quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Estudantes de Jornalismo reafirmam parceria entre UCPel e Diário Popular

Pelo sexto ano consecutivo estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas confirmaram a parceria entre a UCPel e o Diário Popular através do projeto Jornalismo Aplicado. O resultado pode ser conferido nas páginas do caderno especial sobre a Feira do Livro, encartado na edição de hoje (12) do jornal.


Esta é a décima primeira vez que um grupo realiza a experiência profissional prática que se repete desde 2003 a cada nova edição da Feira do Livro e da Fenadoce. Os estudantes são indicados pelos professores da Universidade conforme o desempenho nas disciplinas de redação e fotografia, e durante o período da oficina são responsáveis por produzir os textos, as fotos e pela diagramação do caderno. Para isso, são orientados pelo editor de cadernos Pablo Rodrigues, pelo coordenador de diagramação Joaquim Gonçalo e pelo editor de fotografia Carlos Queiroz.

"Essa é uma oportunidade que os alunos têm de realizar um trabalho real, de conhecer o cotidiano de uma redação e participar das etapas de produção da notícia desde a elaboração da pauta até a edição final", diz o diretor do Centro de Educação e Comunicação da UCPel Jairo Sanguiné Júnior. "Isso sem dúvida repercute em mais conteúdo para a comunidade. Sem contar que eles sabem que estão sendo observados durante a oficina por uma fatia importante do mercado de trabalho local", enfatiza o professor.

Para o editor-chefe do Diário Popular, Ivan Rodrigues, o jornal também ganha com a parceria. Ele destacou ainda que os participantes dos cadernos especiais são pré-candidatos às vagas de estágio oferecidas pela empresa. "Essa parceria representa a possibilidade de descobrirmos novos talentos e de trazer para a equipe gente com potencial."

Nesta edição do caderno da Feira do Livro os textos são assinados pelos estudantes André Amaral, Daiane Madruga, Paula Gracioli, Reizel Cardoso e Taís Barreto e os créditos das fotos são das alunas Daniela Lopes e Ândria Halfen.


Texto: Bianca Zanella | Foto: Jandré Batista - DP | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pela Música

Lei Rouanet possibilita abatimento no Imposto de Renda para quem fizer doações para a Sociedade Pelotense Música pela Música.

O rugido do Leão não soa bem para ninguém. É sinal de que vem por aí mais uma "mordida" no bolso do contribuinte. Mas, se o jeito é desenbolsar o valor devido no Imposto de Renda, a Sociedade Pelotense Música pela Música (SPMM) tem uma proposta a fazer: deixe parte do seu pagamento aqui em Pelotas e transforme sua contribuição em arte.


A oferta é possível porque a SPMM recebeu o aval do Ministério da Cultura para captar recursos através da lei 8.313/91 - a Lei Federal de Incentivo à Cultura -, mais conhecida como Lei Rouanet. Com isso, empresas e pessoas físicas podem destinar até 4% e 6% (respectivamente) do valor devido no IR para a entidade e ter 100% de abatimento do valor doado. As doações podem ser feitas até o dia 31 de dezembro.

Segundo a presidente da SPMM Ana Elisa Kratz, apesar dos incentivos à cultura com dedução fiscal serem um hábito considerado comum em várias partes do país, por aqui as pessoas ainda oferecem resistência a apoiar os projetos. "É preciso acabar com os mitos de que as pessoas que realizam essas doações caem na malha fina e também de que a doação depende de muita burocracia. O processo é extremamente simples", garante. (Veja como)

O projeto da Orquestra e do Coro, orçado em R$ 1,690 milhão, teve sua aprovação publicada no Diário Oficial de 11 de janeiro, e na edição de 4 de julho teve seu prazo para a captação de recursos ampliado até o final do ano.

Com os recursos desta campanha, a expectativa é que seja possível colocar em prática mais uma parte da estruturação financeira, administrativa e artística da instituição, que completou 18 anos de atividades no último dia 30.


