terça-feira, 17 de junho de 2008

Autor pelotense lança livro sobre a homossexualidade

O pesquisador espiritualista Gilberto Cabana lança hoje o livro Homossexualidade - Espírito e Matéria, no qual faz uma abordagem do tema com base nas filosofias transcendentais das leis de causa e efeito.

A idéia de estudar o assunto surgiu quando Cabana assistia na TV a uma entrevista com o estilista Clodovil, em que ele dizia que, quando morresse, iria perguntar a Deus por que havia nascido gay. A resposta a esta pergunta que é feita por muitas pessoas - homossexuais ou não -, segundo o autor, está relacionada ao espírito. "Trata-se de uma necessidade de aprendizado para a evolução da personalidade em seu aspecto afetivo e sexual", defende, embasado em teorias de evolução espíritas e em teorias da linha freudiana da psicologia. Mas ele esclarece: isso não significa que homossexuais sejam menos evoluídos que os heterossexuais, ou vice-versa. "A personalidade tem várias colunas e não é possível evoluir em todas elas ao mesmo tempo, no mesmo rítmo. Existem muitos heterossexuais mau-caráter, por exemplo".

Cabana, que também é autor do livro A Lógica da Vida, lançado em 2001, traz em Homossexualidade, além das suas possíveis causas, uma análise comportamental, política e social do tema, ao abordar, por exemplo, questões como o casamento gay, adoção e discriminação. "Este livro se propõe a servir de orientação a todas as pessoas sobre como lidar com o homossexualismo", afirma.


Convite
O autor convida para o lançamento do livro nesta terça-feira, a partir das 19h30 na Associação CTMR (rua Santa Tecla, 253). Homossexualidade - Espírito e Matéria já está à venda, à R$ 20,00, na livraria Vanguarda.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Solos de piano no Conservatório

O gaúcho Ney Fialkow e a coreana Sin Ae Lee realizam concertos esta semana.

Antecipando as comemorações do nonagésimo aniversário do Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) - que ocorre em setembro deste ano - a série Artistas Convidados tem dois recitais programados para esta quarta e quinta-feira.

O primeiro deles será apresentado por Ney Fialkow, músico natural de São Leopoldo que acumula importantes prêmios do cenário musical erudito, destacando-se entre eles o cobiçado título de melhor pianista da sétima edição do Prêmio Eldorado de Música - considerado o mais importante desse segmento no Brasil. Sua vinda a Pelotas tem o apoio do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte e faz parte do calendário do Sesc Música.

De acordo com a professora Joana Holanda, responsável pela agenda dos concertos, "esta série está privilegiando músicos que tenham alguma relação estreita com o Conservatório", como é o caso de Fialkow, que já esteve no salão Milton de Lemos em outras ocasiões. "É um prazer tocar mais uma vez no Conservatório de Pelotas, um marco na história da música no Rio Grande do Sul e também um celeiro de talentos", elogia.

Para Sin Ae Lee, no entanto, esta será a primeira apresentação em palco pelotense. O mais perto que já esteve daqui foi quando se apresentou no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, dois anos atrás. "Nesses casos, o que mais pesa é a qualidade do trabalho e a trajetória do artista", diz Joana Holanda, que aponta no currículo da coreana vários bons motivos para que ela esteja entre a lista de nomes da programação.

Bacharel em música com habilitação em piano, a solista e camerista vem desenvolvendo uma promissora carreira apresentando-se regularmente em reconhecidas séries da capital paulista.

Preferências

No programa de seu recital, Lee pretende oferecer aos ouvintes um panorama da música do século 18 ao século 20, do barroco de Bach ao vanguardismo de Poulenc passando pelo romantismo de Liszt e pelo modernismo de Villa Lobos. "Pretendo mostrar um pouco do que essencial da música. Além disso, como estrangeira, me sinto quase na obrigação de tocar música brasileira, já que os próprios brasileiros não a conhecem muito".

