quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Show do Joca


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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Informação

Informação
Se existe escrita, nós escrevemos
Se existe on-line, nós atualizamos
Se existe móvel, nos enviamos
Se existe em vídeo, nós exibimos
Se existe em áudio, nós tocamos

Se existisse no microondas, nós a cozinharíamos
Se existisse no ar, nos a sopraríamos

Antigamente a notícia esperava o jornal sair pra ela poder... acontecer
Hoje a notícia anda no tempo do próprio acontecimento
É aprofundada minutos depois, analisada imediatamente

Por nós, pelo seu vizinho, por você
Onde quer que você esteja
De lá você sugere, opina, busca, corrige, edita, atualiza, faz... você mesmo

Por isso um jornal tem que estar no papel, na tela, na sua mão
Tem que estar onde você quiser estar
E também tem que estar numa atitude
No envolvimento com a comunidade
No compromisso com a sociedade
Na visão de um futuro

Tem que estar na cidade, no país, no planeta
On line, on time, full time


Para quem ainda não assistiu, ou para quem quer ver de novo:
Campanha do Jornal O Globo: Muito além do papel de um jornal

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Sinais do Corpo

As manchas, os riscos, sustentam as telas. As cores pontuam vazios. Os traços que percorrem caminhos, por vezes confusos, denunciam gestos, movimentos. Acusam a ação e a interferência humana no espaço. Não de qualquer pessoa. As obras detém conceito e personalidade: têm a assinatura de Vivian Herzog. A artista que transita por técnicas de desenho e pintura expõe até o dia 19 suas novas telas, na Sala dos Novos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg).

Professora formada em artes visuais pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas, Vivian ressalta no seu trabalho a presença do corpo e a concepção do desenho como espaço a ser preenchido. "Me interessa essa sensação de uma criança que experimenta sua atuação no espaço e também essa relação abstrata com o lugar", afirma ela. "Não gosto de cobrir toda a superfície. Prefiro manter os poros, a textura e também o caimento do tecido", diz ainda, como quem procura na arte um espaço para respirar.

Na série "Entre Lugares" ela reafirma a seqüência do pensamento desenvolvido desde o início da carreira e a constância do amadurecimento que difere as obras das "garatujas" (rabiscos infantis). Na tragetória dos traços, no colorido percurso da mão, registrado pelo bastão sobre o tecido, a espontaneidade divide espaço com a reflexão artística. "Eu corro o risco (no tecido) e corro o risco de perder o trabalho também", reflete a artista, com um natural jogo de palavras. "A diferença é essa: não é uma espontaneidade barata porque apesar de ser um desenho livre existe uma reflexão em termos de composição. Diferente de uma criança desenhando institivamente, eu organizo idéias, seleciono, coloco em ação meus repertórios."


Prestigie

O quê: Mostra Desenhos, de Vivian Herzog
Quando: até o dia 19 de outubro, com visitação de terça à domingo, das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8), às 18h.
Onde: na Sala dos Novos do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725).
Entrada franca

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Do fundo do baú: imagens da geração Coca-Cola

"Aí a Raquel me disse: 'tem um espaço vago no Malg, você tem uma idéia?' E eu disse 'só preciso de um tempo'". Da conversa com a diretora do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg), Raquel Schwonke - à procura por uma exposição para cobrir um intervalo na agenda das salas - o interlocutor teve dois dias. Dois dias e uma idéia: tirar o pó da memória de uma geração de artistas pelotenses esquecida no acervo do museu. Quem narra o diálogo é o professor José Luís de Pellegrin, do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas, organizador da mostra Produção Anos 80 e 90.

Instigante em cada centímetro de uma desordenada linha do tempo, a exposição desperta a curiosidade dos olhos e tapa dois buracos de uma vez só. Não entendam mal e não deixem que as impressões enganem. O furo da agenda está notoriamente aproveitado, tanto quanto se houvesse sido planejado tempos atrás. O principal furo que a exposição trata de cobrir é a lacuna histórica deixada até agora. "Quando eu falo da arte pelotense dessa época meus alunos ficam me olhando, não sabem do que estou falando. Mas também, se hoje eles têm 20 anos, naquele tempo estavam nas fraldas..."