Segundo o regente e autor do projeto, Sérgio Sisto, as principais demandas atualmente se referem a qualificação da mão-de-obra artística e contratação de mão-de-obra especializada para trabalhar em áreas afins junto à Orquestra e ao Coro, como por exemplo profissionais que cuidem da parte técnica das apresentações. "Um dos nossos objetivos é a profissionalização dos músicos, mas as condições atuais não nos permitem oferecer ajudas de custo", diz ele, que destaca a importância da boa vontade dos 80 coristas e 60 instrumentistas voluntários para a manutenção da Música pela Música.

Além disso, a instituição ainda sonha com uma sede própria. Atualmente o grupo conta com o foyer do Theatro Guarany, emprestado tanto para ensaios como para depósito dos intrumentos, figurinos e suportes para partituras. Na sala ao lado do teatro, onde antigamente funcionava uma gráfica, fica a parte administrativa da entidade. O espaço é pequeno, e além de muito quente no verão não possui estrutura acústica apropriada. "O grupo todo não cabe no foyer do Theatro e quando os ensaios precisam acontecer aqui embaixo temos que nos dividir. Quando fazemos ensaios do grupo de metais o som aqui é ensurdecedor", diz a presidente.

Com a agenda de espetáculos do Guarany lotada em dezembro, os ensaios de final de ano precisaram ser suspensos. Por causa disso, lamenta Ana Elisa, é grande a probabilidade de que o Concerto de Natal deixe novamente de ser realizado. "Se é para ter um sonho, o nosso é poder restaurar e fazer a nossa sede no Theatro Avenida", diz ela, revelando planos para o prédio, atualmente abandonado.


Como participar

1º passo: Calcule o imposto devido (para isso é possível tomar como base o que foi pago no ano anterior);
2º passo: Deposite o valor (máximo 6% para P.F. e 4% para P.J.) na conta bancária do projeto (Banco do Brasil - Agência 29432 - Conta 155934);
3º passo: Procure a SPMM com o comprovante de depósito e solicite o Certificado de Doação, que possibilita 100% de isenção do valor doado. Este Certificado deverá ser anexado à Declaração de Imposto de Renda.


Informe-se
Para conhecer a legislação, consulte o site do Ministério da Cultura
No próximo dia 20 (quinta-feira), às 20h30, representantes da Sociedade Pelotense Música pela Música e da Receita Federal participarão de um encontro promovido pelo Sindicato dos Contabilistas de Pelotas, onde irão passar orientações à categoria sobre como proceder para solicitar as deduções.


Tire suas dúvidas

* Pergunte ao seu contabilista sobre como fazer a sua doação;
* Solicite informações junto à Receita Federal, em Pelotas pelo telefone 3225-2603;
* Entre em contato com a SPMM. Telefones: (53) 9982-0925 (Sérgio Sisto), 9983-3606 (Ana Elisa) ou 9144-6445 (Marilei Garcia).


Texto: Bianca Zanella | Fotos: Diogo Sallaberry - Especial DP | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Quarta-feira, 12 de novembro de 2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Patrimônio sob o ponto de vista da educação

Hoje é o último dia para conferir na Feira do Livro, a mostra de imagens Educação & Patrimônio. Organizada pelos professores Fabio Cerqueira e Ester Gutierrez e pelos mestrandos Denise Marroni dos Santos e Alan de Melo, com fotos assinadas pelo mestrando Carlos Cogoy, a exposição retrata momentos das visitas feitas pelos participantes do projeto de extensão Educação Patrimonial (do Instituto de Ciências Humanas da UFPel) a lugares que fazem parte da memória histórica de Pelotas.

Segundo Cerqueira, a mostra destaca a importância do desenvolvimento da educação patrimonial no sentido de proporcionar a preservação tanto dos bens materiais quanto dos bens imateriais, por meio da perpetuação da memória. "Esse trabalho demonstra a importância de qualificar professores para trabalhar na sala de aula essas questões associadas ao patrimônio", afirmou.

