi e cumprir a penitência de salvar setenta vezes sete vezes o número de inocentes que executou. A primeira edição com histórias do anti-herói, lançada durante a feira do livro da Furg, no Cassino, no início deste ano, já causou certo rebuliço e conquistou boas críticas na mídia especializada em HQ´s. A segunda, está pronta para ir para a gráfica, e de acordo com o criador e editor Lorde Lobo, só depende de patrocínios para cobrir o custo orçado em R$ 1,7 mil para a impressão da tiragem de mil exemplares. "O primeiro número eu banquei sozinho para provar que acreditava no projeto. Agora estou procurando apoio", afirma Lobo.

A revista tem circulação nacional através da distribuidora Comix, e pode ser adquirida também pela Internet, no site ao valor de R$ 4,00. Contatos com o artista pelo telefone (53) 9124-5383.

Lorde Lobo é um dos quadrinhistas que marcou presença extinta revista independente Areia Hostil. O fanzine teve 15 edições que circularam entre os anos de 2001 a 2006, e contava principalmente com colaboradores de Pelotas e Rio Grande. Extra-oficialmente, Lorde Lobo anuncia que este projeto também poderá ser retomado em breve. O site, pelo menos, continua no ar: <http://www.areiahostil.com.br>.


Não perca!
O quê: Festa de lançamento da 4ª edição da revista Idéia e 11° encontro do Grupo de Estudos em Animação da Furg
Quando: Amanhã (sexta-feira), a partir das 20h30
Onde: no Espaço Cultural Petruzzi (Rua Bacelar, 210. Fone 3231-7408)
Atração musical: Trio Acústico
Couvert artístico: R$ 7,50, com direito a um exemplar da Revista Idéia nº 4


Texto: Bianca Zanella | Imagens: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 5 de junho de 2008



quarta-feira, 4 de junho de 2008

Antes da história, um sonho

Analfabeta até os 50 anos, a moradora da colônia Z-3 Laura Matheus - a Dona Laura - emociona-se, aos 71, ao lançar seu primeiro livro.


Uma das personagens mais simbólicas da colônia de pescadores Z-3, segundo distrito de Pelotas, vive hoje a realização de um sonho de infância: Aos 71 anos, a menina que cresceu desenhando letras no ar tem um livro seu publicado. "Foi para isso que vivi a vida inteira", diz, emocionada, Laura Matheus, que autografa exemplares de Barbiele hoje, a partir das 17h30, na Livraria Vanguarda.

Mais do que saber contar histórias, Laura Matheus sabe sonhá-las. Não bastasse o talento para a narrativa, um carisma e um senso de humor impagáveis, a escritora demonstra uma aguçada sensibilidade para transitar com desenvoltura no limiar entre o real e o imaginário.

A trajetória da contista é pontuada por uma enorme força de vontade: Aos oito anos matriculou-se por conta própria em uma escola, mas foi obrigada a trocar os estudos para ajudar a família na colheita de cebolas. As aulas não duraram muito, mas as primeiras lições ficaram para a vida inteira: com quase 50 anos, a "teimosa" - como ela mesma se intitula - e praticamente autodidata, retomou seu sonho literário. "Eu acho até que escrevo muita bobagem", brinca a escritora, com franca humildade.

Durante muito tempo, seus textos rabiscados em folhas de papel avulsas ou no velho caderno de registros do Porto de Rio Grande (sua maior relíquia) ficaram guardados em um baú, quase nunca aberto principalmente depois da morte de seu marido, que era pescador e grande incentivador de seu trabalho. Alguns contos chegaram a ser publicados em colunas do jornal O Pescador, que circula na comunidade, e nas coletâneas Tarde demais para não Publicar, decorrente de uma oficina literária organizada pela escritora Hilda Simões Lopes, e Literatura Marginal: Talentos da Escrita Periférica (ed. Agir, 2005), organizada por Ferréz. Foram estas antologias que permitiram a uma editora paulistana redescobrir este pequeno tesouro literário, que pela primeira vez ganha as páginas de um livro somente seu.