O repertório de Fialkow, por sua vez, inclui obras de Schubert, Ravel e Chopin, e também tem peças brasileiras, representadas pelo nome de Carmargo Guarnieri. "Escolhi estes compositores porque cada um tem um jeito diferente de encarar o piano, tem uma linguagem própria do instrumento", diz ele, que acredita que tanto pelas diferenças quanto pelas semelhanças entre as obras, a seleção irá sensibilizar o público. "Não importa se o ouvinte for leigo, a arte é óbvia para qualquer pessoa", afirma.


Recitais de Piano Solo no Conservatório:
Quarta-feira (18), às 20h - Recital de Ney Fialkow
Quinta-feira (19), às 19h30 - Recital de Sin Ae Lee

* Ambos os eventos têm entrada franca.
** O Conservatório de Música da UFPel fica na rua Félix da Cunha, 651.


Master Class

Para estudantes de música interessados em aperfeiçoar-se na técnica musical em piano, Ney Fialkow ministra aula prática na quinta-feira, dia 19, das 9h ao meio-dia, também no Conservatório de Música. A aula é aberta ao público (apenas como ouvinte) e tem entrada franca. Mais informações pelo telefone 3222-2562.

Texto: Bianca Zanella | Foto: Daniela Nelstein (1) / Divulgação (2) | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 16 de junho de 2008

* Este post contém trechos publicados exclusivamente no blog, que não aparecem na edição impressa.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Tertúlias Musicais apresenta Marcos Kröning Corrêa

Agenda do músico e professor de Santa Maria em Pelotas inclui dois eventos no Conservatório de Música da UFPel.

Clássica sim, desatualizada não. A música erudita não está condenada a morrer nas prateleiras dos sebos e, muito menos, a ficar limitada ao âmbito acadêmico. Ao contrário, assim como a música pop, ela também invade o mercado digital. "Mais pessoas não apreciam esse tipo de música apenas porque nós, músicos, não conseguimos alcançá-las ainda", diz o violonista e professor universitário Marcos Kröning Corrêa, bacharel em violão e mestre em educação musical pela UFRGS que profere, neste sábado, uma aula sobre produção musical no Conservatório da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Antes, no início da noite de sexta-feira, ele estará no mesmo auditório, mas, desta vez para se apresentar como músico, no lançamento do CD Violões. O concerto faz parte da programação do projeto de extensão Tertúlias Musicais, da UFPel, realizado quinzenalmente desde abril do ano passado, sempre nas seguntas e nas quartas sextas-feiras de cada mês. "Temos um público já cativo, e bastante heterogêneo", diz o professor Marcelo Cazarré, coordenador do projeto que tem por objetivo, além da formação musical dos acadêmicos participantes, a formação de platéias para esse tipo de espetáculo.



Violões

Com influências da técnica musical clássica e também da música instrumental brasileira, o CD Violões resume em seis e sete cordas, e cordas de aço o que Kröning Corrêa chama de "música brasileira clássica-contemporânea". "O repertório tem músicas com muitas imagens", diz o compositor, fazendo uma analogia às possíveis associações com outras linguagens artísticas como o teatro e o cinema, e sobre as possibilidades de reconhecimento e identificação com a música. "Quanto mais particular a música é, mais universal ela parece ser", afirma.

O trabalho solo e inteiramente autoral é o segundo álbum lançado pelo violonista, e assim como o disco de estréia, intitulado A Caminho do Meio, Violões foi produzido por ele de forma independente.