A partir de amanhã o Espaço Cultural da Bibliotheca Pública Pelotense na Feira do Livro recebe a mostra A Pomerânia é aqui - Cultura Pomerana e Alemã na Serra dos Tapes.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.7 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 11 de novembro de 2008

Encontro de Teatro começa amanhã

Quatro dias, duas oficinas, dois debates e oito apresentações. Até sábado (15), esta é a programação para a segunda edição do Encontro de Teatro de Pelotas, que começa amanhã. Todas as atividades são abertas ao público.

Este ano, a tônica das discussões será a convergência das linguagens cênicas - a dança e o teatro - e o meio-caminho existente entre a criação artística e a pesquisa científica.

Confira a programação e participe!

Apresentações

Quarta-feira (12)
18h - Usando Drummond para falar - Centro de Pesquisa e Movimento Berê Fuhro Souto*
20h30min - Adélias, Marias, Franciscas - Grupo Maria Falkembach

Quinta-feira (13)
14h - Show de Palhaços - Grupo Fuxico
20h30 - Depois do Happy Ending - Cia. Pelotense de Repertório

Sexta-feira (14)
14h - O Enigma de Cid - Cia. Cem Caras de Teatro
20h30 - Traduzindo e encenando Shakespeare Otelo - Aline Castaman e Enéas Tavares

Sábado (15)
16h - Dois perdidos numa noite suja - Chico Meirelles
20h30 - Viúva Pitorra - Teatro Permanente da UCPel

* Todas as encenações ocorrerão no palco do Sete de Abril, com exceção da apresentação do Centro de Pesquisa e Movimento Berê Fuhro Souto, que faz parte do calendário do projeto Cena Literária o qual acontece tradicionalmente no foyer do Theatro.

Debates*

Quinta-feira (13)
Tema: Dança-Teatro
Debatedores: Berê Fuhro Souto e Maria Falkemback

Sexta-feira (14)
Tema: Pesquisa científica e criação artística: entre a universidade e a sociedade.
Debatedores: Enéas Tavares, Aline Castamman e Carmem Biasoli

* Os debates terão início às 18h no estande da Prefeitura na Feira do Livro.

Oficinas*

Dias 12, 13 e 14 (quarta, quinta e sexta-feira), das 10h ao meio-dia

-> Oficina de Dramaturgia
Ministrante: Miriam Benigna
Local: Foyer do Theatro Sete de Abril

-> Oficina de Cenografia
Ministrante: Cláudio Benevenga
Local: Sesc

* As inscrições são limitadas (25 vagas) e devem ser feitas antecipadamente na secretaria do Theatro Sete de Abril.

** A participação em todos os eventos da programação do Encontro de Teatro - apresentações, debates e oficinas - é gratuita.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P.4 | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 11 de novembro de 2008

Superficialidade


[Clique na imagem para visualizar em maior resolução.]
* Isto não é um post pago. Anuncie aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O reencontro da Arte do Encontro


Depois de amanhã a cidade abre as cortinas para o segundo Encontro de Teatro de Pelotas. Durante quatro dias, serão realizados dois debates, duas oficinas e sete espetáculos. Os objetivos, a exemplo da primeira edição do evento realizada no ano passado, consistem fomentar a produção e a discussão das artes cênicas no cenário pelotense, do lado dos artistas, e estimular a formação de público, do lado dos espectadores. Desses dois, surge um terceiro: o Encontro pretende reunir assim, do mesmo lado, a comunidade - "artística" ou não -, na tentativa de romper de vez as fronteiras que ainda resistem no espaço entre palco e platéia, e também nos bastidores.

A título de ensaio, a reportagem do Diário Popular promoveu um "pré-encontro" com alguns dos protagonistas das artes cênicas no município atualmente: Adriano de Moraes (coordenador do curso de Teatro da UFPel), Berê Fuhro Souto (bailarina e coreógrafa do Centro Contemporâneo de Pesquisa e Movimento), Chico Meirelles (do grupo Casa de Brinquedos), Flávio Dornelles (do teatro do COP) e Valter Sobreiro Júnior (do Grupo de Teatro Permanente da UCPel). No foyer do Theatro Sete de Abril, eles anteciparam o que vai estar na pauta de debates de quarta a sábado.