Garimpos
Barbiele é um dos dois títulos que inauguram a editora Luzes no Asfalto, selo recém criado por Marcelo Vessoni, que pretende mesclar publicações de autores renomados a outros anônimos no mundo das letras. "O meu propósito é lançar autores que indiquem caminhos de elevação de consciência aos leitores. Vi em Laura Matheus, um olhar extremamente generoso, angelical com o real", afirma Vessoni, que considera os escritos da autora verdadeiras lições de vida. "Tive a sensação que os personagens de seu livro (inclusive ela, no conto autobiográfico "Teimosa") esperam por uma nova forma de vida, mais evoluída espiritualmente", analisa.




Barbiele
Nos onze contos compilados em Barbiele, a realidade de personagens anônimos é exposta de maneira muito peculiar, com uma linguagem que se alterna entre a fala coloquial e regional e várias pinceladas líricas e, em quatro dos textos, com um toque sobrenatural. Na narrativa que dá título ao livro, uma criança rica, mimada e malvada é levada por um ser que diz ser uma estrela (e aparece na forma da menina Barbiele) a viver num ambiente social totalmente oposto ao seu para se transformar numa pessoa melhor.


Para voltar a escrever

Foi com um certo "friozinho na barriga" que Dona Laura, como é conhecida na comunidade, acompanhou todo o processo de edição do livro e é com grande expectativa que ela participa do lançamento hoje.

Se antes era a necessidade de trabalhar que a impedia de estudar e escrever, agora são os olhos que a traem. Há algum tempo, a visão comprometida a obrigou a deixar de lado, novamente, a vocação de escritora. Agora, ela acredita que será justamente o resultado de sua obra, com o lançamento de Barbiele, que irá lhe proporcionar a alegria de enxergar novamente, e voltar a escrever: com a venda do livro, Dona Laura espera poder arcar com os custos de uma cirurgia de catarata.


Prestigie!
O quê: Lançamento do livro Barbiele, de Laura Matheus
Quando: Hoje, das 17h às 20h30
Onde: na Livraria Vanguarda (Rua Gonçalves Chaves, entre Dom Pedro II e 3 de Maio)
Preço do livro: R$ 15,00
Consulte também: www.luzesnoasfalto.com.br


Links relacionados:
Resenhas
Vagão do Humor

Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação / Satolep Press | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de junho de 2008


Hoje a noite é de orquestra no Guarany

A música vai atingir você e quem mais estiver na platéia do Theatro Guarany hoje à noite. Jovens, adultos, velhos, crianças... qualquer um que se deixar levar pela emoção e pela vibração rítmica dos 140 instrumentistas e das 60 vozes que fazem parte da orquestra e do coro da Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM).

No concerto, um repertório que passeia por partituras do período clássico, romântico e contemporâneo. Entre Mozart, Bizet, Rossini, Strauss e Haendel, Puccini e Gounod, melodias que apesar de "eruditas", até parecem populares de tão conhecidas. Prova, mais do que viva de que, ainda que no palco, a música instrumental não está distante de um público cada vez mais heterogêneo e menos elitista.

A expectativa é de um grande espetáculo musical, com platéia e camarotes lotados: os primeiros 300 ingressos, distribuídos a um preço mais barato, foram esgotados ainda no primeiro dia de vendas.

A noite também marca no palco uma das mais recentes conquistas da SPMM: a seleção no edital da Fundação Nacional das Artes (Funarte), que proporcionou a compra de seis novos instrumentos. O bombo sinfônico, a tuba, a trompa, a flauta pícolo, o contrabaixo e um novo par de pratos - instrumentos que, com exceção da trompa, a orquestra ainda não possuía - estarão hoje pela primeira vez incrementando a diversidade sonora do rico conjunto musical, sob a regência do maestro Sérgio Sisto.

