quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Maracatú Atômico


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Ingressos: No Te Va Gustar


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Peg Fest


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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Nome de serpente, jeito de boa menina

Hits românticos marcam o repertório de estréia da banda Coronella

Roqueira, romântica e inofensiva. Formada no começo desse ano, a banda Coronella deu as caras na Internet com três faixas demos. Uma delas, Nas suas mãos, caiu no gosto dos ouvintes de uma das rádios mais populares voltadas para o público jovem e já figurou até na lista de "mais pedidas"

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Ficar sem você não é normal / Ficar sem você já me faz mal / Ficar sem você não é normal..., dizem os versos do refrão, que a vocalista e compositora Lara Rossato repete, em tom de quem quer convencer que pode falar de relacionamentos com personalidade "sem se entregar a maneirismos ou pieguices".

A história da banda começou com um encontro casual dos amigos Leandro Cassal (baixista) e Fernando Miguens (guitarrista) - com passagens em diversas bandas pelotenses, entre elas a Bizarra, que durou de 1997 a 2002 - e o baterista Vladi Vargas, então afastado da música mas disposto a voltar à ativa. Os três convidaram a vocalista Lara, que cantava em bandas covers de rock clássico, para mergulhar de cabeça no projeto autoral.

Leandro é assessor jurídico, Fernando é empresário e Vladi publicitário, todos na casa dos trinta, ou quase trinta. Lara é a caçula e queridinha dos marmanjos: com vinte anos, é estudante de biologia. Profissões à parte, o que eles querem mesmo, é poder viver de música. "Em aula várias vezes eu me pego imaginando arranjos ou letras", confessa a vocalista, que sempre quis ter uma banda chamada assim. Depois de vários nomes toscos rejeitados (que eles se recusam a revelar quais), a idéia foi aceita. "Eu gosto porque é uma palavra feminina, tem uma sonoridade legal que combina com o estilo da banda, mas não fazia idéia do que significava", diz a criadora do nome, que só foi descobrir depois que Coronella é também o nome científico de uma espécie de cobra. Para eles, a palavra não significa nada além do que "a gente mesmo e o nosso jeito de fazer música".

A estréia para o público foi no mês passado, na abertura do show da Comunidade Nin-Jitsu. Não é fácil, no entanto, encontrar o quarteto tocando por aí. "Não somos banda de barzinho, ninguém vai nos ver tocando cover na noite. A gente foi direto pro estúdio porque queremos tocar as nossas músicas", enfatiza o baixista Leandro Cassal. Outro problema que suspendeu por um tempo a agenda de apresentações foi um acidente com o bateirista Vladi Vargas, que está em recuperação. Enquanto isso, o grupo trabalha na produção independente do primeiro CD, ainda sem data de lançamento.

As composições, de autoria de Lara, geralmente são escritas "para alguém", revela, ou falam sobre situações que ela não viveu, mas que viu acontecer. Seria uma forma de burlar o medo de dizer coisas, que só tem coragem de falar através da música? A cantora afirma que não. "A pessoa para quem eu escrevi essa música (Em suas mãos) sabe, só não sei se entendeu o recado... Porque eu sou de chegar e falar mesmo."

Nascida em Dom Pedrito, logo de cara a vocalista gerou comparações com roqueiras badaladas como Shakira e Alanis Morissette. "Até com a Pitty já me compararam!", diz, meio que torcendo o nariz. "Isso não tem nada a ver, nunca ouvi esses sons. Por causa disso, agora é que comecei a ouvir essas músicas, pra ver se são parecidas mesmo, mas minhas influências são outras", garante ela, que cresceu ouvindo ícones da música latina como Violeta Parra e Mercedez Sosa, mas não foge das influências clássicas do rock como Led Zeppelin e The Beatles. "Essas influências são sutis, implícitas, não quer dizer que a gente pareça realmente com algum deles". Mesmo assim, há quem insista na semelhança do som da banda até mesmo com estilos mais pesados, como o da Evanescense.


Clique e conheça

Amanhã entra no ar o novo site, mas quem acessar ainda hoje pode ouvir as demos e saber um pouco mais da banda, pois o endereço redireciona o internauta para o My Space.

Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Se Pá / Pra Curtir | Publicado em: Pelotas, Terça-feira, 9 de setembro de 2008

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

No compasso do nativismo

Novo CD de Joca Martins evoca a essência do gaúcho

Pampa. Um dos principais verbetes do vocabulário gaúcho empresta sua sonoridade e seus significados ao novo CD de Joca Martins, onde poesias e melodias exploram os muitos sinônimos de “pampa” forjados pelas matrizes culturais plantadas no solo da Pátria Grande.