Entre o otimismo, o realismo e o pessimismo, o grupo de cinco diretores montou uma cena que foi do drama à comédia. Confira alguns prólogos da conversa:


Primeiro Ato: Políticas Culturais

Como era de se esperar, a primeira fala desse enredo foi sobre política cultural. No afinado côro dos descontentes, os artistas retomaram um dos textos mais repetidos e conhecidos popularmente, e no entanto sempre atual: a área da cultura é sempre relegada a segundo plano e nunca é prioridade de gestão.

Para Chico Meirelles, as poucas iniciativas que existem não são suficientes para se tornarem referências no município. "Faz 20 anos que a gente tá na mesma", diz combinando a fala com o olhar para os lados, procurando nos outros quatro a concordância com seu gesto indignado, de braços abertos, palmas das mãos apontadas para cima, e encontrando de ambos os lados, quatro cabeças balançando afirmativamente.

"Em política cultural a gente não avançou mesmo, mas justamente por isso eu acho que não podemos ficar mais dependendo da classe política. O problema é que a classe artística não é unida o suficiente", complementa Berê. "Os incentivos são poucos, mas mesmo com pouco a gente tem que produzir alguma coisa, ocupar esses espaços. Não dá pra ficar parado se queixando.", dispara a coreógrafa, ao criticar a falta de iniciativas também por parte da classe artística. "Ainda falta no município maturidade profissional", completa.


Segundo Ato: Mercado de Trabalho

Para Valter Sobreiro Júnior, um dos grandes problemas enfrentados é o déficit de elenco para montar espetáculos, motivo pelo qual, segundo ele, o Grupo de Teatro Permanente da UCPel - que de permanente só tem o nome - não irá apresentar uma peça, e sim uma construção teatral simplificada na forma de leitura dramática. "Esse problema que eu enfrento com a rotatividade de atores é o mesmo da Barthira com o Teatro Escola, tanto que o TEP não irá se apresentar no Encontro. Não há consolidação dos grupos de teatro em Pelotas. A gente tem sempre que estar formando atores", desabafa o dramaturgo. "Temos na cidade um centro de formação profissional muito bom, mas a tendência geral é que os profissionais formados aqui vão embora, e isso não acontece só na área das artes. Aliás, não é só um problema local."

Terceiro Ato: Público

"A formação de platéia requer oferta de produção teatral. Nós, diretores, não temos como oferecer isso sem incentivo. Alguém tem que proporcionar isso", diz Chico Meirelles que defende o ponto de vista que a falta de dinheiro para pagar o ingresso é um agravante no processo de esvaziamento dos teatros.

"Mas também só oferecer, e oferecer demais, de graça, não dá. Aí as pessoas não aprendem a dar valor para as artes", polemiza Adriano de Moraes, que concorda com Berê quando afirma que o discurso de que as pessoas "não vão ao teatro porque não têm dinheiro" não cola: "As pessoas não vão porque não querem. Falta a base para aprender a apreciar e valorizar as artes. O ingresso para o teatro sempre é 'caro', mas para o futebol nunca é."

"Eu acho que apesar da precariedade do cenário a gente está vivendo um momento muito bom, de efervescência, tivemos bons espetáculos esse ano. A gente tem é que aumentar a capacidade crítica do público. A gente precisa voltar a vaiar espetáculos", defende. "Eu acho é que antes a gente tem que voltar a ter espetáculos pra poder vaiar", retruca Sobreiro. "Não vem falar do passado, sejamos realistas. Hoje em dia eu acho a produção local sempre insuficiente. A vida útil dos espetáculos não é prolongada como deveria".

A resposta vem rápida: "Mas eu não faço nem pretendo fazer trabalhos descartáveis", diz Berê, com direito a réplica de Valter: "Não se trata disso. Acontece que não há possibilidade de ficar com os espetáculos circulando muito tempo por causa do déficit de atores. Poucos espetáculos, como o Tholl, têm elenco e público consolidado para isso".