Qualidade surpreende

"Esta é a minha primeira experiência com uma orquestra deste tamanho, e provavelmente será única", diz a soprano Giovana Sartori, uma das solistas do quarteto composto também pelo tenor Auildo Munhoz, pelo barítono Ataulfo Martins e pelo flautista Lucian Krolow. A paranaense, radicada em Caxias do Sul, soma três anos de experiência e estudos de música na Itália, e diz ter ficado surpresa com a qualidade que encontrou na orquestra e no coro da SPMM. "O que me surpreendeu mais foi o esforço deles, por serem voluntários, e por conseguirem, mesmo com poucos ensaios, executar muito bem peças que apresentam alto grau de dificuldade."


Prestigie!

O quê: Concerto da Orquestra Filarmônica e Coro da Sociedade Pelotense Música pela Música
Quando: Hoje, às 21h
Onde: No Theatro Guarany
Ingressos: Antecipados à venda somente na loja Vivo do Calçadão à R$ 30,00. Estudantes, professores, maiores de 60 anos e assinantes do Diário Popular têm 50% de desconto.

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 4 de junho de 2008


terça-feira, 3 de junho de 2008

OPTC - Tholl comemora 20 anos no palco do Guarany

Grupo Tholl volta a Pelotas com o espetáculo que o consagrou, e traz também a estréia de Exotique.

Exótico em português. Exotique em francês. Do latim, exoticu e do grego, exotikós. "Para nós, nada mais do que um 'estrangeiro das épocas', diz João Bachilli, diretor do grupo Tholl sobre a nova produção, com estréia marcada para o final deste mês em Pelotas. A performance será seguida pela reapresentação de Tholl, Imagem e Sonho, em uma noite que marcará a comemoração do vigésimo aniversário da extinta Oficina Permanente de Técnicas Circenses (OPTC), que deu origem ao grupo.

Com muitas acrobacias e vários elementos surpresa, Exotique promete surpreender mais uma vez o público, depois do aclamado Imagem e Sonho. O pocket show será mais uma experiência intensa e cheia de energia: em apenas 15 minutos faz uma passagem por várias épocas e estilos da humanidade, a começar por seus figurinos, inspirados em períodos diversos, com toques de modernidade. "Em todas as épocas houve pessoas, estilos, situações e outras incontáveis formas de manifestações exóticas", afirma Bachilli.

A performance, que conta com um elenco de 11 artistas do Núcleo de Animadores do grupo, foi elaborada a partir da cobrança de clientes que não tinham estrutura suficiente para receber uma superprodução do porte de Tholl. "Nessas situações nós apresentávamos cenas avulsas do espetáculo, mas nunca é a mesma coisa que apresentar o espetáculo todo", diz o diretor. De acordo com ele, Exotique transmite idéias de equilíbrio, força, trabalho em equipe e paciência, e é ideal para ser apresentado a públicos adultos, especialmente em eventos como congressos, convenções, seminários ou reuniões empresariais. "Este é um trabalho voltado para a forma, para a morfologia da palavra. Por isso, tudo tem muito excesso, tudo é muito singular, admirável".


Kaiumá tem estréia prevista para novembro

15 de novembro é a data prevista para a estréia do novo grande espetáculo da trupe, intitulado Kaiumá, a Fronteira. Segundo Bachilli, a data anunciada só será transferida caso a montagem não fique pronta à tempo, devido às constantes viagens do elenco em apresentações do carro-chefe da trupe, o espetáculo Tholl, Imagem e Sonho. "Não abro mão de estrear esse espetáculo com tudo aquilo que eu idealizei, e não vamos apresentá-lo antes dele ficar pronto apenas para ceder as cobranças do público".

Neste sábado e domingo, é a vez de platéias de Novo Hamburgo e Farroupilha assistirem ao espetáculo Tholl. As apresentações fazem parte da turnê promovida através dos projetos Arte Sesc e Sesc - Cultura por toda parte, do Serviço Social do Comércio.