Nostálgica para os remanescentes da geração Coca-Cola e surpreendente para a geração que já não se surpreende facilmente diante do inquietante e inquieto mundo contemporâneo, o conjunto de obras é, sobretudo, provocante. Talvez porque de certa forma traduza a gênese do que se vive hoje. Talvez por despertar uma expressão de questionamento parecida com a de uma criança que olha para cima e pergunta "Mãe, de onde é que eu vim?". Ao olhar para esta exposição do Malg, senhoras e senhores de vinte e poucos anos terão certeza de que sua origem é pop: a identidade e identificação com as obras não há de negar que culturalmente falando nasceram dos fecundos anos 80 e 90.

Ali está (bem) representado o ontem. Um passado não muito distante, que é ainda presente e mais vivo que o pretérito-mais-que-perfeito da história das artes, já gasta, tanto para as enciclopédias clássicas quanto para a Wikipédia. "O tempo passou e a gente não viu. A gente fez tanto e não teve tempo de pensar sobre o que fez", reflete Pellegrin, admirado de sua própria (re)descoberta ao passar em revista, mais uma vez, diante dos painéis.
Harly Couto, uma das artistas que fazem parte da exposição, surpreende-se também em frente a pinturas que há tempos não via, mas que continuam familiares, preservadas na memória exatamente como no acervo. "Eu olho e sinto como se estivesse pintando esse quadro na Cascata. Não sei dizer por quê, nem como é. Só digo o que sinto, agora, como quando pintei", diz, ao tentar descrever o indescritível enquanto repousa um olhar reflexivo sobre as telas.


Arte no descontexto pelotense

A história da arte universal dá conta de correntes clássicas, renascentistas, vanguardistas, modernistas, pós-modernistas... Pelotas, como o resto do mundo, não ficou alheia a estes movimentos no espaço e no tempo, muitas vezes de nomes repetitivos por falta de verbetes mais adequados. Mas as influências mais determinantes para a arte daqui foram outras.

Partindo do início dos anos 50, até meados da década de 60, basta um breve retrospecto para o encontro de contrapontos. Enquanto lá fora o mundo vivia a grande explosão chamada de neovanguardismo e mergulhava de vez na abstração, em Pelotas a Escola de Belas Artes - fundada em 1949 - vivia seus tempos áureos e cheios de didáticas, tendo como um de seus principais nomes Aldo Locatelli. "De lá para cá a arte pelotense foi muito inspirada na escola clássica e a gente carrega essa tradição nas costas até hoje na nossa arte moderna", afirma o professor.

Dos anos da ditadura e expressões tímidas ou rebaixadas ao underground aos tempos de abertura política, novas mudanças de postura e linguagem. "Nessa época houve a transição, a Escola de Belas Artes virou ILA (Instituto de Letras e Artes) e depois IAD (Instituto de Artes e Design). Houve algumas manifestações de certa ousadia por parte dos artistas daqui, mas talvez não tenham sido incorporadas no todo."


Em novas dimensões, arte

Nos anos 80 sobrou tempo e dinheiro para ser gasto com arte. Gêneros artísticos que haviam sido dispensados foram retomados, como a pintura e a escultura. Mas a escultura saiu dos pedestais, foi para o chão, as telas deixaram as paredes para ir para a rua e para todos os lugares. "Virou uma arte que não é uma coisa nem outra, mas é isso mesmo", define indefinidamente o professor. Em um mundo onde ficção e realidade estão intrínsecos, os novos artistas não vêem possibilidades de expressar as imagens que fazem do mundo de maneira segmentada. Impossível separar gravura de desenho, de pintura, de escultura. Linguagens diferentes dividem em harmonia espaços com humor, dramaticidade, cultura popular, a liberdade gráfica e a publicidade e todos os demais reflexos dessa geração de consumo. "Enquanto os modernistas do início do século queriam ir para o futuro, no final do século os artistas pós-modernos queriam ir para toda parte."

No fluxo veloz das imagens a proposta é de contrafluxo. "A resistência é se dar conta de que mesmo que eu siga o fluxo não é preciso se submeter a ele nem engolir tudo goela abaixo", fala Pellegrin no convite à um olhar mais apurado sobre o que foi produzido de arte localmente nas duas últimas décadas do século passado.

"Tudo bem que a nossa arte não seja tão moderna assim, nem tão transformadora. Mas ela é boa, feita por artistas que construíram uma bela trajetória. A gente ainda é conservador. Nossa pintura, de certa forma, ainda está pendurada na parede. Mas enfim, é a nossa história. E é de verdade."