A música clássica em tempos de "www"


Enquanto produtor musical, Kröning acredita que ainda vai demorar algum tempo para que os Cd´s virem, de vez, peça de museu. "Durante muito tempo o Lp e a fita K-7 conviveram no mercado", lembra ele ao argumentar que ainda hoje, especialmente no seleto meio da música clássica, o Lp ainda mantém seu espaço ao lado dos Cd´s, e este divide lugar com a música em formato digital. Isso porque, os músicos da linha clássica mantém o hábito de consumir esses produtos, em diferentes mídias. "Essa é uma característica do público da minha geração, com 30 e poucos, quarenta anos. Eu tenho um Lp de piano e ainda escuto ele até hoje porque gosto de ouvir o som do disco, e também gosto do encarte maior, mas comprei o mesmo álbum em Cd e também baixei as músicas em mp3", exemplifica. Ele ainda defende que o lançamento do álbum na forma física serve de suporte para um trabalho de difusão consistente no meio digital. "Se o CD for bem trabalhado e interessante, na Internet fica melhor ainda. Mas se for para fazer um CD pensando só em baratear custos, com um encarte de poucos atrativos, melhor então só lançar em formato digital."

Em sua opinião, o músico deve dominar os processos de produção de um CD para saber se colocar no mercado e se inserir em um roteiro mais amplo que o restrito circuito universitário, mas não necessariamente no mercado de massa. "Depois de criar, tocar, gravar e interpretar é preciso saber o que se vai fazer com tudo isso para evitar que o trabalho morra ali na esquina".


Lojas virtuais

O site de Marcos Corrêa ainda não está no ar, mas a previsão é de que seja lançado até o mês de setembro deste ano. O domínio, já registrado, é www.kroningcorrea.com.br. Enquanto isso, ele recomenda os seguintes sites especializados em música clássica, que além de disponibilizarem seus Cd´s para venda, ainda oferecem um amplo acervo, inclusive de raridades da música erudita:

www.lojaclassicos.com.br
www.nossamusica.com
www.cdpoint.com.br


Agende-se:

O quê:
19ª edição do projeto Tertúlias Musicais, com apresentação de Marcos Corrêa e lançamento do CD Violões
Quando: Amanhã (sexta-feira) às 19h
Onde: No Salão Milton de Lemos do Conservatório de Música da UFPel (Félix da Cunha, 651).
Entrada franca.


Para quem quer saber mais sobre produção musical:

O quê:
Classe com Marco Kröning Corrêa (UFSM) - Criação e CDs: Produzindo Aprendizagens
Quando: Sábado (14), das 10h às 11h45
Onde: No Conservatório de Música da UFPel (Félix da Cunha, 651)
Valor: R$ 15,00 (inclui um CD "Violões", autografado)
Inscrições: Na secretaria do Conservatório de Música, até amanhã, das 14h às 18h. Mais informações pelo telefone 3222-2562.

Texto: Bianca Zanella | Foto: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 12 de junho de 2008

* Este post contém trechos publicados exclusivamente no blog, que não aparecem na edição impressa.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A arte das ruas sobe ao palco, hoje em Rio Grande

Trio Los Latinos, de Pelotas, se apresenta pela primeira vez em um teatro para o público da cidade vizinha.

Presença tradicional do largo Doutor Pio, defronte a catedral rio-grandina, onde se apresenta sempre nos dez primeiros dias de cada mês, e também dos calçadões de Pelotas e de outras cidades da região, o Trio Los Latinos estará hoje, pela primeira vez, no Teatro Avenida.

Representantes legítimos da rica e peculiar arte feita nas ruas, o violonista uruguaio Gabriel Della´s, seu filho e percussionista Príncipe Nicolai e sua esposa, a cantora pelotense Léia Francia sentem-se à vontade também nos teatros, onde são capazes de preencher os palcos com a mesma desenvoltura carismática que no calçadão costuma fazer o público de transeuntes parar.

Com a sensibilidade e o romantismo - porque não dizer saudosista - de boleros, mambos, rumbas, tangos e outras bossas, o trio que enfeita o vai e vem dos passantes, emociona platéias, e agrada ouvintes apreciadores de um estilo musical sofisticado e ao mesmo tempo popular, em grande parte, graças à contribuição dada por eles de levar a música e a cultura latina de forma indistinta a todas as partes, permitindo o acesso de mais e mais pessoas.