Expectativa:
O quê: Tholl Imagem e Sonho e Exotique
Onde: no Theatro Guarany
Quando: dia 26 de junho, às 21h
Ingressos: Ainda não estão à venda. Preço anunciado: R$ 15,00

Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 3 de junho de 2008



Mapp comemora 8º aniversário com exposição coletiva


Há oito anos atuante, o Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas realiza no mês de seu aniversário a mostra coletiva Pratos e Potes. As 62 obras, dos 38 artistas inscritos ficam expostas nos corredores do segundo andar do Shopping Zona Norte até o dia 30 de junho.

"Desta vez optamos por fugir do tema livre na exposição de aniversário, para instigar os participantes a criarem coisas novas, diferentes, e assim evitar obras repetitivas", diz a presidente do Mapp, Gabriela Leiria. Nos trabalhos feitos em desenho, pintura, escultura, cerâmica, porcelana, madeira e vidro, a temática pratos e potes aparece sob diferentes aspectos variando entre os extremos, do figurativo ao abstrato. A diversidade plástica presente na mostra é a prova de que, partindo de uma mesma forma (modelo) é possível criar diferentes formas e expressões por meio da interferência da personalidade e do estilo de cada artista. A exposição conta com o apoio das lojas Balaio de Gato e Quebra Galho.


Oito anos de Movimento

Há dois anos à frente do Mapp, Gabriela Leiria avalia positivamente a atuação do grupo no cenário das artes em Pelotas. "A prova do reconhecimento e da capacidade de mobilização do Mapp é que a cada ano o nível dos trabalhos vem melhorando em termos de qualidade, e o grupo não pára de crescer". A associação conta hoje com cerca de 400 inscritos, sendo que pelo menos a metade é permanentemente atuante.

No Shopping Zona Norte, estão instalados há sete anos, além da sede do Mapp, cerca de 30 ateliês. "Hoje esse espaço é o que é pela movimentação que promovemos aqui", diz a porta-voz da instituição.


Prestigie!

O quê: Pratos e Potes, mostra coletiva do MAPP
Onde: No Shopping Zona Norte (Avenida Fernando Osório, 20)
Quando: Visitação até 30 de junho, de segunda à sexta-feira, das 9h às 18, e aos sábados das 9h às 13h. Entrada franca.
Contato com o MAPP: 3227-5914

Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 3 de junho de 2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Teatro de Guerrilha

Ideologicamente questionador e emocionalmente impactante, Jogo Bruto: Deserto de Solidão estréia nesta sexta-feira no Theatro Sete de Abril. A montagem do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) documenta por meio da linguagem cênica as agruras do conflito protagonizado pela guerrilha, pelo governo colombiano e pelas lideranças políticas internacionais.

Com adaptação e direção de Adriano de Moraes, a peça é inspirada nas cartas de Ingrid Betancourt, divulgadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como prova de vida da refém e publicadas no livro "Cartas à mãe - direto do inferno" (Editora Agir, 2008). A senadora e ex-candidata à presidência da Colômbia, em poder das Farc desde 2002, acabou virando peça-chave no jogo de xadrez permanentemente tenso.

Se tocar nesse assunto, para muitos, não é considerado "politicamente correto", ao menos o texto é diplomático: No jogo de poderes, opostos e palavras, cada uma das lideranças, em determinado momento, rouba a cena e assume a voz do espetáculo. Afinal, em que outro cenário, senão o das artes, poderiam contracenar e negociar - de igual para igual - George W. Bush, Nicolas Sarkozy, Hugo Chávez, as Farc e o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe? "A peça é panfletária, mas tem panfletos de todos os lados. Vamos provocar na cena teatral um diálogo entre partes que na cena política não dialogam", diz Adriano, que teve o desafio de incluir em um mesmo roteiro discursos tão distintos.


Enquanto isso, na vida real...

O futuro da ativista colombiana Ingrid Betancourt continua incerto, mas um novo episódio fez crescer a esperança de libertação dela e de outros reféns: A morte do líder guerrilheiro Manuel Marulanda, conhecido como "Tirofijo" (Tiro-certo), anunciada na semana passada, representa para alguns analistas uma mudança estratégica das Farc para uma posição mais amena, e para outros o início de um enfraquecimento gradual da guerrilha.