Confira

O quê: Produção Anos 80 e 90
Quando: até o dia 12 de outubro, com visitação de terça a domingo das 10h às 19h. Vernissage nesta quarta-feira (8) às 18h.
Onde: nas salas Marina Moraes Pires e Luciana Araújo Renck Reis, do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (rua General Osório, 725)
Entrada franca



Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa| Publicado em: Pelotas, ? de oububro de 2008

Cenários da Infância

Paisagens e personagens inspirados nos livros de história. Cores, muitas cores. Traços singelos feitos com a técnica de quem desconstrói a própria técnica e retoma em desenhos menos elaborados a simplicidade infantil. Esses são alguns dos elementos que estão nas criações de Mônica Praz e Túlio Oliver apresentadas em Infância, exposição do Movimento dos Artistas Plásticos de Pelotas (MAPP) em homenagem ao Mês da Criança. A mostra, que começou sábado, segue até o dia 26 no Shopping Zona Norte.

As pinturas, expostas paralelamente a trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente fazem parte da proposta do MAPP de estimular o acesso à cultura, à educação e ao lazer no que diz respeito ao segmento da arte, e que é assegurado pela lei.

Com uma linguagem lúdica, os conjuntos de telas e tapetes procuram retratar o universo infantil para decorar os quartos dos pequenos. "O quarto é o cenário de um período da vida", reflete a arquiteta. Para Oliver, é também uma forma de ensinar o gosto pelas artes. "Oferecer para a criança uma decoração personalizada, feita por artistas daqui, é uma forma de ensiná-las a valorizar esse trabalho artisticamente elaborado e não o que vem de fábrica em modelos padronizados."

Os elementos que decoram os espaços da casa destinados aos pequenos também são bem-vindos em outros ambientes fora dos limites residenciais, onde as crianças estão presentes e precisam se sentir à vontade como consultórios pediátricos e escolas.

"É preciso abandonar a técnica em busca de linhas mais puras", diz o artista plástico e tapeceiro Túlio Oliver sobre o processo de criação. "E também resgatar a suavidade da infância, traduzir essa alegria", completa a parceira neste projeto, a arquiteta Mônica Praz.

Além dos cuidados com as formas e cores, os artistas também se preocupam com as tendências e novidades no mercado de interiores. As tintas são anti-alérgicas e os temas seguem a moda. "Hoje em dia o lilás está em alta. Ninguém quer saber de 'rosinha', embora princesas, fadas e bailarinas ainda façam parte do imaginário infantil. Para os meninos, esportes, fazendinhas, florestas e carros estão entre os temas preferidos", diz a artista, apontando para as principais escolhas feitas geralmente pelas mães, ou pelas próprias crianças.


Confira

O quê:
Exposição Infantil, de Mônica Praz e Túlio Oliver
Quando: até o dia 26 de outubro, com visitação de segunda à sexta das 9h às 19h e aos sábados das 9h às 13h
Onde: no Shopping Zona Norte (avenida Fernando Osório, 20)
Entrada franca


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Página 6 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 6 de oububro de 2008

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Espaço reservado para a cultura

Estas linhas pertencem aos movimentos e expressões culturais daqui. As entrelinhas também. Cada imagem, cada palavra, cada ponto e cada vírgula. Em cada pausa, um espaço a mais para refletir a arte, a cultura, a cidade e as pessoas.

Há um ano o Diário Popular lançava a primeira edição do Caderno Zoom, com o propósito de atender uma demanda que sempre existiu: colocar no papel e nas rodas de conversa a farta produção artística de Pelotas e da região. A leitura de segunda a quinta-feira se tornou praticamente obrigatória, hábito prazeroso no cotidiano de muita gente, como a estudante de administração Aline Kochhann, de 23 anos, que chegou de Uruguaiana mais ou menos na mesma época que o Zoom foi lançado. "Eu gosto de saber sobre literatura, ir ao teatro e a outros espetáculos, por isso sempre leio o caderno de cultura do Diário Popular que é um dos únicos lugares onde a gente encontra isso em Pelotas".

As páginas são estações de trânsito por onde passaram artistas consagrados que aqui vieram e nomes próprios, mas desconhecidos, nem por isso menos talentosos.