Quarto Ato: Políticas Públicas II

No "gran finale" o tema da abertura da conversa voltou à cena. "Eu queria saber se vocês pretendem assistir aos espetáculos dos outros", provocou Berê, interpretando o papel de entrevistadora. Segundo Adriano de Moraes, para proporcionar a participação dos alunos, o curso de teatro da UFPel irá suspender as aulas durante o Encontro. Mas a pergunta, em princípio sem resposta, fez com que Chico Meirelles, Valter Sobreiro e Flávio Dornelles tocassem no assunto da programação. Na opinião deles, o evento não propicia a participação das pessoas em tempo integral em função dos horários. "É complicado. Todos nós trabalhamos e vamos estar envolvidos nas nossas próprias apresentações", justifica Meirelles.

"Eu até gostaria de participar das oficinas, mas acho que elas deveriam acontecer uns dois meses antes do encontro. Durante não dá. Além do mais, não dá tempo de assimilar o trabalho. É como passar a matéria e aplicar a prova. Acho que os organizadores até têm boa vontade nas iniciativas, mas falta experiência. Falta discutir com os artistas como fazer as coisas. A gente tá aqui pra fazer, desde que seja solicitado...", diz Dornelles. "Acontece que quem organiza as coisas não entende nada de teatro. Como é que pode colocar em um edital que os artistas poderiam apresentar toda a obra ou parte da obra? Eu nunca vi coisa mais absurda! É como tirar um braço de uma estátua porque ela não passa na porta! Isso demonstra o desconhecimento de gestão e por isso a comunidade artística deveria ser chamada para discutir", completa Meirelles, retomando seu lugar de fala.

"Mas não dá pra ficar esperando ser chamado. Tem que estar presente aqui, sugerir coisas, buscar alternativas. Não dá para pensar também que todos os caminhos do teatro levam ao Sete de Abril. Tem que se buscar outros espaços. E talvez começar com esse encontro a criar essa discussão", afirma Adriano, mais uma vez com otimismo.

Diálogos em cena

Pela polêmica, pelo fomento à produção ou pela apreciação artística, o público pelotense tem vários motivos para conferir a programação do 2º Encontro de Teatro. Confira na edição de amanhã (11) a programação completa.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / Capa | Publicado em: Pelotas, Segunda-feira, 10 de novembro de 2008
*** Alterações

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

1 + X³ = Deus

Se dissessem a você que Deus é um número e que o espaço não é tão absoluto quanto parece, você acreditaria? Chamaria essa pessoa de "louca"? E se dissessem a você que a Terra gira em Justificartorno do sol? Talvez você nunca tenha duvidado disso, mas se tivesse vivido na sociedade da época de Galileu, qual seria a sua reação?

Por mais estranho que pareça, existem pessoas que afirmam categoricamente: tão certo como a Lei da Gravidade é a Lei do Tempo. Pelo sim, pelo não, pelo menos 400 pessoas já inscritas (e você, se for curioso o suficiente) irão ao auditório do Cefet hoje tirar a prova dos nove, em evento promovido pela Faculdade de Educação da UFPel.

"O que vamos fazer é demonstrar publicamente a existência de um novo paradigma. Não é o espaço que é absoluto, e o tempo relativo. É exatamente o contrário: o tempo é absoluto e o espaço é relativo", diz o professor de Matemática do Tempo Annibal Dowgaluk que coloca de cabeça para baixo a teoria "espaço-tempo".

"A gente desde sempre aprende que a ordem dos fatores não altera o produto. Eu penso diferente. A ordem dos fatores é o produto." Em outras palavras, afirma ele, o tempo é a causa, o resto é efeito. "Os ciclos de tempo que convergem na nossa mente criam a realidade. O presente e tudo o que aconteceu antes é simplesmente um prelúdio do agora."

Não apenas isso. A inversão provoca inovadoras formas de percepção do mundo. A Matemática do Tempo é desafiadora. Afinal, provavelmente você também acredite que o espaço separa as coisas, certo? Errado. A noção de distância, para os que acreditam no paradigma tempo-espacial, é mais um equívoco provocado pelo paradigma espaço-temporal. "A distância é o que nos une, e isso não é mera filosofia, é fato. O espaço não é mais que a sombra que projeta o tempo no seu perambular pelas praias da consciência". Entendeu?