O certo é que os rumos do caso dependem agora de Alfonso Cano, nomeado novo líder das Farc. A expectativa é que ele assuma uma postura menos resistente em relação às pressões internacionais e do próprio governo colombiano, e acabe cedendo à troca dos reféns por guerrilheiros que são prisioneiros do Estado.


Gritos e Silêncios

Neste conflito com várias frentes de batalha, as estratégias são muitas: Enquanto no campo físico a guerrilha se camufla na selva, na mídia e nos bastidores da alta cúpula política internacional a mesma guerra é camuflada por trás da diplomacia.

Em meio ao fogo cruzado, na queda de braço disputada por muitas mãos, está em jogo o destino de cerca de 750 homens e mulheres, guerrilheiros e reféns, todos prisioneiros da mesma selva. Por isso, mais que um relato pessoal, um discurso político ou uma ardente declaração de amor, as cartas de Ingrid Betancourt são o registro dramático da história latino-americana.

Na visão desconstruída da linguagem cênica, esse retrato verídico e cruel é personificado em duas Ingrids, dois aspectos da mesma personagem com sutis relações, interpretados simultaneamente em cenas quase que distintas. Uma delas é a que afirma que a “morte parece ser uma opção doce” diante do desgaste físico e emocional de mais de cinco anos de cativeiro. A outra é a imagem da resistência, a que não aparece, a que segue percorrendo seu longo caminho de luta. Curiosamente, nenhuma das figuras se refere diretamente Betancourt como mártir. Mesmo no palco, ambas as Ingrids são humanas.

Tão fortes quanto a dupla presença da protagonista, guerrilheiros e as figuras maternas, criam na lacuna entre o primeiro e o segundo plano do palco uma dinâmica entre dois pólos dramáticos, alternando na arquitetura das cenas momentos de absoluto tédio - a espera - e outros extremamente enérgicos. “No início é difícil entrar na personagem, mas chega um momento em que o próprio corpo grita e ela passa a falar por si”, afirma Fátima Zanetti, que divide o papel de Ingrid com Stael Gibbon.


Claro e Escuro

Elaborada em praticamente dois meses de ensaios intensivos, Jogo Bruto: Deserto e Solidão viaja em breve para Brasília, onde será encenada a convite de um assessor do Ministério da Educação, que sugeriu ao Núcleo que fizesse a montagem de um espetáculo com esse texto durante a primeira edição do Festival de Teatro Universitário de Pelotas, realizado em março.

Para retratar a situação-limite da selva, o elenco vale-se das técnicas de expressão, mas também da tecnologia. “Vamos aproveitar a oportunidade proporcionada pelo incentivo do Ministério para uma experimentação estética diferente, com uma tecnologia que, por ser cara, não podemos utilizar com mais freqüência”, diz o diretor.

Trinta feixes de luz de alto grau de precisão, chamados elipsoidais, irão provocar o contraste acentuado entre os locais iluminados e a penumbra do palco, desafiando a capacidade de observação do público. Fora isso, nada mais que uma cadeira e uma escada. De resto, o cenário é pura emoção.


Quem faz parte do elenco:

Stael Gibbon e Fátima Zanetti Portelinha (como Ingrid Betancourt); Alexandro Ayres, Leonardo Dias e Inácio Schardosin (como guerrilheiros); Ana Alice Muller e Neusa Maria Kuhn (como mães), todos alunos do curso de Licenciatura em Teatro da UFPel.


Confira

O quê: Espetáculo-documento Jogo Bruto: Deserto de Solidão

Quando: Sexta-feira, às 21h

Onde: No Theatro Sete de Abril

Ingressos: Antecipados à venda na bilheteria do Theatro e com os integrantes do elenco à R$ 5,00. Artistas, estudantes, professores e idosos têm 50% de desconto.


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 29 de maio de 2008