Por falar em nomes... a primeira capa do Zoom tratava justamente desse tema, às avessas. Em tons de vermelho vivo, falava de anônimos, como prova de que não é necessário renome para ser reconhecido e merecer destaque. O primeiro Salão de Pintores Diletantes, no Museu da Baronesa, inaugurava no dia 2 de outubro de 2007 uma seqüência de cerca de duzentas edições e mais de 1,6 mil páginas reservadas à multiplicidade de expressões, conhecidas e reconhecidas, ou não.

"Em outros lugares, os jornais agem como se estivessem prestando um imenso favor ao divulgar os artistas. Publicam apenas notas. Destaques são raros, e geralmente para os grandes espetáculos 'que vêm de fora'", conta o músico Cardo Peixoto, que hoje vive em Caxias do Sul e fez da valorização dada aos artistas locais pelo jornal pelotense o seu cartão de visitas. "Quando saí de Pelotas, levei comigo uma matéria publicada sobre o meu trabalho no Diário Popular. Era assim que eu me apresentava."


Na pauta

Por aqui os leitores visitaram exposições, pularam o Carnaval antes e em série, em alas, viram os preparativos de cada escola. Passearam por Pelotas e por Satolep na história de Vitor Ramil. Ficaram sabendo de iniciativas e ações voltadas para a educação e para a saúde, relacionadas ao desenvolvimento artístico, sem esquecer dos temas ligados à filosofia e à espiritualidade, entendidas também como fenômenos culturais.

Houve também as entrevistas, os perfis, que deram destaque a pessoas com boas histórias ou opiniões perspicazes a compartilhar. Celso Loureiro Chaves trouxe novos ares às velhas discussões sobre a fortuna deixada de herança por Simões.

Além de apresentar os espaços existentes na cidade, abertos às artes, o caderno Zoom criou também seu próprio espaço diferenciado. Uma galeria sem paredes, um palco de papel. Aqui como nas linguagens contemporâneas, a arte está por toda parte.

Por ver a cultura em tudo, e tratá-la como tema essencial, além do entretenimento muitas vezes visto como fútil, o Zoom procura descontruir a cada dia a idéia de que ao "segundo caderno" devem ficar relegados temas de menor importância.

Nas colunas do caderno também não faltou espaço para questões polêmicas. Quando foi preciso, obras, livros, cenas, personalidades ou músicos deram lugar ao desenrolar de debates, especialmente sobre as políticas culturais do município e o cotidiano da comunidade. O caderno acompanhou discussões, propôs outras.

Os filmes foram morar em outros lugares com o fechamento dos cinemas. Outros segmentos também ficaram sem-teto. A Casa de Cultura ainda não saiu, nem a Lei Municipal de Incentivo à Cultura mas ao menos ninguém pôde esquecer-se delas. O debate continua em pauta.

Enquanto isso, os grupos de teatro continuaram suas cenas, a orquestra continuou seus ensaios, os bailarinos prosseguiram a dança e os pintores não deixaram de colorir. Os produtores independentes também não pararam de escrever roteiros, criar e exibir seus filmes. Tudo segue acontecendo, e cada vez melhor, nos teatros, nas ruas, nas galerias... e nas páginas do Zoom.


A opinião de quem lê e contribui com o conteúdo das páginas do Caderno

"Leio várias vezes todo o jornal, mas geralmente vou da chamada de capa ou da contracapa direto para o Zoom. Ninguém pode se queixar que em Pelotas 'não tem o que fazer'. O Caderno mostra que todos os dias têm opções e como eu gosto desse tipo de atividade cultural, o Zoom fecha bem comigo. Além disso, quando uma exposição é divulgada no Caderno a gente pode ter certeza de que será bem freqüentada. As matérias fazem toda a diferença porque funcionam como mediadoras entre as pessoas e os eventos." Raquel Schwonke

"O Zoom foi um enorme ganho para a cultura em Pelotas. Ler o Caderno acabou se transformando em hábito para quem faz e para quem consome arte e cultura. Eu considero ele hoje um elemento indispensável para a vida cultural na cidade pela importante divulgação das ações, mas principalmente pelas provocações que faz ao desenvolvimento da cultura local." Igor Simões, ator e diretor teatral e representante do Instituto João Simões Lopes Neto

"O Zoom é uma iniciativa primorosa. É excelente a forma como as iniciativas locais são valorizadas nos espaços do Caderno. Já é um trabalho qualificado e tende a melhorar ainda mais." Annie Fernandes, Diretora do Theatro Sete de Abril