Os temas são recorrentes na trajetória de Joca, mas a versatilidade da poesia e a personalidade imposta em cada nota o fazem escapar do que poderia parecer repetitivo. Em Pampa, é de novo a querência na alma e na estampa do músico que fala mais alto, e neste ponto o intérprete toma emprestado os versos gaúchos de Roberto Paines Nunes, registrados no refrão da nona faixa do CD: “aos que dizem que meu tema guarda sempre a mesma essência / eu respondo que a querência, mãe de todos, é vertente / esse amor que a gente sente faz do pampa um universo / talvez por isso cada verso não pareça diferente”. Aí que eu me refiro...


As canções – com pó dos arreios e gosto de chimarrão - levam a própria pampa ao encontro do gaúcho, por mais afastado que ele esteja desse cenário de planície e coxilhas. O cantor concorda que os gaúchos estejam cada vez mais urbanizados, e que a própria paisagem campeira esteja em transformação, mas não duvida que esses temas possam sensibilizar mesmo que vive distante da realidade campeira. “Acredito que justamente por isso a temática nativista seja ainda mais valorizada. Porque há uma busca interna que tem a ver muito mais com o lado emocional que com a necessidade de estar presente fisicamente nesse local.”


Companheiros de estrada

Este 12° disco marca o reencontro de Joca Martins com antigas parcerias da carreira. Luciano Maia, além do acordeom, assina a produção, a exemplo dos anteriores Por ter querência na alma (2002), Joca Martins canta poemas de Jaime Caetano Braun (2005) e Domingueiro (2007). Pampa sustenta a seqüência de trabalhos de uma forma bastante coerente, como se todas as letras dialogassem entre si. Da polca de abertura Com o coração nas esporas até a última faixa Tino Sestroso, chamarras, milongas, vaneiras, rasguidos e rancheiras se costuram na linha que segue os ícones presentes na pampa: As tropilhas, as canções, os bailes de fronteira, o cavalo... e principalmente o homem do campo.

No equilíbrio entre um saudosismo nostálgico e o embalo das lidas cotidianas, as canções também reafirmam em vários momentos o compromisso dos músicos nativistas como porta-vozes do tradicionalismo e responsáveis por projetar no futuro o legado das origens gaúchas. Pois "quem aceita o encargo de campeiro cantador sabe que é fiador da memória do seu pago”.

Nas composições, Joca divide versos e melodias com Anomar Danúbio Vieira, Fabrício Harden, Rodrigo Bauer, Gujo Teixeira, Eduardo Soares, Gaspar Machado, Fabiano Bacchieri, Pedro Guerra entre outros nomes e faz uma homenagem a José Cláudio Machado. Há ainda uma referência ao folclórico Romance do Pala Velho, adaptado por Noel Guarany, na trilha Encomenda, que conta a história de um gaúcho que procura seu pala, extraviado em um desfile de 20 de Setembro. Recompensa-se, aliás, quem encontrar o objeto, cor branca franjado de azul.


Afinal, a pampa

A faixa-título do CD dá conta da ironia histórica, característica que sempre permeia o imaginário gaúcho. "Todo pampeano, sem erro, tem muito de Martín Fierro", afirma o verso para questionar a separação política de grupos culturalmente intrínsecos e mostrar que, afinal, são apenas diferenças sutis que afastam o gaúcho del gaucho. As três vozes de Luís Marenco, Fabiano Bachieri e Joca Martins - representando os sotaques uruguaio, argentino e rio-grandense - fazem coro no refrão: "Somos um só nesta pampa, mas se contam três. Por que se contam três?"


Lançamento

Durante o Mês Farroupilha Joca Martins cumpre uma extensa agenda de apresentações pelo Rio Grande afora, por onde fará o pré-lançamento do CD, incluindo algumas músicas novas no repertório antigo. Em outubro, o cantor retorna a Pelotas para o lançamento oficial de Pampa, em show marcado para o dia 31, no Theatro Guarany.

Texto: Bianca Zanella | Imagem: Divulgação | Extraído de: Jornal Diário Popular / Caderno Estilo / P. 12| Publicado em: Pelotas, Domingo, 7 de setembro de 2008


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O fim do mundo

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar...

Ok. Se isto não der certo, adeus, e obrigada pelos peixes!
Por via das dúvidas, só volto a pensar no TCC na quinta-feira (se houver uma quinta-feira).

Caso o mundo termine mesmo, essa é a minha mensagem final. A propósito, quarta-feira, estarei dormindo!

Bye.

(Não) Me use neste verão!

Uma campanha por uma estação mais agradável... para os ouvidos.

Os primeiros indícios do verão são o estopim para uma acirrada disputa no mercado fonográfico. Basta que as temperaturas do inverno comecem a subir para que apareçam novamente as barrigas de fora (e fora de forma – como conseqüência dos descontroles sazonais), as modas velhas da estação passada (porque ninguém teve tempo ainda de renovar o guarda-roupa) e as músicas candidatas a novo hit do verão. Estranhamente, o calor parece afetar o senso crítico das pessoas para muitas coisas, até para a sensibilidade artística.