"Hoje vamos apresentar o melhor do nosso repertório", afirma o músico Gabriel Della´s sobre o show que trará músicas selecionadas entre as faixas dos dois DVD´s do Trio. O mais recente foi gravado no início do mês de maio no Theatro Sete de Abril e deve começar a ser comercializado nas próximas semanas de forma independente.

Na apresentação de hoje em Rio Grande, acompanham o Trio o tecladista rio-grandino Sandro Barcellos e o grupo de sete bailarinos da Companhia Los Latinos, que tradicionalmente participa das apresentações "de palco" do conjunto. "Será uma grande festa, um encontro emocionante", garante Gabriel, que promete também algumas surpresas, e participações de convidados especiais.


Prestigie!

O quê:
Show do Trio Los Latinos
Quando: Hoje, às 20h30
Onde: No Teatro "Avenida" (Teatro Municipal de Rio Grande)
Ingressos: Já à venda na bilheteria do teatro. Antecipados custam R$ 10,00 para o público em geral. Na hora serão vendidos a R$ 20,00 (inteira), com desconto de 50% para estudantes, docentes e idosos.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 11 de junho de 2008

terça-feira, 10 de junho de 2008

Nei Lisboa em dose dupla

O cantor, compositor e cronista fará duas apresentações em Pelotas, nesta sexta e sábado, divulgando também seu trabalho como escritor, com o livro É Foch!.

Duas aparições, dois shows, duas propostas diferenciadas. Nei Lisboa volta a Pelotas neste final de semana para um reencontro com fãs e com temas do passado.

Antecipando o clima de comemoração dupla que maracará o ano de 2009 - quando completa 50 anos de idade e 30 de carreira - o músico sobe ao palco do Sete de Abril na noite de sexta-feira para revisitar o repertório de várias fases musicais, incluindo as releituras de Caetano Veloso e da banda inglesa Oasis, registradas no seu mais recente álbum Translucidação, de 2006.


O show semi-acústico faz parte da turnê realizada através do projeto Arte Sesc - Cultura por toda parte, que tem no roteiro várias cidades do interior do Estado, além de Porto Alegre. "Já estou nesse clima de retrospectiva", diz ele, que pretende lançar um DVD comemorativo para marcar as "datas redondas" no ano que vem.

No sábado, Nei Lisboa - que se diz um visitante na área da literatura - se reveza nos papéis de músico e escritor. No happy hour do bar e restaurante Autêntico, irá autografar exemplares de É Foch! (L&PM, 2007). O livro, lançado no final do ano passado, traz uma coletânea de crônicas publicadas em jornais do Rio Grande do Sul entre os anos 2000 e 2006. "Não me assumo como escritor porque escrever pra mim é um hobby. Não quero me ver obrigado a também cumprir esse papel", diz o autor, que não tem a pretensão de lançar outros livros, assim como não tinha quando escreveu o romance Um morto pula a janela (Sulina, 1999), aventurando-se pela primeira vez no mercado literário. "Isso pode muito bem terminar aqui", afirma, sobre sua reduzida, porém bem comentada, carreira literária. Como estamos falando de Nei Lisboa, entretanto, isso bem que pode significar um "talvez"...

Na seqüência da sessão de autógrafos, Lisboa reassume seu "lado oficial", de músico, em um show acústico, formato pocket, aberto a improvisos e sem repertório marcado, onde garante: "estarei mais suscetível a atender pedidos do público".


Agende-se!

Espetáculo musical Translucidação: Nesta sexta-feira (13), às 20h, no Theatro Sete de Abril. Ingressos antecipados já à venda no Sesc (Gonçalves Chaves, 914), das 8h às 19h30.
Os valores são R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 para comerciários, estudantes, professores e idosos.