"Pelotas tem um espaço para a divulgação da sua produção artística que nem de longe se encontra em outras cidades. Houve momentos em que já ficamos órfãos de páginas especializadas em cultura, mas nos últimos tempos o Diário Popular mudou de postura em relação a isso e hoje trata o assunto com um bom destaque. Há 20 anos trabalhando com isso, todas as pessoas que eu já vi passar pela parte de cultura no jornal tinham conhecimento sobre o assunto, ou correram atrás para aprender. Essa mudança também ajuda a dar uma ventilada." Cardo Peixoto, músico e produtor cultural

"Há muito tempo que a gente clamava por um caderno como o Zoom. É a primeira parte do jornal que eu leio. O meu canal direto com os acontecimentos culturais de Pelotas hoje é o Diário Popular. Só o que sinto falta ainda é de um espaço de crítica mais freqüente. Fora isso, o Zoom mostra que não é um caderno alienado quanto toca em assuntos importantes, como as políticas culturais. Assim ele cumpre o papel de tirar da acomodação os próprios artistas." Berê Fuhro Souto, coreógrafa e bailarina.

"Como promotor cultural e leitor assíduo do caderno eu diria que o Zoom é muitas vezes o ponto definitivo para o sucesso de um espetáculo. A gente confirma no dia-a-dia que ele chama a atenção até mesmo de pessoas que não têm o hábito de participar de atividades culturais normalmente. É uma forma de despertar o interesse da comunidade e contribuir com a formação de platéias." Luis Fernando Parada, gerente do Serviço Social do Comércio (Sesc) em Pelotas

"As matérias de capa do caderno sempre me agradam. O que a gente vê no Diário Popular é justamente a diversidade cultural de Pelotas estampada nas páginas do Zoom. Esse é o espaço onde a gente tem voz e como artistas ficamos feliz quando o nosso trabalho aparece no Caderno. Dá uma sensação de reconhecimento. Além disso ele me estimula a freqüentar outras atividades culturais, fora do teatro. Só acho que o espaço de crítica deveria ser mais rotineiro e a agenda separada por tópicos como 'exposições' ou 'espetáculos'." Adriano de Moraes, coordenador do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Pelotas.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa e Contracapa | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 2 de oububro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Arte sem limite de idade

No palco, a comédia é exemplo de vida. No elenco, pessoas convencidas de que rir - e não se entregar ao ócio - é o melhor remédio para viver bem a fase da vida que começa aos primeiros sinais da idade. Nesse teatro não se sabe se são os atores que dão vida aos personagens ou o contrário.

Quem disse que elas já passaram da idade de "fazer arte"? Para os integrantes do Clube da Maturidade Ativa de Ijuí, "ser velho demais" para qualquer coisa é apenas um desafio que inspira ações há mais de dez anos. O grupo faz parte do projeto do Serviço Social do Comércio (Sesc) para a Melhor Idade e na terça-feira (30) encenou no auditório da Universidade Católica de Pelotas a peça Faustino, releitura regionalista gaúcha inspirada no conto Fausto (de Goethe) e nas adaptações populares do nordeste registradas na literatura de cordel.

"Aqui ninguém reclama da vida, ninguém tem depressão. A gente nem tem tempo pra isso", diz Edith Pockios, que aos 70 anos passa o tempo envolvida com os ensaios do teatro e de dois corais, além das reuniões e atividades sociais. "Tem uma peça em que eu interpreto uma velha caduca", diz ela, que como os outros se diverte no palco e nos bastidores, quando também se ocupa com a produção das apresentações e com os preparativos dos cenários e figurinos.

Problemas de memória? Ninguém tem também. São onze peças no repertório e outra quase pronta para estreiar. Elvira Dalmas, a mais velha da trupe, aos 88 anos tem tanta facilidade para decorar as falas quanto a mais nova, de 54. "Ela lembra as falas dela e a das outras", garante uma das companheiras de elenco. "Eu pego o texto num dia e no outro tô me apresentando. Nunca ensaiei com papel na mão. Decoro fácil porque sempre dei trabalho para o meu cérebro", diz em tom de quem dá um conselho.