Semana passada recebi por e-mail a demo de um tal Tiago Ferrari Show. Desconheço a procedência da aberração. Não sei descrever a minha reação ao ouvir a composição intitulada Me use neste verão. (Clique para ouvir)

Entrei no site da banda (tem link para caso alguém queira repetir essa experiência), que é aparentemente especializada em animação de bailes. Começou a tocar a Merceditas na trilha. O sotaque do cara que canta é impressionante (no mau, no péssimo sentido), além da expressão, da interpretação... O grupo tem de tudo no repertório: forró, axé, tchê music, reagge, pagode, pop rock e até “tradicionalistas” (ah, se MTG sonha...). Mas voltemos ao novo hit.

Cliquei no play. Ao fundo toca um teclado repetitivo, acompanhado da voz enjoada (meio nasal) da vocalista, que canta mais ou menos assim: Chegou verãããão / A cidade abre portas e janelas / As ruas viram grandes passarelas. O quarto verso da estrofe eu ouvi várias vezes e não entendi. É algo como “Na areia (não-sei-quem) perde o reinado”. Quem perde o reinado? Bom, deixa pra lá. Ninguém consegue ouvir por muito tempo, mas fui persistente. A seqüência foi ainda pior.

Alguns efeitinhos toscos de mixagem depois a voz recomeça: A paixão aflora / Mesmo em olhares casuais / O amor na pele tornam em par e casais (Quê?!?) / Entre corpos calientes e bronzeados...

A terceira estrofe parece o ápice da criatividade. Incrível como conseguiram fazer rimar tantos clichês em apenas quatro versos. E observem que o trecho começa com uma inversão do primeiro verso da primeira estrofe: O verão chegou (sacaram?) / No ar eu sinto o cheiro da magia / A vida na noite que renasce a cada dia / Um mundo de asfalto se transforma em areia.

Tenha paciência! Pior do que ler isso é ouvir. Por isso peço que me acompanhe até o final: Não há sentidos / Nessas ruas definidas prosseguir / A beleza é livre para ir ou vir / E o trânsito congestiona de sereias...

Esse até merece um bis: "E o trânsito congestiona de sereias." Dá pra imaginar uma coisa dessas? Liberdade poética também deveria ter limites, assim certas aberrações poderiam ser evitadas... Mas o melhor de tudo vem agora: Senhoras e senhores, com vocês, o refrão! (este cantado com a mesma voz nasalada do início, mas agora um pouco mais sexy. Aliás, o mesmo tom sexy que a vocalista usa pra dizer “caliente” no segundo verso): Vem, vem... deixar teu corpo molhadinho / Enquanto o meu é só luxúria e paixão / Vem, vem... Vem disputar dessa sereia / Musa. Abusa, e me use neste verããão...

Uau! Vocês podem imaginar o quanto fiquei perplexa depois disso? Por isso resolvi escrever esse texto, que mais que uma forma de compartilhar a piada, é uma forma de desabafo das minhas fortes emoções (que passaram do pavor – como alguém pode ser capaz de criar uma coisa dessas? – ao riso).

Mas o que realmente importa, voltando ao ponto de partida desse texto, é o risco que representa essa música demo (de demonstração e demoníaca) circulando na Internet. Vai que ela caia em mãos erradas? Já pensaram no que pode acontecer se alguém com alguma influência nos meios de comunicação e que compartilhe desse mal gosto a escute e resolva fazer dela mais um novo sucesso? Aí seremos todos obrigados a aturar isso tocando nas rádios!

Quem sabe até – e Deus me livre disso acontecer comigo! – a música vai embalar muitos romances fracassados, e já que o negócio é usar e abusar mesmo, serão muitas outras “paixões descartáveis” (dessas que a gente chama de amor) que ficarão imortalizadas nos acordes dessa canção também descartável e que por ser assim jamais deveria ter sido composta. Pensem nos prejuízos sociais dessa mercantilização do que deveria ser uma expressão artística... E pensem no uso que estão fazendo dos nossos ouvidos!

Posso até imaginar a cena: a gurizada numa tarde quente no Laranjal, admirando a beleza da Lagoa dos Patos, tomando chimarrão no calçadão com o porta-malas do carro aberto e obrigando todo mundo ao redor a ouvir a voz esganiçada dessa criatura, mesclada num repertório que incluirá o lançamento do ano da baiana Ivete, com a última do Armandinho, uma ou outra piada do Pretinho Básico pelo meio e, quem sabe mais um remix (talvez agora na versão funk) do refrão repetitivo na voz de Pedro Bial: “Use filtro solar. Use, u-use, use filtro solar”.

Okai. Use filtro solar, mas... pliiiiissss. (Não) me use neste verão, não!