Confira também:
Lançamento do livro É Foch!: Sábado (14), às 19h, no Autêntico Bar e Restaurante (Osório, 1068). Após a sessão de autógrafos, a partir das 21h, pocket show com o músico e escritor, e para encerrar a noite apresentação do grupo de choro Reminiscências. Reservas de mesas pelo telefone 3227-9812, 8115-9397 ou 8407-1710.

Será cobrado couvert artístico por mesa (R$ 30,00 para duas pessoas) ou ingresso individual em pé (R$ 12,00). O livro será vendido à R$ 15,00 (nas livrarias custa R$ 19,90).


Texto: Bianca Zanella | Foto: René Cabrales / Especial DP | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 4 | Publicado em: Pelotas,Terça-feira, 10 de junho de 2008

Tubo de ensaio: Arte para além da inspiração

Mostra coletiva reúne 17 jovens artistas em uma experiência prática no mercado das artes contemporâneas.

As salas Inah D'Ávila Costa e Antônio Caringi recebem este mês a terceira edição da mostra Arte = Profissão????, que reúne trabalhos de 17 alunos do sétimo semestre do curso de Artes Visuais do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas (IAD / UFPel).

Nesta exposição, a galeria de arte vira laboratório para atividades que fazem parte do trabalho do artista, mas que se expandem para além dos ateliês: o objetivo, é provocar a discussão sobre a arte enquanto profissão, e proporcionar experiências práticas para os alunos que logo, logo estarão no mercado de trabalho e precisam saber não apenas fazer arte, mas também fazer seu produto alcançar visibilidade e reconhecimento junto ao público. O lado profissional requer menos inspiração e mais articulação, e por isso mesmo desafia artistas a aliar a subjetividade da criação à objetividade das práticas cotidianas de trabalho, exigidas em qualquer ofício.

"O artista tem a função de colocar o público a pensar o mundo de outra forma. De certo modo, ele corrompe a forma natural das coisas", diz a curadora da exposição Carolina Rochefort, professora de Práticas Profissionais. "Apesar disso, ele também precisa saber se colocar no circuito de arte, deve ter noções de produção, precisa saber organizar, montar exposições", diz ela, que valoriza esse tipo de experiência para ensinar, na prática, técnicas mercadológicas.

Mesmo com todas essas exigências objetivas, os alunos demonstram através dos trabalhos que não perdem o diferencial de apresentar os objetos e as formas de forma inusitada. Até porque, quando se trata de arte contemporânea vale tudo - sapatos, edredons, travesseiros -, e tudo vira arte quando passa pelas mãos e pela cabeça desses entusiasmados criadores.


Um mercado em construção

Diante dos novos artistas, quase profissionais, o mercado se impõe cheio de interrogações. Para quem segue a linha das artes contemporâneas, ao menos em Pelotas, este é um espaço a ser descoberto, ou melhor dizendo, construído. A falta de espaços adaptados às novas linguagens e expressões artísticas é uma queixa constante, já que inexistem locais de exposições com estruturas adequadas para as obras que freqüentemente estrapolam os limites de espaço das clássicas molduras, painéis ou pedestais. O lado positivo disso é que a dificuldade faz aflorar ainda mais a criatividade, alimenta o improviso e faz surgir, ainda que aos poucos, espaços alternativos, que caminham às margens das galerias de arte convencionais.

Uma outra reclamação recorrente diz respeito à supervalorização de certos tipos de arte em detrimento de outros. "Aqui tudo é patrimônio", queixa-se uma das estudantes. "Quem, como nós, pretende seguir estudando e produzindo nessa linha mais poética e contemporânea, não tem outra escolha a não ser sair daqui para tentar um mestrado em Porto Alegre, por exemplo", argumenta outra.

Apesar disso, eles não se mostram totalmente desiludidos com o mercado das artes pelotenses. "Tem muitos artistas fazendo bons trabalhos aqui, até porque, hoje em dia, virtualmente o artista pode estar em qualquer lugar", afirma a professora, sintetizando as respostas dos alunos.