O radialista aposentado Valdir Vieira, de 60 anos, é o único homem do grupo. Cercado das faladeiras, ele empresta o vozeirão para o personagem de diabo. "O melhor de tudo é a convivência. Cada vez que a gente sai de casa pra viajar com a peça por outras cidades vai com uma bagagem pequenininha e volta com uma bagagem enorme, cheia de histórias pra contar", fala com alegria. "Como é bom poder dizer, com essa idade, 'eu tô aprendendo'. Dá vontade de fazer mais coisas", confirma. "Assim a gente esquece que está envelhecendo. Minha neta acha o máximo que aos 72 anos eu ainda tenho um 'professor'", completa a colega Sylvia Schoefer.


Diversão e arte

Aos 63 anos, Marlene Drewin revive a emoção que sentia nos palcos da infância. De papéis passados, ela lembra de um que interpretou ainda na escola. "Eu era a moça que temperava a salada e dizia 'essas verduras estão queimadas de sol'", recorda a fala. "Meu marido me dá a maior força pra eu continuar porque ele diz que lembra da primeira vez que me assistiu interpretando essa cena", conta, romântica.

Na interpretação, as vovós e o vovô demostram para a platéia que com o tempo até se pode perder agilidade física ou a cor dos cabelos, mas de forma alguma se perde a graça. "O teatro não apenas faz parte da vida deles. O teatro é a vida. A experiência e a vitalidade que eles têm supera qualquer limitação física", elogia o diretor e professor Alberto Rodrigues, de 44 anos. "Acho ótimo que as crianças tenham vindo assistir também, porque senão fica uma coisa restrita à 'velhos', como costumam dizer por aí. Quando eu comecei, também tinha esse preconceito", admite ele, que aprendeu a conviver pacificamente em uma zona que geralmente é de conflito: o encontro de gerações.

A determinação e o talento do grupo são reconhecidos pela platéia. "Achei lindo! Adorei! Elas são muito simpáticas! Sem contar a força de vontade que elas têm, por serem idosas e fazerem tudo isso", impressiona-se Tamires Fonseca, de 14 anos, que assistiu a peça na companhia dos colegas da escola Nossa Senhora Medianeira e no final fez questão de cumprimentar os atores um a um. "Conheço poucos idosos que são assim, mas também conheço muitos jovens bem menos ativos que esses aqui. Até a gente mesmo é assim, fica um tempão na frente do computador...", entrega a amiga Daiane Ferreira, de 15 anos.


Por um papel na sociedade

Mais importante que os papéis que interpretam no palco é a postura que os idosos ativos assumem diante da sociedade. Tereza Moreira da Silva, de 59 anos, é hoje a presidente do Clube da Maturidade em Pelotas e afirma que a principal responsabilidade do grupo é modificar a idéia de que idoso é sinônimo de cidadão incapaz. "É preciso acabar com o preconceito dos jovens e dos próprios idosos, que muitas vezes resistem a assumir a 'melhor idade'", diz ela, que pretende deixar de herança uma nova consciência para as novas gerações. "Não é justo que a gente fique em casa sem fazer nada quando ainda temos tanto vigor, sem contar a experiência. A sociedade perde a nossa força de trabalho e nós perdemos de viver!".

O diferencial do Clube da Maturidade Ativa, segundo o gerente da unidade do Sesc em Pelotas Luis Fernando Parada, é que é o próprio grupo que se auto gerencia. "Nós do Sesc somos apenas facilitadores, são eles que escolhem o que querem fazer", diz ele, que ainda destaca o cuidado com a terceira idade, antes da maturidade chegar. "Também é uma preocupação desse projeto ajudar as pessoas a se prepararem para envelhecer bem."


Participe, em Pelotas

O Clube da Maturidade Ativa do Sesc, formado há cerca de um ano, reúne cerca de 70 pessoas a partir dos 50 anos de idade. O grupo realiza atividades esportivas, culturais e sociais. Os encontros ocorrem sempre às quintas-feiras, a partir das 14h, no Sesc (rua Gonçalves Chaves, 914). Mais informações pelo telefone 3225-6093.


Assista Faustino em Bagé e Rio Grande

Nesta quarta-feira (1º), a peça Faustino será apresentada em Bagé, às 14h30, no Teatro Justino Quintana. Cada litro de leite vale um ingresso. Toda a arrecadação será repassada aos asilos José e Auta Gomes, e Vila Vicentina.
Na sexta-feira (3) o grupo de Ijuí se apresenta no Theatro Municipal, em Rio Grande, às 17h30min. A entrada é franca, mas aceita-se doações espontâneas de alimentos não perecíveis.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Viva Bem / Páginas Centrais | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 1º de oububro de 2008