Nós e o tempo

Não será por mera coincidência que o Tzolkin - o calendário Maia, também conhecido como Sincronário da Paz - é composto por 260 kins, 20 selos e 13 tons. "260 é o número de dias que passamos na barriga da mãe, 20 é o número de dedos e 13 o número de juntas do corpo humano. Não é por acaso. Nós somos o templo espacial do tempo", afirma Annibal.

Cada pessoa, conforme o dia do seu nascimento, corresponde à um kin, o qual define suas características e o seu propósito de vida. Na quinta-feira, a proposta prática, é colocar frente-a-frente pessoas de kins semelhantes. "Ao olhar o semelhante a gente obtém um reflexo imediato. Como serão muitas pessoas, vamos poder demonstrar uma matriz, uma comparação analógica e exata do que antes era apenas filosofia e ninguém poderá ficar indiferente a isso. As pessoas irão se surpreender."

Segundo ele, identificar as características alheias não se trata de abandonar o auto-conhecimento, mas de se conhecer através do outro, ou melhor, de um "outro você". "Aprendemos que somos diferentes, agora vamos aprender que somos semelhantes." Para o mago, a grande descoberta não consiste em descobrir as características do seu kin. "As pessoas sabem como são. A grande sacada é que pela compreensão da Matemática do Tempo as pessoas se transformam em informação, a mais valiosa informação, e isso te dá escolhas e infinitas possibilidades que antes não tinhas, porque te faltavam parâmetros".

Para entender a equação de Dowgaluk é preciso ir além do auto-conhecimento e conhecer a tudo e a todos, "porque tu não és o centro do universo, tu és apenas mais uma variável." Segundo ele, ententendo as características da energia do outro e da energia do dia é possível construir relações humanas mais pacíficas e harmônicas.

E Deus? "Perguntar a alguém uma definição de Deus é como perguntar a um peixe uma definição da água em que ele está nadando. Tudo é número, Deus é número, Deus está em tudo". Eis uma resposta. Definitiva?

"A imensa maioria das pessoas pensa que só se comunica com Deus durante a prece, como se Deus não fizesse parte de absolutamente tudo", diz Annibal. Para ele, essa nova compreensão não tira a importância da prece, tira a importância da realidade, e da necessidade de estabelecer conscientemente uma conexão com o divino. "A Lei do Tempo te coloca em Deus o tempo todo."


Revolução e Sincronicidade

Nascido na Argentina, formado em Turismo na Espanha, Annibal Dowgaluk, de 37 anos, é um mago andarilho. Mago pelo seu selo, e andarilho porque há 10 anos vive itinerante pelo mundo em busca de ecos para o que considera a maior revolução científica da humanidade.

Hoje, pelo Sincronário Maia, é um dia de Vento Lunar Branco, o que significa, segundo o mago, um dia de desafio. "É um dia difícil, mas as conquistas realizadas nesse dia serão sempre efetivas", garante.

E daí? Daí que o mago faz questão de ser reticente e provocar os céticos. "Não adianta falar", diz ele, que convida as pessoas a verificarem como São Tomé como a revelação da Matemática do Tempo irá repercutir na vida cotidiana. "Eu garanto que esta não é apenas mais uma tendência esotérica da moda". Será?


Ficou intrigado? Confira:

O quê: Seminário sobre a Matemática do Tempo

Quando:
hoje (6), das 14h às 18h (pessoas que não tiverem realizado a inscrição antecipadamente devem chegar a partir de uma hora antes para efetuar o cálculo de seu kin)

Onde: no auditório do Cefet

A entrada é franca.

Mais informações pelos telefones 3284-5533 e 8118-4877.


Texto: Bianca Zanella | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Zoom / P. 6 | Publicado em: Pelotas, Quinta-feira, 6 de novembro de 2008
*** Contém partes não publicadas na versão impressa.