Novos talentos

Fazem parte da mostra criações dos estudantes/artistas Alice Porto, Ana Batista, Carine Castro, Carol Carpena, Cristina Noguez, Daiana Dellagostin, Francine Amaral, Hermes Júnior, Iná Grabin, João Genaro, Rafael Takaki, Renata Tubino, Ricardo Garlet, Roberta Dachery, Sabrina Harter, Thiele Cavada e Tina Ramm. Outra exposição coletiva com trabalhos deste grupo de artistas já está marcada no Centro de Universitário de Cultura e Artes (CUCA), com previsão de ser inaugurada no dia 20 deste mês.


Prestigie!

O quê:
Exposição Arte = Profissão???? Volume 3
Quando: Até o dia 27 de junho, aberta à visitação de segunda à sexta-feira, das 13h às 18h.
Onde: nas salas Inah D'Ávila Costa e Antônio Caringi, ambas localizadas no Centro Cultural Adail Bento Costa, sede da Secult, no casarão 2 da Praça Coronel Pedro Osório.
Entrada franca.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas,Terça-feira, 10 de junho de 2008


Grupo Buriti: há seis anos, uma parte do Movimento Escoteiro em Balsas

Em 30 de maio de 2002, 12 jovens de camisa azul prometeram, diante da Bandeira Nacional, fazer o melhor possível para cumprir os seus deveres para com Deus e a Pátria. Prometeram também ajudar o próximo e fazer todos os dias uma boa ação. Ao fazerem isso, recolocavam Balsas no seleto grupo de municípios brasileiros onde atuam Grupos Escoteiros. Naquele dia, estava sendo fundado o Grupo Buriti.

De acordo com a União dos Escoteiros do Brasil (UEB), atualmente, apenas um, em cada 12 municípios do País tem grupos escoteiros atuantes. No Maranhão, apenas outros dois municípios – São Luís e Imperatriz – têm esse privilégio. Por mais que não tivessem a dimensão disso, aqueles jovens precursores estavam inserindo Balsas em uma fraternidade mundial que conta com mais de 25 milhões de jovens e adultos, homens e mulheres, em todo o mundo.

No próximo mês de julho farão 101 anos desde que o primeiro acampamento escoteiro foi realizado, na Ilha de Brownsea, Inglaterra, por iniciativa do fundador Lord Baden Powell. No mês passado, o Grupo Escoteiro Buriti completou seis anos de atividades ininterruptas, graças à boa vontade daqueles que mantém sua participação, e de tantos que por aqui já passaram, entre idas e vindas, e doaram-se também durante algum tempo.

Ao longo da minha vida escoteira, tive no pescoço dois lenços: um era xadrez preto e branco com listras vermelhas, do Humaitá-Sul, onde fui lobinha e escoteira, dos 7 aos 13 anos em Pelotas/RS, minha cidade natal. O outro tem as cores grená e amarelo, e era este que eu usava quando recebi o distintivo Lis de Ouro, sendo uma das poucas escoteiras a alcançar tal grau no estado do Maranhão. Foi com esse lenço no pescoço também que participei de grandes atividades, de acampamentos, de jornadas que viraram madrugadas, e deram-me grandes ensinamentos de companheirismo, paciência e força de vontade. E era este mesmo lenço que eu via no pescoço de lobinhos e escoteiros por quem tinha e tenho tanto carinho, quando me chamavam de “Baloo”. É por isso que tenho orgulho de ambos os lenços, mas sinto orgulho, especialmente, de ter feito parte ao lado dos meus pais, dos meus irmãos e de grandes amigos que o Escotismo me proporcionou, da história do Grupo Buriti, pelo seu pioneirismo, e pela importância que ele tem na comunidade de Balsas.

Ainda não desaprendi a fazer nós, nem esqueci o cancioneiro de jornada. Hoje, pela necessidade de ocupar meu tempo com outras atividades, o uniforme está guardado. Mas só por algum tempo. Qualquer dia destes eu o visto de novo, pra matar a saudade de um bom fogo de conselho! Porque todo mundo sabe que “uma vez escoteiro, sempre escoteiro!”.

***

Mas, como eu ia dizendo... Existem muitas formas de ação possíveis para contribuir com a construção de uma sociedade melhor: Isso pode ser feito através da igreja, da caridade, do trabalho comunitário, do engajamento político, da prática desportiva e de tantas outras maneiras. O Escotismo, entretanto, mostra-se como um movimento dos mais completos porque, respeitando as orientações políticas e religiosas particulares de cada indivíduo, tem como ideal o desenvolvimento pleno das potencialidades humanas – físicas, morais e psicológicas. Seus princípios, incentivam o auto-conhecimento através da espiritualidade, estimulam o serviço ao próximo, o crescimento por meio do trabalho em equipe, a disciplina, o respeito à natureza, a participação na vida política e social da comunidade e tantos outros valores, que são transmitidos através de um método de educação lúdico e não-formal.


É por isso, que a atuação de um Grupo Escoteiro no município é um privilégio tanto àqueles que fazem parte do Movimento quanto à comunidade em geral, que se beneficia indiretamente pela convivência de mais e mais jovens e adultos retos de caráter e líderes em boa vontade. E é graças a uns poucos que um dia se encontraram nesta cidade de migrantes, vindos de lugares distintos, mas identificados pelo mesmo “aperto de mão esquerda” e pela saudação “Sempre Alerta”, que Balsas pode hoje ter orgulho de dizer que faz parte da grande fraternidade que é o Movimento Escoteiro.

Manter um Grupo Escoteiro não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se está distante de outros grupos em que se apoiar mutuamente, e dos próprios centros que coordenam o Movimento no País, que são as regionais administrativas da UEB (União dos Escoteiros do Brasil). Há ainda outros obstáculos, talvez até maiores, e estes, por experiência, afirmo que são enfrentados por todos os G.E.s, independentemente da localização geográfica: Engana-se quem pensa que é a falta de recursos, porque isso, ainda que a escassez de verbas seja uma realidade, é absolutamente contornável. O maior problema diz respeito ao pequeno número de adultos disponíveis, e dispostos a assumir esse compromisso de dedicar boas horas do seu tempo à atividade de Escotista. Não que não valha à pena, porque, como todo o voluntariado, este também tem suas recompensas, e são muitas. Porque o Movimento Escoteiro é acima de tudo um movimento alegre, e aqueles que fazem parte desta fraternidade aprendem, pela sua Lei, a “sorrir nas dificuldades”. Com lenço, ou sem lenço, de mochila nas costas ou não, guardam para sempre boas histórias, grandes e fortes laços de amizades, e habilidades que lhes serão úteis e lembradas sempre, nos momentos mais oportunos.

Estão de parabéns, por tudo o que representam, os lobinhos, escoteiros, seniores e guias de lenço grená e amarelo no pescoço, os pais que doam parte do seu tempo e trabalham para oferecer suporte adminsitrativo ao grupo, e sobretudo os chefes escoteiros, que desde a fundação do Grupo Buriti não medem esforços para manter acesa aqui em Balsas algumas fagulhas deste Espírito Escoteiro.


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Tudo bem que este blog é para matérias culturais, de Pelotas, geralmente publicadas no caderno Zoom, do Diário Popular. Mas abro aqui uma exceção para publicar este artigo que escrevi em homenagem ao Grupo Escoteiro Buriti, de Balsas/MA. Possivelmente, este texto será publicado em algum jornal daquela cidade. Se não for, fica, ao menos aqui, meu registro.

Sempre Alerta aos Escoteiros, e obrigada pela paciência aos demais, porque esse blog já não é mais meu, e sim daqueles que se habituaram a encontrar aqui atualizações quase que diárias sobre os eventos culturais de Pelotas.

Depois disso, volta tudo ao normal!